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segunda-feira, 22 de junho de 2015

Qual o segredo do Vietnã para melhorar tanto a qualidade de sua Educação?

Qual o segredo do Vietnã para melhorar tanto a qualidade de sua Educação?


O desempenho do Vietnã na última prova PISA - Programa para a Avaliação Internacional de Alunos - foi excelente.
Na primeira participação do país asiático nas provas organizadas pela OCDE, os jovens vietnamitas de 15 anos tiveram pontuações mais altas em leitura, Matemática e Ciências do que muitos estudantes de países desenvolvidos, incluindo Estados Unidos e Grã-Bretanha.
O feito surpreendeu as autoridades do Vietnã e os observadores externos.
Existem três fatores importantes que contribuíram para estes resultados incríveis: um governo comprometido, um plano de estudos bem pensado e um forte investimento nos professores.

Investimentos

O governo do Vietnã vem dedicando tempo e recursos para avaliar os desafios relativos à Educação.
O país criou um plano de Educação de longo prazo e parece estar disposto a destinar o financiamento que for necessário para atingir seus objetivos.
Quase 21% de todos os gastos públicos de 2010 foram dedicados à Educação, uma proporção muito maior do que em qualquer país membro da OCDE - o clube dos países mais desenvolvidos do mundo.
Os educadores do país também criaram um plano de estudos que busca fazer com que os alunos desenvolvam um conhecimento mais profundo de conceitos centrais das diversas disciplinas e um domínio das habilidades básicas.
É fácil entender a razão de muitos destes estudantes vietnamitas terem se sobressaído nos testes ao se comparar alunos da Europa e da América do Norte, onde as escolas costumam abordar muitos assuntos, mas aprofundando pouco.

Além da memorização

O modelo vietnamita de Educação espera que os estudantes, ao terminar os estudos, não apenas sejam capazes de recitar o que aprenderam, mas também aplicar estes conceitos e práticas em contextos que não sejam familiares.
Nas aulas ministradas no país há um nível impressionante de rigor, com professores que desafiam os estudantes com perguntas difíceis.
Os professores se concentram em ensinar poucas coisas bem e com uma grande coerência, algo que ajuda os estudantes a avançarem.
E os mestres vietnamitas são muito respeitados, tanto na sociedade como em sala de aula.
Isto pode ser um atributo cultural, mas também reflete o papel que é dado aos professores no sistema educativo, que vai mais além de dar lição na escola e também engloba funções de apoio ao estudante e preocupação com seu bem-estar.
No país é esperado que os mestres invistam em seu próprio desenvolvimento profissional. Eles também trabalham com um alto grau de autonomia.
Além disso, os professores de Matemática, especialmente os que trabalham em escolas desfavorecidas, recebem mais formação profissional que a média dos países da OCDE.

Alunos fora da escola

Estes professores sabem como criar um ambiente de aprendizagem positivo, fomentam a disciplina em aula e ajudam a construir atitudes positivas dos estudantes em relação à Educação.
E isto sem esquecer o estímulo aos pais, que geralmente têm grandes expectativas em relação aos filhos, e o fato de que a sociedade vietnamita dá muito valor à Educação e ao trabalho duro.
Mas, cerca de 37% dos vietnamitas de mais de 15 anos não estão escolarizados e o desafio agora é conseguir colocá-los na escola. Os resultados da prova PISA, baseados nos jovens que vão à escola e estão dentro do sistema educativo, não dizem nada sobre esses outros jovens não escolarizados.
O governo já estabeleceu como prioridade escolarizar todos os jovens e, até o momento, o sistema conseguiu absorver as crianças desfavorecidas e dar a elas acesso equitativo à Educação.

Quantidade X Qualidade

Mas, conseguir manter a qualidade é mais difícil que aumentar a quantidade, e o Vietnã terá que ter cuidado para não perder a qualidade conforme amplie o acesso à educação.
Assim como mostram os países que têm melhores desempenhos no setor, a excelência geralmente está associada à mais autonomia para as escolas, para que elas determinem seus planos de estudo e provas.
Para o Vietnã isto significa que o governo terá que encontrar uma forma de equilibrar uma gestão centralizada com um entorno flexível e autônomo para cada escola.
Para colher todos os frutos do investimento na Educação, o Vietnã precisa mudar não apenas a oferta de conhecimento, mas também a demanda.
Como sugere um informe recente, o Vietnã pode ganhar três vezes seu PIB atual até 2095 se todas as crianças comparecerem à escola secundária e todos eles adquirirem pelo menos conhecimentos básicos em Matemática e Ciências até 2030 - e se o mercado de trabalho do país for capaz de absorver e utilizar todo este talento.
Se o Vietnã não criar uma demanda para quem tem mais conhecimentos, o país corre o risco de que os mais qualificados escolham desenvolver seus talentos em outro lugar.
É necessário levar em conta uma possível liberalização do mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que o país se esforça para construir uma força de trabalho mais capacitada.
Talvez seja muito pedir para um país e seus cidadãos, mas o Vietnã já demonstrou que está pronto e, o que é mais importante, está disposto e ansioso para aceitar o desafio e superá-lo.

