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terça-feira, 17 de setembro de 2013

Turma Fênix, segue parte do conteúdo da revisão de 17/09/2013

Como funcionam os créditos de carbono?


As indústrias são responsáveis por 2/3 das emissões de carbono no mundo. Foto: Pedro Martinelli
As indústrias são responsáveis por 2/3 das 
emissões de carbono no mundo. Foto: Pedro Martinelli

A negociação dos créditos de carbono é uma maneira de alguns país reduzirem numericamente as emissões dos gases que causam o efeito estufa. Como isso é feito? Por meio de uma venda. É como se cada país pudesse liberar na atmosfera uma determinada quantidade de gases. Alguns não atingem a meta, e podem comercializar esta cota na forma de créditos de carbono. Outros têm uma atividade industrial tão poluidora que superam o limite e, por isso, compram créditos de quem polui menos ou possui áreas de floresta conservada. 

Assim, uma empresa brasileira poderia desenvolver um projeto para reduzir as emissões de suas indústrias. Esse projeto passa pela avaliação de órgãos internacionais e, se aprovado, é elegível para gerar créditos. Nesse caso, a cada tonelada de CO2 que deixou de liberar, a empresa ganha um crédito, que pode ser negociado diretamente com as empresas ou por meio da bolsa de valores. "Mas os países só podem usar esses créditos para suprir uma pequena parte de suas metas", explica Kenny Fonseca, professor do Departamento de Análise Geoambiental da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador associado da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

O objetivo é cumprir as metas do Protocolo de Kyoto, que definiu em 1997  limites para a quantidade de gases poluentes na atmosfera. Mas porque esta preocupação? A resposta está no efeito estufa, um fenômeno natural que retêm parte do calor dos raios solares e mantêm a temperatura do planeta. Quando a concentração de gases como gás carbônico, metano e óxido nitroso, aumenta este fenômeno é ampliado e mais calor é retido na superfície da Terra, o que estaria, segundo alguns cientistas, relacionado ao aquecimento global.
Hoje em dia, os pesquisadores descobriram que não são só os gases que provocam esse efeito. O chamado carbono negro, que é a fuligem da fumaça, também tem papel importante nesse mecanismo. "A fuligem provoca o sombreamento da superfície e esquenta a atmosfera. Além disso, modifica a formação das nuvens, o que muda o equilíbrio térmico do planeta", conta o pesquisador.

Apesar de ser impossível prever com certeza quanto o planeta deve aquecer nos próximos anos, a preocupação para minimizar os efeitos do aquecimento global é recorrente. Uma das críticas ao Protocolo de Kyoto é que só estão obrigados a diminuir as emissões os países na lista de nações desenvolvidas. Ou seja, o Brasil ainda não tem metas a cumprir, apesar de estar na lista dos 20 países que mais poluem. "Ao contrário do que acontece no resto do mundo, 2/3 das emissões brasileiras estão ligadas ao uso do solo - desmatamento, queimadas e conversão de florestas em sistemas agropecuários. O próximo acordo também deve  incluir o desmatamento, que tem a ver diretamente com o nosso país", alerta Kenny.

O que é seqüestro de carbono?



Cada hectare de floresta em desenvolvimento é capaz de absorver nada menos do que 150 a 200 toneladas de carbono.





