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quarta-feira, 21 de maio de 2014

“Drones” chegam ao campo para agilizar e baratear trabalho em lavoura


“Drones” chegam ao campo para agilizar e baratear trabalho em lavoura



Controlado remotamente, o Vant (Veículo Aéreo Não Tripulado), mais conhecido como “drone”, palavra em inglês que, na tradução para o português, equivale a sanzão, é a nova aposta de três usinas de cana-de-açúcar do estado, para melhorar o monitoramento da produção e baixar os custos. Há um ano, o projeto em parceria entre a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), a PSG Tecnologia Aplicada e usinas localizadas nos municípios de Dourados, Nova Andradina e Angélica está abrindo uma nova perspectiva para o campo. O objetivo é desenvolver um protótipo, que poderá ser comercializado e adaptado a novas demandas, futuramente.
Quando realizado manualmente, o monitoramento das áreas precisa de seis pessoas trabalhando e leva cerca de um mês para ser concluído. Já com o uso do Vant são necessários apenas três funcionários e o trabalho fica pronto em três dias, de acordo com o gerente da Usina Agroindustrial Santa Helena, localizada em Nova Andradina, Adriano Fecundo. “O Vant dá um subsídio muito melhor, porque com o trabalho manual nós só temos resultado de amostragens, mas com o equipamento fazemos uma área de um mil hectare em poucos dias”, avalia.
De acordo com a responsável técnica da PSG, Carla Fernandes de Barros, os Vants já são usados, no estado, para identificar áreas de degradação ambiental ou assoreamento de rios. A técnica não revela as outras frentes de pesquisa, mas garante que “os Vants são essenciais, porque a imagem é muito nítida e o custo financeiro desse processo é bem inferior ao do monitoramento manual”.
Como funciona - O equipamento, que lembra um planador, tem cerca de dois metros de envergadura e pesa até sete quilos. É usado para sobrevoar a plantação, por meio de um controle remoto. Operando com câmeras semi-profissionais, o Vant decola e, de modo autônomo, cumpre uma “missão” previamente traçada pelo operador. Depois de fazer imagens fotográficas o Vant emite um sinal, informando que finalizou a tarefa.
As imagens devem ser analisadas por um sistema, que está sendo desenvolvido por pesquisadores da universidade, sob a coordenação do professor Edson Takashi. O Laboratório de Inteligência Artificial (LIA) é responsável por tratar as imagens e reconhecer padrões, ou seja, perceber quando uma área está com falhas ou não. “É a mesma tecnologia usada para que a câmera perceba se uma carinha está triste ou alegre”, explica.
Segundo Takashi, integrado ao sistema de reconhecimento, o Vant pode ser utilizado em diversas outras culturas, tais como soja e eucalipto. Para o professor, tratam-se de dois recursos que serão cada vez mais exploradas no meio rural. “Tanto as pesquisas acerca do Vant, como os sistemas de reconhecimento de padrão estão em amadurecimento nesse momento, então as possibilidades são cada vez maiores”.
Da guerra para a caixa de brinquedos – De acordo com a responsável técnica da PSG, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) proíbe o uso do equipamento em áreas urbanas. No entanto, é nas ruas que ele ganhou uso e nome mais populares.
O “drone” importado em tamanhos bem menores é usado, em especial, por fotógrafos e cinegrafistas, para captar imagens em diversas áreas.
Em lojas virtuais, os preços variam de R$ 250 a R$ 3 mil, de acordo com o tamanho e potencialidades do produto. Tido como um brinquedo, o mais popular tem suporte para Iphone, Ipad, Android e Tablets.
Os primeiros “drones” foram criados pelos Estados Unidos, em 1953, para fins militares e já foram utilizados pelo país em ataques ao Oriente Médio.

Fonte: CGNews

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Retrato de uma juventude

Retrato de uma juventude



‘O selfie é a expressão contemporânea da iconofilia. Torna visível a força invisível da tribo’, diz sociólogo francês


