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domingo, 17 de agosto de 2014

Entrevistas históricas: Georges Simenon entrevista Leon Trótski em 1933

Entrevistas históricas: Georges Simenon entrevista Leon Trótski em 1933

trotskiprinkipo
(Leon Trótski em seu escritório em Prinkipo, Turquia, ao redor de 1930. Foto: David King Collection)
Publicado em 12 de agosto de 2014
“O fascismo não é provocado por uma psicose ou ‘histeria’, mas por uma crise econômica e social profunda que devora o corpo da Europa sem piedade”. Pronunciadas em 1933, as palavras de Leon Trótski (1879-1940) soam mais atuais do que nunca diante do recrudescimento dos partidos neonazistas na Europa novamente em crise. O revolucionário russo estava em seu desterro de quatro anos na Turquia quando foi entrevistado pelo então jovem escritor belga Georges Simenon (1903-1989).
Simenon tinha acabado de criar seu mais célebre personagem, o inspetor Maigret, que marcaria presença em mais de 70 romances e 30 contos do escritor. Atuava como correspondente para o jornal Paris-Soir e corria o mundo escrevendo reportagens, uma hora na África, outra na União Soviética, ou nas ilhas Príncipe (Prinkipo), onde vai encontrar Trótski vivendo uma tranquila vida de aposentado que não duraria muito: em seguida partiria para a França e de lá para a Noruega, de onde seguiria para o México encontrar a morte, encomendada pelo rival Stalin.
As análises de Trótski, judeu, sobre raça, e a previsão, seis anos antes, de que a Alemanha de Hitler iria levar a Europa à guerra demonstram sua profunda visão estratégica e o desprezo dos comunistas pelos conceitos e “ideias” nazistas. O texto de Simenon, é claro, flui deliciosamente, como as águas azuis e tranquilas que cercam a ilha e que ele, amante do mar, faz questão de destacar. Quanto o jornalismo de hoje tem a aprender com o passado… Eu traduzi para vocês (originalaqui). De bônus, um documentário feito na Turquia sobre a passagem de Trótski por lá, narrado pela atriz Vanessa Redgrave. Espero que desfrutem.
***
Com Trótski
Por Georges Simenon
(publicado pelo Paris-Soir nos dias 16 e 17 de junho de 1933)
Encontrei Hitler dez vezes no Kaiserhof quando, tenso e febril, já chanceler, fazia sua campanha eleitoral. Vi Mussolini contemplar incansavelmente um desfile de milhares de jovens. E uma tarde em Montparnasse reconheci Gandhi em uma silhueta branca que caminhava colada ao muro, seguido por jovenzinhas fanáticas.
Para entrevistar Trótski eu me vi na ponte que conecta a velha e a nova Constantinopla, Istambul e Gálata, uma ponte mais cheia de gente que a Pont-Neuf em Paris. Por que tenho a sensação de um bonito domingo no Sena perto de St. Cloud, Bougival ou Poissy? Não sei.
Todos os barcos ao redor dos piers emaranhados me lembram bateaux-mouches. Eles são maiores? Certamente. Há inclusive um ar marinho, e as hélices batem contra a água salgada. Mas é uma questão de proporção. O cenário inteiro é mais vasto, o próprio céu é mais distante.
Aqui uma margem é chamada Europa e a outra, Ásia. No lugar dos rebocadores e barcaças do Sena há muitos navios de carga e de passageiros com bandeiras de todos os países do mundo que saem para o Mar Negro ou navegam através do Dardanelos.
Qual a importância disso? Eu mantenho minha impressão de um domingo bonito, de subúrbios, de tabernas. Há amantes na ponte de embarque do navio, camponeses transportando galinhas e frangos em gaiolas, marinheiros de folga que sorriem adivinhando os prazeres que irão oferecer a si mesmos.
Trótski? Escrevi para ele anteontem para pedir uma entrevista. Ontem pela manhã já acordei com o timbre do telefone.
“Monsieur Simenon? Aqui é o secretário de Monsieur Trótski. M. Trótski irá recebê-lo amanhã às 4 da tarde. Antes disso eu preciso lhe dizer que M. Trótski, cujas declarações têm sido frequentemente deturpadas, gostaria de receber suas perguntas por escrito antecipadamente. Ele irá respondê-las por escrito…”
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(O escritor Georges Simenon à época da entrevista)
Fiz três perguntas. O céu é azul, o ar tão límpido como as águas profundas onde se podem ver os movimentos das algas verde-escuras. Abaixo, no Mar de Mármara, a uma hora de Constantinopla, quatro ilhas emergem, as “Ilhas”, como elas são chamadas aqui, e já estamos tocando o ancoradouro da primeira delas.