por Texto Rafael Tonon


É a absorção de grandes quantidades de gás carbônico (CO2) presentes na atmosfera. A forma mais comum de seqüestro de carbono é naturalmente realizada pelas florestas. Na fase de crescimento, as árvores demandam uma quantidade muito grande de carbono para se desenvolver e acabam tirando esse elemento do ar. Esse processo natural ajuda a diminuir consideravelmente a quantidade de CO2 na atmosfera: cada hectare de floresta em desenvolvimento é capaz de absorver nada menos do que 150 a 200 toneladas de carbono.
É por essas e outras que o plantio de árvores é uma das prioridades para a diminuição de poluentes na atmosfera terrestre. “A recuperação de áreas plantadas, que foram degradadas durante décadas pelo homem, é uma das possibilidades mais efetivas para ajudar a combater o aquecimento global”, afirma Carlos Joly, do Instituto de Biologia da Unicamp.
Porém não é a única: já existem estudos avançados para realizar o que os cientistas chamam de seqüestro geológico de carbono. É uma forma de devolver o carbono para o subsolo. Os gases de exaustão produzidos pelas indústrias são separados através de um sistema de filtros que coletam o CO2. Esse gás é comprimido, transportado e depois injetado em um reservatório geológico apropriado – que podem ser campos de petróleo maduros (já explorados ou em fase final de exploração), aqüíferos salinos (lençóis de água subterrânea com água salobra não aproveitável) ou camadas de carvão que foram encontradas no solo. (veja infográfico ao lado)
“Os reservatórios geológicos são altamente eficazes para aprisionar fluidos em profundidade. Do contrário, o forte terremoto que causou o tsunami na Ásia teria rompido diversos depósitos geológicos naturais. No entanto, nenhum campo de gás natural ou petróleo vazou”, explica o geólogo José Marcelo Ketzer, coordenador do Centro de Excelência em Pesquisa sobre Armazenamento de Carbono (Cepac). Ketzer lembra ainda que os campos de petróleo ou gás natural guardaram esses fluidos por milhões de anos e que eles permaneceriam intactos se o homem não resolvesse trazê-los para a superfície.

Solução que vem da terra

Saiba como é possível seqüestrar o carbono do ar e deixá-lo enterrado para sempre, no cativeiro
O gás carbônico é separado no processo de exaustão das indústrias por meio de um sistema de filtros. Esse gás é comprimido e transportado até um local geológico. Ali, o gás é injetado em 3 tipos de reservatório: campos de petróleo maduros (já explorados ou em fase final de exploração), aqüíferos salinos (lençóis de água subterrânea com água salobra não aproveitável) ou camadas de carvão.
1. Nas árvores
Em fase de crescimento, as árvores são verdadeiros aspiradores de CO 2 da atmosfera. O tronco de uma árvore é 80% composto de carbono, portanto não é de admirar que elas suguem, por hectare, 150 a 200 toneladas de CO 2 do ar. Uma árvore, sozinha, é capaz de absorver 180 quilos de CO 2.
2. Camadas de carvão
Assim como nos campos de petróleo, a injeção de carbono em reservas de carvão também pode ser lucrativa: o carvão retém o CO 2 e libera no processo o gás natural, que pode ser explorado e comercializado. Nos depósitos localizados em profundidades muito grandes, o gás carbônico pode ser armazenado.
3. Campos de petróleo
Os poços maduros, onde não há mais produção de petróleo e gás, podem se transformar em grandes depósitos de CO 2. Seria dar apenas mais um passo, uma vez que as petrolíferas já injetam o gás carbônico em campos maduros de petróleo para, por intermédio dessa pressão, aumentar o potencial de extração neles.
4. Aqüíferos salinos
Nestes enormes mantos de água no subsolo, a água é tão salobra que não serve para o consumo. Dessa forma, eles seriam uma ótima alternativa para estocar carbono. Trata-se das formações com mais capacidade de armazenar CO 2: os especialistas estimam que os aqüíferos possam reter até 10 mil gigatoneladas do gás.

Anamorfose Geográfica

Mapas que sofrem deformações matematicamente calculadas para representar algum critério previamente estabelecido, como nos exemplos abaixo:

1º Mapa: ANAMORFOSE DO PIB MUNDIAL (PRUDUTO INTERNO BRUTO)

2º Mapa: ANAMORFOSE DA DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO MUNDIAL




Obs:
Entre as fontes citadas seguem links que abordam as regiões dos comitês das bacias hidrográficas do Estado de São Paulo e também o site do IBGE Países, que contém dados sócio econômicos de todos países reconhecidos pela ONU.


