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sábado, 13 de junho de 2015

“O que aconteceu em junho de 2013 no Brasil ainda não acabou”

“O que aconteceu em junho de 2013 no Brasil ainda não acabou”


Estudioso crê que protestos podem gerar forças à esquerda, mas teme sectarismos

 São Paulo 12 JUN 2015

A multidão de jovens que se aglomerava na última terça-feira na porta do Sesc Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, poderia dar a impressão de que alguma grande banda descolada se apresentaria em breve. Mas a grande atração do dia era o geógrafo marxistaDavid Harvey (Kent, 1935), professor de antropologia da Universidade da Cidade de Nova York (Cuny), que veio ao Brasil para participar do Seminário Internacional Cidades Rebeldes, promovido pela Boitempo Editorial. Na programação, quatro aulas de introdução a sua obra ministradas pelos principais nomes da geografia, do urbanismo e da filosofia do Brasil, como Raquel Rolnike Erminia Maricato.
Apresentando a edição traduzida de sua obra “Paris, capital da modernidade”, que chega agora às livrarias brasileiras, o próprio Harvey tomou o palco naquela tarde para apresentar sua análise de como a exclusão promovida pela urbanização de massa nas cidades desencadeia o descontentamento e as revoltas populares. E, como em alguns casos, a consequência se dá nos cenários políticos. Foi assim na Paris de 1848, analisada por ele em seu livro, na Baltimore de 1968 pós-morte do líder negro Martin Luther King, também estudada por ele, e na “pandemia de revoltas populares” vividas nos últimos anos em países como Espanha (com o movimentos dosIndignados), Turquia (com os jovens em defesa do parque Gezi) e o Brasil, com as revoltas de junho de 2013, da qual participaram muitos daqueles jovens que o aplaudiam.
Dois dias depois, um otimista Harvey conversou com o EL PAÍS sobre esses movimentos e suas consequências.
Pergunta. Na sua palestra você fez um paralelo entre os distúrbios de Baltimore após a morte de Luther King, em 1968, e os ocorridos em 2015, após a morte de Freddie Gray pela polícia. Como esses episódios tão distantes no tempo são semelhantes?
Resposta. Em 1968, basicamente, estávamos lidando com a situação do surgimento do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos. O movimento de massa que havia lá era organizado de uma forma muito poderosa. No final dos anos 1960, isso começou a ficar muito perigoso para a estrutura política de poder e o perigo foi aumentando porque estava emergindo uma conexão entre a marginalização racial e a distinção de classe. E, quando você coloca raça e classe juntas, é como uma dinamite. Foi isso que os Panteras Negras fizeram e eles eram, basicamente, perseguidos e mortos. Malcolm X e Luther King foram mortos. De forma muito simplificada, uma força política muito poderosa foi suprimida. A resposta, em algum nível, foi que alguma pressão teve que ser retirada da repressão sofrida pelos negros. Então, seguimos por um número de anos em que a classe média negra, educada, pode desabrochar. É uma minoria, mas ainda assim importante. E chegamos ao ponto de termos um presidente negro saindo disso.
Mas a distinção de classe sempre esteve lá e a camada mais pobre da sociedade americana continua sendo negra ou hispânica. Não é por acaso que elas ainda vivem sob os mesmos tipos de condição, de repressão e isolamento. Em alguns aspectos, vivem em situação pior que a que viviam no final dos anos 1960 porque os trabalhos industriais, decentes, desapareceram agora. Então, quando uma nova fase de distúrbios aconteceu em 2015, o que vimos foi uma revolta dessa população contra sua condição de vida. O que é verdade em todos os eventos urbanos que vimos ao redor do mundo recentemente é que o gatilho da revolta, em muitos casos, é a morte de jovens negros pela ação policial. Mas a situação não tomaria as dimensões que tomou não fosse a existência desse amplo senso de descontentamento e alienação, que está bastante espalhado na comunidade. Todo esse descontentamento aparece após um incidente como esse. Então, não é possível dizer que é por causa desse incidente que a revolta acontece, mas por causa das condições de vida daquela população naquele momento histórico.
P. Esse gatilho da violência policial apareceu em diversas outras ocasiões. Aqui no Brasil, na Turquia, na Espanha. Os protestos começam pequenos, segmentados, a polícia age com violência e eles se tornam algo grande. Por que?
R. É muito difícil dizer porque acontece. A maioria de nós, inclusive eu, ficamos bastante surpresos com o que aconteceu, por exemplo, emFerguson, no Missouri, onde um protesto de rua é seguido por uma força policial que parece que está invadindo o Iraque. E que, de fato, usou o equipamento militar do Iraque na rua, contra uma população civil que está simplesmente protestando, de forma legítima. O que acontece é que há uma intenção crescente de militarizar o descontentamento popular. E receber o descontentamento popular com repressão. Isso é legitimado, cada vez mais, por essa retórica antiterrorismo, essa mentalidade antiterrorista de que todos que não estão agindo em conformidade com o sistema são potencialmente terroristas. Há essa mentalidade e a tendência de usar a força policial, e usá-la instantaneamente, para conter o descontentamento. O movimento Occupy, de Nova York, que era muito pequeno e, em muitas maneiras, até inocente, foi recebido por uma feroz repressão policial. E todos ficaram se questionando porque. No Brasil, assim como em Istambul, a violência da resposta policial se tornou parte do problema e criou uma guerra urbana, entre as forças militares e os manifestantes, que também se tornaram cada vez mais sofisticados para lutar batalhas de rua.
P. Essa resposta pode ser um sinal de que os Estados não estão conseguindo compreender o que de fato está acontecendo?
R. Acho que há uma distância em relação ao povo e aos sentimentos do povo. Parte do que está movendo a raiva da população é a sensação de que não há de fato uma democracia, canais reais de consulta e de engajamento ao processo político. O Estado e um pequeno grupo de líderes de negócios poderosos tomam decisões sobre a construção de um novo estádio de futebol, ou outros megaprojetos. Há um sentimento de alienação do processo político. E isso constrói uma importante base para a frustração e a raiva. Pessoas alienadas tendem a ser muito passivas até que alguma coisa aconteça e elas se tornem bravas. E aí se começa a ver protestos desse tipo, seguidos dessa repressão. Vimos isso em muitas cidades.
P. As próprias condições de vida e o processo de urbanização também contribuem?
R. Acho que como residente de uma cidade, eu sempre gostei de me sentir confortável na rua que eu vivo, de saber que eu tenho algo a dizer sobre a vida diária que se passa ao meu redor, e de ser capaz de desfrutar dessa vida. As pessoas não têm o tempo para desfrutar a vida. Esse tempo é tomado por uma série de demandas, como obrigações familiares e todo o resto. As pessoas estão estressadas. E pessoas estressadas tendem a ser revoltadas com as condições da vida. Ao mesmo tempo, elas se encontram frequentemente exploradas. Eu falo para os meus estudantes: ‘vocês podem não sentir isso na força de trabalho, mas e a companhia telefônica te explora? A empresa de cartão de crédito te explora?’ E eles dizem: ‘sim, sim! O proprietário do meu apartamento subiu o aluguel em mais de 30%!’ A vida é impossível. As pessoas vão a um trabalho, que muitas vezes sentem sem significado. Há uma lacuna de significado na vida. Há um descontentamento geral com as condições. E, ao mesmo tempo, elas pensam: ‘não há motivos para eu votar, se eu votar eles vão continuar fazendo a mesma coisa do mesmo jeito, não vão me consultar’. Há uma alienação com o processo político. Somando a isso, a segregação entra no quadro. As pessoas se sentem trancadas em sua parte da cidade e há essas comunidades muradas onde elas não podem ir, todos esses locais proibidos onde as pessoas não podem circular ao invés de a cidade ser um ambiente aberto, onde as pessoas podem circular, interagir.