Meudon ou St. Cloud, com as cores da Côte d’Azur. As encostas são suaves e verdes, sombreadas por pinheiros. Mas isto são os subúrbios. Lá estão as datilógrafas sonhadoras e as balconistas dentro dos barquinhos remados pelos namorados. Vende-se chocolate e sorvete, e fotógrafos param os passantes enquanto uma mulher plácida cuida de uma tenda de tiro-ao-alvo.
A distância entre as ilhas é pouco maior do que entre as margens do Sena. O verde é polvilhado de vilas brancas erguidas nas encostas. Uma outra parada. Mais uma. Quase todos os casais já deixaram o barco.
E eis Prinkipo (Príncipe), a ilha onde, em algum lugar, está a casa de Trótski.
Falou-se de um retiro suntuoso, uma vila de luxo, uma propriedade paradisíaca.
Também ao longo do Sena, à medida que saímos de Paris, o nível social sobe, mansões substituem os cafés e barcos a motor substituem os barquinhos a remo alugados.
O ancoradouro em Prinkipo é mais elegante e rodeado por restaurantes cujas toalhas de mesa brancas reluzem ao sol. Carroças com dois cavalos estão à espera, cobertas com um toldo de lona, que enfrentam a concorrência de burros selados que aguardam sem impaciência. Há 50, talvez uma centena na pequena praça.
Sexta-feira, dia de descanso na Turquia, eles estarão sobrecarregados. E em qualquer lugar onde houver sombra e grama, no pequenino riacho, atrás dos arbustos, nos morros, a multidão irá se reunir, espalhar seus alimentos, e se embriagar em risadas, música e amor.
Trótski? Uma carroça me leva por um caminho ladeado de casas. Muitas estão à venda ou para alugar, porque a crise está brava na Turquia, também. As cortinas estão fechadas, mas os jardins estão cheios de rosas tão gordas que parecem obesas. Do outro lado, se vê o tranquilo mar azul. O cocheiro estende seu braço. Tudo que tenho a fazer é descer por um beco. Tudo é tão calmo, tão imóvel, o ar, a água, as folhas, o céu, que ao passar se tem a impressão de romper os raios do sol.
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(A casa de Trótski em Prinkipo. Foto: James Hughes)
Há um homem detrás da grade. Sua túnica de policial turco está aberta sobre uma camiseta branca e, como um pacífico aposentado em seu jardim, ele está usando pantufas.
Outro policial se aproxima, este à paisana, ou melhor, em mangas de camisa, pois acaba de se lavar e está secando suas orelhas com a ponta da toalha.
“Monsieur Simenon?”
Estou em um jardim de luxo que tem somente 100 metros por 50. Um cãozinho rola na poeira. Um jovem desgrenhado, em uma rede, lê um panfleto inglês sem nem mesmo levantar o olhar em minha direção.
E lá, na varanda, há um outro jovem. Ele também está de chinelos e em mangas de camisa. E dois outros tomam café na primeira sala, que está mobiliada apenas com uma mesa e algumas cadeiras.
Tudo isso acontece em slow-motion. Acho que é por causa do ar. Estou em slow-motion também, sem nenhuma pressa; ia dizer sem curiosidade.
“Monsieur Simenon?”
Um dos jovens se aproxima, sua mão estendida, e logo estamos ambos sentados no terraço enquanto na outra ponta do jardim o policial termina sua toalete.
Pode-se estar ali por horas fazendo nada, dizendo nada, talvez pensando nada.
“Se você não se importa, primeiro nós dois falamos. E então você verá M. Trótski.”
O secretário não é russo. Ele é um jovem do norte, cheio de saúde, as bochechas rosadas, com olhos claros. Ele fala francês como se tivesse nascido em Paris.
“Estou bastante surpreso que M. Trótski tenha aceitado recebê-lo. Normalmente ele evita jornalistas.”
“Você sabe por que recebi esta distinção?”
“Não faço ideia.”
Nem eu. E continuarei sem saber. Talvez minhas questões coincidam com o desejo de Trótski de fazer uma declaração sobre determinado assunto?
Conversamos, e ao redor de nós tudo está quieto na imobilidade do ar. Os dois jovens no jardim são convidados; um inglês e um sueco. Eles irão embora após uma semana ou um mês e então outros virão, de outras partes do globo, amigos ou discípulos, que irão viver durante um tempo na intimidade da casa em Prinkipo. Uma verdadeira intimidade, quase a intimidade total de uma caserna.
Lá em cima, na estrada, carroças passam.
“Nunca houve um ataque?”