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/06/150622_vietna_segredo_educacao_fn?ocid=socialflow_twitter

sábado, 11 de abril de 2015

China desafia seus vizinhos com uma ‘grande muralha’ de ilhas artificiais

China desafia seus vizinhos com uma ‘grande muralha’ de ilhas artificiais


Obama acusa Pequim de usar sua "força e músculos" contra países menores


 Pequim 11 ABR 2015
ChinaImagem aérea dos barcos chineses em um arrecife nas ilhas Spratly. / CSIS/AMTI
As disputas territoriais que Pequim mantém com seus vizinhos no mar do sul da China voltaram a se aquecer. O motivo são as ilhas artificiais que a segunda economia do mundo constrói “a golpes de perfuradoras e escavadeiras”, como disse o comandante da frota americana no Pacífico, o almirante Harry Harris. Onde até há pouco mais de um ano não havia muito mais que corais e algumas casinhas de blocos de cimento, construídas diretamente sobre as rochas meio submersas, a China criou, segundo os EUA, várias ilhotas de areia – em cinco arrecifes – que somam pelo menos 4 quilômetros quadrados.
Até agora, a China se limitava a declarar que suas atividades eram “legais, razoáveis e justificáveis”. Mas, na quinta-feira, o Centro de Estudos Estratégicos Internacionais (CSIS) em Washington divulgou uma série de fotografias que mostram a magnitude das obras e a rapidez com a qual são realizadas. Nas imagens, que comparam o antes e o depois no recife de Mischief, nas ilhas Spratly - território que disputado por Filipinas, China e Vietnã - se pode perceber como, praticamente do nada, surgiram várias ilhas dotadas de portos e uma pista para pousos e aterrissagens de aeronaves.
Após a publicação das imagens, a China - que até agora se limitava a responder às perguntas sobre essas ilhas com declarações lacônicas - ofereceu sua explicação mais detalhada, até agora, para justificar suas atividades.
Na quinta-feira, o porta-voz do ministério de Relações Exteriores do país, Hua Chunying, esclareceu que o propósito é militar: “proteger sua soberania territorial (da China) e os interesses e direitos marítimos”. Mas também garantiu que a construção terá fins civis “além das necessidades de defesa militar”. Entre eles, citou a proteção de navios durante as passagens de tufões, a pesca e a observação meteorológica.
As declarações de Hua não foram suficientes para acalmar os EUA, que, por meio das palavras do almirante Harris, descreveram as obras chinesas como a construção de “uma Grande Muralha de areia”. O secretário de Defesa, Ashton Carter, em viagem pela região, advertiu que a ação unilateral deixará a China isolada. E o presidente Barack Obama, que estava na Jamaica, a caminho daCúpula das Américas, realizada no Panamá, acusou Pequim de “usar sua força e seus músculos para forçar outros países a ficarem em posição de subordinação”.
“Acreditamos que (a disputa) pode ser resolvida por via diplomática, mas só porque as Filipinas e o Vietnã não são tão grandes como a China não quer dizer que não possam dar cotoveladas”, afirmou Obama.
Hua respondeu às declarações do presidente acusando os EUA de ser o país que pressiona os demais. “Esperamos que os Estados Unidos possam respeitar os esforços da China e dos países asiáticos para garantir a paz e a estabilidade na região do Mar do Sul da China”.
Pequim, que durante a época maoísta não demonstrou nenhum interesse especial por essas ilhas, reivindica com cada vez mais força a soberania das ilhas Spratly e Paracel e dos arrecifes de Scarborough, a distâncias de até 1.300 quilômetros do litoral continental. Meia dúzia de países mantém também reivindicações sobre algumas dessas áreas. A disputa, especialmente acirrada com as Filipinas e o Vietnã, se intensificou desde 2012, quando a China incluiu esses territórios em seus “interesses nacionais básicos”, assim como o Tibete e o Taiwan.
As Filipinas, um país militarmente muito mais fraco que a China, levaram o caso à ONU. Diante da intensificação das obras de construção chinesas, o país expressou seu temor de que Pequim busque criar evidências no terreno que influam na decisão final da instituição internacional.
No fundo da disputa há um duplo motivo. As suspeitas são de que estas cadeias de ilhotas possam guardar em seu leito marinho recursos naturais. Mas também são chaves do ponto de vista geoestratégico: para a China, que tem entre seus objetivos de Defesa o estabelecimento de uma Marinha militar de ponta, o mar do sul representa uma saída natural para sua frota rumo ao oceano Índico. Os Estados Unidos, que declarou a região da Ásia Pacífico como o “pivô” de sua política externa e defensiva, não quer ceder facilmente o controle de uma área de intenso tráfego marítimo e pela qual atravessa, anualmente, um volume comercial de quase 5 trilhões de euros (cerca de 16,2 trilhões de reais).
A nova troca de recriminações entre Pequim e Washington ocorre pouco antes do começo de manobras militares conjuntas entre os EUA e as Filipinas no dia 20 de abril, em águas próximas às ilhas Spratly. Segundo anunciou Manila, mais de 11.500 soldados participarão das atividades, as maiores desde que ambos os países retomaram os exercícios conjuntos em 2000.
Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/04/10/internacional/1428666875_884351.html