Fonte:

terça-feira, 10 de setembro de 2013

TURMA FÊNIX, PARTE DO CONTEÚDO ABORDADO NA REVISÃO DE 10/09/2013

A Soja no Brasil

Origens
A soja (Glycine max (L.) Merrill) que hoje é cultivada mundo afora, é muito 
diferente dos ancestrais que lhe deram origem: espécies de plantas rasteiras 
que se desenvolviam na costa leste da Ásia, principalmente ao longo do Rio 
Amarelo, na China. Sua evolução começou com o aparecimento de plantas oriundas 
de cruzamentos naturais, entre duas espécies de soja selvagem, que foram 
domesticadas e melhoradas por cientistas da antiga China. Sua importância na 
dieta alimentar da antiga civilização chinesa era tal, que a soja, juntamente com o 
trigo, o arroz, o centeio e o milheto, era considerada um grão sagrado, com direito a 
cerimoniais ritualísticos na época da semeadura e da colheita.

Apesar de conhecida e explorada no Oriente há mais de cinco mil anos (é 
reconhecida como uma das mais antigas plantas cultivadas do Planeta), o Ocidente 
ignorou o seu cultivo até a segunda década do século vinte, quando os Estados 
Unidos (EUA) iniciaram sua exploração comercial (primeiro como forrageira e, posteriormente, 
como grão). Em 1940, no auge do seu cultivo como forrageira, foram cultivados, nesse 
país, cerca de dois milhões de hectares com tal propósito.
A partir de 1941, a área cultivada para grãos superou a cultivada para forragem, 
cujo cultivo declinou rapidamente, até desaparecer em meados dos anos 60, enquanto 
a área cultivada para a produção de grãos crescia de forma exponencial, não apenas nos 
EUA, como também no Brasil e na Argentina, principalmente (Figura 1).
Em 2003, o Brasil figura como o segundo produtor mundial, responsável por 52, das 194 
milhões de toneladas produzidas em nível global ou 26,8% da safra mundial.

Introdução no BrasilA soja chegou ao Brasil via Estados Unidos, em 1882. Gustavo Dutra, então 
professor da Escola de Agronomia da Bahia, realizou os primeiros estudos de 
avaliação de cultivares introduzidas daquele país.

Em 1891, testes de adaptação de cultivares semelhantes aos conduzidos por Dutra na 
Bahia foram realizados no Instituto Agronômico de Campinas, Estado de São Paulo 
(SP). Assim como nos EUA, a soja no Brasil dessa época era estudada mais como 
cultura forrageira - eventualmente também produzindo grãos para consumo de animais 
da propriedade - do que como planta produtora de grãos para a indústria de farelos e 
óleos vegetais. 
Em 1900 e 1901, o Instituto Agronômico de Campinas, SP, promoveu a primeira 
distribuição de sementes de soja para produtores paulistas e, nessa mesma data, 
têm-se registro do primeiro cultivo de soja no Rio Grande do Sul (RS), onde a 
cultura encontrou efetivas condições para se desenvolver e expandir, dadas as 
semelhanças climáticas do ecossistema de origem (sul dos EUA) dos materiais genéticos 
existentes no País, com as condições climáticas predominantes no extremo sul do Brasil.
Com o estabelecimento do programa oficial de incentivo à triticultura nacional, em 
meados dos anos 50, a cultura da soja foi igualmente incentivada, por ser, desde o 
ponto de vista técnico (leguminosa sucedendo gramínia), quanto econômico (melhor 
aproveitamento da terra, das máquinas/implementos, da infra-estrutura e da mão 
de obra), a melhor alternativa de verão para suceder o trigo cultivado no inverno.