“Nunca. Como você vê, a vida é simples. Os dois policiais vivem neste barraco, ao fundo do jardim. M. Trótski raramente vai a Constantinopla, somente para ver seu médico ou dentista. Ele toma o barco que trouxe você aqui e o policial o acompanha.”
Esta é mais ou menos a inteira vida externa da casa. Trótski e Mme. Trótski vão ao médico.
No demais eles nem mesmo descem para o vilarejo. Que bem isto iria fazer? As pessoas precisam estar lá para entender, naquele terraço com vista para o jardim e para o mar, com, como horizonte próximo, a Ásia de um lado e a Europa do outro.
“Quer vê-lo agora?”
As paredes estão nuas nos quartos, brancas, e há apenas estantes de livros para quebrar a monotonia. Há livros em todos os idiomas, e eu distingo um Viagem ao Fim da Noite (de Céline) com a capa desgastada.
“M. Trótski acaba de lê-lo e ficou profundamente emocionado. A propósito, quando se trata de literatura é a francesa que ele conhece melhor…”
Trótski se levanta para me dar a mão, então se senta em sua escrivaninha, pesando docemente seu olhar sobre minha pessoa.
Ele foi descrito um milhão de vezes, e eu não gostaria de tentar fazer o mesmo. O que eu gostaria de fazer é transmitir a mesma impressão de calma e serenidade que tive, a mesma calma, a mesma serenidade que há no jardim, na casa, no cenário.
Trótski, simples e cordial, me estende as páginas datilografadas que contêm as respostas às minhas questões.
“Eu as ditei em russo e meu secretário as traduziu esta manhã. Eu gostaria apenas de perguntar se você assinaria uma segunda cópia que ficará comigo.”
Há jornais de todo o mundo sobre sua mesa, e o Paris-Soir está no topo da pilha. Será que Trótski o folheou antes da minha chegada?
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Através da janela aberta para a baía vejo um minúsculo cais no final do jardim onde dois barcos flutuam: um pequeno caiaque turco e um bote a motor.
“Veja”, Trótski sorriu, “estive pescando desde as seis horas da manhã”.
Ele não me diz que é forçado a levar um dos policiais, mas eu sei disso.
Com um gesto ele aponta as montanhas da Ásia Menor, que estão a pouco mais de 5 quilômetros dali.
“Lá há caça no inverno…”
Sobre a mesa, perto dos jornais, há um artigo que ele começou a escrever.
Esta é toda a vida da casa. Uma, às vezes duas vezes ao dia, Trótski joga a sua linha nas águas calmas do Mar de Mármara.
O resto do tempo ele fica no escritório, ao mesmo tempo tão longe e tão perto do mundo.
“Infelizmente, eu recebo os jornais somente muitos dias depois.”
Ele sorri. Seu rosto está relaxado, o olhar tranquilo. Mas não é graças a um esforço? Ele não é forçado a guardar suas forças? Para continuar sua obra, ele não se força a levar esta vida prudente, que lembra os gestos hesitantes de um convalescente?
Mas talvez não seja nada além de sabedoria.
“Você pode me fazer perguntas.”
É verdade. Mas o que será dito agora eu prometi não publicar. Trótski comenta sobre as declarações que me deu. Sua voz, seus gestos, em uníssono com a paz ambiente.
Conversamos longamente sobre Hitler. O assunto o preocupa. Pode-se sentir quanto. Repito para ele as opiniões contraditórias que ouvi ao redor da Europa, não sobre a atuação de Hitler, mas sobre sua personalidade, seu valor próprio.
Não acho que esteja traindo minha promessa ao repetir algumas das frases que me impressionaram na casa em Prinkipo, tão longe de Berlim.
“Pouco a pouco Hitler construiu a si mesmo ao mesmo tempo que fazia seu trabalho. Ele aprendeu passo a passo, etapa por etapa, ao longo da luta.”
As respostas às minhas perguntas? Nós as leremos juntos.
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(Simenon, ao centro com a cantora Josephine Baker, em 1927)
II
Perguntei a Trótski:
“O senhor acha que a questão racial irá predominar na evolução que virá da turbulência atual? Ou será a questão social? Ou a econômica? Ou a militar?”
Trótski responde:
“Não, eu não acho que a raça será um fator decisivo na evolução da próxima era. Raça é um assunto estritamente antropológico – heterogêneo, impuro, misturado (mixtum compositum) –, um assunto a partir do qual o desenvolvimento histórico criou produtos semi-acabados que são as nações… Classes e agrupamentos sociais e as correntes políticas que nascerão desta base decidirão o destino da nova era. Não nego, obviamente, o significado e as qualidades distintivas e características das raças; mas, no processo evolutivo, elas estão em segundo plano, atrás das técnicas do trabalho e do pensamento. Raça é um elemento estático e passivo, e a historia é dinâmica. Como um elemento imóvel em si mesmo pode determinar movimento e desenvolvimento? Todos os traços distintivos entre as raças se desvanecem diante do motor de combustão interna, para não mencionar a metralhadora.