17 de maio de 2014 - Juliana Sayuri - O Estado de S. Paulo

 - INDEPENDENT.CO.UK

INDEPENDENT.CO.UK

O retrato, aliás, o autorretrato é o seguinte: de manhã despertamos com o celular, zapeamos as notícias no tablet, conferimos o trânsito na rádio, tarde adentro ziguezagueamos no trabalho entre abas e abas repletas de imagens, letras e links, à noite assistimos à TV para pensar na vida – e às vezes para não pensar –, marcamos um bar com os amigos no Facebook, narramos o evento no Twitter e fotografamos o quão divertido está o encontro no Instagram. Socializamos o tempo todo, compartilhamos o tempo todo, curtimos o tempo todo. Curtimos?
No fim de abril, o diretor londrino Gary Turk postou seu “manifesto” Look Up, que já soma mais de 37 milhões de visualizações – ironicamente, uma crítica à midiatização da vida se tornou um hit no YouTube. Outro hit, já na casa dos 42 milhões de views desde agosto, foi protagonizado pela atriz Charlene deGuzman. No vídeo I Forgot My Phone, a americana é ignorada por todos ao seu redor, intensamente vidrados nos “likes” de seus smartphones, o que levou o jornalista Nick Bilton a publicar no New York Times uma pensata atilada à nossa sociedade: “Assistir ao vídeo de DeGuzman é desconfortável. É um golpe direto na nossa cultura obcecada com smartphones, cutucando-nos sobre nosso vício naquela pequena tela e sugerindo que talvez a vida possa ser mais bem direcionada quando é vivida – em vez de visualizada.” 
“Dizia Hegel, o jornal é a ‘oração’ matinal do homem moderno. As redes sociais serão a oração do homem pós-moderno”, considera o sociólogo francês Michel Maffesoli, diretor do Centre d’Études sur l’Actuel et le Quotidien (CEAQ) da Université Paris Descartes – Sorbonne. Autor de O Ritmo da Vida (2007), O Tempo das Tribos (2006) e Sobre o Nomadismo: Vagabundagens Pós-modernas (2001), entre outros, o teórico da pós-modernidade é um dos principais pensadores debruçados sobre questões culturais e ciberculturais da atualidade. Vê nos selfies mais uma expressão contemporânea da iconofilia, essa adoração imagética num looping rumo ao infinito como o que vimos nos últimos dias: Macaulay Culkin vestindo uma camiseta de Ryan Gosling, vestindo uma camiseta de Macaulay Culkin e assim por diante. 
Mas Maffesoli, aos 69 anos, é otimista sobre determinados aspectos da internet. Na sua visão, o avanço tecnológico não nos direciona ao antissocial. “Tende, ao contrário, a consolidar uma mise en relation. E uma das pistas que será preciso estudar sobre o desenvolvimento tecnológico próprio às mídias sociais é a emergência de novas formas de generosidade e de solidariedade”, diz. 
Nesta entrevista ao Aliás, às vésperas do Dia Mundial da Internet (celebrado no dia 17 de maio), o intelectual comenta as relações entre os “nativos digitais” nessas tribos contemporâneas. Pondera que, evidentemente, não estamos mostrando quem somos nas redes sociais – mas quem desejamos ser aos olhos dos outros. “Qual é o status dessas determinadas personalidades? De fato, elas não são mais consubstanciáveis a um indivíduo, mas representam uma máscara – a persona – de quem escolhe se posicionar nessa ou naquela rede social.” 
Para Maffesoli, essas relações tribais, especialmente entre os jovens, levam a um outro quadro: quer-se tanto viver em sociedade que os jovens se preocupam mais em se acomodar ao mundo – e não a querer transformá-lo. 
Qual é o papel das mídias sociais na pós-modernidade?
Podemos dizer que, na pós-modernidade, as mídias estão se tornando mais e mais importantes, especialmente as chamadas “mídias sociais”. Lembremos Hegel, que dizia no século 19: a leitura do jornal é a oração do homem moderno. Podemos pensar que as mídias interativas serão a oração do homem pós-moderno. Contrariamente às críticas tradicionais, porém, acredito que essas mídias favorecem a mediação, isto é, a relação e a inter-relação entre as pessoas. Se a modernidade, particularmente no seu momento final, viu o triunfo da “multidão solitária”, a pós-modernidade nascente verá se desenvolver uma multiplicidade de novas tribos urbanas, cuja essência é o relacionismo.
Com os avanços tecnológicos, nós estamos observando a emergência de uma geração ‘selfie’?
Certamente o selfie está no ar. Entretanto, na minha opinião, essa mise en scène de si mesmo não é, como se costuma dizer, o símbolo de um aprisionamento de si. Nessa perspectiva, discordo dos teóricos que abordam abusivamente o narcisismo. Prefiro dizer que os selfies compõem a forma contemporânea da iconofilia. Assim, podemos indicar um narcisismo tribal. Isso quer dizer que, ao difundir essas fotografias, nós pretendemos nos posicionar em relação aos outros da tribo. Se traçarmos um paralelo com uma imagem religiosa, o selfie tem uma finalidade sacramental, que torna visível a força invisível do grupo. O que me liga aos outros da minha tribo? Nós nos definimos sempre em relação ao outro. Assim, o fenômeno tribal repousa essencialmente no compartilhamento de um gosto (sexual, musical, religioso, esportivo, etc.). É preciso dizer que essa “partilha” cresce exponencialmente com o desenvolvimento tecnológico. 
Nas mídias sociais, publicamos ‘selfies’ sempre felizes. Somos tão felizes? Ou filtramos nossos retratos justamente para esconder nossas angústias atuais?
De fato, as mídias sociais (Facebook, Instagram, Twitter, etc.) tendem a dar uma figuração feliz de nós mesmos. Certamente não estamos sempre felizes. Mas há aí um movimento de pudor: nós tendemos a dar à tribo, ou às diversas tribos às quais pertencemos, imagens reconfortantes de nós mesmos. No entanto, historicamente, é preciso lembrar que os quadros e as esculturas, as imagens próprias a todas as civilizações destacaram essencialmente essa figuração de felicidade. Os últimos livros de Michel Foucault (História da Sexualidade: O Cuidado de Si e História da Sexualidade: O Uso dos Prazeres) mostram que isso marcou a Grécia e a Roma antiga. Foi o caso também na Idade Média. Para resumir em uma expressão: isso traduz um “pudor antropológico”, que é um elemento essencial do viver em sociedade.
Há quem argumente que a tecnologia está nos tornando antissociais. Temos muitos amigos no Facebook, mas estamos mais solitários?
Contrariamente aos críticos que sublinham o isolamento crescente, que seria característico das megalópoles pós-modernas, considero que a multidão solitária – na minha expressão, a solidão gregária – é uma das especificidades da modernidade decadente. Paradoxalmente, o desenvolvimento tecnológico não nos direciona ao antissocial. Tende, ao contrário, a consolidar essa mise en relation – no seu sentido forte e etimológico, o comércio das ideias, dos bens, dos afetos. É evidente que o termo “amigo” particularmente no Facebook não pode ser reduzido à concepção de amizade clássica, feita de relações intensas e recíprocas. Entretanto, a multiplicidade de amigos nos permite saber, se necessário for, onde e com quem manter relações sociais. E uma das pistas que será preciso estudar sobre o desenvolvimento tecnológico próprio às mídias sociais é a emergência de novas formas de generosidade e de solidariedade, nas quais os uns e os outros são causa e efeito de uma “horizontalização societal”. 
Divulgado nos últimos dias, um estudo da OMS mostrou que a depressão é a principal enfermidade entre os jovens. A vida virtual e a fragilidade das relações ‘tête-à-tête’ teriam impacto nessa geração? 
É preciso ter bastante cuidado com os diversos estudos institucionais focados principalmente no campo da saúde, que tendem a dizer que a depressão é a doença específica das jovens gerações. Valeria questionar se essa depressão não é característica das gerações no poder, quer dizer, das próprias gerações que comandam esses estudos e que talvez, num processo de compensação como destacou o psicanalista Carl Gustav Jung, tendem a projetar ao exterior o mal-estar que nós mesmos sofremos. 
Há tempo para contemplação do mundo atualmente?
No livro A Contemplação do Mundo, tento demonstrar que a tendência geral da pós-modernidade, perceptível particularmente nas jovens gerações, consiste menos em querer mudar o mundo – e mais em se acomodar ao mundo. Adaptar-se, ajustar-se a ele. Isso pode nos conduzir a evitar a devastação, cujos “saques” ecológicos são exemplos cotidianos. Com o sociólogo italiano Massimo De Felice, no Centro de Pesquisa Atopos da Universidade de São Paulo (USP), tentamos justamente desenvolver pesquisas sobre essa “ecosofia”. Acredito que é assim que precisamos compreender o “ritmo da vida”, isto é, pensar a existência a partir de um ponto fixo – a natureza, o território –, todos os elementos que fazem com que o ambiente social dependa do ambiente natural. Se a modernidade foi um pouco paranoica, levando à dominação e à devastação do mundo, na pós-modernidade uma nova sabedoria está em gestação. 
Por fim, a tecnologia é um meio? Ou uma mensagem?
É habitual considerar que, com a prevalência de um racionalismo exacerbado, a tecnologia moderna contribuiu para um desencantamento do mundo. No entanto, na minha opinião, é paradoxal observar que, atualmente, esse desenvolvimento tecnológico, especialmente nos seus usos sociais, nos direcionam a um reencantamento do mundo. Nessa perspectiva, as mídias sociais são ao mesmo tempo um meio e uma mensagem, que confortam a vida em sociedade. Se a modernidade se firmou a partir de um princípio individualista, a tecnologia pós-moderna abriga um relacionismo galopante – uma relação, como frisei, entre nós e os outros. 
Michel Maffesoli é sociólogo, teórico da pós-modernidade e autor de 'O tempo da tribos', entre outros livros 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Internet das Coisas: desafios e oportunidades para o Brasil

