Songdo é uma cidade em construção na Coreia do Norte que promete não agredir o meio ambiente
(Fonte: Casa.com.br)
Já imaginou morar em uma cidade onde nada agride a natureza? Esse é o projeto de uma cidade que está sendo erguida na Coreia do Norte, chamada Songdo, à beira do Mar Amarelo, com o que há de mais moderno em tecnologia e conceitos de urbanismo. O projeto, orçado em US$ 35 bilhões, prevê a construção de 80 mil apartamentos, 46 milhões de metros quadrados de escritórios e pode abrigar até 40 mil habitantes. Construída sobre uma ilha artificial, a cidade promete ser a mais sustentável do planeta, contando com controle inteligente de tráfego, wireless, 40% de áreas verdes, programas de reciclagem e uso consciente de água e energia.
Existe um planejamento para evitar desperdícios e reutilizar a água através de um sistema de retenção da demanda pluvial. Até mesmo a água que foi usada para lavar pratos e roupas também pode ser armazenada e servir para a irrigação das praças e outras vegetações da cidade. Outra maneira para armazenar este recurso natural previsto pelo projeto é plantar vegetação no topo dos edifícios, o que pode reduzir a perda de água da chuva e contribuir com o crescimento das plantas.
Além de sustentável, Songdo conta com um sistema inteligentíssimo de tráfego, que evitará o trânsito. Haverá sensores colocados no asfalto que detectam a velocidade dos veículos e conseguem calcular o tempo de abertura dos semáforos. Assim, dependendo da velocidade dos carros, os faróis podem abrir em menor tempo para evitar engarrafamentos.
A cidade foi planejada em torno de um parque central, que é duas vezes maior que o Central Park de Nova York (Estados Unidos) e sua disposição permite que os moradores das áreas residenciais possam caminhar por essa área verde para trabalhar no centro comercial. As unidades das primeiras torres residenciais foram vendidas na planta e a cidade já oferece infraestrutura viária, transporte público, comunicação e entretenimento. A empreitada começou em 2000 e tem planos para ficar pronta em 2020.
Nuvem de metano de 4000km2 está pairando sobre o oeste dos EUA
O legado das perfurações em busca de combustíveis fósseis é uma nuvem gigantesca, composta por poderosos gases estufa, que pode ser vista do espaço.
Jon Queally - Common Dreams
Uma monstruosa nuvem de metano acumulado - um potente gás estufa - agora paira sobre uma grande porção do oeste dos Estados Unidos, de acordo com imagens de satélite analisadas pela NASA e noticiadas pelo Washington Post.
Criada por causa de anos e anos de vazamentos intencionais de gás natural durante as operações de perfuração do solo em busca de combustíveis fósseis, a nuvem - invisível ao olho humano mas capturada por tecnologias avançadas de imagens de satélite - está centrada sobre o noroeste do Novo México e é descrita pelo Post como ''uma nuvem de metano do tamanho do estado de Delaware, tão vasta que os cientistas questionaram seus dados quando a estudaram há três anos.''
Alarmado pelo tamanho da nuvem, o pesquisador da NASA Christian Frankenberg declarou ao Post, ''não podíamos ter certeza de que o sinal era real.''
Apesar do fato de que, ano a ano, o metano é cada vez menos lançado na atmosfera, o gás é vinte vezes mais poderoso enquanto gás estufa do que o dióxido de carbono (CO2)
A acumulação de metano não é um problema novo, mas algo que parece ter piorado a partir da perfuração hidráulica do solo (ou fracking) e outras operações intensas de extração de combustíveis fósseis que continuam aumentando no sudoeste do país. A última análise da NASA sobre o fenômeno descobriu que a nuvem possui aproximadamente ''uma extensão de 400 quiômetros quadrados.'' Frankenberg apontou que esta estimativa foi feita antes do aumento mais recente da extração de gás e petróleo no sudeste americano.
Apesar da indústria ignorar os perigos da 'queima de gás' - na qual o excesso de metano é simplesmente queimado durante o processo de perfuração em busca de gás e petróleo - ambientalistas e cientistas do clima já há muito tempo acionaram o alarme sobre o impacto do metano quanto ao aquecimento global e aos danos ambientais. E apesar do gás natural ser apresentado como uma opção mais limpa do que o carvão, muitos estudos mostraram que ainda que isso seja verdade, o fato de muito do gás escapar durante a extração e o transporte faz com que o impacto cumulativo de seu efeito estufa seja igual ou pior que o do carvão.
O gráfico abaixo foi criado pelo Washinton Post a partir dos dados disponíveis:
Basta observar o comportamento de banhistas em uma praia qualquer para perceber quão longe estamos de ter consciência sobre o respeito aos outros e ao meio que nos abriga. Nem mesmo locais ‘classe A’ escapam das condutas inadequadas.