“Quando Hitler se preparou para estabelecer um regime de Estado adequado à pura raça germano-nórdica ele não fez nada mais que plagiar a raça latina do Sul. Em seu tempo, durante a luta pelo poder, Mussolini utilizou –claro, virando de ponta-cabeça– a doutrina social de um alemão, ou melhor, um judeu alemão, Marx, a quem, um ou dois anos antes, chamou de “o professor imortal de todos nós’. Se hoje, no século 20, os nazistas propõem virar as costas para a história, para a dinâmica social, para a civilização, para retornar à ‘raça’, por que não ir mais atrás? Antropologia –não é verdade? –é só uma parte da zoologia. Quem sabe talvez no reino dos anthropopithecus os racistas irão achar a maior e mais incontestável inspiração para sua atividade criativa?”
Ditaduras e democracias
Pergunta:
“O agrupamento de ditaduras pode ser considerado um embrião do reagrupamento de povos ou isso é só uma fase passageira?”
Resposta de Trotsky:
“Não acho que o agrupamento de países acontecerá, por um lado, sob o signo da ditadura e por outro, da democracia.
“Com a exceção de uma pequena parte de políticos profissionais, nações, povos e classes não vivem da política. Formas de estado são só um meio diante de determinadas tarefas, especialmente as econômicas. Obviamente uma certa similitude entre regimes de Estado predispõe à aproximação e torna isso mais fácil. Mas em última instância são as considerações materiais que decidem: interesses econômicos e cálculos militares.
“Se eu considero o grupo de ditaduras fascistas (Itália, Alemanha) e as quase-bonapartistas (Polônia, Iugoslávia, Áustria) episódicas e temporárias? Por desgraça, eu não posso fazer uma previsão tão otimista. O fascismo não é provocado por uma psicose ou “histeria” (é assim que se consolam os teóricos de salão como o conde Sforza), mas por uma crise econômica e social profunda que devora o corpo da Europa sem piedade. A atual crise cíclica só fez mais agudos os processos orgânicos mórbidos. A crise cíclica irá inevitavelmente ceder seu lugar a uma reanimação conjuntural, apesar de que será em um grau menor do que o esperado. Mas a situação geral da Europa não ficará muito melhor. Após cada crise, as empresas pequenas e fracas ficarão ainda mais fracas ou irão morrer completamente. As empresas fortes irão ficar ainda mais fortes. Perto do gigante econômico dos Estados Unidos, a Europa rota em pedaços representa uma combinação de pequenas empresas hostis umas às outras. A situação atual da América é muito difícil: o próprio dólar está de joelhos. No entanto, após a crise atual as relações de forças irão mudar a favor da América e em detrimento da Europa.
“O fato que o velho continente como um todo está perdendo a situação privilegiada que teve no passado leva a uma excessiva exacerbação de antagonismos entre os Estados europeus e entre as classes dentro dos Estados. Naturalmente, nos diferentes países estes processos levam a um diferente nível de tensão. Mas eu falo de uma tendência histórica geral. O crescimento de contradições sociais e nacionais explica, no meu ponto de vista, a origem e a relativa estabilidade das ditaduras.
“Para explicar meu pensamento permita que me refira ao que tive ocasião de dizer anos atrás sobre esta questão: por que democracias dão lugar a ditaduras e isso dura tanto? Vou lhe dar uma citação literal do artigo escrito em 25 de fevereiro de 1929:
“Costuma-se dizer neste caso que estamos lidando com nações retrógradas ou imaturas. Esta explicação se aplica apenas à Itália. Mas mesmo nos casos em que esta explicação é correta, isto não esclarece nada. No século 19 era quase uma lei que países atrasados alcançassem a democracia. Por que então o século 20 os empurra no caminho da ditadura? As instituições democráticas mostram que não suportam a pressão das contradições contemporâneas, ora externas, ora internas, mas mais frequentemente ambas ao mesmo tempo. Isto é bom? Isto é ruim? Em todo caso, é um fato.