Internet das Coisas: desafios e oportunidades para o Brasil




Até 2020, os mercados emergentes, como Brasil, China, Índia, México e Rússia, serão responsáveis pela maioria dos dados produzidos no mundo, afirma estudo da EMC


Da Redação

Publicada em 05 de maio de 2014


A Internet das Coisas (IoT, sigla em inglês de Internet of Things) deverá contribuir cada vez mais com o Universo Digital brasileiro, que crescerá dez vezes até 2020 e responderá por 10% do tráfego de dados. As estatísticas são de estudo da IDC, contratado pela EMC, que chama atenção das empresas para os desafios e novas oportunidades de negócios.
O 7º estudo EMC Digital Universe revela que o Universo Digital está dobrando no mundo a cada dois anos e se multiplicará por dez entre 2013 e 2020 ¬ de 4,4 trilhões de gigabytes para 44 trilhões de gigabytes.
Atualmente, 60% dos dados no Universo Digital são atribuídos a mercados maduros, mas até 2020 a porcentagem vai mudar e os mercados emergentes serão responsáveis pela maioria dos dados. Até 2020, o Brasil representará 4% do Universo Digital global passando de 212 Exabytes para 1, 6 mil. Exabytes.
A pesquisa e análise da IDC mostra como o surgimento de tecnologias sem fio, produtos inteligentes e negócios definidos por software estão representando um papel central na elevação do volume de dados no mundo. Devido, em parte, a IoT, o tamanho do Universo Digital está dobrando a cada dois anos e se multiplicará por dez entre 2013 e 2020, saltando de 4,4 trilhões de gigabytes para 44 trilhões de gigabytes.
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A IoT abrange bilhões de objetos do dia a dia que estão equipados com identificadores únicos e capacidade de gravar, relatar e receber dados automaticamente ¬ um sensor no sapato controlando a velocidade de sua corrida ou uma ponte controlando os padrões de tráfego. 
Segundo o IDC, o número de dispositivos ou coisas que podem ser conectados à IoT está se aproximando de 200 bilhões, com 7% (ou 14 bilhões) já conectados à Internet e se comunicando por meio dela. 
Hoje, os dados desses dispositivos conectados representam 2% dos dados do mundo inteiro. A IDC agora prevê que, até 2020, o número de dispositivos conectados chegará a 32 bilhões ¬ representando 10% dos dados mundiais.
Até 2020, mais de 35% de todos os dados poderão ser considerados úteis, graças ao crescimento dos dados da IoT, mas dependerá das empresas colocá-los em uso.
Esse fenômeno apresentará modos novos e radicais de interagir com os clientes, otimizando os ciclos de negócios e reduzindo os custos operacionais, dando assim margem a trilhões de dólares em oportunidades de negócios. 
Por outro lado, ele apresenta desafios significativos, já que as empresas precisam gerenciar, armazenar e proteger todo o volume e toda a diversidade desses dados. Por exemplo, a IDC estima que 40% dos dados no Universo Digital exigem algum nível de proteção, desde rigorosas medidas de privacidade até dados totalmente criptografados. Dito isso, só a metade desses dados ¬ apenas 20% ¬ está protegida atualmente.
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Mercado brasileiro
Os mercados emergentes estão produzindo mais dados. Atualmente, 60% dos dados no Universo Digital são atribuídos a mercados maduros como Alemanha, Japão e Estados Unidos, mas até 2020 a porcentagem vai mudar, e os mercados emergentes, como Brasil, China, Índia, México e Rússia, serão responsáveis pela maioria dos dados.