Por: Vera Rita da Costa
Publicado em 26/11/2014 | Atualizado em 26/11/2014
Até na praia do Tombo, no Guarujá (SP), uma das poucas do país que obtiveram a certificação de qualidade do Programa Bandeira Azul, impera a falta de cuidado com o lixo. (foto: Vera Rita da Costa)
Já contamos com mais de 30 anos de trabalhos dedicados à educação ambiental em nosso país, se não direta e formalmente, por meio da escola, pelo menos de modo informal e por outros canais. Mas, basta passar um domingo de sol na praia ou em um parque, para nos questionarmos sobre onde se encontra, na prática, a nossa educação ambiental.
Fiz isso há algumas semanas e fiquei chocada. As cenas presenciadas no final do dia na praia do Tombo, no Guarujá (SP), eram de fazer cair o queixo de qualquer observador atento. Havia lixo espalhado por todos os lados, embora existissem no local lixeiras e garis. Estes últimos, aliás, tentando em vão dar conta daquilo que as pessoas, totalmente indiferentes e displicentes aos apelos distribuídos pelo local, lançavam em seu entorno.
As cenas que vi não diferiam muito do retrato traçado na campanha ‘Povo desenvolvido, povo limpo’, uma das primeiras ações de educação ambiental promovidas no Brasil, ainda na década de 1970. Recordavam em muito até um de seus episódios, em que Sujismundo, o personagem central da campanha, e sua família iam, justamente, à praia.
Assista ao episódio de Sujismundo
A praia do Tombo a que me refiro é considerada ‘classe A’, uma das poucas de nosso país que obtiveram a certificação do Programa Bandeira Azul, uma iniciativa daFoundation for Environmental Education(Fundação para Educação Ambiental), organização não governamental criada na Inglaterra e com sede atual na Dinamarca. A classificação A foi obtida em 2011 e recentemente renovada para o próximo ano. São, portanto, cinco anos consecutivos de certificação obtidos pela Prefeitura do município do Guarujá para essa bela praia, em um trabalho ambiental que merece ser aplaudido, mas que também vale reflexão.
O próprio fato de termos no Brasil tão poucas praias certificadas por esse programa já serve de alerta. Ao lado da praia do Tombo só se encontram nalista de certificações de 2014do Programa Bandeira Azul Brasil, a Prainha, no Rio de Janeiro, e duas marinas, uma em Angra dos Reis (RJ) e outra também no Guarujá (SP). Em outros países, no entanto, esse número pode chegar a centenas.Portugal, por exemplo, teve para o mesmo período (2014) 298 praias e 17 marinas certificadas.
Bandeira azul
Que inveja boa! Seria ótimo se nos igualássemos a Portugal nesse quesito. Afinal, obter a certificação do Programa Bandeira Azul não é simples. É preciso cumprir uma série decritérios que envolvem, por exemplo, a garantia da qualidade da água, o monitoramento do ambiente costeiro, a manutenção da segurança dos banhistas e demais usuários do local, o apoio a portadores de necessidades especiais, a disponibilidade de água potável e instalações sanitárias em número e condições adequadas, além de fiscalização permanente de condutas e regras no local.
Em outras palavras, nas praias certificadas pelo Programa Bandeira Azul, deve haver o mínimo desejável em qualquer praia urbana e pública: monitores ambientais, guarda-vidas, policiais, fiscais, equipamentos e pessoal treinado para apoio a pessoas com necessidades especiais, além de bebedouros, chuveiros e banheiros que funcionem e sejam limpos, entre outros quesitos básicos e essenciais.
Nas praias ‘bandeira azul’, deve haver fiscalização permanente, não sendo permitido levar cães na areia, praticar esportes coletivos em meio às outras pessoas ou ouvir som alto – condutas que possam prejudicar ou incomodar outras pessoas.
Como pude observar no domingo que passei na praia do Tombo, no entanto, nem tudo é perfeito. Os recursos podem estar disponíveis, mas falta para a maioria dos frequentadores a tal consciência ambiental.
Triste realidade
Havia lixeiras, mas nem todas as pessoas levavam seu lixo até elas. Havia chuveiros, mas nem todos os fechavam depois de usados, e muitos os usavam sem qualquer parcimônia (apesar da escassez de água), para lavar pranchas de surf ou cadeiras de praia, por exemplo. E isso porque estou me restringindo a dar apenas dois exemplos, aqueles que considero mais emblemáticos, dois dos temas mais batidos em termos de educação ambiental no país: a necessidade de dispor corretamente o próprio lixo e de se economizar e fazer bom uso da água.[
Afinal, quem ainda não ouviu falar sobre isso? Na escola, sobretudo na educação infantil e no ensino fundamental, há uma verdadeiraoverdose de conteúdos abordando as questões da água e do lixo. Na TV, assim como na mídia em geral, esses também são os temas mais lembrados quando se trata de educação ambiental.