“Por analogia com a eletricidade, a democracia pode ser definida como um sistema de interruptores e isolantes contra correntes muito fortes da luta nacional ou social. Nenhuma era na história humana foi tão saturada de antagonismos como a nossa. Um excesso de corrente é crescentemente sentido em diferentes pontos da rede européia. Sob uma grande pressão de contradições de classe e internacionais os interruptores da democracia vão derreter ou explodir. São os curto-circuitos das ditaduras. Os interruptores mais fracos são obviamente os primeiros a falhar.
“Quando escrevi estas linhas, a Alemanha ainda tinha um social-democrata no comando do governo. Está claro que a subsequente marcha de acontecimentos na Alemanha – um país que ninguém pode considerar atrasado – não foi capaz de modificar minha apreciação da situação.
“É verdade que durante este tempo o movimento revolucionário na Espanha varreu não só a ditadura de Primo de Rivera, mas também a monarquia. Correntes contrárias deste tipo são inevitáveis no processo histórico. Mas o equilíbrio interno está longe de acontecer na Península mais além dos Pirineus. O novo regime espanhol ainda não demonstrou sua estabilidade.”
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(Trotski indo para o exílio na Turquia em 1928)
Guerra ou paz?
Pergunta:
“O senhor acredita em uma possível evolução gradual ou considera um choque violento necessário? Por quanto tempo a indecisão atual pode ser prolongada?”
Resposta:
“O fascismo, particularmente o nacional-socialismo alemão, coloca a Europa em um indiscutível perigo de um choque bélico. E, talvez eu esteja errado, mas parece que não estamos suficientemente conscientes do perigo. Como temos à vista uma perspectiva não de um mês, mas de anos –e certamente não dezenas de anos–, considero absolutamente inevitável uma explosão bélica da Alemanha fascista. É precisamente esta questão que poderá se tornar decisiva para o destino da Europa. Espero muito em breve escrever mais sobre isso na imprensa.
“Talvez você ache minha apreciação da situação muito sombria. Estou só tentando desenhar conclusões a partir de fatos, tomando como guia não a lógica de simpatias e antipatias, mas a lógica do processo objetivo. Espero que não seja necessário provar que nossa era não é uma era de prosperidade calma e pacífica e de conforto político. Mas minha apreciação da situação só pode parecer pessimista para quem mede a marcha da história com uma régua curta. De perto, todas as grandes eras pareciam sombrias. O mecanismo do progresso, deve-se reconhecer, é bastante imperfeito. Mas não há razão para pensar que Hitler, ou uma combinação de Hitlers, irão ter sucesso sempre –ou talvez por alguns anos–fazendo este mecanismo ir para trás. Eles irão quebrar muitos dentes da engrenagem, vão torcer muitas alavancas, irão fazer a Europa ir para trás por alguns anos. Mas não tenho dúvida que no final, a humanidade irá achar seu caminho. Todo o passado é uma garantia disto.”
“Você tem outras questões a fazer?” Trótski pergunta pacientemente.
“Só uma, mas temo que possa parecer indiscreta.”
Ele sorri e, com um gesto, me encoraja a prosseguir.
“Os jornais dizem que o senhor recebeu recentemente emissários de Moscou com a missão de chamá-lo para retornar à Rússia.”
O sorriso se acentua.
“Não é verdade, mas eu sei a fonte desta história. Um artigo de minha autoria que apareceu dois meses atrás na imprensa norte-americana. Eu disse, entre outras coisas, que dadas as políticas atuais na Rússia eu estaria pronto a servir de novo se algum perigo ameaçasse o país.”
Ele está calmo e tranquilo.
“O senhor poderia voltar à ativa?”
Ele diz sim com a cabeça, enquanto um dos jovens, sem dúvida para a pesca da tarde, instala redes no barco.
De volta a Saint-Cloud, quer dizer, Prinkipo, e bateau-mouche.
Naquela noite eu jantei no Régence. O prospecto dizia: “O elegante restaurante onde você será bem recebido por damas da aristocracia russa…”
Há ainda um milhar de emigrantes russos em Constantinopla e como em Paris, Berlim e outras partes, a noite tem a nostalgia das balalaikas, piroyoks, vodca echachliks.
Naquela hora, em sua ilha que as balconistas e os ambulantes desertaram, Trótski dorme.
Assista também ao documentário sobre o exílio de Trótski na Turquia narrado por Vanessa Redgrave

