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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Que legado a Copa do Mundo deixará para as nossas cidades?

Que legado a Copa do Mundo deixará para as nossas cidades?





Esta semana conversei com o Portal Terra sobre o legado que a Copa do Mundo deixará para o Brasil. Confiram abaixo.
Para a urbanista Raquel Rolnik, o legado urbanístico que a Copa do Mundo vai deixar para o País não será significativo
Paula Bianchi
Tidos pelo poder público como uma vitrine para o País e uma oportunidade de investimentos, os grandes eventos que serão realizados no Brasil acabaram servindo de estopim para uma série de reivindicações, que eclodiram nas agora conhecidas como jornadas de junho. Essas reivindicações seguem se desdobrando, causando dor de cabeça aos governantes e perplexidade aos estudiosos. No centro da questão, por sediar a final da Copa do Mundo e as Olimpíadas e fazer parte do imaginário estrangeiro do Brasil, a cidade do Rio de Janeiro e os seus 6 milhões de habitantes servem de laboratório, e se veem entre as promessas de uma cidade melhor e a realidade caótica de má qualidade dos serviços públicos e obras aquém do anunciado.
Para a urbanista Raquel Rolnik, professora da Universidade de São Paulo e relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Direito à Moradia Adequada, que acompanha de perto o processo desde 2009, a principal discussão que se coloca é o direito à cidade e a necessidade de se investir em uma cidade realmente para todos. “Não é comprar casa, comprar moto. Tem uma dimensão publica essencial que é a urbanidade e que precisa ser resolvida”, afirma.
Leia a seguir os principais trechos da entrevista.
Terra: A cinco meses da Copa, que tipo de legado o evento deixa para a cidade do Rio de Janeiro?
Raquel Rolnik: O legado urbanístico que a Copa do Mundo vai deixar não é significativo. Alguns projetos viários e de infraestrutura relacionados com os deslocamentos necessários para o evento, como BRTs, novas vias de ligação com os estádios e entre aeroportos e zonas hoteleiras e estádios, estão sendo feitos, mas essas não eram as prioridades de mobilidade. Não há outros legados do ponto de vista urbanístico que possam ser mencionados. Ações esperadas, como a despoluição da Baía de Guanabara e a melhoria das condições de saneamento gerais da cidade, não foram realizadas. Por outro lado, para a implantação desses projetos de infraestrutura foi necessário remover comunidades e assentamentos que se encontravam naqueles locais há décadas sem que uma alternativa adequada de moradia tenha sido oferecida. Para as pessoas diretamente atingidas, ao invés de um legado, a Copa deixa um ônus.

Terra: Essas remoções foram feitas de forma irregular?
Raquel: Os procedimentos adotados durantes as remoções não correspondem ao marco internacional dos direitos humanos, que inclui o direito a moradia adequada, nem respeitam a forma como elas devem ocorrer. O direito a informação, a transparência e a participação direta dos atingidos na definição das alternativas e de intervenção sobre as suas comunidades não foi obedecido. As pessoas receberam compensações insuficientes para garantir seu direito à moradia adequada em outro local e, em grande parte dos casos, não houve reassentamento onde as condições pudessem ser iguais ou melhores daquelas em que se encontravam. Nos casos em que aconteceu algum tipo de reassentamento para o Minha Casa Minha Vida, esse se deu em áreas muito distantes dos locais originais de moradia, prejudicando os moradores no acesso aos locais de trabalho, meio de sobrevivência e a rede socioeconômica que sustenta na cidade.

Famílias da Vila do Metrô, ao lado da comunidade da Mangueira, tiveram casas derrubadas a fim de reordenar o espaço e criar um polo automotivo no local Foto: Daniel Ramalho / Terra
Famílias da Vila do Metrô, ao lado da comunidade da Mangueira, tiveram casas derrubadas a fim de reordenar o espaço e criar um polo automotivo no local
Foto: Daniel Ramalho / Terra
Terra: Isso tem alguma relação com a Copa ser realizada em um país em desenvolvimento. Em outras nações que receberam o campeonato esse processo se deu de uma forma diferente?
Raquel: Aquilo que se incide de uma forma diferenciada sobre o Brasil e que podemos estender para outros casos, como a Índia na organização dos Commonwealth Games, e também da África do Sul na Copa do Mundo, é a existência de assentamentos informais de baixa renda consolidados. Essas comunidades são as mais vulneráveis as violações aos direitos de moradia, o que não quer dizer que em outros países isso tenha sido respeitado.

Terra: Desde junho, milhares de pessoas saíram às ruas em protesto tanto contra a qualidade e o preço do transporte quanto contra os gastos com os megaeventos. O grito “não vai ter Copa” se tornou uma bandeira comum a diversos grupos. O que essas manifestações expressam e o que podemos esperar para 2014?
Raquel: Me parece que a sociedade brasileira tem demonstrado o seu descontentamento em relação ao modelo de crescimento econômico e de inclusão social que estamos vivendo. Esse modelo, baseado na ampliação do acesso ao consumo, não enfrentou e não resolveu a questão da cidade para todos. Ou seja, não se criou um modelo de desenvolvimento urbano que rompa com a ideia de uma cidade excludente, para poucos. As manifestações tem um conteúdo bastante claro de reivindicação de direitos, especialmente do direito à cidade, expresso através do direito ao espaço publico e ao serviço publico de qualidade, entre outras questões.