Não se trata, portanto, de falta de informação. Fala-se de cuidar do ambiente desde os idos tempos de Sujismundo. Já era hora, portanto, de termos uma geração (ou mais) de pessoas que realmente praticassem esses preceitos básicos da educação ambiental. Mas não é o que se constata em muitos lugares públicos, como a praia.
Apenas engatinhando
Nesses locais, o que se percebe é muito diferente do desejável. Verifica-se que há uma distância significativa e muito perceptível entre possuir informações e agir realmente de acordo com elas ou, entre saber, em teoria, e colocar em uso, na prática. Em outros termos, torna-se patente também que, em relação às atitudes desejadas ou à nossa real educação ambiental, estamos apenas engatinhando.
Procuro mas não encontro na literatura acadêmica explicações para esse fenômeno. Por sinal, acho admirável conseguir localizar tantos artigos acadêmicos enaltecendo a educação ambiental e discutindo seus avanços, mas nenhum que a critique ou discuta a lentidão e a baixa eficácia em sua efetivação real ou na obtenção factual de mudança de atitudes.
Será que estou delirando? Estou sendo exageradamente crítica e pessimista?
Nas praias brasileiras que contam com chuveiros, é comum ver o desperdício, como torneiras abertas e uso de água potável para lavar pranchas de surf ou cadeiras. (foto: Flickr/ Raul – CC BY 2.0)
Lembro-me de uma fala da pesquisadora Elsa Meinardi, da Universidade de Buenos Aires, Argentina, no 3° Encontro Regional de Ensino de Biologia, realizado em setembro deste ano em São Paulo, que se aproxima do tema abordado aqui. Na oportunidade, referindo-se à educação sexual presente nos currículos oficiais e oferecida nas escolas aos nossos jovens, tema de alguns de seus estudos e principais pesquisas, Meinardi chamou a atenção dos professores de ciências e biologia para a distância que a separa da realidade vivida pelos jovens, quando imersos em sua cultura local.
Ela destacou, também, o desconhecimento que muitos professores têm dessa ‘outra realidade’ ou dessas outras ‘forças culturais’ que alimentam as escolhas e decisões dos jovens no campo da sexualidade e alertou para a ilusão de se pensar que apenas com informação e prescrições comportamentais oferecidas na escola se conseguirá a mudança de comportamentos e a prevenção desejável.
Visão e ação em contexto
Para que a educação sexual seja realmente eficaz, considera Meinardi, há muito mais trabalho a ser feito. Trabalho que, segundo a pesquisadora, depende de visão e ação em contexto. Ou seja, que envolva múltiplos setores e esferas culturais e em uma perspectiva que leve em conta, respeite e dialogue também com as diferentes visões e conhecimentos que se apresentam na sociedade. Nem sempre nos damos conta disso – alertou a pesquisadora –, mas, principalmente nas grandes cidades, estamos vivendo em sociedades cada vez mais multiculturais, nas quais diferentes visões de mundo, valores e crenças, entre outras ‘forças culturais’, também atuam para educar os indivíduos.
Com sua fala sobre educação sexual nas escolas, Meinardi me fez refletir sobre o quanto é pretensiosa a instituição escolar em achar que sozinha poderá dar conta de educar sexualmente os jovens, desprezando a poderosa influência que outras instâncias e instituições culturais, como família e o grupo de convívio próximo, têm sobre o comportamento das pessoas. E agora, ao buscar relacionar essas ideias com a experiência de um fim de semana na praia, me faz pensar que o mesmo pode se aplicar à educação ambiental.
Será que não estamos superestimando o papel da escola e das informações gerais, depositando nelas uma enorme expectativa de mudança de comportamento, e subestimando o papel que outras instâncias e forças culturais têm sobre a educação ambiental?
Se de fato isso estiver acontecendo, nossas estratégias deveriam mudar. Deveríamos, nesse caso, ampliar em muito o leque das ações em educação ambiental, de forma a fazer com que as condutas desejadas se tornassem mais entranhadas em nossa cultura, via outros caminhos e métodos que não apenas a escola e algumas de suas prescrições tradicionais.
Sem abandonar o que tem sido feito de bom na escola, talvez seja necessário ampliar espaços e metodologias, dando menos peso à teoria (informação e prescrições do que deve ser feito) e valorizando mais a prática (atitudes ou aquilo que de fato se faz). Talvez, assim, a educação ambiental chegue realmente às praias.