sábado, 4 de abril de 2015

Songdo é uma cidade em construção na Coreia do Norte que promete não agredir o meio ambiente

Já imaginou morar em uma cidade onde nada agride a natureza? Esse é o projeto de uma cidade que está sendo erguida na Coreia do Norte, chamada Songdo, à beira do Mar Amarelo, com o que há de mais moderno em tecnologia e conceitos de urbanismo. O projeto, orçado em US$ 35 bilhões, prevê a construção de 80 mil apartamentos, 46 milhões de metros quadrados de escritórios e pode abrigar até 40 mil habitantes. Construída sobre uma ilha artificial, a cidade promete ser a mais sustentável do planeta, contando com controle inteligente de tráfego, wireless, 40% de áreas verdes, programas de reciclagem e uso consciente de água e energia.
Existe um planejamento para evitar desperdícios e reutilizar a água através de um sistema de retenção da demanda pluvial. Até mesmo a água que foi usada para lavar pratos e roupas também pode ser armazenada e servir para a irrigação das praças e outras vegetações da cidade. Outra maneira para armazenar este recurso natural previsto pelo projeto é plantar vegetação no topo dos edifícios, o que pode reduzir a perda de água da chuva e contribuir com o crescimento das plantas.
Além de sustentável, Songdo conta com um sistema inteligentíssimo de tráfego, que evitará o trânsito. Haverá sensores colocados no asfalto que detectam a velocidade dos veículos e conseguem calcular o tempo de abertura dos semáforos. Assim, dependendo da velocidade dos carros, os faróis podem abrir em menor tempo para evitar engarrafamentos.
A cidade foi planejada em torno de um parque central, que é duas vezes maior que o Central Park de Nova York (Estados Unidos) e sua disposição permite que os moradores das áreas residenciais possam caminhar por essa área verde para trabalhar no centro comercial. As unidades das primeiras torres residenciais foram vendidas na planta e a cidade já oferece infraestrutura viária, transporte público, comunicação e entretenimento. A empreitada começou em 2000 e tem planos para ficar pronta em 2020.
Fonte: http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2015/04/04/114340-songdo-e-uma-cidade-em-construcao-na-coreia-do-norte-que-promete-nao-agredir-o-meio-ambiente.html

segunda-feira, 30 de março de 2015

Um grande competidor

Um grande competidor



China atrai mais de trinta países ao Banco Asiático de Investimento, rival do Banco Mundial



Segunda-feira deverão ser conhecidos quantos países farão parte do capital do novo Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (BAII), impulsionado pela China. De qualquer forma serão mais de trinta, e entre eles estarão todos os grandes Estados europeus: Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Espanha.
O projeto pretende ser uma alternativa às instituições de Bretton Woods, hegemônicas por conta de seu principal contribuinte, os EUA, onde os republicanos pressionam para que não aumente a presença dos países emergentes, tal como está previsto há um bom tempo nos órgãos de gestão dessas entidades. E mais concretamente se apresenta como sósia regional de uma delas, exatamente a menos polêmica, o Banco Mundial, que mostra carências no financiamentodo desenvolvimento.
O banco recém-criado tem uma faceta política evidente, como reconheceu o Tesouro norte-americano ao frisar que o bloqueio conservador “ameaça” a influência internacional da superpotência. E, de fato, ainda que tenha tentado frear o entusiasmo de alguns de seus aliados (como o Reino Unido, sua sustentação geoestratégica por antonomásia) para encaminhar-se à Pequim, mal conseguiu alegar em contrário a provável debilidade dos esquemas de funcionamento do BAII e a previsível lassitude de seus critérios financeiros na concessão de créditos: argumentos que pareceram menores diante da oportunidade de negócios.
As cifras com as quais a próxima instituição trabalha são relevantes. Terá um capital, de qualquer forma, superior aos 50 bilhões de dólares (162 bilhões de reais), e talvez se aproxime dos 100 bilhões (324 bilhões de reais). As necessidades de financiamento da região asiática para a próxima década são quantificadas em dois trilhões de dólares (6,50 trilhões de reais) somente para manter o atual ritmo de crescimento e de até oito trilhões de dólares (26 trilhões de reais) para financiar a infraestrutura imediatamente necessária.
O sucesso da nova instituição como alternativa global não está assegurado, dadas as assimetrias econômicas, sociais e políticas de seus parceiros iniciais, e o poder ainda relativo de seu principal impulsor. Mas está claro que, após a criação do Novo Banco de Desenvolvimento fundado pelos países que compõem o BRIC em julho (com sede em Xangai), a pressão para que Washington realize a reforma dos órgãos de Bretton Woods começa a ser irresistível. Quando a novidade não é integrada, ela costuma acabar engolindo o estabelecido.
Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/03/29/opinion/1427653655_038770.html