Terra: Você comentou que as obras de transporte que estão sendo realizadas não seriam as mais necessárias. O que seria uma prioridade para o Rio?
Raquel: Toda a relação com a população da Baixada Fluminense é absolutamente prioritária, assim como o eixo Niterói-São Gonçalo, que são os locais que enfrentam os maiores gargalos de mobilidade e que beneficiariam o maior número de habitantes.

Terra: O Rio sofre com o crescimento da especulação imobiliária, que se reflete nos preço dos imóveis e na alta do custo de vida. Qual o efeito disso a longo prazo na cidade?
Raquel: Talvez o Rio seja o local onde isto esteja acontecendo com maior intensidade, mas a especulação também afeta outras cidades. O efeito é a expulsão dos setores de menor renda das áreas mais urbanizadas, com acesso a serviços, oportunidades etc. Há um descolamento em direção a periferias desqualificadas, sem urbanidade, com impactos enormes sobre a mobilidade e as condições de vida da população. Além de gerar, e isso já está claro em São Paulo e no Rio, um aumento na quantidade de pessoas morando na rua e sem teto. Não há um censo, mas nós já observamos que há um número cada vez maior de pessoas que não tem condições de morar em local algum. Esses números são alarmantes. É a população que hoje está ou vivendo nas ruas ou nas ruas promovendo ocupações e protestos.

Terra: Quais os principais desafios do Rio?
Raquel: O Rio, assim como outras metrópoles do Brasil, é uma cidade partida. O maior desafio é a inclusão territorial, fazer uma cidade que seja realmente para todos. Não é comprar casa, comprar moto. Tem uma dimensão pública essencial que é a urbanidade e que precisa ser resolvida. Tenho acompanhado o tema dos megaeventos desde que apresentei um relatório temático ao conselho de direitos humanos da ONU em 2009 fazendo uma espécie deoverview da questão no mundo com foco na moradia. A partir daí o conselho votou uma resolução definindo claramente que a preparação dos megaeventos deveria levar em consideração e respeitar o direito a moradia para todos. Acredito que os procedimentos ao longo desses anos, devido a própria organização das populações atingidas, aos comitês em torno da Copa, à sensibilidade dos meios de comunicação para reportar esse tema, estão melhorando. Nos primeiros casos que vi no Rio de Janeiro, o trator já ia derrubando as casas com as coisas das pessoas dentro. Houve aumento no valor dos benefícios, acabou de sair uma portaria do governo federal em relação a essa questão, mas isso ainda é insuficiente em relação aos desafios que temos nesse campo.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Ciclismo: a liberdade em duas rodas

Ciclismo: a liberdade em duas rodas

 

 Neste verão, são vários os esportes procurados para eliminar as gordurinhas, aliviar a mente e sentir um pouco de liberdade. Conheça essa atividade

 

Por Filha do Oeste News

Ciclismo: a liberdade em duas rodas 

Foto: Divulgação

O ciclismo, a cada dia que passa, vem crescendo em todo o mundo. São várias as cidades onde a população prefere sair de bicicleta a andar de carro. A modalidade surgiu no ano de 1980 na Inglaterra. Ao longo dos anos surgiram campeonatos e diversos tipos de bicicleta. Elas foram fabricadas de vários tamanhos, suportando pessoas de todas as formas e os diferentes impactos terrestres.
Em São Miguel do Oeste, as redes sociais, através de um grupo no Facebook chamado “Pedal SMO”, uniram os apaixonados por ciclismo. Um dos integrantes do grupo, Jacson Paliano, conta que sempre gostou de bicicleta e da liberdade proporcionada em seus passeios com ela, pois não produz barulho nem poluição.
“Comecei a andar e correr de bicicleta há 22 anos. Na época era tudo novo, as pessoas nos viam com capacetes e roupas coloridas, muitos até davam risada, pensavam que nós éramos loucos, mas com o tempo foram aumentando o número de praticantes e hoje é bastante normal você sair pela cidade e encontrar ciclistas com equipamentos e vestuários adequados, praticando esse esporte”, comenta.
Segundo ele, são inúmeros os benefícios para quem anda de bicicleta, visto que ela proporciona a tonificação dos músculos através das pedaladas, a liberdade e o relaxamento da mente. Contudo, o grande diferencial é que você não precisa de colegas para pedalar, você pode ir sozinho.
“Costumo dizer que andar de bicicleta é meu antidepressivo, ou o meu antiestresse. Em nosso dia a dia atual, somos muito expostos à rotina corrida, é muita informação e muitas são as obrigações, mas quando chega o final da tarde você pega sua bicicleta e gasta todo seu estresse ali, e, ao chegar em casa, é só tomar um banho que você já se sente novo outra vez”, declara.
Paliano já participou de diversas competições. Nelas, ele utilizava a bicicleta de pneu fino, usado em asfalto. O ciclismo de asfalto é um dos esportes mais lindos e dos mais exigentes. As grandes competições mundiais são realizadas em 21 dias consecutivos, em que as distâncias vão de 180  a 260 quilômetros, onde esta quilometragem é feita com força máxima e sem tempo para descansar.
Atualmente, Paliano utiliza a bicicleta de trilha e aproveita para admirar e se encantar com as paisagens regionais. O grupo formado organiza suas trilhas através de propostas, apresentadas por membros, nas redes sociais.
Entre trilhas e estradas, Paliano já percorreu mais de cinco mil quilômetros.
Para ele, não há a trilha mais bonita, mas, sim, aquela a serpercorrida, pois cada trilha tem o seu diferencial, as suas surpresas.
Sua segurança, enquanto anda de bicicleta, pode ser garantida através de capacetes, cotoveleiras, joelheiras, roupas leves e coloridas, para que você possa ser visto por outros motoristas, além de farol e lanternas para quem pedala à noite.