Produção
O primeiro registro de cultivo de soja no Brasil data de 1914 no município de Santa Rosa, RS. 
Mas foi somente a partir dos anos 40 que ela adquiriu alguma importância econômica, 
merecendo o primeiro registro estatístico nacional em 1941, no Anuário Agrícola do RS: área 
cultivada de 640 ha, produção de 450t e rendimento de 700 kg/ha. Nesse mesmo ano 
instalou-se a primeira indústria processadora de soja do País (Santa Rosa, RS) e, em 1949, 
com produção de 25.000t, o Brasil figurou pela primeira vez como produtor de soja 
nas estatísticas internacionais.

Mas foi a partir da década de 1960, impulsionada pela política de subsídios ao trigo, visando 
auto-suficiência, que a soja se estabeleceu como cultura economicamente importante 
para o Brasil. Nessa década, a sua produção multiplicou-se por cinco (passou de 206 mil 
toneladas, em 1960, para 1,056 milhão de toneladas, em 1969) e 98% desse volume era 
produzido nos três estados da Região Sul, onde prevaleceu a dobradinha, trigo no inverno e 
soja no verão.
Apesar do significativo crescimento da produção no correr dos anos 60, foi na década 
seguinte que a soja se consolidou como a principal cultura do agronegócio brasileiro, passando 
de 1,5 milhões de toneladas (1970) para mais de 15 milhões de toneladas (1979). Esse 
crescimento se deveu, não apenas ao aumento da área cultivada (1,3 para 8,8 milhões de 
hectares), mas, também, ao expressivo incremento da produtividade (1,14 para 1,73t/ha) 
graças às novas tecnologias disponibilizadas aos produtores pela pesquisa brasileira. Mais de 
80% do volume produzido na época ainda se concentrava nos três estados da Região Sul do 
Brasil.
Nas décadas de 1980 e 1990 repetiu-se, na região tropical do Brasil, o explosivo crescimento 
da produção ocorrido nas duas décadas anteriores na Região Sul. Em 1970, menos de 
2% da produção nacional de soja era colhida no centro-oeste. Em 1980, esse percentual 
passou para 20%, em 1990 já era superior a 40% e em 2003 está próximo dos 60%, com 
tendências a ocupar maior espaço a cada nova safra. Essa transformação promoveu 
o Estado do Mato Grosso, de produtor marginal a líder nacional de produção e de produtividade 
de soja, com boas perspectivas de consolidar-se nessa posição (Figura 2).
A soja foi a única cultura a ter um crescimento expressivo na sua área cultivada ao longo 
das últimas três décadas (Figura 3).

Causas da ExpansãoMuitos fatores contribuíram para que a soja se estabelecesse como uma importante 
cultura, primeiro no sul do Brasil (anos 60 e 70) e, posteriormente, nos Cerrados do Brasil 
Central (anos 80 e 90). Alguns desses fatores são comuns a ambas as regiões, outros não. 
Dentre aqueles que contribuíram para seu rápido estabelecimento na Região Sul, pode-se 
destacar:
* semelhança do ecossistema do sul do Brasil com aquele predominante no sul dos EUA, 
favorecendo o êxito na transferência e adoção de variedades e outras tecnologias de produção;
* estabelecimento da “Operação Tatu” no RS, em meados dos anos 60, cujo programa 
promoveu a calagem e a correção da fertilidade dos solos, favorecendo o cultivo da soja 
naquele estado, então o grande produtor nacional da oleaginosa;
* incentivos fiscais disponibilizados aos produtores de trigo nos anos 50, 60 e 70 
beneficiaram igualmente a cultura da soja, que utiliza, no verão, a mesma área, mão de 
obra e maquinaria do trigo cultivado no inverno;
* mercado internacional em alta, principalmente em meados dos anos 70, em resposta à 
frustração da safra de grãos na Rússia e China, assim como da pesca da anchova no Peru, 
cuja farinha era amplamente utilizada como componente proteico na fabricação de rações 
para animais, para o que os fabricantes do produto passaram a utilizar-se do farelo de soja;
* substituição das gorduras animais (banha e manteiga) por óleos vegetais, mais saudáveis 
ao consumo humano;
* estabelecimento de um importante parque industrial de processamento de soja, de máquinas 
e de insumos agrícolas, em contrapartida aos incentivos fiscais do governo, 
disponibilizados tanto para o incremento da produção, quanto para o estabelecimento de 
agro-indústrias;
* facilidades de mecanização total da cultura;
* surgimento de um sistema cooperativista dinâmico e eficiente, que apoiou fortemente 
a produção, a industrialização e a comercialização das safras;
* estabelecimento de uma bem articulada rede de pesquisa de soja envolvendo os poderes 
públicos federal e estadual, apoiada financeiramente pela indústria privada (Swift, Anderson 
Clayton, Samrig, etc.); e
* melhorias nos sistemas viário, portuário e de comunicações, facilitando e agilizando 
o transporte e as exportações.