P. Como o centro das cidades, que expulsam as populações pobres por se tornarem cada vez mais caros?
R. Muitas pessoas sentem que a cidade está sendo tirada delas. Que a cidade que antes elas sentiam ser delas, de alguma forma está sendo roubada delas. O que é interessante é que esse era um dos grandes sentimentos que existia já na comunidade de Paris em 1871, de que a reconstrução da cidade em volta de coisas muito burguesas forçou a massa da população para os subúrbios. Então vemos esses movimentos em que as pessoas, de forma revolucionária, tentam retomar a cidade.
P. Como em Istambul, como o parque Gezi, aqui no Brasil, com oOcupe Estelita...
R. Sim, passei uma manhã muito agradável com eles em Recife, aliás.
P. A área, no fim, deve mesmo se tornar empreendimento imobiliário.
R. As pessoas vão lá e lutam e é muito raro que elas de fato ganhem. Mas o outro sinal importante de tudo isso, que foi verdade aqui no Brasil, em 2013, é que quando algo que emerge em uma só cidade acaba contagiando outras cidades paralelamente é um sinal importante de que há algo errado com toda a forma como o processo está funcionando. São as pessoas dizendo: ‘temos que mudar o processo radicalmente’.
P. E como mudar? Aqui no Brasil o aumento da tarifa desencadeou os protestos em várias cidades. Diferentes demandas surgiram, mas não vivemos uma mudança política como ocorreu na Espanha, com oPodemos, ou na Grécia, com oSyriza. Por acha que isso aconteceu?
R. Eu não sei. É algo que eu gostaria de saber de você. Acho que a questão que eu perguntaria é: tem certeza de que nada mudou? As pessoas vão para as ruas, a memória daquilo não desaparece da noite para o dia. Neste momento, provavelmente, tudo está um pouco confuso pelos protestos liderados pela ala da direita [contra a presidenta Dilma Rousseff] e ninguém sabe qual a forma política que os protestos de esquerda vão tomar. Ainda não se produziu um Podemos, um Syriza. Na Turquia, esse processo também promoveu um novo partido político, que é o curdo HDP, que foi eleito agora para o Parlamento e evitou que o presidente reescrevesse a Constituição para ter poderes absolutos, o que foi um momento importante para a democracia do país e que não teria acontecido sem o chamado processo Gezi [em referência à revolta gerada pela intenção de construir um shopping no local do parque Gezi]. Aqui, eu acho que o problema é que vocês têm a Dilma e o PT no poder. O PT se tornou mais neoliberal, está implementando uma série de políticas de austeridade e ninguém se sente animado a apoiar isso, a ir às ruas e apoiar Dilma e as políticas de austeridade. As pessoas gostariam de sair às ruas e apoiar algo diferente. Mas, no momento, esse algo diferente não existe. Pode vir no futuro, quem sabe. Eu suspeito que vai emergir.
P. Seria possível, a essa altura, o PT voltar a ser o que era?
R. O PT poderia mudar. Mas a gente vê exemplos de outros países, como a Inglaterra, onde o Partido Trabalhista mudou para ser um partido mais radical e a resposta foi negativa. Eu suspeito que para o PT não vai ser mais possível. Isso iria requerer uma grande revolução dentro do partido. Há outros partidos de esquerda menores que tendem a ser mais sectários e que poderiam se unir, como aconteceu com o Syriza, em uma força política mais coerente. Nesse caso, eles com certeza invocariam o espírito de junho de 2013, sendo a base do que eles gostariam de fazer. Acho que o aconteceu em junho de 2013 ainda não acabou e as consequências ainda estão para ser conhecidas.
P. O Estado pode agir para mudar o que tem provocado esse descontentamento geral?
R. Depende da base social do aparato estatal. O aparato estatal tem uma burocracia que tende a operar de uma maneira própria, independentemente do poder político. Essa burocracia é mais alinhada com o que os desenvolvedores querem. Quando se trata de um poder com uma base política muito forte, então o lado político tende a ser mais combativo contra os grandes projetos. Pode parar alguns dos megaprojetos, começar a se colocar em parceria com os movimentos sociais. Então, um movimento de bairro que está demandando melhorias na qualidade de vida poderá achar um Estado que é parceiro, em oposição a um contra o qual ele tem que entrar em confronto. Será muito interessante de ver o que vai acontecer em Madri e em Barcelona, por exemplo, onde duas prefeitas foram eleitas com base em uma força social que dizia que é preciso fazer alguma coisa diferente. E vamos ver o quanto o que elas conseguem fazer é, de fato, diferente. Vimos em Nova York, um prefeito mais inclinado à esquerda sendo eleito. Mas, até agora, ele ainda não foi capaz de fazer muito porque os poderes financeiros o pararam.
P. Temos um processo parecido em São Paulo, com o prefeito Fernando Haddad. Como consequência, parece que houve um afastamento dos movimentos sociais que o apoiaram.
R. É sempre muito difícil manter essa conexão viva. O prefeito se transformar no parceiro dos movimentos sociais é sempre um pouco perigoso porque as pessoas que financiam as eleições não vão mais financiar aquele prefeito. É assim que a política local é dada. Mas, por outro lado, se os movimentos sociais são fortes e poderosos o suficiente, eles podem garantir a eleição do prefeito. É assim que a luta de classe pode começar a retomar as coisas. Los Angeles e Seattle estão agora demandando um salário mínimo para todos os que trabalham naquelas cidades. O salário mínimo federal é de 7 dólares a hora e eles estão elevando para 15, progressivamente. É a cidade se movendo porque a população decidiu eleger pessoas progressistas. E para eles continuarem a ser reeleitos, eles têm que continuar fazendo coisas progressistas, como isso de elevar o salário mínimo.
P. Você, então, parece otimista em relação a esses movimentos ao redor do mundo.
R. Acho que coisas interessantes estão acontecendo no momento, como o que aconteceu em Barcelona, como o que aconteceu em Madri, em Los Angeles, em Seattle. Há muitos movimentos acontecendo no momento. Passamos por dez anos em que não houve nenhum movimento nessa direção. Agora há um movimento que está indo na direção certa e que tende a se fortalecer e ir para algum lugar.
P. Mas você também destacou na sua palestra que a falha desses movimentos pode dar espaço para o fortalecimento da extrema direita.
R. Acho que essa é a outra possibilidade. E é por isso que eu acho que é crucial para as pessoas começarem a reconhecer que esse é um momento histórico importante, que essa abertura para a esquerda na política é muito mais difícil e as pessoas, às vezes, têm que deixar de lado as suas visões sectárias e dizer: ‘ok, é mais importante ser solidário do que estar certo’.
Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/06/13/politica/1434152520_547352.html

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

David Harvey, geógrafo e intelectual marxista: “Soy escéptico de la idea de reformar el neoliberalismo”

Voz autorizada en la discusión intelectual de la izquierda, y de paso por Chile con motivo del último Puerto Ideas en Noviembre, el profesor de la City University de Nueva York (CUNY) y autor de “17 contradicciones del Capitalismo” conversó con La Chispa sobre el Marxismo en la actualidad, la crisis del neoliberalismo, América Latina y Chile.