Experiências latino-americanas de recuperação de empresas por trabalhadores inspiram europeus

Experiências latino-americanas de recuperação de empresas por trabalhadores inspiram europeus 

 

 Encontro em Marselha, no sul da França, reuniu operários, militantes e pesquisadores da autogestão e das fábricas recuperadas pelos trabalhadores. 

 

Nicolas Tamasauskas - Especial para Carta Maior Nicolas Tamasauskas - Especial para Carta Maior


Paris - Em meio à crise na zona do euro e a questionamentos crescentes quanto à agenda de governos e do modelo econômico na Europa, experiências na América Latina são referência na construção de alternativas ao desemprego em massa e à luta pela autodeterminação dos trabalhadores no velho continente. É o que se verificou em encontro próximo a Marselha, no sul da França, nos dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro. A cidade de Gémenos recebeu a primeira edição do "Encontro Regional para Europa e Mediterrâneo – A Economia dos Trabalhadores". Foi organizado nas instalações da Fralib, fábrica de produção de chás que teve as atividades interrompidas pela multinacional Unilever com a transferência da produção para a Polônia, visando menores custos trabalhistas. A fábrica está hoje sob o controle dos trabalhadores e a marca é objeto de disputa judicial.

Exemplos de empresas autogeridas pelos operários na Argentina, no Brasil e no México, as pesquisas e a conquista de espaços nas universidades para o tema na América Latina, e as análises sobre os caminhos desse tipo de construção coletiva prenderam a atenção dos europeus. O encontro foi organizado pelos cooperados da Fralib, em conjunto com o Programa Facultad Abierta da Universidade de Buenos Aires, a Associação Autogestão - França, a rede workerscontrol.net, projeto Officine Zero (Itália), o ICEA (Instituto de Ciências Econômicas e Autogestão – Espanha) e a Aspas (Associação de Solidariedade com a América do Sul - França). Reuniu mais de 200 pessoas, entre trabalhadores, militantes da autogestão e pesquisadores de universidades. Resultou na troca de experiências e formas de mobilização, e no consenso sobre a necessidade de aprofundamento de intercâmbio e da solidariedade entre os países. Também, forçosamente, uma comparação entre os momentos distintos vividos pela Europa e pela América Latina.

“A América Latina teve uma década progressista, com avanços em maior e menor intensidade nos países, mas deveremos verificar uma reação da direita, e as conquistas alcançadas nos últimos anos terão de ser defendidas, como as práticas e os debates de autogestão”, afirmou Andrés Ruggeri, do programa Facultad Abierta (Argentina), um dos principais organizadores do evento. “Na Europa temos um panorama muito difícil, uma crise que tende a se aprofundar, uma situação em que as forças conservadoras aproveitam para impor suas reformas neoliberais”, completou, enfatizando a importância do fortalecimento dos movimentos de resistência e de autogestão.

“O capitalismo tem uma grande capacidade de se remodelar, e por isso os trabalhadores têm de adaptar-se, buscar maneiras de enfrentar as situações que se colocam”, disse Célia Pacheco Reyez, professora de sociologia da Universidade Autonôma Metropolitana da Cidade do México, que estuda o trabalho precário.

Gerard Cazorla, operador de máquinas há 33 anos na Fralib, que conduziu parte dos estrangeiros em uma visita pela fábrica, ressaltou que o contato com os casos argentinos, por exemplo, reforça a crença no sucesso da recuperação francesa.

Apesar da “inversão histórica de posição” entre América Latina e Europa, pelos importantes movimentos sociais e pelas experiências de resistência e construção de alternativas, seguem notórias as diferenças nos sistemas de proteção social e de acesso aos direitos dos trabalhadores nos países dos dois continentes. Mesmo sem conseguir produzir, em decorrência das disputas judiciais em torno da fábrica, os operários da Fralib foram remunerados, por determinação da Justiça, pela Unilever durante parte da ocupação, iniciada em 2011, e por mais alguns meses recebem o seguro-desemprego.