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

As novas rotas da seda da China

As novas rotas da seda da China


Megaprojeto pretende conectar a China com a Europa por via terrestre e marítima

 Pequim 17 FEB 2015

Primeiro trem de direto da China chega a Madri, em dezembro. / J. R.

O que o trajeto de trem mais longo do mundo, o porto de Pireus e um centro logístico no Cazaquistão têm em comum? Ou Duisburg, na Alemanha, as ilhas Maldivas e Gwadar, no Paquistão? A resposta é a China.
Todos formam parte do ambicioso conceito que Pequim transformou em uma das grandes prioridades de sua política exterior: a criação de extensas redes de transporte, conexões e infraestrutura que partam da China e, por via terrestre e marítima, cheguem à Europa. O Governo chinês batizou a iniciativa de Novas Rotas da Seda e pretende completá-la até 2025. O projeto prevê investimentos de 40 bilhões de dólares (113 bilhões de reais). E também inclui acordos de construção e empréstimos na Ásia Central em torno de 54 bilhões de dólares (153 bilhões de reais).
Caso funcione —e Pequim está concentrando esforços políticos e meios econômicos para isso—, o projeto proporcionará à China um volume potencial de comércio exorbitante, em uma área de 4,4 bilhões de pessoas e com um terço da riqueza mundial. E aumentará exponencialmente a influência global da segunda economia do mundo diante dos EUA, que por sua vez se volta para a região Ásia-Pacífico. Mas praticamente todos os detalhes do projeto ainda precisam ser definidos.
“As chamadas Novas Rotas da Seda são projetos de diplomacia econômica, mas sua realização concreta está incerta no momento, com exceção do desenvolvimento da infraestrutura. Muitos países vizinhos da China se perguntam como podem ser beneficiados. E os altos funcionários de instituições de pesquisa da China se perguntam como aplicar sobre o terreno esse conceito geral, decidido pelas instâncias mais altas do Governo central”, destaca por e-mail Alice Ekman, pesquisadora responsável da China no Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI).
O presidente chinês, Xi Jinping, propôs o projeto de rota terrestre pela primeira vez em outubro de 2013, durante uma visita ao Cazaquistão. Um mês depois, na Indonésia, discutia a rota marítima. Pequim afirma que 50 países mostraram interesse no projeto.
Embora alguns países, como a Índia, demonstrem certa reserva, outros anunciaram sua adesão, interessados no investimento que possam receber do gigante asiático. O novo Governo do Sri Lanka, depois de se mostrar inicialmente contra o projeto, deu finalmente o sinal verde este mês para o porto que a China está construindo em Colombo.
Segundo o rascunho fornecido por Pequim, o braço marítimo, o “cinturão”—de grande importância para o país, já que 90% de seu comércio é realizado por via marítima—, sairia do leste da China para atravessar o Estreito de Malaca e, através de Bangladesh, Sri Lanka e Paquistão, continuaria pelo Mar Vermelho até o porto de Pireus, em Atenas.
O braço terrestre atravessaria a China de leste a oeste e, através da região de Xinjiang, chegaria aos países da Ásia Central para continuar até a Europa, uma alternativa mais rápida para o transporte de produtos do que a atual via marítima. Nessa rede de trajetos está incluída a rota ferroviária Madri-Yiwu, a mais longa do planeta e ainda em fase experimental.
Uma das grandes vantagens que a China obtém com o plano —além de conseguir novas rotas de abastecimento e distribuição— é o desenvolvimento de infraestrutura em países vizinhos, num momento em que esse setor perde fôlego no mercado interno diante do desaquecimento da economia. E, se esses países são ricos em energia, pode tentar receber acesso privilegiado a esses recursos, em troca das obras.
Sob a perspectiva da segurança, afirma Vikram Nehru, do Carnegie Endowment for International Peace, “há quem diga que, na hipótese de que haja um conflito e não possa acessar facilmente o comércio através do Pacífico, a China sempre teria a rota ocidental por terra para alcançar a Europa e ter acesso a matérias-primas e energia”.
O desenvolvimento da rota terrestre permitirá também à China desenvolver as províncias mais pobres do centro e do oeste, que não se beneficiaram tanto do boom econômico dos últimos 20 anos no país, como as regiões do leste.
Mas essa rota terrestre, alerta Ekman, “pode enfrentar ainda muitos desafios em seu desenvolvimento. Pode, por exemplo, gerar uma competição econômica com outros atores regionais. Assim, o reforço da presença econômica chinesa em vários países da Ásia Central pode competir com os interesses russos a longo prazo e, com isso, pode ser que Moscou não a receba de braços abertos. Além disso, a segurança das rodovias (contra redes de contrabando, ataques terroristas) também pode se tornar um desafio significativo, à medida que se desenvolvam e se valorizem”.

Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/12/19/economia/1419009258_040938.html

sábado, 30 de agosto de 2014

A China já se equipara à União Europeia em pesquisa e desenvolvimento

A China já se equipara à União Europeia em pesquisa e desenvolvimento


O gigante asiático aplica 1,98% do PIB na área

45% do gasto governamental vai para oito agências de defesa



Uma pesquisadora chinesa trabalha em uma incubadora isolada para o cultivo de bactérias. /MONTY RAKUSEN (CULTURA CREATIVE)

A China já igualou o total gasto pelos 28 países da UE em investimentos em pesquisa e desenvolvimento, com 1,98% do PIB, segundo os últimosdados da OCDE, correspondentes a 2012. Além disso, o gasto do gigante asiático em P&D está em notável progressão e triplicou desde 1995, alcançando, em termos absolutos, 124 bilhões de euros (cerca de 365 bilhões de reais), ou 223 bilhões se a medição for feita por paridade de poder aquisitivo (o sistema mais adequado de comparar investimentos), segundo um informe publicado nesta sexta-feira pela revista Science. Com esta cifra total, a China continua muito atrás dos EUA (344 bilhões de euros) e da UE (259 bilhões de euros), mas já está à frente do Japão (115 bilhões de euros).
A Espanha, em 2012, aplicou 6,393 bilhões de euros em P&D (segundo análise orçamentária da Confederação de Sociedades Científicas da Espanha, a Cosce), com um gasto de 1,3% do PIB, segundo a OCDE, o que implica em uma redução não desprezível de seu máximo histórico, 1,4% do PIB, alcançado em 2010.
Os dados da OCDE mostram que a China apresenta uma progressão notável nos últimos anos, passando de aplicar 1,70% do PIB em P&D em 2009, a 1,76% em 2011 e 1,84% em 2011; enquanto isso, a evolução da UE (os 28), foi de 1,91%, 1,95% e 1,98% respectivamente.
Os autores do informe da Science (Yutan Sun, da Universidade Dalian, chinesa, e Cong Cao, da Universidade de Nottingham, britânica) analisaram a documentação sobre P&D na China por causa da obrigatoriedade das agências governamentais a tornarem públicos seus informes anuais. Eles enfatizam que 45,2% do gasto total do Governo em Pesquisa e Desenvolvimento em 2011 não está detalhado nas informações oficiais, e deve corresponder a oito agências relacionadas com a defesa que não publicam seus dados. É preciso levar em consideração, ressaltam os dois pesquisadores, que no caso do Governo norte-americano mais da metade do gasto em P&D está relacionado com a defesa.
Yutan e Cong destacam que a China potencializa o esforço em pesquisa aplicada e que nos últimos anos está derivando para o desenvolvimento tecnológico, “o que pode ser atribuído à evolução da política de inovação da China, que enfatiza o desenvolvimento em relação à pesquisa científica”. Diferentes instituições, agências e programas, inclusive os ministérios de Ciência e Tecnologia e de Educação, administram o orçamento de P&D civil, sustentando fundamentalmente a ciência básica. Além disso, destaca que um superministério, o de Indústria e Tecnologias da Informação, que “controla grandes quantidades de recursos públicos” e está orientado principalmente à pesquisa aplicada e aos megaprojetos.