Agropecuária é responsável por 90% do desmatamento ilegal no Brasil
PUBLICADO
Derrubada irregular dá lugar ao gado e à soja. Grande parte dos produtos é destinada à exportação para Rússia, China, EUA e União Europeia, revela estudo.
Entre 2000 e 2012, a agropecuária foi responsável por metade do desmatamento ilegal nos países tropicais. No Brasil, até 90% da derrubada ilegal da floresta neste período ocorreu para dar lugar ao gado e à soja. Os números fazem parte de um estudo da organização Forest Trends, divulgado nesta quinta-feira (11/09).
Segundo o relatório da ONG americana baseada em Washington, as situações mais críticas foram registradas no Brasil e na Indonésia. No Brasil, parte considerável dos produtos cultivados nessas áreas ilegais vai para o mercado externo: até 17% da carne e 75% da soja. Os destinos incluem Rússia, China, Índia, União Europeia e Estados Unidos.
Brasil e Indonésia são os maiores produtores do mundo de commodities agrícolas para a exportação. O que é colhido nas terras desmatadas ilegalmente nesses países vai parar em cosméticos, produtos domésticos, alimentos e embalagens.
"Naturalmente, os países compradores também são responsáveis. Afinal, eles estão importando e consumindo produtos sem prestar atenção em como foram produzidos. Consequentemente, estão criando uma demanda. E as companhias envolvidas no negócio estão lucrando", avalia Sam Lawson, principal autor do estudo e consultor de instituições como o Banco Mundial e Greenpeace. Ele calcula que esse tipo de comércio gere uma receita de 61 bilhões de dólares, cerca de 140 bilhões de reais.
A pesquisa foi feita ao longo dos últimos três anos e reuniu dados publicados em mais de 300 artigos científicos, informações da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e dados de satélite.
Ilegalidade no Brasil
Ao mesmo tempo em que o estudo aponta o Brasil como líder nesse tipo de ilegalidade, ele reconhece que o país reduziu dramaticamente o desmatamento desde 2004. A taxa de derrubada ilegal na Amazônia caiu mais de 70% se comparada aos índices medidos entre 1996 e 2005.
"No Brasil, as florestas também estão dentro de propriedades privadas. E, em muitos casos, o único documento que o produtor rural tem para justificar sua plantação é um certificado de posse da terra. Eles não têm, necessariamente, a permissão para cortar a floresta para dar lugar a essa plantação", diz Lawson.
Francisco Oliveira, diretor do Departamento de Políticas de Combate ao Desmatamento na Amazônia, do Ministério de Meio Ambiente, diz que a apropriação irregular de terras públicas, ou "grilagem", é uma das principais causas do desmatamento ilegal. "Um grileiro nunca vai buscar uma autorização de desmatamento", acrescenta.
O corte da mata também é feito por proprietários regulares de terra. Mas nem todos respeitam a lei: muitos retiram a vegetação nativa para expandir plantações sem a devida autorização, que é dada pelo governo estadual. Para aumentar o rigor na fiscalização, o governo federal pretende exigir que os estados repassem as autorizações de supressão de vegetação concedidas aos proprietários.
A legislação nacional obriga as propriedades rurais privadas a manter no mínimo 20% da vegetação natural, a chamada Reserva Legal. Por outro lado, ainda não existem dados oficiais que mostrem quem cumpre a lei. A esperança de separar "o joio do trigo" está no Cadastro Ambiental Rural (CAR), introduzido com o novo Código Florestal para ajudar no processo de regularização.
Esse cadastro tem que ser feito por todo proprietário e trará informações georreferenciadas do imóvel, com delimitação das Áreas de Proteção Permanente, Reserva Legal, entre outros. "A pessoa sabe que entrou para um sistema e vai tomar os devidos cuidados para não desrespeitar a legislação, e quer ser respeitada por isso", analisa Oliveira.
Comida e floresta para todos
Cinco campos de futebol de florestas tropicais são destruídos a cada minuto para suprir a demanda por commodities agrícolas. A FAO também vê esses números com preocupação. A organização estima que, até 2050, o mundo precisará de cerca de 60 milhões de hectares extras para suprir a demanda por comida.
Para Keneth MacDicken, especialista em assuntos florestais da FAO, seria possível fazer essa expansão sem agredir as florestas. "Aumentar a produtividade, melhorar as técnicas e diminuir o desperdício são fundamentais", diz.
Para acabar com a produção agropecuária em terras desmatadas ilegalmente, é importante mostrar que a legalidade é rentável. "Nesse processo, empresas como a Embrapa são muito importantes. Porque elas ajudam os proprietários rurais a produzir de forma mais eficiente e mais rápida", exemplifica MacDicken.