Com relação à região central do Brasil, considerada a nova e principal fronteira da soja, 
podemos destacar as seguintes causas para explicar o espetacular crescimento da sua 
produção: 
* construção de Brasília na região, determinando uma série de melhorias na 
infra-estrutura regional, principalmente vias de acesso, comunicações e urbanização;
* incentivos fiscais disponibilizados para a abertura de novas áreas de produção agrícola, 
assim como para a aquisição de máquinas e construção de silos e armazéns;
* estabelecimento de agro-indústrias na região, estimuladas pelos mesmos incentivos 
fiscais disponibilizados para a ampliação da fronteira agrícola;
* baixo valor da terra na região, comparado ao da Região Sul, nas décadas de 1960/70/80;
* desenvolvimento de um bem sucedido pacote tecnológico para a produção de 
soja na região, com destaque para as novas cultivares adaptadas à condição de baixa 
latitude da região;
* topografia altamente favorável à mecanização, favorecendo o uso de máquinas e 
equipamentos de grande porte, o que propicia economia de mão de obra e maior 
rendimento nas operações de preparo do solo, tratos culturais e colheita;
* boas condições físicas dos solos da região, facilitando as operaçõesda maquinaria agrícola 
e compensando, parcialmente, as desfavoráveis características químicas desses solos;
* melhorias no sistema de transporte da produção regional, com o estabelecimento 
de corredores de exportação, utilizando articuladamente rodovias, ferrovias e hidrovias;
* bom nível econômico e tecnológico dos produtores de soja da região, oriundos, em sua 
maioria, da Região Sul, onde cultivavam soja com sucesso previamente à sua fixação na 
região tropical; e
* regime pluviométrico da região altamente favorável aos cultivos de verão, em contraste 
com os frequentes veranicos ocorrentes na Região Sul, destacadamente no RS.


Impactos
A revolução socio-econômica e tecnológica protagonizada pela soja no Brasil Moderno, 
pode ser comparada ao fenômeno ocorrido com a cana de açúcar, no Brasil Colônia e 
com o café, no Brasil Império/República, que, em épocas diferentes, comandou o comércio 
exterior do País. A soja responde (2003) por uma receita cambial direta para o Brasil de 
mais de sete bilhões de dólares anuais (superior a 11% do total das receitas cambias 
brasileiras) e cinco vezes esse valor, se considerados os benefícios que gera ao longo 
da sua extensa cadeia produtiva.