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Segundo o estudo, os motivos que impulsionam o crescimento do País são aumento continuo do uso de smartphones, internet e redes sociais. Há também investimento agressivo em TI por parte das empresas latino-americanas em seus negócios para avançar na concorrência com outras regiões emergentes; redução no custo da tecnologia que captura, gerencia, protege e armazena informações; e o crescimento da comunicação maquina a maquina e das informações sobre informações.
Estima-se que a IoT irá contribuir cada vez mais para o crescimento do Universo Digital brasileiro. Estes sistemas integrados de tecnologia automática representarão 10% do volume total de dados do país até 2020. Este percentual foi de 2%, em 2013. 
O investimento em IoT levará as empresas a desenvolver novas fontes de valor, como a criação de novos modelos de negócio, a geração de informações em tempo real sobre sistemas de missão critica, a diversificação de fluxo de receita, a visibilidade global de operações internas, e o aprimoramento operações inteligentes e eficientes. Outro aspecto apontado no estudo é que mais de 40% das informações do Universo Digital brasileiro, que precisam de proteção, não sendo protegidos.
Veja a seguir cinco maneiras em que a IoT irá criar novas oportunidades para empresas,brasileiras, segundo o estudo da EMC/IDC:
1- Novos modelos de negócios
A IoT irá ajudar as empresas no Brasil a criar novos fluxos de valor para os clientes, acelerar o lançamento no mercado e atender com mais presteza às necessidades dos clientes.

2- Informações em tempo real sobre sistemas de missão crítica
As empresas podem capturar mais dados sobre processos e produtos com mais rapidez e melhorar radicalmente a agilidade de mercado.

3- Diversificação de fluxos de receita
A IoT pode auxiliar as empresas a rentabilizar serviços adicionais em cima de linhas de negócios tradicionais.  

4- Visibilidade global
A IoT irá facilitar a visibilidade das operações internas pela própria empresa, incluindo o acompanhamento desde uma extremidade da cadeia de suprimentos até a outra, o que irá reduzir o custo de fazer negócios em locais distantes.

5- Operações inteligentes e eficientes
Acesso a informações a partir de pontos extremos autônomos irá permitir que as organizações tomem decisões imediatas a respeito de preços, logística, e implantação de vendas e suporte.  

Três passos que as empresas brasileiras devem dar para aproveitar as oportunidades com IoT:
1- Definir e implementar uma política de governança de dados por toda a empresa
Implementar uma política central de governança para determinar quem é dono dos dados, quem tem direito a acessá-los, onde eles se encontram, e quais são os fatores de conformidade, privacidade, segurança e outros fatores de risco associados aos dados.  

2- Acessar e selecionar as ferramentas de software apropriadas
Para gerenciar a enxurrada de dados, a companhia deve escolher e implementar as corretas ferramentas de software da próxima geração para limpeza, processamento do consumo de dados integrando-as perfeitamente com o sistema legado.

3- Projetar e executar um plano para adquirir habilidades e talento necessários
Definir as habilidades e o conhecimento de que a empresa precisa hoje e no futuro, e estabelecer os processos, programas e incentivos adequados para atualizar a sua força de trabalho. 

terça-feira, 6 de maio de 2014

Número de celulares se igualará a número de habitantes da Terra este ano

Número de celulares se igualará a número de habitantes da Terra este ano




Dados da União Internacional de Telecomunicações indicam que número de celulares chegará até o fim do ano a 7 bilhões




05 de maio de 2014
Jamil Chade, correspondente em Genebra - OESP

GENEBRA - Até o final do ano, o número de celulares no mundo chegará perto do número de habitantes no planeta. Os dados estão sendo divulgados pela União Internacional de Telecomunicações e revelam a explosão no uso dessa tecnologia, inclusive nos países emergentes. Já o acesso à Internet, apesar de também crescer, ainda revela a profunda disparidade entre países ricos e as economias em desenvolvimento. O Brasil, por exemplo, tinha em 2012 as mesmas taxas de penetração da rede que os países ricos dez anos antes. 


Mas é no setor dos celulares que a diferença entre ricos e pobres é a menor. Até dezembro, o número de celulares vai chegar perto dos 7 bilhões, o representará 96% de todos os habitantes. 



A penetração de celulares chegará a 90% nos mercados emergentes, contra mais de 120% nas economias ricas. A expansão, em dez anos, foi quase de dez vezes. A situação mais complicada é ainda da África, onde 30% da população ainda não tem acesso. 



Mas o mercado também está dando sinais de saturação. Em 2014, o setor deve ter o menor crescimento em anos, com uma expansão global de apenas 2,6%. O único crescimento real ocorre nos países emergentes, que representam 75% de todos os celulares vendidos no mundo.

Celulares usados para fotografar o Papa Francisco em Capacabana em 2013 (foto:Wilton Júnior/Estadão)


Enquanto o número de celulares aumenta, o registro de telefones fixos sofre uma queda no mundo. Entre 2009 e 2013, o mundo perdeu 100 milhões de telefones fixos. Na Europa, o número de pessoas que sequer tem um número fixo cresce ao ponto de surpreender até mesmo as empresas de telefonia. 
O uso da Internet nos celulares também registrou um forte aumento. Hoje, são 2,3 bilhões de usuários, 32% da população mundial. A taxa é duas vezes superior aos números de 2011. Uma vez mais, a disparidade entre pobres e ricos é grande. Nos emergentes, a taxa é apenas de 21%, contra mais de 84% nos países ricos.  



Essa diferença, segundo a UIT, começará a reduzir. Em 2014, a expectativa é de uma expansão de 26% no uso da internet nos celulares nos países emergentes, contra apenas 11% nos países ricos. 



Essa taxa vai permitir que, em números absolutos, os emergentes tenham o maior número de usuários de internet no celular ao final de 2014. Mas em termos de percentual da população com acesso, a Europa lidera, seguida pelas Américas, com mais de 500 milhões de usuários. 



Internet. O avanço das tecnologias nos países emergentes também mudou o perfil da Internet. Hoje, dois de cada três internautas estão no mundo em desenvolvimento. Esse número dobrou em cinco anos e, ao final de 2014, 3 bilhões de pessoas estarão conectadas à rede mundial de computados. Segundo a UIT, 40% do mundo estará na rede até o final do ano. 