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O que está acontecendo na Venezuela?

O que está acontecendo na Venezuela?



Vídeo didático produzido pela Minga TV aborda questões sobre os acontecimentos na Venezuela e transmite um alerta sobre as estratégias de desestabilizações políticas e econômicas realizadas no país caribenho, que poderão ser aplicadas também na maioria dos países da América Latina.






Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=ZV9rqU-CRkk

terça-feira, 8 de abril de 2014

Em vídeo, moradores em torno de mina de urânio narram as dificuldades que passam

Em vídeo, moradores em torno de mina de urânio narram as dificuldades que passam



Estados do Brasil: 

Reprodução Youtube
Em Caetité (BA) moradores denunciam falta de informação por parte das Indústrias Nucleares Brasil (INB)
07/04/2014
Da Redação
A única mina de urânio da América latina se encontra no Brasil, mais precisamente na cidade de Caetité (BA) e produz mais de 400 toneladas de concentrado de urânio por ano pela INB (Indústrias Nucleares Brasil)
Esse produto é exportado para o Candá e alguns países da Europa ou é utilizado nas usinas de Angra dos Reis (RJ).
Nesse vídeo, moradores denunciam os abusos cometidos pela empresa com trabalhadores e a falta de informação e diálogo com a comunidade.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

FILME: A Rota do Escravo - A Alma da Resistência

FILME: A Rota do Escravo - A Alma da Resistência



No filme "A Rota do Escravo - A Alma da Resistência", a história do comércio de seres humanos é contada através das vozes de escravos, mas também dos mestres e comerciantes de escravos.

Cada um conta sua experiência: da deportação de homens e mulheres para as plantações até o cotidiano do trabalho e os movimentos de abolição.

Produzido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), traduzido e dublado pelo Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).




sábado, 11 de janeiro de 2014

Vídeo impactante sobre educação no trânsito tem 2,9 milhões de acessos; assista

Vídeo impactante sobre educação no trânsito tem 2,9 milhões de acessos; assista



Produzido pela Agência de Trânsito da Nova Zelândia, o vídeo mostra, de uma maneira inovadora, a possível conversa entre dois motoristas que estão prestes a se envolver em um acidente de trânsito

09/01/2014 | TAIANA BUBNIAK





Reprodução/Youtube / No vídeo, o tempo para instantes antes do acidente acontecer.
No vídeo, o tempo para instantes antes do acidente acontecer.