Abrindo fronteiras e semeando cidades, a soja liderou a implantação de uma nova 
civilização no Brasil Central, levando o progresso e o desenvolvimento para uma 
região despovoada e desvalorizada, fazendo brotar cidades no vazio dos Cerrados 
e transformando os pequenos conglomerados urbanos existentes, em metrópoles. 
O explosivo crescimento da produção de soja no Brasil, de quase 260 vezes no transcorrer 
de apenas quatro décadas, determinou uma cadeia de mudanças sem precedentes na 
história do País. Foi a soja, inicialmente auxiliada pelo trigo, a grande responsável 
pelo surgimento da agricultura comercial no Brasil. Também, ela apoiou ou foi a 
grande responsável pela aceleração da mecanização das lavouras brasileiras, pela 
modernização do sistema de transportes, pela expansão da fronteira agrícola, pela 
profissionalização e pelo incremento do comércio internacional, pela modificação e 
pelo enriquecimento da dieta alimentar dos brasileiros, pela aceleração da 
urbanização do País, pela interiorização da população brasileira (excessivamente 
concentrada no sul, sudeste e litoral do Norte e Nordeste), pela tecnificação 
de outras culturas (destacadamente a do milho), bem como impulsionou e 
interiorizou a agro-indústria nacional, patrocinando a expansão da avicultura e 
da suinocultura brasileiras (Figura 4).

El Nino e La Niña

El Niño e La Niña se caracterizam por importantes alterações na temperatura da água da superfície do Oceano Pacífico, que ocasiona significativos efeitos climáticos em todo o mundo. El Nino e El Nina são ocasionados por eventos opostos, o El Nino se caracteriza pelo esfriamento das águas superficiais do Oceano Pacífico e La Niña se caracteriza pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, ambos os fenômenos causando efeitos profundos no clima do planeta. Essas alterações tem uma duração relativamente curta, de um ano até um ano e meio, e acontecem de forma alternada, ou seja, quase sempre depois de anos sob o efeito do El Nino, surge logo após La Niña.
Efeitos

El Niño

El Niño, que em espanhol significa “O Menino” foi observado primeiramente por pescadores peruanos, que perceberam que em determinada época do ano as aguas do mar tinham a temperatura mais alta e consequentemente diminuia a pesca e também a quantidade dos pássaros que se alimentavam dos peixes. Como o fenomeno acontecia normalmente no final do ano, próximo ao Natal, passaram a referir-se ao fenomeno como “O Menino”, numa menção ao menino Jesus. O que ocasiona o aquecimento das aguas da superficiais do Oceano Pacífico é a direção do vento que então sopra do leste para o oeste, ou seja, em direção à Asia, deslocando a àgua da faixa tropical que está aquecida pelo sol, e aumentando o nivel do Oceano. Embora muitos pensem ao contrário, o El Niño é um fenomeno que acontece a milhares de anos, no entanto apenas recentemente ele vem sendo objeto de estudo pelos cientistas, interessados nas mudanças climáticas que ele provoca nas regiões afetadas diretamente e também em todo o planeta.
Aquecimento

La Niña

La Niña que significa “A Menina” em espanhol, e é por sua vez exatamente o oposto do El Niño, caqracterizando-se pelo esfriamento das águas superficiais da região Equatorial do Oceano Pacífico, ocorrendo também no final do ano e quase sempre subsequente ao El Niño. Também é provocado pela força e pela direção do vento que ocasionan as diferenças na temperatura e na pluviosidade nos continentes que circundam aquele oceano. O resfriamento do oceano causado pelo El Niña tem repercurssão direta sobre os ecossistemas marinhos, que ficam ricos em nutrientes, aumentando a vida marinha.
Esfriamento

Efeitos dos Fenomenos

Os fenomenos El Niño e El Niña são muitos complexos assim como as consequências desencadeadas, no entanto cientistas do mundo inteiro se empenham em estudar e buscar compreender todos os fatores que ocasionam esses eventos assim como seus efeitos a médio e longo prazo. Também fazem prognosticos sobrte o que podem ocasionar em cada região do globo com antecedencia. Assim sabe-se, por exemplo, que o El Niño poderá causar seca em uma região, aquecimento em outra e assim suscessivamente. Os cientistas também descobriram que em outros oceanos também ocorrem fenomenos semelhantes e que genéricamente recebem o nome de El Niño, e todos esses fenomenos ocasionados em virtude da direção e da força dos ventos e consequente aquecimento ou resfriamento das aguas dos oceanos refletem no clima, na agricultura, na economia e na qualidade de vida da humanidade.