O Brasil, porém, apresenta um atraso de uma década em comparação às taxas de penetração equivalentes ao que existia em países ricos. 



Os últimos dados disponíveis na UIT sobre o Brasil são do final de 2012 e revelam que 49,8% da população tinha acesso à Internet. A taxa representa um salto importante em comparação aos dados de 2003, quando apenas 13% da população tinha acesso à rede. Mas, ainda assim, os números são considerados como modestos pelos especialistas.



Num ranking mundial, o Brasil aparece apenas na 85a posição entre os locais com o maior acesso para sua população ao final de 2012. Nos EUA, 81% da população tem acesso à rede e, nos países escandinavos, a taxa supera a marca de 95%. 



O Brasil, por exemplo, está mais de dez anos atrasado em comparação às taxas de penetração da Internet no Canadá. Em 2000, 51% da população do país da América do Norte já tinha acesso à rede. Na Noruega, há 14 anos, a taxa já era superior à brasileira. Suíça e EUA são alguns dos outros países que, na virada do século, já tinham mais de 50% de sua população conectada. 



A disparidade entre países desenvolvidos e emergentes também fica clara em outras regiões do mundo. Hoje, o acesso da população que vive na Europa, EUA ou Japão à Internet em casa chegou perto de um ponto de saturação. Nos emergentes, apenas 30% tem acesso à rede em suas casas. 



O Brasil também não aparece em boa posição no que se refere ao número de pessoas com acesso à Internet de banda larga. A taxa daqueles com acesso à velocidade mais alta chega a apenas 3 para cada cem pessoas. 



A disparidade na velocidade da rede é o que mais preocupa a UIT. A Africa, por exemplo, conta com apenas 0,5% do número de internautas com acesso a essa tecnologia mais avançada. Nas Américas, a taxa é de 17%, mas a região terá o menor crescimento do mundo em 2014, com apenas 2,5% de expansão desse serviço. A taxa de expansão desse segmento nos emergentes também caiu, de 18% em 2011 para apenas 6% em 2014.

domingo, 27 de abril de 2014

BRASIL ENCABEÇA CORRIDA CONTRA HEGEMONIA DOS EUA NA REDE

BRASIL ENCABEÇA CORRIDA CONTRA 

HEGEMONIA DOS EUA NA REDE



Camila Moreira Cesar, pesquisadora associada do ISAPE, jornalista e Mestranda em Communication et Information na Université Sorbonne Nouvelle Paris III.
Após descobrir no ano passado que a agência de inteligência norte-americana NSA havia interceptado suas comunicações, a presidente Dilma Rousseff intensificou o combate à hegemonia dos Estados Unidos na governança da web, colocando o Brasil na vanguarda do processo.
Imagem: Canal Tech.
Imagem: Canal Tech.
Diego Canabarro, pesquisador em Política na Era Digital e Governança da Internet, explica que mesmo que os Estados Unidos tenham manifestado uma abertura da atual gestão da rede, ainda é prematuro falar em uma completa “desamericanizaçao” do processo. A maior parte das empresas de bens e serviços ligados à internet são americanas, o que mostra que o processo de reformulação da governança do ciberespaço ainda terá de enfrentar muitas etapas até que se chegue a uma verdadeira mudança da paisagem informacional atual.
Para o pesquisador, a chamada de atenção do governo brasileiro para a questão concretiza uma vontade antiga do país na busca de alternativas para combater a dominância dos EUA na rede. “Desde o início do processo de institucionalização de governança da internet em 1998 e, mais especificamente, a partir das reuniões da Cúpula Mundial sobre as Sociedades de Informação de 2003 e 2005, o Brasil já vem tentando mostrar para o mundo que é necessário uma democratização do ciberespaço, que é necessário que países desenvolvidos e menos desenvolvidos também sejam integrados no processo para determinar como vai se dar o avanço da tecnologia pelo planeta”, afirma.
Aprovação do Marco Civil da Internet e realização do NetMundial apontam avanços no debate
O professor de Design Digital e pesquisador Gilberto Consoni também chama a atenção para a necessidade de criar condições estruturais viáveis nos países para que o projeto se concretize, mas aponta o lugar privilegiado que a internet ocupa na economia norte-americana. “A internet é comercial, e os EUA dependem dessa internet comercial. Segundo Daniel Castro, que é o analista sênior da Information Technology and Innovation Foundation , as perdas em função dessas denúncias podem chegar a 35 bilhões de dólares em 2016”, aponta.
Consoni também destaca o papel pioneiro do Brasil na luta pela democratização das comunicações e pela preocupação com a segurança na rede, que resultou no Marco Civil da Internet (espécie de Constituição para internautas e provedores) aprovado na última terça-feira (22) pelo Senado e sancionado pela presidente Dilma durante a abertura do NetMundial, conferência realizada em São Paulo nos dias 23 e 24 de abril para discutir as atuais assimetrias da governança da internet. “Há anos se discute a questão da liberdade de expressão e segurança na rede e o governo foi bastante cuidadoso nisso. Chamou tanto a sociedade civil, que é a principal interessada, as empresas e setor político para debater o tema”, adiciona.
Para Canabarro, o modelo brasileiro é uma excelente proposta que pode servir de inspiração a outros países e promover, a longo prazo, uma dinâmica de governança global mais participativa e democrática. Ele lembra a importância do Comitê Gestor da Internet no Brasil, orgão multisetorial criado em 1995 e que integra representantes do governo, do setor privado, terceiro setor e representantes da academia e técnicos para debater as questoes ligadas à governança na rede. “Esse Comitê adotou uma carta de 10 princípios fundamentais que são projetados como o cenário ideal para se organizar as coisas na internet, como a proteção dos direitos humanos fundamentais, inclusão digital e neutralidade da internet. Essa carta evoluiu para que a própria sociedade brasileira, através do Marco Civil, quisesse decidir e delimitar de forma mais institucionalizada os direitos e deveres de todos os usuários e provedores de bens e serviços de internet que operam dentro do país”, salienta.
Segundo os pesquisadores, a visibilidade que o tema ganhou depois das denúncias do ano passado tem a tarefa de alertar o mundo para a maneira desequilibrada como o ciberespaço vinha sendo governado até então. “Acredito que o legado do NetMundial seja de alertar todos os usuários a respeito da necessidade conhecer o tema e se inserir nos debates e dar publicidade a essa realidade americanizada, assimétrica, que precisa ser constantemente combatida para que a maior parte da população do planeta também tenha condições de aproveitar os benefícios dessa ferramenta”, enfatiza Canabarro, lembrando que aproximadamente 65% das pessoas no mundo não tem acesso à rede.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Google Street View permite volta ao passado em ‘túnel do tempo’