A NZ Transport Agency (Agência de Transportes da Nova Zelândia) publicou no último domingo (5), uma campanha educativa que incentiva os motoristas a dirigirem mais devagar. O vídeo, de um minuto, está disponível no Youtube. O trecho já alcançou 2,9 milhões de acessos e motivou mais de 3.600 comentários até o fechamento dessa reportagem.
O vídeo mostra, de uma maneira inovadora, a possível conversa entre dois motoristas que estão prestes a se envolver em um acidente de trânsito. Eles avaliam a situação e descobrem que será impossível diminuir as velocidades dos veículos a tempo de evitar o acidente.
A campanha foi nomeada Other People Make Mistakes (outras pessoas cometem erros, em tradução livre) e a motivação do governo da Nova Zelândia é fazer com que os motoristas vejam o trânsito como uma construção coletiva. “Você pode se considerar um bom piloto, mas não podemos negar que todos cometemos erros (...) Na estrada, o menor dos erros pode custar a nossa vida ou a de outra pessoa”, diz o texto de apresentação da campanha na página da Agência de Trânsito na internet.
“Os acidentes geralmente envolvem dois carros. Então você pode ser o melhor motorista, ser imune ao álcool, mas o outro motorista não vai ser. Esse tipo de campanha é importante para conscientizar as pessoas sobre o risco que é ser imprudente no trânsito”, aponta Ricardo Bertin, especialista em trânsito da PUC-PR.
Impacto
O professor da UFPR Eduardo Ratton, especialista em trânsito, comenta que o sucesso desse tipo de campanha é justamente o impacto. “É importante que as cenas sejam fortes e impactantes, para que os motoristas saiam da zona de conforto da imprudência. Se não tiver impacto, os motoristas não vão perceber, assim como as placas de trânsito, que muitos desrespeitam”, comenta.
Simples e forte, a campanha também tem como objetivo conscientizar os motoristas a usar uma velocidade segura. A explicação é que, muitas vezes, os motoristas estão em velocidades consideradas “confortáveis”, como 100 km/h. No entanto, nessa velocidade muitas vezes é impossível evitar acidentes fatais.
Assista ao vídeo legendado


Cenas reais surtem efeito

A propaganda da Nova Zelândia cria uma situação impossível: o tempo para antes de o acidente acontecer, mas isso não exime os personagens do final trágico e o acidente é inevitável.
Para o especialista em trânsito, Ricardo Bertin, a estratégia de usar cenas fortes e reais são um bom caminho para alertar os motoristas. “Muita gente critica, diz que são cenas violentas, mas é com o choque que as pessoas vão se conscientizar. Esse tipo de alerta educativo precisa ser impactante e tirar o motorista da zona de conforto”, explica.
De acordo com ele, é por isso que a Polícia Rodoviária Federal mantém carros envolvidos em acidentes nas proximidades dos postos policias nas rodovias. “É mais uma estratégia de conscientização, de trazer o acidente para perto da realidade do motorista, que sempre acha que vai acontecer com os outros e não com ele”, aponta.
Desde dezembro, uma campanha do Ministério das Cidades veiculada na televisão traz cenas reais de resgate de vítimas de acidentes de trânsito. Os vídeos foram feitos por voluntários que acompanharam a experiência dramática de equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Foi a primeira vez que imagens reais foram usadas em campanhas de trânsito no país.
Na Austrália e no Reino Unido já é de praxe há cerca de duas décadas usar cenas reais ou ultrarrealistas em campanhas de conscientização no trânsito. “Essas campanhas que fazem com que o motorista deixe de ser anestesiado pela sensação de conforto são as mais efetivas e para essas propagandas não vale usar eufemismos”, diz Bertin.
Ele alerta que as propagandas impactantes têm de estar aliadas a uma política permanente de educação para o trânsito, que envolve crianças e adultos que precisam fazer a reciclagem.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Vídeo: O último tic-tac | ONU

O último tic-tac | ONU



Filme de animação sobre desarmamento, apresentando uma visão preocupante da situação mundial. Chama atenção para os perigos da corrida armamentista.












terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Bicicleta é mais que transporte

Bicicleta é mais que transporte



Imagem: Capital Natural/Reprodução
A bicicleta é mais do que conhecida como meio de transporte sustentável, que não congestiona, não polui e traz benefícios para a saúde. Mas há outros lados positivos, não tão conhecidos ou discutidos.
Seu uso implica ocupar a rua, não apenas trafegar, o que permite um contato maior com a cidade e uma sensação de pertencimento. E um maior acesso à bicicleta, com integração ao transporte público, gera justiça social e benefícios econômicos, além de democratizar o uso do espaço público.
No programa Capital Natural, exibido pela Bandnews em setembro e outubro de 2012, Fernando Gabeira conversou com o jornalista Denis Russo e o urbanista Ricardo Corrêa sobre o “ciclo virtuoso” da bicicleta, em seus aspectos menos conhecidos. Também há uma matéria sobre o sistema de bicicletas compartilhadas Bike Sampa e alguns comentários de Willian Cruz, do Vá de Bike, ao longo da entrevista.