Além do aumento na fiscalização e vigilância por satélite, Oliveira, do ministério de Meio Ambiente, aposta na parceria com produtores para mostrar que o consumidor também está ficando mais exigente. "Os compradores de soja no mercado internacional não estão querendo atrelar o nome ao desmatamento ilegal na Amazônia." Essa percepção criou a chamada "moratória da Soja", em que produtores se comprometeram a não estender o cultivo para áreas desmatadas.
Lawson só vê uma saída: "Nada vai funcionar se os governos não tomarem providências contra a ilegalidade". O pesquisador admite que, hoje, o tema é mais discutido entre produtores e consumidores do que há dez anos. No entanto, se os números do desmatamento associado à expansão da agropecuária ainda são altos, a conclusão é que "esse combate ainda não está sendo feito como deveria".
Países definem medidas de sustentabilidade ambiental
(Fonte: MMA)
Cerca de 160 países com 1,2 mil delegados, incluindo o Brasil, definiram medidas globais para assuntos como poluição atmosférica, tráfico de animais e descarte de resíduos químicos e de outros produtos. Ao todo, 16 resoluções foram aprovadas na primeira edição da Assembleia Ambiental das Nações Unidas (UNEA, na sigla em inglês), realizada em Nairobi, capital do Quênia, na última semana. A cúpula foi o maior encontro de ministros do Meio Ambiente desde a Convenção das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20, realizada em 2012, no Rio de Janeiro, cujos compromissos foram reafirmados. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, representou o Brasil na reunião.
Na ocasião, a ministra Izabella anunciou a doação de U$ 1 milhão para programa da Organização das Nações Unidas (ONU) voltado para a promoção de padrões de consumo e produção sustentáveis, por meio do financiamento de atividades em países em desenvolvimento.
A representante do Brasil destacou a importância da transição para um modelo mais sustentável de desenvolvimento, liderado pelos países desenvolvidos, já que são eles que mais consomem e poluem. Segundo ela, essa transição para um modelo mais sustentável envolve o engajamento do setor privado, dos cidadãos e da sociedade civil como um todo.
“Devemos buscar um novo conjunto de valores, em busca de uma sociedade global”, disse Izabella Teixeira, apontando a importância do fortalecimento do multilateralismo, com mecanismos inovadores e transferência de tecnologias, como formas de enfrentar os desafios da sustentabilidade. Ela destacou, ainda, a importância dos jovens para a implantação do novo paradigma de sustentabilidade.
Segundo o chefe da Assessoria de Assuntos Internacionais do MMA, Fernando Coimbra, não existe uma fórmula única, em função do grau de desenvolvimento de cada país. “Cada um encontrará as soluções próprias, dentro de uma cooperação internacional mais robusta”, disse.
Em Nairóbi, a ministra Izabella Teixeira participou de reunião com ministros de Meio Ambiente do BRICS – grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, numa prévia da reunião que acontecerá no dia 15 de julho, em Fortaleza (CE), quando os ministros desses cinco países voltam a se encontrar.
O envolvimento da comunidade internacional com o legado da Rio +20 foi um dos destaques da Assembléia. Os estados-membros reiteraram o comprometimento com a implantação da carta resultante da Rio +20, batizada de “O Futuro que Queremos”, e de pontos como o parágrafo 88, que trata do fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A cúpula reconheceu que um meio ambiente saudável é fundamental para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e solicitou a promoção de padrões de consumo e produção sustentáveis.
Poluição - A cúpula classificou como prioridade a questão da poluição do ar, responsável por 7 milhões de mortes por ano, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os estados-membros decidiram, por unanimidade, encorajar os governos a adotar planos de ações para melhorar a qualidade do ar, promover melhorias na saúde humana, estimular o desenvolvimento sustentável e proteger o meio ambiente.
Responsável pela movimentação de US$ 213 bilhões (R$ 468,6 bilhões), o crime ambiental também está na mira da UNEA. Para coibir os ilícitos relacionados à fauna, a cúpula estabeleceu uma resolução de fortalecimento do combate a nível doméstico e da ação internacional integrada no combate ao comércio ilegal de animais. O consenso foi de que sejam eliminados estoques de produtos ilegais derivados de animais selvagens, entre outras medidas.
Os delegados também se preocuparam com a geração de resíduos em nível global. Uma das resoluções dispõe sobre a poluição dos oceanos por plásticos e destaca os impactos causados em ecossistemas, áreas de pesca, turismo e desenvolvimento. Já outra resolução sugere uma gestão integrada de resíduos químicos capaz de lidar com o transporte e o armazenamento de substâncias tóxicas, a partir da divulgação, da participação da indústria e do financiamento externo.