Fonte: 
Embrapa Soja - Sistema de Produção, No 1. Tecnologias de Produção de Soja

Região Central do Brasil 2004

segunda-feira, 22 de abril de 2013

(Dois breves textos que servem de apoio as últimas aulas apresentadas)

O que é o Consenso de Washington?


          A expressão Consenso de Washington, chamada também de neoliberalismo, nasceu em 1989, 
criada pelo economista inglês John Williamson, ex-funcionário do Banco Mundial e do 
Fundo Monetário Internacional (FMI). Numa conferência do Institute for Intemational Economics (IIE), em 
Washington, Williamson listou políticas que o governo dos Estados Unidos preconizava para a crise 
econômica dos países da América Latina.

          Por decisão do Congresso norte-americano, as medidas do Consenso de Washington foram adotadas 
como imposições na negociação das dívidas externas dos países latino-americanos. Acabaram se tornando 
o modelo do FMI e do Banco Mundial para todo o planeta. De outro lado, movimentos nacionalistas e de 
esquerda criticam essa política e protestam contra sua aplicação.
          O neoliberalismo prega que o funcionamento da economia deve ser entregue às leis de mercado. 
Segundo seus defensores, a presença estatal na economia inibe o setor privado e freia o desenvolvimento. 
Algumas de suas características são:
 Abertura da economia por meio da liberalização financeira e comercial e da eliminação de barreiras aos 
investimentos estrangeiros;
 Amplas privatizações; 
 Redução de subsídios e gastos sociais por parte dos governos;
 Desregulamentação do mercado de trabalho, para permitir novas formas de contratação que reduzam 
os custos das empresas.

           Historicamente, as idéias do neoliberalismo se contrapõem ao keynesianismo – ideário formulado 
pelo economista John Keynes(1883-1946), dominante no período do pós-guerra,a partir de 1945, que 
defendia um papel determinante e uma presença ativa do Estado na economia como forma de impulsionar 
o desenvolvimento.Os mais conhecidos elaboradores do neoliberalismo são os economistas Friedrich Hayek, 
austríaco, e Milton Friedman, norte-americano, ambos vencedores do Prêmio Nobel de Economia na década 
de 1970.

Globalização


          Outra palavra que passou a designar a atual fase da economia mundial é globalização. A palavra indica 
que há crescente interdependência entre mercados, governos, empresas e movimentos sociais em nível 
global. Se é verdade que as economias dos países estão hoje mais integradas do que nunca, o fenômeno em 
si começou há muito tempo. Os primeiros passos rumo à conformação de um mercado mundial e a uma 
economia global remontam aos séculos XV e XVI, com a expansão ultramarina européia. Quando Cristóvão 
Colombo chegou à América, em 1492, deu início ao que alguns historiadores chamam de primeira globalização. 
O desenvolvimento do mercantilismo estimulou a procura de diferentes rotas comerciais da Europa para a 
Ásia e a África, cujas riquezas iriam somar-se aos tesouros extraídos das minas de prata e ouro do continente 
americano.