Fonte: http://vadebike.org/2012/10/bicicleta-mais-que-transporte/

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Há 44 anos, Carlos Marighella era assassinado por agentes da ditadura

Há 44 anos, Carlos Marighella era assassinado por agentes da ditadura



Mário Magalhães

04/11/2013


( O blog agora está no Facebook e no Twitter )
Hoje faz 44 anos que o guerrilheiro Carlos Marighella foi assassinado em uma emboscada, na noite de 4 de novembro de 1969, da qual participaram ao menos 29 agentes da ditadura. Na alameda Casa Branca, em São Paulo, eles mataram o revolucionário de 57 anos que estava sozinho e desarmado.
A versão oficial da morte de Marighella foi uma das farsas mais longevas fabricadas pelo aparato repressivo de então. Mesmo partidários do veterano militante comunista referendaram falsificações, como o relato de que ele portaria um revólver _não carregava nem um canivete.
Ex-membro da Comissão Nacional da Verdade, Cláudio Fonteles inovou: antes de investigar o fuzilamento de Marighella, veiculou um relatório sobre o episódio. Vergonhosamente, reiterou cascatas plantadas há mais de quatro décadas pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, o comandante da tocaia.
As únicas imagens em movimento nas quais Marighella (1911-69) aparece são as acima, feitas pela TV Tupi. Nelas, o inimigo público número 1 da ditadura é mostrado morto. É possível que haja filmes de outras épocas, com ele vivo, mas não são conhecidos.
Nos nove anos em que me dediquei à biografia “Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo” (Companhia das Letras), dei três vezes com a voz do protagonista do livro, em áudios de 1946, 1967 e 1969.
As imagens da TV Tupi estão no site Banco de Conteúdos Culturais, um tesouro histórico. Na origem, elas foram classificadas como referentes à morte de Marighella“em combate com a polícia”. Mentira: ele estava desarmado e não contava com seguranças.
Outro filmete que sobreviveu é o da reportagem _difícil saber se foi ao ar_ do local onde Marighella foi enterrado, o cemitério da Vila Formosa (em 1979, seus restos foram transferidos para o cemitério Quinta dos Lázaros, em Salvador). A vinheta fala em enterro como indigente, mas na verdade ele recebeu uma sepultura de quarta classe. Na prática, inexistia diferença. O recado era o mesmo: quem ousasse, de que modo fosse, desafiar a ditadura acabaria em um lugar assim.
Quarenta e quatro anos depois, minha impressão é que, mais do que descrever Carlos Marighella como um bandido sanguinário e inescrupuloso, certa historiografia oficial tentou eliminá-lo da história.
Não conseguiu, como é fácil constatar, goste-se ou não de Marighella.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Vejam o documentário “Velha Nova Jaguaré”

Vejam o documentário “Velha Nova Jaguaré”



Coordenado pelas professoras Maria de Lourdes Zuquim e Yvonne Mautner, este documentário apresenta uma discussão sobre o processo de urbanização de favelas, a partir da experiência da favela do Jaguaré. De acordo com a sinopse, o vídeo “apresenta a urbanização e implantação de infraestrutura na favela do Jaguaré, São Paulo, documentando a lógica invertida de um processo de urbanização comum a uma grande maioria das cidades Latino Americanas.”
Confiram abaixo.

ficha técnica
coordenação acadêmica do projeto e argumento
Profª Dr Maria de Lourdes Zuquim
Profª Dr Yvonne Mautner

direção
Profª Dr Maria de Lourdes Zuquim
Profª Dr Yvonne Mautner
Rose Moraes Pan

entrevistas
Profª Dr Maria de Lourdes Zuquim
Profª Dr Yvonne Mautner
Rose Moraes Pan

roteiro
Profª Dr Maria de Lourdes Zuquim
Profª Dr Yvonne Mautner

produção
Rose Moraes Pan

imagens
Antonio Gonçalves

Imagens complementares
Antonio Marcilino da Silva
Luiz Bargmann Netto

Assistente de produção
Maurício Miraglia Chaubet
Selma Shimura

edição
Diógenes Miranda

mixagem de som
Luís Rovai

Animações
Chico Béla

estagiária e arte dos mapas
Selma Shimura

finalização de artes
Maki Shintate

supervisão geral
Luiz Bargmann Netto