sábado, 5 de julho de 2014

Japão pede racionamento em 1º verão sem energia nuclear

Japão pede racionamento em 1º verão sem energia nuclear

O Japão lançou neste mês uma campanha de racionamento de energia elétrica diante do primeiro verão sem a participação das usinas nucleares na matriz energética do país.
Pela primeira vez em quase meio século, nenhum dos 54 reatores nucleares do país está em funcionamento.
O governo não impôs nenhuma meta de economia em termos quantitativos, mas tem pedido às pessoas que evitem o desperdício de energia “na medida do possível” nos meses de julho a setembro, principalmente das 9h às 20h nos dias úteis, quando o consumo costuma a aumentar por causa do calor.
Autoridades sugerem medidas simples no dia a dia, como programar o ar-condicionado para 28˚C ou acima disto.
Este será o quarto ano seguido – desde o terremoto seguido de tsunami de 2011 que destruiu a usina nuclear de Fukushima e obrigou o fechamento de outras plantas – em que o governo pede um esforço da população na economia de energia.
Nos três anos anteriores não houve nenhum grande problema, mas o governo já indicou que quer reativar as usinas no futuro.
Cerca de 80% da energia consumida neste verão será proveniente de usinas termoelétricas.
Segundo um levantamento feito pelo governo, cerca de 20% destas plantas estão em operação há mais de 40 anos e, por isto, correm o risco de sofrer algum tipo de sobrecarga ou mesmo colapso.
Para piorar o cenário, de acordo com a Agência de Meteorologia do Japão, existe a possibilidade de uma zona de alta pressão atmosférica no Oceano Pacífico causar temperaturas mais altas do que a média no mês de agosto.
Usinas nucleares – Após o desastre de 2011, o Japão tinha desativado quase todas as usinas nucleares do país.
A última que continuava em funcionamento era a planta de Ohi, na província de Fukui. Mas ela foi desativada em setembro do ano passado.
Em maio deste ano, o Tribunal de Fukui decidiu não permitir a retomada das operações dos dois reatores.
“Esta é uma decisão histórica, que dá voz a muitos moradores das proximidades de usinas nucleares, que antes não eram ouvidos”, disse a conselheira municipal Harumi Kondaiji, de Tsuruga (Fukui), cidade localizada a 60 quilômetros da usina de Oi.

Emissões de CO2 – Mas o governo do primeiro-ministro Shinzo Abe cita o alto custo da importação de hidrocarbonetos e o aumento das emissões de gás carbônico como fortes argumentos para defender a reativação de algumas usinas.
Entretanto, ativistas como Hisayo Takada, do Greenpeace Japan, acreditam que o fechamento das usinas nucleares tem impacto pouco significativo sobre as emissões de CO2. “O aumento das emissões após o desastre de Fukushima tem sido surpreendentemente moderado”.
Para o Greenpeace, o paradigma emissões versus energia nuclear é uma falsa dicotomia.
“A cota global de emissões de CO2 do Japão vinda de geração de energia é de cerca de 30%, o que significa que 70% das emissões não tem nada a ver com a questão nuclear, mas com problemas ligados a transporte, aquecimento etc”, explicou Hisayo.
Entre as ações propostas pela organização para substituir o uso da energia nuclear estão a eliminação gradual de subsídios para combustíveis fósseis e para a produção de energia nuclear; introdução de taxas adicionais para grandes poluidores e o estabelecimento de metas para o uso e desenvolvimento de energias renováveis. 

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Tibetanos herdaram capacidade de se adaptar à altitude de ancestral extinto