          Essas riquezas forneceram a base para a Revolução Industrial no fim do século XVIII. As descobertas 
científicas e as invenções provocaram enorme expansão dos setores industrializados e ampliaram o mercado 
para a exportação de produtos.
          Começaram a surgir, no fim do século XIX, as corporações multinacionais, industriais e financeiras, que 
irão se reforçar e crescer no século seguinte. A interdependência econômica entre as nações tornou-se mais 
evidente em 1929: após a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, a depressão econômica norte-americana 
teve conseqüências negativas em todo o mundo.
          O fim do século XX assiste a um salto nesse processo. Em 1989 ocorre a queda do Muro de Berlim, marco 
da derrocada dos regimes comunistas na União Soviética e no Leste Europeu. Nos anos seguintes, esses países 
serão integrados ao sistema econômico mundial. A integração acentuou-se a partir dos anos 1990, por 
intermédio da revolução tecnológica, especialmente no setor de telecomunicações. A internet, rede mundial de 
computadores, revelou-se a mais inovadora tecnologia de comunicação e informação do planeta. As trocas de 
informações (dados, voz e imagens) tornaram-se quase instantâneas, o que acelerou em muito o fechamento 
de negócios.
          Com a expansão do comércio, ocorreu a intensificação do fluxo de capitais entre os países. A busca de 
maior lucratividade levou as empresas a investir cada vez mais no mercado financeiro, que se tornou o 
epicentro da economia globalizada. 
           A atual mobilidade do mercado mundial permite que grandes empresas façam relocalizações de 
fábricas - nome que se dá ao fechamento de unidades de produção em um local e sua abertura em outra 
região ou outro país. Esse mecanismo é globalmente usado para cortar gastos com mão-de-obra, encerrando 
a produção em países nos quais os salários são maiores para organizar a produção onde há custos menores.
          Um exemplo são as "maquiladoras", empresas abertas no norte do México, logo ao sul dos EUA, que 
apenas montam uma série de produtos, utilizando trabalhadores que recebem salários bem mais baixos que os 
pagos no mercado norte-americano. Grande parte da recente industrialização da China também ocorre com a 
abertura de fábricas de multinacionais, que se beneficiam dos baixos salários locais. Esse fenômeno influencia 
no "desemprego estrutural", ou seja, uma elevação no número de desempregados que não é causada por fatores
passageiros (como uma recessão), mas por motivos estruturais da própria economia mundial. Cria-se uma 
divisão na qual os países ricos concentram as empresas de alta tecnologia, com alto faturamento, espalhando 
pelo resto do mundo as indústrias que exigem grande quantidade de mão-de-obra.
          Atualmente, os maiores investidores internacionais podem, com o simples acesso ao computador de um 
banco, retirar milhões de dólares de nações nas quais vislumbram problemas econômicos. Quando os países se 
tornam 
excessivamente vulneráveis a esses movimentos bruscos de capital, os organismos internacionais como o FMI 
podem liberar empréstimos para que possam enfrentar a fuga de dólares. Em contra partida, os governos
 beneficiados ficam obrigados a obedecer ao receituário ditado pela instituição, que é basicamente o 
estabelecido pelo Consenso de Washington.
          O problema é que, além de muitas vezes penalizar as populações carentes, por causa da desativação 
ou da desaceleração dos investimentos sociais, essas políticas tendem a frear o crescimento econômico, por 
força da maior carga tributária, do congelamento de investimentos públicos e da elevação dos juros.
          A globalização acenou com perspectivas que não se concretizaram. Imaginou-se um mundo integrado 
economicamente e sem fronteiras. Pelas previsões de seus propagandistas, novas tecnologias e métodos 
gerenciais promoveriam o aumento geral da produtividade, o bem-estar dos indivíduos e a redução das 
desigualdades entre as nações. 
          Não é isso, porém, que se vê no mundo. Com freqüência, as reformas neoliberais não trouxeram
progresso nem melhoraram a distribuição de renda. Em muitas nações, a miséria cresceu, como mostra o 
relatório citado sobre a América Latina. 
          Na África Subsaariana (países ao sul do Saara), a pobreza cresceu muito nesse período. Nessa região, 
desde 1981, a redução de 13% no PIB per capita fez com que dobrasse o número de pessoas que vivem com 
menos de 1dólar por dia, de 164 milhões para 314 milhões. Nos países do Leste Europeu, o número de pessoas 
na miséria atingiu 6%em 2000; antes, esse percentual era quase zero.
          Na verdade, os países industrializados continuaram prosperando mais que os emergentes. Se em 1990 
a renda média dos 20%mais ricos da economia mundial era 60 vezes maior que a dos 20% mais pobres, em 
1999 ela passou a ser 74 vezes maior.

FONTE: Atualidades Vestibulares – Editora Abril




terça-feira, 19 de março de 2013