Ao longo de décadas, o sistema de remuneração na França no entanto vem retrocedendo. “Quando entrei na Fralib, um operador de máquinas recebia o equivalente a um salário mínimo acrescido em 40%, hoje a média é de 3% a mais sobre salário mínimo”, informou operário.

Grécia – “Seria importante criar uma rede internacional mais estável, permitindo um empreendimento apoiar ao outro politicamente, criar uma voz comum internacional e até mesmo com apoio material ou econômico", afirmou o grego Theodoros Karyotis, representante de associação de iniciativas solidárias à Vio.me, empreendimento de trabalhadores em Tessalônica, que participou do encontro na França ao lado de dois operários, atuando também como intérprete.

Composta por 70 trabalhadores quando da sua falência, a Vio.me tem situação análoga à Fralib, em menor escala. Após um ano sem receber seus direitos trabalhistas e sem poder acessar o sistema de auxílio-desemprego no país, decidiram pela ocupação da fábrica. A empresa produzia materiais para construção civil. Hoje não possui capital para seguir essa linha produtiva e tampouco mercado. “A crise na Grécia faz a construção civil estar completamente parada”, disse Karyotis.

Com isso, comercializa hoje produtos de limpeza com insumos naturais, que não oferecem danos ambientais. No próximo dia 12 a Vio.me completa um ano sob controle operário, e se ampara na venda informal dos seus produtos, uma cooperativa de vinte pessoas apoiada em associações de solidariedade “de dezenas de cidades gregas”. Além disso, a cooperativa tem a figura do “membro solidário”, integrante da comunidade que, ao adquirir produtos, tem o direito de participar da tomada de decisões do empreendimento. “É uma forma a mais que o empreendimento tem de buscar o apoio da comunidade.”

Um dos países mais afetados pela crise, a Grécia vê o surgimento de diversas experiências desse tipo, segundo Karyotis. “Têm surgido muitas cooperativas produtivas e de consumo. Também redes de intercâmbio e estruturas solidárias, como centros de atendimento médico gratuito”, afirmou.

Os gregos propuseram nos debates do Encontro a criação de um fundo internacional de apoio aos empreendimentos, com recursos das próprias empresas recuperadas e cooperativas, iniciativa que recebeu o apoio de outros trabalhadores e militantes, como o francês Benoit Borrits, da Associação Autogestão da França.

Conquista argentina – A Argentina traz diversos exemplos de autogestão. Florescentes na profunda crise que o país viveu na virada dos anos 90 para os 2000, fábricas recuperadas por trabalhadores se consolidaram, funcionam a pleno vapor e estão amparadas não só em uma histórica mobilização de operários, no apoio e envolvimento das comunidades onde as fábricas estão inseridas e em mecanismos legais que permitem que as fábricas falidas passem ao controle dos antigos funcionários.

É o caso da cooperativa Têxtil Pigue, localizada em uma cidade de 15 mil habitantes a 600 quilômetros de Buenos Aires. Na semana passada a cooperativa obteve a titulação, outorgando aos trabalhadores a propriedade dos meios de produção. A iniciativa argentina foi representada na França por Francisco Martinez. “Esse encontro e esse cenário nos lembram muito momentos do início de nossa luta”, disse. A cooperativa reúne hoje 140 trabalhadores cooperados.

Brasil - Os brasileiros Vanessa Moreira Sigolo, pesquisadora do tema vinculada ao Nesol (Núcleo de Economia Solidária da Universidade de São Paulo) e Flavio Chedid, do Soltec (Núcleo de Solidariedade Técnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro), mostraram os resultados de levantamento nacional concluído no ano passado.

O Brasil possui 67 empresas recuperadas por trabalhadores em funcionamento, atuantes em diferentes segmentos, como metalurgia, mineração, indústria têxtil e outros. O estudo “Empresas recuperadas por trabalhadores no Brasil” foi conduzido por pesquisadores de 10 universidades públicas brasileiras, consolidado a partir de pesquisas de campo, entrevistas com trabalhadores e análise dos resultados.

“A pesquisa buscou trazer a público as experiências de milhares de trabalhadores, que a partir da luta contra o desemprego, criaram formas coletivas e autogeridas de produção e trabalho”, disse Vanessa. “As experiências de autogestão são parte da história de resistência contra a exploração do trabalho e hoje retomam sua atualidade em face das crises sociais, econômicas e ecológicas do capitalismo contemporâneo, sendo centrais para a renovação do socialismo e das lutas sociais”, completou.

Faculdade aberta em risco – Se a Argentina é vanguarda na autogestão e possui mais de 300 empreendimentos em funcionamento, a discussão e os projetos de atuação no meio acadêmico podem estar em risco.