Tibetanos herdaram capacidade de se adaptar à altitude de ancestral extinto

Os tibetanos são capazes de viver em grandes altitudes, graças a um gene especial que herdaram de um ramo misterioso, atualmente extinto, da família humana, afirmaram cientistas em novo estudo publicado na edição desta semana da revista científica britânica Nature.
De acordo com os pesquisadores, os ancestrais dos tibetanos atuais adquiriram uma variedade-chave de um gene que regula o oxigênio no sangue, quando se miscigenaram com humanoides denisovanos.
Contemporâneos dos neandertais – e como eles, provavelmente extintos pelo homem moderno, o “Homo sapiens” – os denisovanos foram descobertos há apenas quatro anos.
Sua existência foi determinada através de um fragmento do osso de um dedo e dois molares escavados da Caverna de Denisova, nas montanhas Altai, sul da Sibéria, com 80 mil anos de antiguidade.
Por meio de sequenciamento genético, determinou-se que antes de os denisovanos terem desaparecido como um ramo separado de hominídeos, eles se miscigenaram com o “Homo sapiens”, deixando traços que sobreviveram na piscina de DNA dos humanos modernos.
No estudo publicado esta semana, cientistas de China, Tibete e Estados Unidos compararam os genomas de 40 indivíduos de etnia tibetana e de 40 indivíduos de etnia chinesa Han.
Eles descobriram que, escondida no código genético dos tibetanos, encontra-se uma variedade incomum de um gene, denominado EPAS1, que regula a produção de hemoglobina, molécula que transporta oxigênio no sangue.
O EPAS1 é ativado quando os níveis de oxigênio no sangue caem, levando a uma produção maior de hemoglobina.
Em altitudes elevadas, variedades comuns do gene produzem quantidades maiores de hemoglobina e glóbulos vermelhos, fazendo o sangue ficar espesso, causando hipertensão, baixo peso ao nascer e mortalidade infantil.
Mas a variedade encontrada nos tibetanos tem uma ação mais moderada, consequentemente evitando os efeitos da hipóxia (baixo teor de oxigênio), sofridos por muitas pessoas que visitam locais acima dos 4.000 metros de altitude.
“Temos evidências muito claras de que esta versão do gene veio dos denisovanos”, afirmou Rasmus Nielsen, professor de Biologia Integrativa da Universidade da Califórnia em Berkeley.
“Isso mostra muito clara e diretamente que os humanos evoluíram e se adaptaram a novos ambientes, adquirindo seus genes de outras espécies”, acrescentou.
Exceção tibetana – A variedade do EPAS1 dos tibetanos é quase idêntica àquela encontrada em amostras de denisovanos.
Mas, além dos chineses Han, não há vestígios dela em outros grupos étnicos tocados pelo legado dos denisovanos, que incluem os melanésios, cujo genoma é 5% denisovano, a maior proporção já encontrada.
Segundo a hipótese levantada no estudo, grupos de “Homo sapiens” teriam deixado a África e se misturado com denisovanos em sua passagem pela Ásia Central, a caminho da China.
O grupo que colonizou a China teria, então, se dividido. Uma população teria migrado para o Tibete e a outra, ficado para trás para dominar as terras baixas, onde deram origem aos chineses Han da atualidade.
Como resultado da futura miscigenação com cada tribo, 87% dos tibetanos têm a variedade preciosa de EPAS1, em comparação com apenas 9% dos chineses Han, mesmo compartilhando um ancestral comum, prosseguiu o estudo.
Os cientistas acreditam que nosso baú dos tesouros genético ainda tem muitos outros segredos a revelar.
“A única razão pela qual podemos dizer que este fragmento de DNA é denisovano se deve a este feliz acidente de decodificar o DNA de um pequeno osso em uma caverna na Sibéria”, escreveu Nielsen em um comunicado de imprensa, publicado pela universidade.
“(…) Quantas outras espécies existiriam que ainda não sequenciamos?”, perguntou. 

segunda-feira, 30 de junho de 2014

China “estica” mapa nacional para defender reivindicações marítimas

China “estica” mapa nacional para defender reivindicações marítimas

Pequim levou para a cartografia seu conflito com o Sudeste Asiático pela soberania de centenas de ilhas no Mar da China Meridional, com um mapa oficial que pela primeira vez inclui todas as águas em conflito, o que “estica” as cartas nacionais em milhares de quilômetros ao sul.
O mapa, apresentado ao público nesta semana pela Editoria Cartográfica de Hunan, muda radicalmente o aspecto que os mapas nacionais da China têm, já que pela primeira vez é vertical e não horizontal, como todos são pendurados em salas de aula, bibliotecas e escritórios do país.
Isso se deve ao fato de que pela primeira vez aparecem na mesma escala que a grande massa continental chinesa arquipélagos como as Ilhas Spratly e as Ilhas Paracel, que a China disputa com Vietnã, Filipinas, Indonésia, Malásia, Brunei e Taiwan, e que tenta reivindicar também construindo nelas desde cidades a pistas de pouso ou instalações turísticas.
O mapa é um pouco chocante, porque muitas dessas ilhas são tão pequenas que mal são visíveis na nova representação geográfica, e o aspecto final é o de um plano no qual a China está um pouco descentralizada, na parte superior.
Representações oficiais anteriores da China também incluíam as ilhas em conflito, mas em escala menor que o resto do país e em minimapas inseridos em um cantinho, de maneira similar a outros países com arquipélagos afastados de sua massa continental, como as Ilhas Canárias, da Espanha; ou a Ilha de Páscoa, do Chile.
O mapa atual, que estende cinco mil quilômetros ao sul os limites da China, coloca 10 linhas como fronteiras marítimas imaginárias entre o gigante asiático e os países do sudeste do continente.
O novo mapa também não deixa de incluir uma dessas linhas de fronteira entre o Japão e as Ilhas Diaoyu (Senkaku para os japoneses), controladas de fato por Tóquio, mas que Pequim reivindica, em outro grande conflito.
O litígio que mais dor de cabeça causa este ano a Pequim é, no entanto, o que mantém com o Vietnã pelas Ilhas Paracel (Xisha para os chineses, Hoang Sa para os vietnamitas), desde que, no começo de maio, a companhia petrolífera estatal China National Offshore Oil Corporation (CNOOC) transferiu uma de suas plataformas extratoras para as águas em disputa.
Os navios vietnamitas que tentaram deter essa instalação foram respondidos com canhões de água por navios chineses. Dias depois, o conflito se transferiria para as ruas do Vietnã, onde os protestos derivavam em ataques ao comércio chinês nesse país, que terminaram com quatro mortes.
O uso dos mapas nos muitos conflitos da China com seus países vizinhos é frequente no regime comunista, que costuma mostrar em exposições ou em reuniões políticas cartas elaboradas por seus navegantes em séculos passados com a intenção de defender suas reivindicações.
O uso político da cartografia não se reduz aos conflitos pelas Paracel, Spratly e Diaoyu/Senkaku: também é obrigatório nos mapas chineses que a ilha de Taiwan, apesar de estar separada unilateralmente do resto da China desde 1949, seja mostrada como uma província do país, algo que nem sempre ocorre no Ocidente.
Outro detalhe no qual as mapas chineses podem diferir dos publicados no resto do mundo é o da controversa fronteira entre o gigante asiático e a Índia. Os mapas chineses costumam mostrar como parte do país a região de Aksai Chin, na Caxemira, que em cartas internacionais, às vezes, figura como “região reivindicada” por Pequim e Nova Délhi.
Além disso, até há quase uma década, esses mesmos mapas chineses consideravam um país independente o estado indiano de Siquim, entre Nepal e Butão, que durante décadas contou com apoio político de Pequim, já que o regime comunista buscava um território que o separasse completamente da Índia no Himalaia.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