Google Street View permite volta ao passado em ‘túnel do tempo’



Empresa duplica número de imagens disponíveis ao publicar fotos captadas no passado que permitem constatar as mudanças das paisagens através dos tempos




23 de abril de 2014 - Associated Press - OESP

MOUNTAIN VIEW, Califórnia - Viagens no tempo já estão agora disponíveis nos mapas digitais do Google Street View. 

A novidade entrou no ar nesta quarta-feira, 23, como mais uma alternativa de navegação nos mapas digitalizados do Google, que atraem mais de 1 bilhão de visitantes por mês. 
O Street View instantâneo agora inclui uma opção para ver como era a imagem em diferentes períodos nos últimos sete anos. 



O internauta pode escolher entre as imagens captadas pelas câmeras do Google nas visitas anteriores aos mesmos locais. A viagem ao tempo só é possível nas regiões registradas pelo Google mais de uma vez.



O Google informou que tem a intenção de continuar a adicionar fotos para as cápsulas do tempo digitais no futuro, mantendo sempre atualizadas as imagens dos seus mapas digitais.



"Como o tempo passa, muitas dessas imagens vão se tornar vintage", afirma Vinay Shet, 
gerente de produto do Google. "Queremos que os nossos mapas sejam cada vez mais abrangentes, servindo sempre como uma espécie de espelho digital do mundo".

Mudanças em Nova York durante a construção da Torre da Liberdade
AP/Google







Como tudo mais no mapa do Google, a opção de voltar no tempo é livre. Google ganha dinheiro com a publicidade nos seus mapas, o que leva a empresa a buscar constantemente novas atrações para atrair os internautas.



Apesar de as fotos mais antigas terem sido feitas a partir de 2007, algumas delas já apresentam mudanças dramáticas. Fotos de cidades como Tohoku, no Japão, mostram a paisagem antes e após um terremoto de 9,0 graus de magnitude ocorrido em março 2011. 



Outras imagens mostram a recuperação gradual dos bairros de Nova Orleans nos anos seguintes à devastação do furacão Katrina. 



As imagens de Washington permitem ver, por exemplo, a restauração do histórico teatro Howard, na capital dos Estados Unidos. 
Em Nova York, o Street View mostra uma sequência de fotos que registra o horizonte de mudanças durante a construção da Torre da Liberdade, no local onde ficavam as Torres Gêmeas.



A evolução da Times Square, durante os últimos sete anos, pode evocar nostálgicos 
sentimentos, com outdoors gigantes de um antigo aparelho de telefone celular dobrável de 2007. 
A inclusão de fotos antigas deverá dobrar o total de imagens disponíveis do Street View quando a implantação for concluída nos próximos dois dias. 



Google se recusou a dizer quantas fotos já estão no Street View, que abrange 55 países. O recurso de viagem no tempo (visual-back) estará disponível em todos, com exceção de três. A Alemanha e Suíça restringem o uso de imagens do passado e a África do Sul enfrenta problemas técnicos que retardaram o recurso de navegação.



Quando uma retrospectiva está disponível no Street View, um pequeno relógio aparece no canto esquerdo da imagem atual. Clicando no relógio, o portal mostra as diferentes opções de períodos de tempo. 
As viagens podem ter um tom emocional. Por exemplo, as cenas de Street View incluem muitas vezes pessoas que por acaso passavam pelo local quando o Google tirou as fotos. 
Com o tempo, algumas dessas pessoas vão morrer e Google espera que essas imagens terão especial significado para os sobreviventes e ou descendentes. 
Em outros casos, as pessoas fotografadas também podem aparecer em situações que prefeririam manter em caráter privado. Para evitar problemas, o Google agora borra as imagens das 
pessoas que aparecem nas fotos. O sistema também será adotado nas imagens antigas.



quarta-feira, 26 de março de 2014

Dez questões ainda não respondidas sobre o avião desaparecido

Dez questões ainda não respondidas sobre o avião desaparecido



Atualizado em  26 de março, 2014
A busca pelos supostos restos do voo MH370 da Malaysia Airlines continua no sul do Oceano Índico, mas algumas questões importantes sobre o desaparecimento da aeronave continuam sem respostas.
O Boeing 777, que decolou da capital malaia, Kuala Lumpur, em direção a Pequim no dia 8 de março, levava 239 pessoas a bordo, a maioria delas chinesas.
Já se sabe que o avião abandonou a sua rota original e que um aparelho que permite a localização da aeronave, o chamado transponder, foi desligado.
Nesta semana, o governo da Malásia também afirmou que novos dados confirmam que o avião caiu em algum ponto do sul do Oceano Índico, onde imagens de satélite identificaram dezenas de objetos que se acredita que sejam destroços do avião.
Porém, alguns detalhes, assim como as razões por trás do ocorrido, ainda permanecem um mistério. A BBC preparou uma lista de dez perguntas em relação ao caso que intrigam leigos e especialistas. Confira:

1 - Por que o avião fez uma curva brusca para a esquerda?