- En el contexto de una teoría revolucionaria, en su opinión, ¿Cuál es la validez del Marxismo actualmente?

"Marx ofrece una muy buena forma de pensar en el cambio social y a la vez, ofrece una manera de entender críticamente cómo funciona el capital. Creo que es particularmente importante porque el capital se mueve de una manera misteriosa y a menudo oculta lo que está pasando verdaderamente. Marx hace un buen trabajo en desmitificar esas apariencias y desarrollar un método para investigar qué es lo que realmente está pasando y, por lo tanto, entender qué es lo que hay que cambiar para tener un movimiento revolucionario ajeno a la dominación del capital y que permita construir un mundo basado en relaciones sociales distintas y con nociones diferentes de valor".

- Una característica de la izquierda en el mundo ha sido el abandono gradual del marxismo desde la caída del muro de Berlín. ¿Cuál es su análisis de ese proceso? ¿Cuáles son sus consecuencias hoy?
"Bueno, siempre ha habido dos visiones en el movimiento marxista. Una es la crítica del capital y la otra ha sido una especie de entendimiento teórico sobre cómo se debería organizar una alternativa al capitalismo. Marx no habló mucho de cómo se debería organizar una sociedad alternativa al capital, y creo que fue por la sencilla razón de que no creía realmente en un proyecto utópico que simplemente llega y se implementa. Entendía, más bien, que la revolución es un proceso en el que debes descubrir qué funcionará o no a través de varias prácticas. Por supuesto Marx tenía ideas sobre algunos tipos de prácticas en su época, pero creo que nunca tomó la posición en que las prácticas en las que él estaba involucrado debiesen ser replicadas en otros lados. Queda la pregunta sobre cuáles debieran ser las prácticas hoy y, por supuesto, el hecho de que algunas prácticas que surgieron en el Bloque Soviético o en China claramente tenían varios problemas. Yo no acepto la historia general del fracaso total. De hecho, en algunos aspectos, esos países tuvieron logros extraordinarios dentro de esa historia que fueron olvidados, pero creo que, obviamente, el camino de esas experiencias no era sustentable y esas prácticas particulares colapsaron".

"Pero el otro lado de Marx siempre ha sido una crítica del capital, y creo que cuando el capital surgió triunfante y sin respuesta como lo fue en la década de 1990, rápidamente vimos que esta no era una forma estable de organización económica y esto significó que la necesidad de una crítica del capital fuera aún más urgente. Entonces encontrabas una situación en que los economistas predicaban la importancia de la hipótesis de los mercados eficientes y esa clase de cosas, y luego todo se vino abajo, y cuando les preguntabas por qué, no tenían idea, y la persona que creo tenía una muy buena idea de por qué todo se vino abajo es Marx. Pienso que después del colapso de finales de los 90, Marx se hizo mucho más relevante, por ejemplo después de la gran crisis en el Sureste de Asia en 1997-1998 y luego de la crisis de la Argentina en 2001. Y hemos estado en una crisis casi permanente desde entonces, superándola a través del boom de la vivienda en EE.UU y volviendo caer luego de su colapso. Vemos, entonces, un sistema capitalista excesivamente inestable y demente, y la necesidad de una crítica se hace cada vez más fuerte dado que la gente ve que es muy difícil de entender exactamente por qué todo esto pasó, y ahora tenemos esta ironía de que la revolución y la transformación han sido desacreditadas y que las posibilidades de construir una crítica sobre las contradicciones del capital se han vuelto incluso más significativas".  

- En uno de sus últimos libros, Eric Hobsbawm, dice que con la caída del Muro de Berlín el marxismo se “liberó” de la tradición soviética. Hoy, que existe un auge de movimientos sociales alrededor del mundo, ¿Qué pasó con el concepto de Partido y su enfoque leninista?

"El concepto leninista del Partido está siendo vastamente abandonado por su asociación a lo que sucedió en los países comunistas como la URSS y China. Hubo un intento, como lo llamó John Holloway,  de cambiar el mundo sin tomarse el poder o cambiar el mundo sin formar partidos políticos y sin enfrentar necesariamente la tarea de conquistar el poder del Estado. Así que ha habido un periodo en el cual los movimientos sociales han intentado encontrar un fundamento distinto para acción política y para la toma de decisiones democráticas. Yo creo que esta fase, sospecho, va a terminar luego y vemos la emergencia de nuevas formas políticas como por ejemplo Syriza en Grecia y Podemos en España que definitivamente podrían volverse una mayoría parlamentaria en un futuro no muy lejano y creo que la gente está reconociendo que los experimentos que han ocurrido los últimos años con formas asambleístas de democracia y horizontalidad han alcanzado un límite y que no se puede cambiar el mundo sin tomar el poder, y que de algún modo, para que ellos reconstruyan formas democráticas para la toma de decisiones dentro de un tipo de estructura partidista, en algún punto, van a tener que enfrentar una relación específica con la naturaleza del Estado. Ésta es un área muy problemática porque, sin duda, el Estado se ha vuelto, en efecto, en un agente casi exclusivo del capital, incluso más en los últimos 10 o 15 años, por lo que hay una gran batalla que pareciera emerger por esa pregunta, pero no creo que la mayoría de la izquierda esté preparada para combatirla o pensarla. Creo que hay una reevaluación sobre cómo gobernaríamos, cómo estableceríamos estructuras democráticas que no sean corrompidas por el poder del dinero o destruidas por una estructura de liderazgo jerárquico que no pueda dar cuenta a su base política y social. Por lo tanto, estamos en un momento de transformación y creo que va a ser así por los próximos 2 o 3 años, con grandes experimentos respecto a qué harían Syriza y Podemos si consiguen el poder. ¿Qué hubieran hecho estas formas alternativas de gobierno si por ejemplo, se ganara la independencia escocesa? ¿Qué hubiera sucedido en Escocia? Hay varios tipos de posibilidades interesantes que no son factibles ahora y que estarán mirando un escenario político muy diferente en un lapso de 2 o 3 años".

- Siguiendo la idea del abandono del marxismo, la hegemonía del Banco Mundial y conceptos como la "lucha contra la pobreza" han tenido una profunda influencia en los gobiernos latinoamericanos, generando el concepto de “Progresismo”, entendiendo esta estrategia como una forma eficiente de domesticar los conflictos sociales a través de políticas redistributivas en un marco democrático occidental (como el Partido de los Trabajadores (PT) y el programa Bolsa Familia en Brasil). En tu perspectiva, ¿Cuál es el rol y los límites de este tipo de gobiernos? ¿Dónde queda la lucha de clases cuando los gobiernos se enfocan en la pobreza y no en la riqueza?