Programa de extensão surgido na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires em 2002 e grande articulador do evento, a exemplo também de Encontro análogo que aconteceu no Brasil ano passado em João Pessoa (PB), o Facultad Abierta sofre a ameaça de fechamento pela instituição. Uma lista de apoio ao centro de pesquisa foi assinada pelos participantes do encontro na França. “Nós enfrentamos questionamentos dentro da faculdade, uma ameaça de fechamento, mas independente do que aconteça, a luta vai continuar”, disse Andrés Ruggeri.

Dario Azzelini, sociólogo alemão de origem italiana, apresentou no seminário a página na internet sobre experiências e debates sobre controle operário. Segundo o militante, o siteworkerscontrol.net está aberto à contribuições de artigos e relatos em português, espanhol, inglês e alemão. “A proposta é ser um arquivo virtual para discussões de experiências do presente e também daquelas que já aconteceram”, disse.

Ideia maluca – O projeto Officine Zero, com sede em Milão, na Itália, é outra experiência a aproximar os trabalhadores e o "lado de fora da fábrica". Ocupada desde o começo de 2012, a oficina de reforma de vagões ferroviários está sendo transformada em pólo de apoio a trabalhadores em situação precária, manifestações culturais como teatro, artes plásticas e música. No evento, foi exibido o documentário “Pazza Idea” (ideia maluca, em italiano), relatando a ação de jovens integrantes de coletivo cultural situado próximo à fábrica.

O encontro debateu ainda novos movimentos de resistência à crise do capitalismo, usando como mote os protestos em diferentes países. Carlos Schmidt, professor do Núcleo de Economia Alternativa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, destacou as manifestações surgidas no Brasil em decorrência da organização da Copa do Mundo, "corrupção jamais vista no país, que provoca grande sensibilização popular".

Fralib – Marca centenária (criada em 1892), o chá Elephante foi comprado pela Unilever em 1972, sendo produzido em Marselha e em Le Havre, no norte da França. Em 1997, a multinacional fechou a unidade de Le Havre e, após a pressão dos trabalhadores, transferiu parte dos funcionários (54 famílias) para a planta situada no extremo sul do país, como a família de Olivier Leberquier, delegado da CGT (central sindical francesa). A decisão de fechar também a fábrica do sul em 2010 desencadeou duas ocupações, intercaladas por disputas judiciais e a presença de seguranças privados contratados pela Unilever, instrumento previsto na legislação da França. A empresa pretende centralizar sua linha de chás na marca Lipton. A primeira ocupação aconteceu em agosto de 2011 e durou quatro meses. Em maio do ano seguinte fizeram mais uma ocupação até setembro. Finalmente, a fábrica foi vendida pela Unilever para o governo local de Marselha, que a repassou aos trabalhadores.

Hoje o chá tem uma pequena produção para distribuição militante e como forma de sensibilizar apoio para a luta dos trabalhadores da Fralib. Essa produção está sendo feita sem os aditivos químicos que eram utilizados pela Unilever para aromatizar anteriormente. O produto tem sido comercializado de maneira informal, com apoio de associações, partidos políticos e sindicatos.

Trabalhadores da Fralib e sindicatos tem organizado regularmente campanhas de boicote aos produtos da Unilever, e em especial aos chás da marca Lipton.
Créditos da foto: Nicolas Tamasauskas - Especial para Carta Maior

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Uso do Facebook para atrair jovens a combater na Síria preocupa UE

Uso do Facebook para atrair jovens a combater na Síria preocupa UE


Atualizado em  3 de fevereiro, 2014
Abou Shaheed. Foto: Facebook
Francês Abou Shaheed foi combater ao lado de rebeldes ligados à Al-Qaeda na Síria
Autoridades da Uniao Europeia estão preocupadas com o uso de sites de mídia social como Facebook para engajar jovens europeus na guerra da Síria.

A Comissão Europeia recomendou recentemente aos governos do bloco "ir além da proibição ou remoção de material ilegal" postado no Facebook e "passar a publicar mensagens opostas para contrariar as versões dos extremistas" e reduzir o impacto das redes sociais na radicalização de jovens.
Diversas páginas foram abertas no Facebook com mensagens explícitas para tentar recrutar jovens europeus. Páginas supostamente criadas por outros jovens que já lutam em território sírio, exibem um objetivo claro: promover a causa e atrair mais simpatizantes à luta.
A maioria dessas páginas seria de jovens que teriam se convertido ao islamismo radical contra a vontade de suas famílias e passado a integrar os batalhões do Estado Islâmico no Iraque e Levante (EIIL), um grupo ligado à Al-Qaeda que pretende instalar a sharia (lei islâmica) na Síria.
As autoridades francesas estimam que cerca de 250 cidadãos desse país participam do combate na Síria e outros 150 teriam manifestado o desejo de participar.
Na Bélgica, o ministério de Assuntos Exteriores já identificou cerca de 200 cidadãos que lutam em território sírio, além de 20 já mortos, mas afirma que esses números variam rapidamente.