Registros de radares militares mostram que o voo MH370 virou de forma inesperada para o oeste e então desviou de seu plano de voo. Neste momento, o transponder - que emite uma resposta com dados como, identificação, velocidade, altitude e posição da aeronave - já tinha sido desligado.
Viradas bruscas como estas são "extremamente raras" segundo Guy Gratton, do Laboratório de Segurança de Voo da Universidade Brunel, na Grã-Bretanha. Ele afirma que os pilotos fazem este tipo de manobra apenas se houver algum problema grave no avião, que faça com que eles decidam desviar o voo para um destino diferente, para pousar a aeronave.
Este motivo pode ser um incêndio, outra aeronave na área ou uma descompressão repentina, segundo David Barry, especialista em monitoramento de dados de voos na Universidade Cranfield.
Má intenção - do piloto ou de algum invasor na cabine - é outra possíbilidade.
Mas, a não ser que a caixa preta do avião seja encontrada, o que realmente aconteceu na cabine dos pilotos naquele momento vai continuar sendo motivo de especulação.

2 - É possível especular que o piloto queria cometer suicídio?

Se o piloto tiver buscado se suicidar, essa não terá sido a primeira vez na história da aviação.
Acredita-se que as quedas dos aviões da Egypt Air (voo 990) em 1999 e da Silk Air (voo 185) em 1997 foram causadas deliberadamente por um piloto, apesar de estas justificativas serem contestadas.
A Rede de Segurança em Aviação - uma organização privada e independente especializada em segurança de voo - afirma que ocorreram oito casos de quedas de aviões ligadas a suicídios de pilotos desde 1976.
Até o momento, não foram divulgadas provas que justifiquem que foi isso que ocorreu no voo MH370, embora já tenham sido realizadas buscas nas casas do capitão e do copiloto do voo MH370, Zaharie Ahmad Shah e Fariq Abdul Hamid.
Especula-se que Shah pudesse estar abalado depois de se separar da esposa, mas até o momento não há fontes confiáveis para verificar qual era o estado mental do piloto no momento do voo.
David Barry afirma que o aparente desligamento do transponder pode ser um sinal de que ele tentou se matar, mas que "a teoria do suicídio do piloto é uma entre todas as outras".
"Simplesmente não há qualquer coisa que prove ou não prove isto", acrescentou Gratton.

3 - O cenário de um sequestro é possível?

Desde os ataques de 11 de setembro de 2001, aeronaves como esta têm portas reforçadas nas cabines dos pilotos a fim de evitar que invasores assumam o controle.
David Learmount, editor no setor de segurança da revista especializadaFligh International, afirmou que estas portas são "à prova de balas" e "não poderiam arrombadas com um machado".
Sylvia Wrigley, que pilota aeronaves menores e autora do livro Why Planes Crash (“Por que aviões caem”, em tradução livre) afirma que é improvável que alguém tenha invadido a cabine do piloto.
"Mesmo se quebrassem a porta, eles não conseguiriam entrar antes de uma chamada de socorro, a não ser que os pilotos estivessem incapacitados", afirmou.
Mas, de qualquer forma, não importa o quanto a porta é segura, existem momentos em que a porta é aberta - quando um membro da tripulação vai ao banheiro ou precisa checar algo na cabine. Em ambos os casos, seria possível correr para a cabine nestas ocasiões.
Reuters
Familiares dos passageiros ainda têm muitas dúvidas sobre o paradeiro do avião
Algumas companhias aéreas, incluindo a El Al de Israel, têm portas duplas para evitar justamente esta situação.
Gratton afirma que há um procedimento que requer que um membro da tripulação guarde a porta quando ela estiver aberta.
Mas, mesmo se os sequestradores correrem para a cabine de controle, seria fácil para qualquer tripulante enviar um sinal de socorro.
A segurança das portas da cabine oferece proteção contra a entrada de invasores, mas também evita que algo possa ser feito se algo ocorrer lá dentro. Por exemplo: no mês passado, um copiloto da Ethiopian Airlines esperou que um piloto fosse ao banheiro para assumir o controle do avião, sequestrando-o, voando para a Suíça.
Também existe a possibilidade de que um piloto convide um passageiro a visitar a cabine de controle. Foram descobertas fotos do copiloto do MH370 junto com turistas adolescentes em uma cabine de uma aeronave em um outro voo anterior.
A Boeing afirma que não seria apropriado fazer comentários sobre uma investigação ainda em andamento.

4 – Teria ocorrido algum acidente dentro do avião?

Wrigley acredita que é possível que uma sequência de eventos possa ter levado o avião para tão longe de sua rota por acidente.
"Algo pode ter dado errado em estágios. Um incêndio pode ter tomado parte do avião ou levado à falha de alguns sistemas, mas deixado o avião intacto. Então pode ter ocorrido descompressão - não uma descompressão explosiva, mas uma gradual", disse.
Wrigley cita o voo 522, da Helios Airways, que colidiu com uma montanha da Grécia em 2005 depois de perder a pressão e a falta de oxigênio ter incapacitado a tripulação. Naquela ocasião, o avião voou usando o piloto automático.
"Se o avião da Helios não tivesse atingido a montanha, teria continuado até o combustível acabar. Não estou dizendo que é um cenário provável, mas não é impossível", disse.
Pilotos destacaram que uma das primeiras medidas em muitos treinamentos de emergência é enviar uma mensagem ou alguma outra forma de sinal ao controle de tráfego aéreo.
Para um cenário puramente acidental fazer sentido, qualquer evento que tenha acontecido deve ter simultaneamente derrubado todas as formas de comunicação com terra.

5 - Por que não houve nenhuma medida quando o sinal do transponder foi desligado?