"Yo creo que cualquier gobierno de izquierda que llega al poder enfrenta dos problemas: el primero es -en un sentido muy profundo- que todos nos hemos vuelto neoliberales sin reconocerlo. Estoy asombrado aquí en América Latina por toda esa retórica de que “ya no somos neoliberales” que tiene, de hecho, maneras neoliberales de pensar que están profundamente enraizadas aunque de forma diferenciada en los países. Por ejemplo, aquí en Chile son muy profundas. Por lo tanto, la concepción mental sobre el mundo fluye desde lo que uno llamaría “enraizamiento del pensamiento neoliberal de la gente”, lo que es un problema serio en sí mismo, tanto a nivel popular como a nivel gubernamental, y eso apunta nuevamente al significado de la crítica marxista. Y cuando digo una crítica marxista seria no quiero decir un tipo de “ultra izquierdismo” que simplemente dice “el PT está cooptado” o algo así. Me refiero a una comprensión profunda de cómo la subjetividad política ha sido formada por una cierta historia y qué es lo que se requiere para transformar esas subjetividades políticas para que podamos ir más allá de la política de redistribución que actualmente es dominante".
"El segundo problemas es que cada economía ya no es una isla y creo que la idea de una economía nacional que se puede retirar de una economía global que funciona de otra manera es una fantasía. Por lo tanto, hay contradicciones perpetuas que hay que enfrentar. Por ejemplo, si tu economía se basa en algún tipo de extractivismo, entonces es muy difícil llegar y decir terminaremos con el extractivismo porque no tienes ninguna divisa y no podrías conseguir algunos bienes básicos que necesitas como computadores o ese micrófono con el que me estás grabando. Así que hay tensiones que hay que manejar, pero creo que aquí es donde hay políticas serias que deberían ponerse en marcha. Creo que estrategias de reindustrialización de economías que en varios aspectos se des-industrializan son limitadas, pero de lo que estoy hablando aquí es sobre la exploración de nueva maneras de producir cosas que ya no se ven envueltas en la dificultad de competir con los extremadamente bajos costos de producción en China y creo que ahora hay desarrollos tecnológicos como las impresoras en tres dimensiones u otras para la producción de muchos bienes y servicios que son localizados y son mucho menos estresantes para el medioambiente, y que también pueden generar bienes para la gente basados en fuentes locales en vez de obtenerlos en el comercio internacional. Ahora, no estoy diciendo que esto pueda llevar a una independencia total, pero hay muchas áreas para la recolonización de los mercados internos y para la reconfiguración de la industria y la agricultura. Esto ocurre en muchos países en Latinoamérica que son impulsados por el desarrollo de exportaciones y terminan importando comida cuando realmente podrían tener fácilmente comida autosustentable cuando no están vendiendo soja a China o fruta a Nueva York".
"Creo que se trata de explorar posibilidades de nuevas formas de relaciones sociales, nuevas formas de organización, que permitirían una estrategia de reindustrialización modesta en América Latina y que me lleva a otro punto, que es que todo esto se podría llevar a cabo si hubiera más y mejor colaboración entre los países de América Latina. Hoy en día existe este discurso de la solidaridad, pero hay muchas fronteras nacionalistas que dicen “tú haz eso, y nosotros hacemos esto”. Esto significa muchas cosas, por ejemplo, la conectividad del transporte que existe dentro de América Latina es terrible, conseguir un vuelvo de una capital a otra es increíblemente difícil (risas) y también increíblemente caro y es algo se podría corregir fácilmente, pero para eso se requiere acción colectiva y creo que para que los países latinoamericanos se junten deberían entenderse como una economía regional en vez de “nuestra economía versus tú economía”. Esta es una de las cosas que está frenando lo que se podría llamar una estrategia modesta de reindustrialización para América Latina en su conjunto".
- En Chile, el conejillo de indias del neoliberalismo, hay una creciente discusión sobre los derechos sociales como la gratuidad en la educación superior y reformas al sistema de salud y pensiones. En Europa, la mayoría de estos derechos sociales están garantizados por el Estado. ¿Qué relación existe entre el neoliberalismo y los derechos sociales? ¿Cómo puede el neoliberalismo absorber estas demandas?

"El neoliberalismo no puede absorberlas, y esa es una de las críticas al neoliberalismo. Sin embargo, el proyecto neoliberal no está acabado. Por ejemplo, en Europa hay mucha presión para desmantelar los derechos sociales. Podemos ver esto incluso en los países escandinavos, que hace tiempo han hecho resistencia contra el neoliberalismo más puro. En el caso de América Latina hay un contraste mucho más dramático en su interior. En Argentina, por ejemplo, la educación superior es gratuita pero no así en Chile, y una consecuencia de esto es que puedes ver muchos estudiantes chilenos en Argentina, lo que no parece muy justo para los argentinos y no parece ser una manera razonable de pensar al continente como un todo. Pero de nuevo, yo creo que esta idea está profundamente arraigada en las prácticas neoliberales y consiste en que todo es un asunto de responsabilidad personal, que sólo tú eres responsable de desarrollar tu capital humano a través de los estudios, sin reconocer que tu propia capacidad para desarrollar capital humano depende de sobremanera de tus ingresos o los de tu familia. Si estás en una situación de pobreza, simplemente no tienes los recursos para acumular capital humano. El punto, es que existe una teoría del capital humano que circula acá en Chile que es una completa falacia. Marx tenía una jocosa manera de ver esto cuando criticaba a Adam Smith. Marx decía: piensa que eres un capitalista con poder de decisión, entonces si tienes dinero y poder, puedes invertirlo o quedarte con esos ingresos. Ahora, si tienes capital humano, eventualmente no necesitarías trabajar, ya que podrías decidir invertir dicho capital y vivir de esos ingresos. Obviamente, uno no puede hacer eso, porque en realidad lo que tienes no es capital humano en estricto rigor, sino que más bien tienes una habilidad que es valorada en el mercado del trabajo y que se encuentra segmentada. Esto significa que si estás en el segmento correcto puedes reproducir la fuerza de trabajo en ese segmento para tus hijos, pero si estás en otro segmento entonces no podrás. En el fondo, toda esta teoría del capital humano es sobre la perpetuación de la desigualdad social, pero rodeada de una noción de virtud moral que intenta hacerla parecer como práctica virtuosa cuando en realidad es una práctica que desde un comienzo ha sido sobre la reproducción de la desigualdad social en una base cada vez más segregada".   

- En sus conferencias disponibles en internet, tú explicas la diferencia entre entender a las universidades como valores de cambios en vez de valores de uso. ¿Qué rol crees que debe tener una universidad pública en el siglo XXI? ¿Qué piensas sobre la participación de intereses privados en la educación?

"Bueno, en realidad yo espero que en los próximos años las universidades públicas tengan un rol cada vez más importante y significativo. Sin embargo, la tendencia es en la otra dirección, y esto ha sido así incluso antes del surgimiento de la retórica neoliberal más dura. Por ejemplo, mi propia universidad en Nueva York (City University of New York, CUNY) es una universidad pública muy grande. Hoy día cuenta con cerca de 400 mil estudiantes y hasta 1970 era gratuita. Su misión consistía en educar a los hijos de los inmigrantes y puedo decir que todavía lo hace. Sin embargo, con las reformas neoliberales de los '70 fuimos forzados a cobrar aranceles, aunque estos siguen siendo relativamente bajos. De hecho, me llama la atención que nuestros aranceles sean menores que los de la Universidad de Valparaíso o la Universidad de Chile. Ahora, nosotros seguimos educando a una inmensa población inmigrante que es muy diversa. Hay un rango de estudiantes tremendo, es decir, tienes alumnos excelentes y otros a los que es difícil educar, lo que hace sumamente importante la democratización de estas universidades. Actualmente, uno de los grandes problemas que tenemos es que estas universidades públicas han sido sistemáticamente desfinanciadas desde los años 30 y han tenido que enfrentar el surgimiento de cada vez más instituciones de educación superior privadas. En Nueva York por ejemplo, tienes una situación interesante: todo el mundo conoce a la Universidad de Columbia (CU) y a la Universidad de Nueva York (NYU), pero nadie conoce a CUNY a pesar de que tiene 400 mil estudiantes. De hecho, los problemas de financiamiento han hecho que muchos de los profesores no sean miembros regulares de sus facultades porque no hay dinero para poder pagarles salarios decentes. Entonces, este es el tipo de situación que es característico alrededor del mundo y que necesita ser revertido mediante el desarrollo de compromisos públicos como el de educación gratuita para todos. Seguramente ya lo saben, pero hoy en Estados Unidos la deuda de los estudiantes de educación superior está estimada en 1 billón de dólares (1 trillion). Muchos estudiantes salen de sus carreras debiendo un cuarto o medio millón de dólares que deberán pagar durante toda su vida. Esta es una increíble carga personal, tal y como las deudas por viviendas. Por lo tanto, yo creo que necesitamos garantizar en el mundo tanta educación superior como se pueda, ya sea de forma gratuita o a un muy bajo costo, y con acceso abierto para que cualquiera pueda tener un grado universitario".