Incentivo

As páginas trazem estampadas fotos dos supostos combatentes com o rosto à mostra e mensagens disponibilizadas a todo o público da rede social não apenas contra o governo de Bashar al-Assad, mas também contra grupos rebeldes moderados e contra toda forma de democracia.
Em contas abertas com pseudônimos religiosos, são publicadas regularmente fotos mostrando esses jovens em mansões em que viveriam, na região de Aleppo, expropriadas de ricos habitantes que fugiram das cidades depois da chegada dos radicais, e nelas eles comentam seu dia a dia.
"Coloco minhas fotos para dar força aos irmãos para vir (à guerra)", afirma a página do suposto francês Abou Shaheed ao lado de uma imagem na qual aparece em uniforme camuflado, um grande sorriso no rosto descoberto e um fuzil na mão.
A mesma justificativa é dada por Abu Houdaifa Ahmed, que se diz belga, de 21 anos. Ele exibe orgulhoso suas armas e uma grande jarra de suco fresco de fruta, explicando como os "candidatos ao martírio" têm tudo o que necessitam na "terra de Alá" que tentam conquistar.
O belga Ismail diz que se uniu ao combate há um ano, aos 16 anos. Ele revela um rosto angelical coroado com um turbante em meio a imagens de fuzis AK 47 e lança-granadas.
Nos comentários embaixo das fotos, muitos simpatizantes se dizem "ansiosos por se unir" ao grupo e "combater os infiéis".
Os combatentes na linha de frente prometem ajudar com a logística e "esperar de braços abertos" os novos recrutas, mas não se limitam às palavras.

Simpatia

Warda Salame, jornalista do semanário belga Le Vif, se passou por um simpatizante e, depois de meses de contatos, recebeu indicações precisas e números de telefone de intermediários que a ajudariam a chegar a uma brigada do EIIL através da fronteira turca.
Até as fotos de cadáveres de companheiros de luta - menos frequentes - despertam simpatia entre os contatos dos combatentes, que louvam a coragem do defunto e desejam "que Alá abra as portas do paraíso" ao "mártir" ou "reserve a mesma honra" a si próprio.
"Viemos todos aqui para isso", lê-se em um desses comentários.
A rede social também é usada para pedir doações e enviar mensagens às famílias, por intermédio de membros do grupo que ficaram no país de origem.

Exibicionismo

Para François Ducrotté, analista do centro de pesquisa International Security Information Service (ISIS), com base em Bruxelas, essa atividade explícita é também uma forma de exibicionismo para jovens procedentes de classes desfavorecidas.
"É um orgulho para eles (mostrar a vida que levam na Síria). Essas pessoas, que são geralmente esquecidas pela sociedade, podem ter um momento de glória lutando por uma causa que talvez nem conheçam. E elas utilizam as redes sociais para ganhar protagonismo", afirmou em entrevista à BBC Brasil.
No entanto, "sendo inconscientes e orgulhosos, (os autores das páginas) também ajudam as autoridades a identificar as células de recrutamento e células terroristas" ativas em seus países de origem, acredita o analista.
O Ministério de Interior da Bélgica afirma que esses sites são monitorados pelos serviços antiterrorismo e que as informações divulgadas nessas páginas são usadas nas investigações sobre os combatentes que voltam ao país.
Segundo a Europol, as autoridades europeias não têm poderes legais para controlar publicações em internet realizadas fora de seu território ou perseguir suspeitos em outros países.
Questionado pela BBC Brasil, o Facebook disse que as páginas identificadas pela reportagem violam as regras do site que proíbem a difusão de conteúdo incitando ou apoiando a violência, mas continuavam no ar porque não haviam sido denunciadas por nenhum usuário.
Os perfis foram rapidamente desativados, mas a empresa admitiu que é incapaz de impedir que as mesmas pessoas criem uma nova conta ou de supervisionar o conteúdo publicado por seus mais de um bilhão de usuários, o que poderia ser qualificado como invasão de privacidade.

Chavismo completa 15 anos no poder neste domingo; relembre fatos mais marcantes

Chavismo completa 15 anos no poder neste domingo; relembre fatos mais marcantes





Com frases de efeito, medidas populares e forte resistência opositora, chegada de Hugo Chávez ao poder foi divisor de águas na Venezuela

1999

Eleito com 56% dos votos no ano anterior, Hugo Chávez assume a presidência no dia 2 de fevereiro de 1999 jurando sobre o que classificou como “moribunda Constituição”. Com aprovação popular, uma Assembleia Constituinte para a redação de nova Carta Magna é convocada. Em dezembro, os venezuelanos aprovam o teor da nova Constituição, que passa a substituir a de 1961. 



Wikicommons
Hugo Chávez durante visita ao Brasil, em 2003



2000
Segundo previsto na nova legislação, eleições são convocadas e, em 30 de julho, Chávez é ratificado na presidência com quase 60% dos votos.
2001

Com uma lei habilitante que permitia ao presidente ditar decretos com força de lei sem necessidade de aprovação do Legislativo, Chávez anuncia a Lei de Terras e a de Hidrocarbonetos. Esta última aumentava o controle do Estado sobre a atividade petroleira e os tributos ao setor privado. As medidas geram paralisações e fortes críticas dos opositores e do empresariado. 