Saiba mais – Criada como o novo corpo governante do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a UNEA definirá os rumos da agenda ambiental da ONU nas próximas décadas. Ao substituir o Conselho de Administração do PNUMA, a Assembleia Ambiental passará a tomar decisões estratégicas e a dar o direcionamento político ao trabalho da organização. Em vez de apenas 58 estados que participavam anteriormente, agora a UNEA tem a representação de 193 estados-membros da ONU e uma reunião de cúpula que ocorrerá anualmente.
Muita gente já separa em casa o lixo seco do lixo orgânico, mas pouco sabemos que destino têm esses materiais, o quanto de fato é aproveitado para reciclagem, se é possível aproveitar o lixo orgânico pra alguma coisa... Enfim, a destinação final do lixo que produzimos é uma das grandes preocupações de nossas cidades hoje. A maior parte do lixo ainda vai para aterros sanitários, cada vez mais distantes e com enorme impacto sobre as áreas onde estão instalados. Afinal, quem quer conviver com um aterro do lado de casa ou do trabalho?
Para se ter uma ideia, na cidade de São Paulo, hoje, temos coleta seletiva em 46% dos domicílios, mas menos de 2% do nosso lixo é de fato reciclado. Ou seja, não adianta ter coleta seletiva se não reaproveitamos de fato esse material. Com o objetivo de aumentar nossa capacidade de reciclar, a prefeitura de São Paulo inaugurou, no início deste mês, a primeira central de triagem mecanizada de resíduos recicláveis da América Latina, na Ponte Pequena, região do Bom Retiro, com capacidade para processar até 250 toneladas de lixo reciclável por dia.
Um dos grandes limites para a ampliação da reciclagem é justamente o acúmulo do material reciclado e a dificuldade de encaminhá-lo para reuso, por ser muito volumoso. Se ele fica acumulado em grandes quantidades em centrais de reciclagem, sejam estas de cooperativas de catadores ou de empresas, isso também limita enormemente o potencial de expansão da capacidade de reciclar da cidade. Com a mecanização, o lixo separado é prensado mecanicamente, diminuindo de volume e, assim, podendo ser transportado mais facilmente.
A receita gerada pela comercialização dos materiais processados pela central constituirá o Fundo Municipal de Coletiva Seletiva, Logística Reversa e Inclusão de Catadores. Este fundo viabilizará a contratação de cooperativas de catadores que atuarão dentro da central – na triagem dos materiais e na operação das máquinas, por exemplo – e, ainda, permitirá parcerias com outras cooperativas, que continuarão atuando externamente na coleta seletiva. A gestão do fundo será feita por um conselho formado por 9 integrantes, sendo três da sociedade civil, três do governo municipal e três das cooperativas de catadores.
Ao incorporar as cooperativas na implementação deste novo sistema de coleta seletiva, espera-se melhorar as condições de trabalho dos catadores e, ainda, aumentar sua remuneração. A partir da instalação da central, a expectativa é ampliar o percentual de lixo reciclado em São Paulo para 10% até 2016. Além disso, até esta data, a prefeitura tem como meta fazer com que a coleta seletiva atinja todos os domicílios da cidade.
Ainda sobre esta questão da destinação do lixo, uma outra boa notícia recente é o lançamento do projeto Composta São Paulo, iniciativa da sociedade civil, encampada pela Prefeitura, que distribuirá inicialmente para dois mil domicílios composteiras domésticas, mais conhecidas como minhocários. Estas composteiras transformam o lixo orgânico em adubo e podem ser acondicionadas em quintais, áreas de serviço, garagens e mesmo em cozinhas.
Essa é uma iniciativa importantíssima se considerarmos que 51% do lixo produzido em nossas casas são resíduos orgânicos, ou seja, que não podem ser reciclados e vão direto para os aterros sanitários. Para participar do projeto e receber a composteira é necessário se cadastrar no site até o dia 27 de julho: www.compostasaopaulo.eco.br. O projeto prevê também oficinas de compostagem e plantio.
Aumentando a escala e a cobertura da reciclagem, abrindo novas frentes de reaproveitamento do lixo, inclusive o orgânico, São Paulo avança no enfrentamento de um dos maiores desafios ambientais de nossas cidades.
Esse gás está muito presente no nosso dia a dia e pode ser fatal
Sempre que ouvimos falar de monóxido de carbono (CO), associamos rapidamente o gás a perigo ou poluição. Mas que tal entender um pouco mais a respeito dessa substância utilizada para diversas necessidades?