"Respecto a la educación privada, no es tan claro que esta pueda contribuir a todos los objetivos mencionados. Lo que hemos visto más bien, es que los intereses privados de estas universidades, que en teoría no deberían tener como objetivo el lucro, se han preocupado mucho por acumular más riqueza y poder. Incluso muchas instituciones privadas son ahora algunos de los consorcios de activos con más riqueza en el mundo. Por ejemplo, Harvard, Yale, o universidades como esas. También hay cada vez más universidades con estructura de negocios, como aquellas que entregan títulos online y cuya calidad no es para nada decente".

"Interesantemente, una gran cantidad de recursos en forma de subsidios fluye directamente desde el gobierno hacia estas universidades-negocios de mala calidad, haciendo que a sus accionistas les vaya extremadamente bien en términos monetarios, aun cuando estas instituciones no cumplen ningún propósito o criterio público. Existe, por lo tanto, una inmensa necesidad de asegurarse de que ese tipo de instituciones no tomen el control. En Ecuador, por ejemplo, el gobierno cerró muchas de esas instituciones que son frágiles y que no ofrecen nada bueno. Yo creo que este es un paso muy importante que hay que dar, y que la reforma universitaria ecuatoriana es esencial para un continente como América Latina en el que se puede apreciar el constante deterioro del sistema educacional universitario a través de la privatización y la “corporativización”, que extrae riqueza sin crear ningún valor de uso".

- Como has dicho en algunas conferencias y entrevistas, hoy día las democracias son “Democracias del Dinero” en las que el capital local e internacional puede influir directamente en la política. En Chile, por ejemplo, tenemos un sistema político cada vez más parecido al americano: dos grandes coaliciones con intereses económicos diversificados y una “tecnocratización” de los gobiernos que desaloja todo el contenido político del debate. Si el sistema político está cooptado, ¿Cuáles son las alternativas? ¿Cuáles debieran ser las banderas de lucha de los nuevos movimientos sociales y políticos?

"Yo creo que esto va a tomar un buen tiempo y mucha agitación política. Las posibilidades son distintas en cada país. Por ejemplo, en Estados Unidos, las decisiones de la Corte Suprema han garantizado crecientemente el gasto de dinero en la política como una forma avalar, más allá de la Constitución, la libertad de pensamiento. Ahora, yo no sabía que el dinero podía pensar, pero aparentemente la libertad de expresión y la libertad de pensamiento podrían hacer tal cosa, de manera que bajo esa idea, el financiamiento de la política sería una forma de libertad de expresión. Ahora, esas decisiones que comenzaron en 1970 aún continúan, y existe cada vez más una absoluta permisividad sobre el gasto de dinero en política. Los países que han puesto limitaciones a la influencia del dinero en sus procesos políticos han sido derribados uno por uno".

"Yo creo que hay que recuperar estas limitaciones y sacar al dinero de la acción política. Así como creo que los ciudadanos deben ser protegidos del asalto de las campañas electorales y del poder del dinero en los medios de comunicación. De hecho, lo que se requiere es una fuerte legislación en contra del dinero en la política, pero son los mismos políticos los que deben aprobar aquello, es decir, controlar su propio poder, lo que obviamente no harán a menos que haya un movimiento que pueda cambiar a estos políticos e implementar un proceso político que sea sustantivamente diferente. Eliminar el poder del dinero del proceso electoral requerirá un duro trabajo en el frente legal, en el político y en el popular, al menos hasta que se vean ejemplos claros en que movimientos de masas logren derrotar a la concentración del poder del dinero".

"Yo creo que nos sentiremos esencialmente desmotivados intentando reconstruir el movimiento político, pero creo que esa es una de las cosas a las que el poder del dinero teme. Que algún día, una persona carismática llegue y diga que, con el pueblo, quiere recuperar la política del poder del dinero. Eso no se ha visto todavía, y si pasa, temería por la vida de ese líder, porque el poder del dinero hará lo que sea necesario para mantener el control sobre los procesos políticos".

- Para finalizar, existen muchas críticas sobre los excesos del neoliberalismo. Por ejemplo, el best seller “Capital en el siglo XXI” de Thomas Piketty, pero la mayoría de esas críticas no atacan al modo de producción capitalista. De hecho, algunos lo defienden. Relacionado con tus últimos trabajos, ¿cuáles son las principales contradicciones de la sociedad capitalista hoy? ¿Por qué deberíamos hablar sobre terminar el capitalismo en vez de terminar con el neoliberalismo?

"Me gusta pensar que si terminamos con el neoliberalismo podríamos terminar con las pretensiones de algunas personas que creen que podríamos tener un capitalismo ético que asigna trabajos y oportunidades de vida y que beneficia a la mayoría de la población, ya que soy profundamente escéptico de aquello. Yo he vivido bastante, y estoy lo suficientemente viejo como para recordar muchas promesas de las décadas del 50 y del 60 que decían que el desarrollismo terminaría con la pobreza global, cuando en efecto, la incrementó. Vi lo mismo en los 70. Por ejemplo, Henry Kissinger decía que el hambre en el mundo terminaría en 5 o 10 años, o los Objetivos de Desarrollo del Milenio (ODM) de Naciones Unidas que decían que la pobreza global sería erradicada el 2015 o muy pronto. Pero cuando tú observas la desigualdad, simplemente te das cuenta de que esto no está pasando verdaderamente. Por lo tanto, soy escéptico de la idea de reformar el neoliberalismo y de la construcción de un tipo de redistribución social democrática que pueda entregar una respuesta adecuada nuestros problemas. Es más, creo que hay algunos problemas apremiantes que realmente necesitan ser considerados de forma seria. Por supuesto que la desigualdad social es uno, el  requerimiento de crecimiento es otro, o una tasa de crecimiento mínima sostenible, por ejemplo. Es decir, problemas que son cada vez más imposibles de resolver física, social y medioambientalmente. De manera quehay muchas razones para dejar de pensar el capital como forma dominante de la producción de bienes y servicios como lo hacemos hoy y comenzar a pensar en estructuras alternativas que desarrollen valores de uso para la población mundial fuera del cálculo capitalista de hacer todo para tener ganancias y acumular riqueza y poder. Creo que en eso deberíamos pensar. Ahora, si tú me preguntas si estoy ciento por ciento seguro de que esta es la única opción, mi respuesta es no. Desearía que alguien me mostrara otro camino, pero mientras tanto, deberíamos pensar seriamente en esto".