2002
No dia 11 de abril, uma marcha opositora é realizada para pedir a renúncia do presidente. A manifestação é desviada em direção ao Palácio de Miraflores, onde apoiadores do governo se concentravam. Franco-atiradores disparam contra a concentração chavista, que responde com tiros. O confronto deixa 19 mortos e mais de 200 feridos. 


No dia 12 de abril, o inspetor geral da Força Armada afirma que Chávez aceitou renunciar. Pedro Carmona Estanga, presidente da Fedecámaras, se autojuramenta como presidente, dissolvendo a Constituição e poderes do Estado, como Parlamento, Supremo Tribunal de Justiça e Conselho Nacional Eleitoral. A população exige a volta de Chávez, que tinha sido sequestrado. 


Apoiado por parte das Forças Armadas, o presidente volta ao poder no dia 14 e é recebido por apoiadores ao canto de “voltou, voltou, voltou”. Em dezembro, a PDVSA e o setor empresarial convocam nova greve para exigir a renuncia de Chávez. Desta vez a paralisação se estendeu por 63 dias, gerando graves consequências econômicas e sociais para o país. 



2003
Após o fim da paralisação, em fevereiro é estabelecido um controle de câmbio no país para evitar a fuga de divisas. Em uma nova tentativa de acabar com o mandato de Chávez, a oposição coleta assinaturas para a realização de um referendo revocatório. Neste ano, o governo venezuelano dá início a programas sociais denominados como “missões”, para que a parcela da população com baixos recursos tenha acesso a saúde e educação, por meio de um convênio com Cuba. 



2004
O referendo revocatório é realizado em 15 de agosto. A população, no entanto, confirma o apoio a Chávez, que é ratificado no cargo com 59% dos votos. Em dezembro, a Venezuela assina novo acordo com Cuba, criando a Alba (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América), visando a integração regional.



2005
Chávez lança a Petrocaribe, aliança de países do Caribe que compram petróleo do governo venezuelano em condições preferenciais de pagamento para fortalecer os mecanismos de integração regional. Em dezembro, eleições legislativas são realizadas na Venezuela. A oposição se retira do processo eleitoral e o chavismo domina os postos da Assembleia Nacional, em uma eleição marcada por 75% de abstenção. Neste ano, o projeto da Alca (Aliança de Livre Comércio das Américas) é enterrado em Mar del Plata, na Argentina, onde Chávez exclama: “Alca, Alca, al carajo”.



2006
Na Assembleia Geral da ONU, em setembro, Chávez diz a famosa frase sobre George W. Bush: “Ontem o diabo esteve aqui, neste mesmo lugar, ainda cheira enxofre”. Em dezembro o país vai novamente às urnas para eleições presidenciais. Chávez obtém 62,8% dos votos contra Manuel Rosales, para permanecer no posto até 2012. 



2007

Outra Lei Habilitante é aprovada pelo Legislativo para que o presidente possa governar por decretos. O Estado toma o controle de operações em campos petrolíferos na Faixa do Orinoco, que passam a ser realizadas por empresas mistas, com maioria acionária da PDVSA. Neste ano, também anunciou a nacionalização da maior empresa de telecomunicações do país e do setor elétrico. No fim de maio, a RCTV (Rádio Caracas TV) sai do ar como canal de TV aberto pela não renovação da concessão por, segundo o governo, descumprimento do regulamento local. Para oposicionistas, a decisão seria castigo pelo apoio da emissora ao golpe contra Chávez em 2002. Em dezembro, um referendo para uma nova reforma constitucional é realizado, mas a proposta é rechaçada nas urnas.
2008

O governista PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) é criado. Por um conflito com o então presidente colombiano, Álvaro Uribe, Chávez ordena o fechamento da embaixada venezuelana em Bogotá e envia tropas à fronteira. O desentendimento se dá devido à operação militar do governo colombiano que mataria o segundo homem das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Raul Reyes, em território equatoriano. Em maio, o presidente nacionaliza a Sidor (Siderúrgica do Orinoco). Em setembro, Chávez expulsa o embaixador dos EUA do país. Washington responde com medida recíproca. Em novembro, eleições para governadores, prefeitos e vereadores são realizadas e o chavismo ganha com ampla maioria.



2009
Um referendo é convocado para 15 de fevereiro e, com quase 55% dos votos, é aprovada a emenda constitucional que previa reeleição ilimitada para cargos públicos.



2010
O governo venezuelano volta a romper relações diplomáticas com a Colômbia. Com a eleição de Juan Manuel Santos, o diálogo é reestabelecido. Em novas eleições legislativas, no mês de setembro, o governismo ganha a maioria dos postos na Assembleia Nacional, mas perde a maioria qualificada.



2011
Chávez é submetido a uma cirurgia em Havana por um abscesso pélvico.  Em junho, se submete a nova operação e anuncia que tem um tumor cancerígeno, razão pela qual regressa a Cuba para tratamento. Em outubro, afirma já não ter células malignas.