O transponder do MH370 foi desligado enquanto a aeronave saía da área de controle de voo da Malásia para o espaço aéreo do Vietnã, sobre o Mar do Sul da China.
Se um avião desaparecesse na Europa, Barry e Gratton afirmam que alguém do controle de tráfego aéreo teria notado e dado o alerta rapidamente.
"Pelo menos eu esperaria que os controladores de voo tentassem entrar em contato com uma aeronave próxima para tentar estabelecer o contato direto. Frequentemente os pilotos usam um sistema de comunicação para evitar colisão durante voo chamado de TCAS que detecta transponders de outras aeronaves para garantir que eles não estejam próximos demais uns dos outros", disse Gratton.
No entanto, de acordo com o ex-piloto da British Airways Steve Buzdygan, existe um intervalo, ou "ponto morto", de cerca de dez minutos na transmissão VHF antes de o avião cruzar para o espaço aéreo vietnamita.
Learmount afirma que também é possível que ninguém em terra tenham notado o desaparecimento.
"O controle de voo da Malásia provavelmente entregou o avião para os vietnamitas e esqueceu o assunto. Pode ter ocorrido um atraso de cinco minutos antes de alguém notar que o avião sumiu, um intervalo em que ninguém apertou nenhum botão", disse.
E, segundo ele, mesmo que o controle de tráfego tivesse notado que o avião estava desaparecido, eles podem não ter divulgado a informação.

6 - Por que satélites militares não estão tendo papel central nas buscas?

Satélites militares e de governos não tiveram muita importância nas buscas até agora. Isto levou a especulações conspiratórias de que o destino do avião era conhecido desde o começo.
As buscas no mar, a cerca de 2,5 mil quilômetros ao sudoeste da cidade de Perth, na Austrália, estão sendo feito com base em imagens feitas por satélites comerciais.
Dan Schnurr, chefe de tecnologia da empresa Geospatial Insight, afirmou que existem 20 satélites conhecidos que têm uma resolução capaz de obter estas imagens. Destes, provavelmente cerca de dez capturam imagens diariamente.
As imagens são transmitidas dos satélites em um tempo muito próximo do real, dentro de duas ou três horas depois de sua captura. O atraso para detectar imagens que valham algo se deve à análise do grande volume de imagens captadas.
Getty
Buscas continuam em área do oceano a cerca de 2,5 mil km da Austrália
Laurence Gonzales, autor do livro Flight 232: A Story of Disaster and Survival, afirma que alguns países têm sistemas mais sofisticados do que gostam de admitir.
Porém, Gratton afirma que satélites militares que procuram por mísseis balísticos provavelmente não estariam preparados para capturar imagens de aeronaves ou destroços.
"Esta aeronave estava a sete milhas de altura (cerca de 11,2 quilômetros) e viajava a três quartos da velocidade do som. Mísseis balísticos vão a quatro ou cinco vezes a velocidade do som, e 30 a 50 milhas de altura (cerca de 80 quilômetros)", disse.

7 - O avião planou sobre o mar ou mergulhou depois de acabar com o combustível?

Determinar os últimos momentos do MH370 parece depender de como o avião estava sendo conduzido naquele momento - pelo piloto ou não.
"Se estivesse sob controle (do piloto), o avião teria planado. O Airbus que foi parar (em janeiro de 2009) no Rio Hudson, em Nova York, perdeu os dois motores, que é um resultado idêntico a ficar sem combustível, e o piloto conseguiu pousar na água", disse Gratton.
Barry concorda que pode ter ocorrido uma descida mais suave.
"Aeronaves deste tamanho vão voar normalmente ou planar durante 50 milhas (cerca de 80 quilômetros) antes de atingir o mar caso acabe o combustível."
Mas, se o avião estava sem controle, a descida pode ter sido brusca.

8 - Os passageiros teriam percebido que algo estava errado?

Joe Pappalardo, editor da revista especializada Popular Mechanics, afirma que, na maioria dos casos em que o avião voa fora do curso durante horas, os passageiros podem não notar.
Por volta das 1h, muitos dos passageiros estariam dormindo. E, pela manhã, os mais espertos teriam notado que o Sol estava na posição errada.
As autoridades da Malásia disseram que o avião subiu para os 45 mil pés antes de cair 23 mil pés, depois da mudança de rota. Se este for o caso, os passageiros teriam sentido a perda de altitude, segundo Pappalardo.
Uma teoria é que a aparente subida do avião pode ter tido o objetivo de induzir à hipóxia, a falta de oxigênio, que poderia ter deixado todos inconscientes antes de morrer.
"Na versão história de horror, os passageiros podem ter percebido que algo estava errado enquanto o avião subia, e um evento de descompressão pode ter levado à liberação das máscaras de oxigênio e uma consciência de que o oxigênio era limitado. Um cenário melhor é que eles não sabiam de nada até o impacto", disse Wrigley.

9 - Por que os passageiros não usaram os telefones celulares?

AFP
Imagens de satélite mostram supostos destroços do avião no Oceano Índico
Uma questão frequente é por que, se estava óbvio que algo estava errado, os passageiros não usaram seus celulares e ligaram para familiares dando o alerta. Isto parece estranho principalmente em vista do exemplo o voo United 93, no qual os passageiros conversaram com familiares em terra depois que o avião foi sequestrado em 11 de setembro de 2001.
Foi declarado que é extremamente improvável que os celulares captassem sinal em um avião a uma altitude tão alta. Barry afirma que as chances de um celular funcionar no avião nesse caso são "virtualmente impossíveis".
"Pode ser difícil conseguir um sinal em uma estrada remota, imagine a 11 quilômetros de altitude, longe de antenas, viajando a oito mil quilômetros por hora", disse.

10 - Por que os aviões não podem ser ajustados para enviar todos os dados em tempo real para um satélite?

Em uma era na qual as pessoas estão acostumadas a descobrir a localização de um smartphone roubado com o uso da tecnologia, é desconcertante que, ao desligar alguns sistemas, uma aeronave tão grande possa simplesmente desaparecer por tanto tempo.
Barry afirma que a tecnologia para os aviões enviarem dados em tempo real já existe. O problema é que os aviões voam com a tecnologia que existia na época em que seus modelos foram lançados – em muitos casos, anos ou décadas atrás.
"Estamos pesquisando dispositivos que vão permitir que aeronaves transmitam informações pelo satélite quando algo diferente, como fogo ou descompressão, acontece, mas é difícil encaixar coisas em um avião do passado. O 777 entrou em serviço no início dos anos 90... a tecnologia é daquela época", disse.