"Una de las cosas a las que me opongo es a la gente que dice que no tenemos que pensar en esto porque el capitalismo es lo que hay y nada más. Creo que debemos salir de la frase de Margaret Thatcher (“no hay alternativa”) porque sí hay una alternativa; hay alternativas. Hay estructuras de valores que podríamos comenzar por implementar,hay formas alternativas de organización económica que podemos construir. Hoy día tenemos la capacidad tecnológica que no teníamos hace 30 años para la coordinación y la toma de decisiones masivas, y también hay posibilidades que no hemos explorado porque no estamos preparados todavía. Ok, veamos a qué se parecería una alternativa, veamos si es que existe, y si es que existe, pensemos como construirla. De hecho, esta es una de las cosas en las que soy crítico con las universidades. Las universidades deberían ser lugares donde este tipo de debates tomen lugar, pero cuando he intentado hacerlo, la gente simplemente se voltea y me dicen que no quieren considerarlo, cuando a mí me parece que este un problema muy serio, que se puede analizar y que puede ser racionalizado y entendido".


Fonte: http://lachispa-revista.blogspot.com.br/2014/12/david-harvey-geografo-e-intelectual_23.html

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

"Transformar São Paulo passa pelo diálogo com os movimentos sociais"

"Transformar São Paulo passa pelo diálogo com os movimentos sociais"


Entrevista David Harvey: Autoridade mundial em urbanismo faz ressalvas a planos de embelezamento e PPPs




24.11.2014
Edison Veiga - O Estado de S. Paulo


Ele concorda que a probabilidade de São Paulo eliminar seus graves problemas "não é muito grande", vê com bons olhos a ideia de transporte público grátis e tem ressalvas a projetos pontuais de embelezamento das cidades e às parcerias público-privadas (PPPs). Autoridade mundial em temas referentes às transformações urbanas atuais, o geógrafo marxista britânico David Harvey, professor da City University de Nova York, veio ao Brasil para participar de debates e conferências em Brasília, Recife, Fortaleza, Curitiba e São Paulo.

Autor de livros como Cidades Rebeldes (Martins Fontes, 296 páginas, R$ 34,90) e o recém-lançado Para entender o Capital: Livro II e III (Boitempo, 392 páginas, R$ 58), ele concordou em responder perguntas sobre São Paulo de arquitetos e urbanistas convidados pelo Estado. As questões foram propostas por Henrique de Carvalho, do escritório Tanta; Pedro Paes Lira e Rebeca Amaral, do IDOM-ACXT; e Sergio Coelho e Alessandra Araujo, GCP Urbanismo e Sustentabilidade.
Para David Harvey, expulsão de mais pobres para periferia não é inevitávelPara David Harvey, expulsão de mais pobres para periferia não é inevitávelGabriela Bilo/Estadão

São Paulo é uma cidade típica brasileira na qual a intensidade dos problemas mais comuns de nossas cidades menores é multiplicada pela sua escala. Você vê possibilidade de melhoria significativa do quadro? Conhecendo exemplos em outros países, poderia apontar algum caminho viável?


Sempre há possibilidades e eu penso que é importante, portanto, explorar o máximo possível delas. As possibilidades não se traduzem em probabilidades. De modo que a probabilidade de São Paulo sair dessa situação não é muito grande. Em parte, me parece que a única maneira de grandes conurbações como a região de São Paulo poderem ser transformadas é trabalhando com elementos de dentro, com os movimento sociais, com os movimentos de protesto, e buscando caminhos para algum tipo de transformação da vida cotidiana e algumas reformas parciais. Não é impossível surgir um movimento desse tipo que faça parceria com o Estado. Minha maneira preferida de pensar nisso é dizer que, em vez de o Estado batalhar contra muitas destas organizações sociais, ele deveria tentar se estabelecer como um parceiro potencial. Portanto, sim, há possibilidades. Quais são as possibilidades de São Paulo eu não sei. Do que as pessoas dizem, me parece que não são muito grandes (risos), mas há possibilidades.

Espaços de coexistência, livres e abertos para todos, são uma carência em cidades como São Paulo. "Ressignificar" os espaços de uso comunitário pode ser uma opção? E a universidade pública poderia ser uma alternativa de espaço público aberto?

É possível criar redes culturais ou de interesse dentro de uma cidade que não seriam encontradas de outra forma. Temos de estar de olho nesses novos tipos de estrutura. Imagino uma universidade pública e gratuita dispersa pela cidade, uma aula em cada lugar, Economia em uma praça, Cultura Popular em outra...

Há consenso entre os urbanistas de que a área central de São Paulo, rica em infraestrutura deve ser reocupada. A Prefeitura tem a intenção de fazer isso por meio de habitações sociais, até requalificando edificações degradadas, o que parece fazer bastante sentido. Faz sentido também acreditar que esses imóveis requalificados tendem à alta valorização e, sendo assim, voltariam a alimentar o mercado imobiliário, expulsando esses habitantes para áreas distantes. Não seria o caso do poder público ser mais criativo, trabalhando por exemplo, com o conceito de aluguel social, sem a propriedade definitiva do imóvel? Ou o processo é inexorável?

Não acho que a expulsão da população de baixa renda para as periferias seja algo inexorável. Ela tende a acontecer, mas a Prefeitura tem de encontrar maneiras de lutar contra a lógica da expulsão para mudar esse resultado. A questão é como fazer isso. Sinto-me inclinado à ideia de que seria necessário criar formas de propriedade de imóveis que não pudessem ser comercializadas, que as protegeria assim da especulação. O poder público poderia escolher certas áreas ou prédios e dizer que não podem ser comercializados no livre mercado. Há vários lugares no mundo que fazem isso, como as co-ops nos Estados Unidos - são cooperativas de habitação que, quando você sai, só ganha de volta o valor que você pagou corrigido pela inflação, sem nenhum tipo de juros ou valorização que poderia tornar aquele imóvel alvo do mercado imobiliário. Outra ideia é a propriedade comunitária, em que se decide que certa área é de propriedade da comunidade e também não pode ser comercializada nem valorizada.

A preservação do meio ambiente como valor cultural parece ser um dado positivo em si mesmo. Contudo, em relação aos processos de gentrificação, como você vê iniciativas de transformação no uso e crescimento da cidade com base no conceito de "sustentabilidade"? Não seria apenas um artifício para justificar os velhos processos de segregação?

Para mim é muito difícil fazer observações a respeito de uma cidade que eu conheço de forma muito fragmentária, mas acho que posso falar de maneira mais geral, citando exemplos comuns a outras cidades. Eu sei que existe uma série de conflitos entre as questões relacionadas à gentrificação e às melhorias em nossas vizinhanças. Obviamente há vantagens em receber melhorias na qualidade das moradias, com investimentos e desenvolvimentos ligados à habitação. Mas é importante certificar-se de que esse tipo de melhoria não envolve o deslocamento da população. Acredito que um dos direitos que deveriam ser definidos com muita clareza é o direito de ficar ou, no caso de áreas que serão redesenhadas por uma transformação maior, o direito de voltar e continuar fixado ali depois que as mudanças são feitas.

Você vê alternativas de curto prazo que poderiam ser usadas para melhorar a qualidade de vida em São Paulo?