EUA indicia oficiais do Exército chinês fautores de ciberespionagem

EUA indicia oficiais do Exército chinês fautores de ciberespionagem



Departamento de Justiça dos EUA pede prisão de cinco oficiais chineses indiciados por cyberespionagem
Departamento de Justiça dos EUA pede prisão de cinco oficiais chineses indiciados por cyberespionagem
Pela primeira vez, os EUA vão processar agentes estrangeiros engajados na ciberespionagem. A Justiça americana indiciou cinco oficiais do exército chinês por piratear os sistemas informáticos de seis empresas americanas que trabalham em setores estratégicos como o nuclear, metais e energia solar, informou “Le Figaro”.

Esses oficiais chineses são “membros da Unidade 61398 do Terceiro Departamento do Exército de Libertação do Povo” e poderiam ganhar penas de até 15 anos se forem presos fora da China.

A acusação da Justiça emprega termos como “furto do século XXI”, “ciber-ameaças”, etc. “A gama de segredos e informações sensíveis roubada é importante e exige uma resposta agressiva”, declarou o ministro da Justiça americano, Eric Holder. 

Os cinco trabalharam entre 2006 e 2014 a partir de Xangai, usando instalações militares do serviço de informações. A existência da Unidade 61398 foi denunciada em 2013. 

Ela foi localizada por uma empresa de segurança na Internet – a Mandiant, que apontou um prédio de 12 andares na periferia de Xangai onde trabalham centenas e até milhares de empregados do exército vermelho. Finalidade: espionar. 

Os cinco chefes de hackers do exército chinês teriam roubado planos nucleares da empresa Westinghouse, enquanto essa caiu bobamente no conto de negociações com uma estatal chinesa para construir uma central atômica. 

Porém, o governo americano faria bem se estendesse a investigação à irresponsabilidade dessas empresas que entabulam conversações e negócios com a China. 

Sede da unidade 61398 para operações  de ataque cibernético no exterior, Shangai.
Sede da unidade 61398 para operações
de ataque cibernético no exterior, Shangai.

















A espionagem e a contrafação chinesa são um segredo de Polichinelo, não justificando que empresas tão importantes se ponham na mira dessa intrusão. 

No caso, o dano material foi enorme. Segundo o “Washington Post”, poderá custar entre 24 e 120 bilhões de dólares à economia americana. 

Há um ano o Pentágono reconheceu que ciberpiratas chineses haviam penetrado em sistemas americanos que hospedavam planos de mais de 30 tipos de armas.

Ofensivo, Pequim respondeu acusando os EUA de “fabricar” acusações “infundadas e absurdas” para danificar “a cooperação e a confiança mútua” – resposta de praxe que nada responde.

Washington pode ficar aguardando na chuva, porque esses oficiais nunca serão deportados nem julgados em território americano. 

O “Wall Street Journal” sublinhou que talvez por isso a Justiça americana publicou – fato raro – as fotos dos suspeitos, consciente de que não serão atingidos.