Com a aprovação do Legislativo, tem início a repatriação das reservas venezuelanas que estavam em bancos estrangeiros. Em dezembro, nasce a Celac (Comunidade de Estados Americanos e do Caribe), em Caracas, colocando em marcha o organismo de integração de 33 países da América, salvo Estados Unidos e Canadá. 



Wikicommons
Integração regional foi um dos principais objetivos da política externa da Venezuela nos últimos 15 anos



2012
Chávez anuncia que o câncer reapareceu e volta a Cuba em fevereiro para uma nova operação. O presidente venezuelano passa por tratamento de radioterapia em março e abril. No dia 30 de julho, viaja ao Brasil para participar da cúpula do Mercosul (Mercado Comum do Sul), na qual o país se tornamembro pleno do bloco



Em outubro, Chávez ganha uma nova eleição presidencial, com 55% dos votos, contra o governador do estado de Miranda, Henrique Capriles. No dia 8 de dezembro, o líder realiza seu último discurso público. Em uma histórica transmissão em rede nacional de rádio e TV, afirma que se submeterá a uma nova e delicada cirurgia. Pede que, no caso de não poder continuar na presidência, a população vote em seu vice-presidente, Nicolás Maduro



No dia 11, é operado em Havana. Em sua ausência, eleições a governadores são realizadas e ochavismo vence em 20 de 23 estados. Capriles obtém a reeleição em Miranda. 



2013
Após diversos boletins médicos transmitidos em rede nacional de rádio e televisão pelo governo, Maduro anuncia no dia 5 de março o falecimento do líder, que regressara ao país em meados de fevereiro. 



Durante nove dias, filas quilométricas foram formadas por venezuelanos que davam o último adeus ao presidente. No dia 15 de março, o corpo de Chávez foi levado ao Quartel da Montaña, no bairro popular de 23 de Enero. 



Novas eleições presidenciais são convocadas para 14 de abril, após curta campanha, conforme estava previsto na Constituição. Maduro vence Capriles com diferença de 1,49% dos votos. O opositor não reconhece a legitimidade do pleito e convoca seus seguidores a um panelaço. No dia 15 de abril, o país registra episódios de violência e mais de uma dezena de chavistas são mortos. Capriles solicita a anulação do pleito. 



Agência Efe
Aliança com Cuba é prioridade política do chavismo; Maduro durante última reunião da Celac



Ao longo dos meses, Maduro se consolida como chefe de Estado. Apesar de lidar com escassez de produtos alimentares e uma inflação galopante, que fechou o ano em 56%, o presidente iniciou umaofensiva econômica contra a especulação, com fiscalizações e intervenções a comércios. Em dezembro, o chavismo conquistou a maioria dos municípios nas eleições a prefeitos. Antes de terminar o ano, Maduro recebeu opositores em Miraflores e abriu portas para o diálogo político no país. 



2014
A comoção gerada pelo assassinato de uma ex-miss fez com que Maduro recebesse governadores para discutir segurança. Na reunião, ele e Capriles se cumprimentaram pela primeira vez em nove meses. Durante a iniciativa, anunciou que limitaria o lucro de empresários em 30%.


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Governo do Rio promete parque de ciclismo no Complexo do Alemão

Governo do Rio promete parque de ciclismo no Complexo do Alemão


Por Terra - 03/02/2014

Governo do Rio promete parque de ciclismo no Complexo do Alemão
Foto: Divulgação


Em 2010, a Pedra do Sapo, no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, ficou mundialmente conhecia quando as imagens de traficantes fugindo da polícia foram veiculadas na televisão. Quatro anos depois, o governo do estado promete para o local o primeiro parque de ciclismo do Brasil e o maior da modalidade na América Latina. Batizado de Bike Park do Alemão, com pistas seguindo os padrões internacionais para o downhill, freestyle e BMX, o complexo custará R$ 3 milhões, com 1.100 metros quadrados de área pavimentada e 4.500 metros quadrados de área construída. As obras começam segunda-feira e têm previsão de término no fim de março.
A recuperação de espaços como este é importante para a autoestima dos moradores das comunidades. O esporte, de maneira geral, não tem preconceitos, não escolhe classe social e é uma grande forma de integração - afirmou o secretário de Estado de Esporte e Lazer e presidente da Suderj, André Lazaroni.
O Bike Park será construído pela Secretaria de Estado Esporte e Lazer, em parceria com a Light, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte. As obras fazem parte do Projeto Travessia, que tem orçamento de R$ 16,4 milhões em recuperação, recapeamento e construção de instalações esportivas em 13 comunidades pacificadas do Rio. O Travessia conta ainda com financiamento do BNDES.
Além do parque de ciclismo, o governo do estado promete outras obras na região do Complexo do Alemão: na Serrinha, serão instalados um novo campo de grama sintética, refletores e vestiários. Na quadra do Arará, serão feitas novas marcações e mais a construção da cobertura e de vestiários.