Há muitas coisas que poderiam ser feitas em curto prazo. Acho que uma delas é a regulação do tráfego. Devem ser garantidos a fluidez e o conforto e, em alguns casos, a solução depende da municipalização destas estruturas para que os investimentos sejam feitos independentemente dos lucros envolvidos. Também acho ótima a ideia de que se ofereça transporte grátis, sendo estruturado como parte vital de algum programa mais complexo.

O que você pensa de o Brasil ter em São Paulo um papel de centralidade econômica tão forte?

Não sei exatamente qual é a política brasileira a esse respeito, mas penso que as cidades latino-americanas deveriam pensar em retomar algum grau de reindustrialização. Nos anos 60 havia uma política de industrialização ligada ao sistema de substituição de importações e acredito que em grande parte foi assim que a indústria de São Paulo se desenvolveu. O que é possível fazer hoje é usar novas formas de industrialização, como impressões 3D, e criar um modelo de autoprodução.

Os investimentos cosméticos pontuais que São Paulo tem recebido para parecer mais amigável podem levar a efeitos duradouros?

Acho que essa ideia de embelezamento da cidade, tentando criar ambientes mais agradáveis, principalmente na requalificação de escalas menores como nos pocket parks, são em geral boas iniciativas para melhorar a qualidade de vida na cidade. Entretanto deve haver cuidado, devemos fugir da ilusão de que uma requalificação estética resolve também as questões sociais. É claro que, se você cria um parque adorável, integrado aos valores da comunidade na qual está inserido, há grande possibilidade de que seus efeitos sejam duradouros. Contudo, não há como impedir a alta nos valores do imóveis ao redor, e esse é sempre o perigo de qualquer melhoria feita na cidade: o lugar melhora valorizando tudo o que está ao seu redor, os valores sobem, algumas pessoas não podem mais pagar para morar ali, outra são convidadas a vender seus imóveis para a especulação...

As instituições públicas têm apresentado dificuldades em investir. Neste contexto, tem sido ampliada no Brasil a modalidade de parceria público-privada (PPP) como uma solução que busca o equilíbrio dos interesses públicos e privados. Como o senhor vê esta modalidade?

As experiências nas cidades americanas mostram que essas parcerias tendem a levar o setor público ao risco do privado, da busca pelo lucro. Talvez existam situações em que as PPPs trabalhem para o desenvolvimento do que é público. Mas eu suspeito que a maioria das vezes funciona da maneira inversa. Projetos desse tipo envolvem tecnologias dominadas pelo setor privado e essa expertise pode ser usada para oprimir e subjugar o lado público. Enormes contratos estão sendo dados para o setor privado e em muitos casos não funcionam. E o setor privado acaba não sendo responsável por limpar a sujeita deixada para trás.

Fonte: http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,transformar-sao-paulo-passa-pelo-dialogo-com-os-movimentos-sociais,1596662?utm_content=buffer9388f&utm_medium=social&utm_source=twitter.com&utm_campaign=buffer