O CO é um gás incolor, sem cheiro ou sabor, inflamável e perigoso devido à sua grande toxicidade e por ser um asfixiante químico. O CO é liberado no ambiente por fontes naturais ou antrópicas (causas humanas). As fontes naturais podem ser: atividade vulcânica, descargas elétricas e emissão de gás natural. As fontes antrópicas equivalem à aproximadamente 60% do CO presente na troposfera. Tudo isso é produto da combustão incompleta, ou seja, queima em condições de pouco oxigênio de combustíveis fósseis (lenha, carvão vegetal e mineral, gasolina, querosene, óleo diesel, gás), sistemas de aquecimento, usinas termelétricas a carvão, queima de biomassa e tabaco.
O CO também pode se originar pela oxidação fotoquímica de compostos orgânicos voláteis (VOCs) na atmosfera ou na superfície de corpos de água. Na atmosfera, o composto pode sofrer oxidação e formar dióxido de carbono; nas águas superficiais, que ficam saturadas dele, micro-organismos são capazes de utilizar o composto como fonte de energia.
As fontes mais frequentes e que lançam maior concentração de CO na atmosfera (milhões de toneladas) são as queimadas, que ocorrem em florestas do mundo todo, e o gás emitido do escapamento dos veículos.
Utilização
O CO é muito utilizado industrialmente como agente redutor, removendo o oxigênio de alguns compostos, como ocorre na produção do ferro e de outros metais, e na síntese de diversas substâncias orgânicas, como ácido acético, ácido fórmico, plásticos, metanol e outros. Na segunda Guerra Mundial, foi usado nas câmaras de gás em campos de concentração.
Toxicidade
Segundo estudos, a principal via de exposição ao monóxido de carbono é a respiratória e intoxicações agudas podem ser fatais devido a afinidade do CO com a hemoglobina contida nos glóbulos vermelhos do sangue, que transportam oxigênio (O2) para os tecidos de todos os órgãos do corpo. A afinidade da hemoglobina pelo CO chega a ser 240 vezes maior que pelo O2.
Uma vez inalado, o gás é rapidamente absorvido nos pulmões, atravessando as membranas alveolar, capilar e placentária e, em circulação, liga-se de maneira estável com a hemoglobina. A toxicidade no homem se dá quando o CO entra em competição com o O2 pela hemoglobina, reduzindo a liberação de O2 fixada sob a hemoglobina, e assim, impedindo o transporte e diminuindo a quantidade de O2 disponível nos tecidos, levando à morte pro asfixia.
Efeitos
A existência de uma intoxicação crônica de CO resultante de uma exposição prolongada a baixas concentrações pode ocasionar efeitos tóxicos cumulativos, como insônia, cefaleia, fadiga, diminuição da capacidade física, de aprendizado e trabalho, tonturas, vertigens, náuseas, vômitos, distúrbios visuais, alterações auditivas, doenças respiratórias, anorexia, síndrome de Parkinson, isquemia cardíaca, cardiopatias e arterosclerose. Nos idosos, causa um aumento na mortalidade por infarto agudo.
Os sintomas de uma ligeira intoxicação por monóxido de carbono incluem desmaio, sensação de confusão, cefaleia, vertigens e outros similares aos da gripe.
Exposições longas podem conduzir a uma toxicidade grave no sistema nervoso central, no coração e levar até à morte. As sequelas de uma intoxicação aguda são quase sempre permanentes.
Qualidade do ar
Os padrões de qualidade do ar nacionais foram firmados em 1976 pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) e aprovados pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). Em abril de 2013 foi publicado o Decreto nº 51113, que possui parâmetros da qualidade do ar mais rigorosos.
No caso do CO, o padrão estadual chega a 9 ppm para um tempo de amostragem de 8 horas. Quanto ao índice de qualidade do ar adotado pela CETESB - Companhia de de Tecnologia de Saneamento Ambiental, a qualificação do CO no ar, para 8 horas de amostragem é:
• Qualidade boa: 9 ppm,
• Qualidade moderada: 9 a 11 ppm;
• Qualidade ruim: 11 a 13 ppm;
• Qualidade muito ruim: 13 a 15 ppm;
• Qualidade péssima: mais de 15 ppm.
É importante ficarmos de olho nesse índice de qualidade do ar, principalmente no inverno e se temos crianças, pessoas idosas ou com problemas cardíacos em casa, pois um alto índice de CO no ar pode ser mais prejudicial para esses grupos de pessoas.