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

The Crisis of Planetary Urbanization

The Crisis of Planetary Urbanization


David Harvey's essay for the exhibition catalog of Uneven Growth Tactical Urbanisms for Expanding Megacities is published here on post to mark the opening of the exhibition.
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In this June 26, 2013 file photo, demonstrators march toward the Mineirão stadium where a Confederations Cup semifinal soccer match will be played between Brazil and Uruguay in Belo Horizonte, Brazil. Public approval of Brazilian President Dilma Rousseff's government has suffered a steep drop since protesters calling for a wide-range of reforms took to the streets all over Brazil in the past two weeks, according to Brazil's first nationwide poll released since the unrest began. (AP Images/Felipe Dana)
On the night of June 20, 2013, more than a million people in some 388 Brazilian cities took to the streets in a massive protest movement. The largest of these protests, comprising more than 100,000 people, occurred in Rio de Janeiro and was met with significant police violence. For more than a year prior to this, sporadic protests had been occurring in various Brazilian cities. Led by a “Free Pass” movement that had long been agitating for free public transportation for students, the earlier protests were largely ignored. But by early June 2013, fare increases for public transportation sparked more widespread protests. Many other groups, including the black block anarchists, sprang to the defense of the “Free Pass” protestors and others who came under police attack. By June 13 the movement had morphed into a general protest against police repression, the failure of public services to match social needs, and the deteriorating quality of urban life. The huge expenditures of public resources to host mega-events such as the World Cup and the Olympic Games—to the detriment of the public interest but to the great benefit, it was widely understood, of corrupt construction and urban development interests—added to the discontent
The protests in Brazil came less than a month after thousands of people turned out on the streets of Turkey’s major cities, as anger over the redevelopment of the precious green space of Gezi Park in Istanbul as a shopping center, spread into a broader protest against the increasingly autocratic style of the government and the violence of the police response. Long-simmering discontent over the pace and style of urban transformation, including the wholesale eviction of populations from high-value land in inner-city locations added fuel to the protests. Diminished quality of life in Istanbul and other cities for all but the most affluent classes was clearly an important issue.
The broad parallel between Turkey and Brazil led Bill Keller to write an op-ed piece in the New York Times entitled “The Revolt of the Rising Class.”1 The uprisings were “not born in desperation,” he wrote. Both Brazil and Turkey had experienced remarkable economic growth in a period of global crisis. They were “the latest in a series of revolts arising from the middle class—the urban, educated haves who are in some ways the principal beneficiaries of the regimes they now reject” and who had something to lose by taking to the streets in protest. “By the time the movements reached critical mass, they were about something bigger and more inchoate, dignity, the perquisites of citizenship, the obligations of power.” The revolts signified “a new alienation, a new yearning” that had to be addressed.
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Architecture for a Change. Mamelodi POD, Pretoria, South Africa. 2013.
To be sure, the protests in Brazil and Turkey differed from the anti-austerity protests and strikes that dominated in the squares of Greece and Spain. They were different also from the eruptions of violence in London, Stockholm, and the Paris suburbs on the part of marginalized and immigrant populations. And all of these looked different from the “Occupy” movements in many Western cities and the pro-democracy uprisings that echoed from Tunis, Egypt, and Syria into Bosnia and Ukraine.
Yet there were also commonalities across the differences. They were, for example, urban centered, to some degree weakly cross-class, and even (initially at least) inter-ethnic (though that broke down as internal forces moved to divide and rule, and external powers exploited the discontents for geopolitical advantage, as in Syria and Ukraine). Urban disaffection and alienation were quite prominent among the triggers as was the universal outrage at rising social inequalities, escalating costs of living, and gratuitously violent police repressions.
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Makeshift barricades in Kiev's Independence Square, during the demonstrations known as Euromaidan. 2013.
None of this should have been surprising. Urbanization has increasingly constituted a primary site of endless capital accumulation that visits its own forms of barbarism and violence on whole populations in the name of profit. Urbanization has become the center of overwhelming economic activity on a planetary scale never before seen in human history. The Financial Times reports, for example, that “investment in real estate is the most important driver in the Chinese economy,” which in turn has been the main driver of the global economy throughout the world-wide crisis that began in 2007. “The building, sale and outfitting of apartments accounted for 23 percent of Chinese gross domestic product in 2013.” If we add in the expenditures on massive physical infrastructures (road, rail, public works of all kinds) then close to one half of the Chinese economy is taken up with urbanization. China has consumed more than half of the global steel and cement over the last decade. “In just two years, from 2011 to 2012, China produced more cement than the United States did in the entire twentieth century.”2
While extreme, these trends are not confined to China. Concrete is everywhere being poured at an unprecedented rate over the surface of planet earth. We are, in short, in the midst of a huge crisis—ecological, social, and political—of planetary urbanization without, it seems, knowing or even marking it.
None of this new development could have occurred without massive population displacements and dispossessions, wave after wave of creative destruction that has taken not only a physical toll but destroyed social solidarities, exaggerated social inequalities, swept aside any pretences of democratic urban governance, and has increasingly looked to militarized police surveillance and terror as its primary mode of social regulation. The unrest attaching to dispossession in China is unknowable but clearly widespread. Sociologist Cihan Tugal has written, “Real estate bubbles, soaring housing prices, and the overall privatization-alienation of common urban goods constitute the common ground of protests in as diverse places as the United States, Egypt, Spain, Turkey, Brazil, Israel, and Greece.”3 The rising cost of living, particularly for food, transportation, and housing, has made daily life increasingly difficult for urban populations. Food riots in North African cities were frequent and widespread even before the uprisings in Tunisia and Tahrir Square.
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AFFECT-T. Bamboo micro-housing, Hong Kong. 2013.
This urbanization boom has had very little to do with meeting the needs of people. It has been all about absorbing surplus capital, sustaining profit levels, and maximizing the return on exchange values no matter what the use value demands might be. The consequences have often been irrational in the extreme. While there is a chronic shortage of affordable housing in almost every major city, their skylines are littered with empty condominiums for the ultra-rich whose main interest is in speculating in property values rather than constructing a settled life. In New York City, where half of the population has to live on less than $30,000 per year (as contrasted with the top 1 percent, who had an average annual income of $3.57 million per year according to tax records for 2012), there is an affordable housing crisis because nowhere is it possible to find a two-bedroom apartment for the $1,500 per month that a family of four should be spending on housing given an income of $30,000. In almost all the major cities in the U.S. the average expenditure on housing is way over the thirty percent of disposable income that is considered reasonable.4 The same applies to London, where there are whole streets of unoccupied mansions being held for purely speculative purposes. Meanwhile, the British government attempts to increase the supply of affordable housing by putting a bedroom tax on social housing for the most vulnerable sector of the population, resulting in, for example, the eviction of a widow living alone in a two bedroom council house. The empty bedroom tax has plainly been put on the wrong class, but governments these days appear to be singularly dedicated to feathering the nests of the wealthy at the expense of the poor and the disadvantaged. The same irrationality of empty dwellings in the midst of shortages of affordable housing can be found in Brazil, Turkey, Dubai, and Chile as well all the global cities of high finance such as London and New York. Meanwhile, budget austerities and reluctance to tax the wealthy given the overwhelming power of a now triumphant oligarchy means declining public services for the masses and further astonishing accumulation of wealth for the few.
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Anti-government protesters behind barricades and on an excavator clash with riot police as they try to march to the office of Turkey's Prime Minister Tayyip Erdogan in Istanbul early June 3, 2013. Turkish protesters clashed with riot police into the early hours of Monday with some setting fire to offices of the ruling AK Party as the fiercest anti-government demonstrations in years entered their fourth day. Turkey's streets were calm in the morning after a night of noisy protests and violence in major cities. (REUTERS)
It is in conditions of this sort that the propensity to political revolt begins to fester. Universal alienation from a burdensome daily life in the city is everywhere in evidence.5 But so are the innumerable attempts on the part of individuals, social groups, and political movements to find ways to construct a decent life in a decent living environment. The theme that there must be an alternative takes many forms and produces many quasi-solutions in seemingly infinite guises.
It is in this context that concerned groups of thinkers and practitioners are exploring alternatives, sometimes at small scales but in other instances, in the wake of urban revolts, to encourage the search for better forms of urban living. The do-it-yourself ethos of many social groups cast adrift from the prevailing dynamic of capital accumulation creates possibilities for alliances of urban thinkers and technicians with nascent social movements searching for a good or at least a better life. In Andean nations the ideal of “buen vivir” is implanted in national constitutions even as it conflicts with neoliberalizing practices on the ground.6 With massive populations deemed surplus and disposable in a context of perpetual land grabbing by developers and financiers, aided all too often by a corrupted state apparatus, many situations arise in which political battles take shape well before some fuse is lit to turn the growing propensity for street revolts into an active reality.
There are popular possibilities and potentialities emerging out of the crisis of planetary urbanization and its multiple discontents. This is so even in the face of the seemingly overwhelming force of endless capital accumulation growing at an unsustainable compound rate and in spite of the power across social classes being wielded by an increasingly visible and intransigent global oligarchy.7
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Architecture and Vision. WarkaWater Tower, Ethiopia. 2012.
So what is it that might emerge from the popular revolts? There are confusing signs and signals but also some important clues. In Gezi Park, for example, it was not only the park that mattered. The “rising class” constructed instantaneous social solidarities, an economy of sharing and of collective social provision (food, health care, clothing), of caring for others (particularly the wounded and the frightened). The participants took evident delight in debating their common interests through democratic assemblies, launched into discussions that went on late into the night, and above all found a possible world of collective humor and cultural liberation that had previously seemed foreclosed. They opened alternative spaces, constructed a commons out of public spaces, and released the power of space to an alternative social and environmental purpose. They found each other as well as the park8; They identified a nascent social order in waiting.
This provides a clue as to what an alternative might look like. The spirit of many (though not all) of these protests and the spirit within the pro-democracy and Occupy movements is to go beyond “the new alienation” that Keller senses is so important to construct a less-alienating urban experience. Visceral resistance to the proposal to pour concrete over Gezi Park to build an imitation of an Ottoman barracks that would function as yet another shopping mall is in this sense emblematic of what the crisis of planetary urbanization is all about. Pouring more and more concrete in a mindless quest for endless growth is obviously no answer to current ills.
But the “rising class” is not all there is. In Turkey the mass of the Islamic working classes did not join in the revolt. They already possessed their own cultural (often anti-modernist) solidarities and hardened social relations (particularly regarding gender). They were not drawn into the emancipatory rhetoric of the protest movement because that movement did not address effectively its condition of massive material deprivation. They liked the combination of shopping malls and mosques that the ruling AKP party was building and did not care about the evident corruption surrounding the building boom as long as it was a source of jobs. The protest movement of Gezi was, as the subsequent municipal elections showed, not cross-class enough to last.
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Csutoras & Liando. Kineforum Misbar Monas, temporary open-air theater in Jakarta. 2013.
There is no one answer to our predicaments. The urban experience under capitalism is turning barbaric as well as repressive. If the roots of this alienating experience lie in endless capital accumulation, then those roots must ultimately be severed. Lives and well-being must be rerooted in other modes of producing and consuming, while new forms of sociality must be constructed. The neoliberal ethos of isolated individualism and personal rather than social responsibility has to be overcome. The material needs of the masses must be met and combined with cultural emancipation. Taking back the streets in acts of collective protest can be a beginning. But it is only a beginning and cannot be an end in itself.9 Maximizingbuen vivir for all in the city rather than the value of Gross Domestic Product for the benefit of the few is a great idea. It needs to be grounded in urban practices everywhere.
Fonte: http://post.at.moma.org/content_items/520-the-crisis-of-planetary-urbanization