Como evitar intoxicação
O alto índice de CO no ar pode ser nocivo à nossa saúde e devemos controlar as fontes de CO que temos em nossas casas que também possuem potencial de intoxicação, como aquecedores a gás ou a querosene não ventilados, fornalhas, fornos a lenha, fornos a gás, lareiras e a exaustão dos automóveis. Podemos evitar essas fontes de intoxicação com algumas sugestões:
• Assegurar que todos os equipamentos na sua casa estão instalados adequadamente e funcionando corretamente;
• Tenha o cuidado de inspecionar e limpar, todos os anos a fornalha, as chaminés e os canos;
• Se você for utilizar lareira, assegure-se de que os canos e a chaminé estão abertos;
• Não aqueça a casa com equipamentos a gás;
• Assegure-se de que o forno e a fornalha ventilam para o exterior e que não existem fugas nos sistemas de exaustão;
• Não queime carvão em qualquer espaço fechado;
• Não deixe uma ferramenta que funcione a gás trabalhando ou veículo ligado dentro da garagem, oficina ou qualquer lugar fechado;
• Nunca utilize aquecedores a gás de chuveiros em banheiros sem ventilação;
• Utilize exaustores ao cozinhar (entenda porque aqui);
• Coloque plantas que purificam o ar da sua casa ou local de trabalho (saiba maisaqui);
• Melhore a qualidade do ar com pequenos cuidados do dia-a-dia; (veja como);
• Não pratique exercícios físicos em grandes cidades no horário de pico (saiba maisaqui).
Ele também pode ser um indicador da qualidade do ar
O Dióxido de enxofre (SO2) é um gás incolor com um odor acre picante. Ocorre como uma impureza nos combustíveis fósseis, proveniente principalmente de atividades como queima de diesel nos veículos pesados, carvão e petróleo em usinas de energia ou de fundição de cobre. Acredita-se que cerca de 80% do SO2 venha da queima incompleta de combustíveis fósseis. Na natureza, pode ser liberado para o ar a partir de erupções vulcânicas.
Ao ser oxidado na atmosfera, o gás se transforma em dióxido e trióxido de enxofre - que reage com a unidade do ar formando o ácido sulfúrico, o qual ainda pode reagir com a amônia do ar e formar sulfato de amônia.
Um estudo sobre SO2 aponta que ele permanece no ar em forma de gotículas (mais comum em ambientes fechados) ou retorna para a terra após processos de oxidação e reação, na forma de chuva ácida. Além disso, pode reagir com outros compostos na atmosfera, formando material particulado de diâmetro reduzido.
O dióxido de enxofre pode contribuir para o aquecimento do planeta e sua presença na chuva ácida é perigosa para vegetais e animais, além de corroer alguns materiais e afetar monumentos, construções, estátuas.
Segundo o mesmo estudo, a chuva ácida aumenta o pH dos lagos e reduz a concentração populacional de peixes. Nas plantas, vegetais e flores, compromete a produção e crescimento.
Efeitos na saúde
Por ser um gás altamente solúvel nas mucosas do trato aéreo superior, pode provocar irritação e aumento na produção de muco, desconforto na respiração e o agravamento de problemas respiratórios e cardiovasculares, tanto que é considerado um irritante primário. Esse agravamento de sintomas na saúde acarreta em internações hospitalares e prejuízos na saúde pública.
Qualidade do ar
Como um indicador da qualidade do ar, o dióxido de enxofre entra nos padrões de qualidade do ar nacionais aprovados pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). Em abril de 2013, foi publicado o Decreto nº 51113, que possui parâmetros da qualidade do ar mais rigorosos.
No caso do CO, o padrão estadual chega a 9 partes por milhão (ppm) para um tempo de amostragem de 8 horas. Quanto ao índice de qualidade do ar adotado pela Companhia de de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a qualificação do CO no ar, para 24 horas de amostragem é:
• Qualidade boa: 0 a 20 microgramas/m³;
• Qualidade moderada: 20 a 40 microgramas/m³;
• Qualidade ruim: 40 a 365 microgramas/m³;
• Qualidade muito ruim: 365 a 800 microgramas/m³;
• Qualidade péssima: mais que 800 microgramas/m³.
É importante ficarmos de olho nesse índice de qualidade do ar, principalmente no inverno e se temos crianças, pessoas idosas ou com problemas cardíacos em casa, pois um alto índice de CO no ar pode ser mais prejudicial para esses grupos de pessoas.
Atualmente, já existe no mercado um diesel que é menos poluente e contém menor teor de enxofre, sendo menos danoso tanto para o ar e para o próprio motor dos automóveis (saiba mais aqui).
Uma dica para assegurarmos a boa qualidade do ar em nossa casa, já que vimos nessa matéria que ele pode se concentrar em ambientes internos, como gotículas no ar, é a utilização de plantas purificadoras, mas qualquer tipo de planta tem o poder de absorver o SO2.