O atentado de Sarajevo, pretexto para reescrever a história
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Segundo uma análise cada vez mais difundida, o assassinato do herdeiro do Império Austro-Húngaro provocou a Primeira Guerra Mundial. Ao conferir um lugar central à política sérvia no início do conflito, essa leitura ajuda a criar a imagem sóbria dos Bálcãs e oculta as causas reais da carnificina de 18 milhões de mortos
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| por Jean-Arnault Dérens |
A sorte da Europa foi lançada em Sarajevo no dia 28 de junho de 1914? Nessa data, um jovem nacionalista “iugoslavo”, Gavrilo Princip, membro da organização secreta Jovem Bósnia, manipulada por certas facções do serviço secreto do reino da Sérvia, assassinou o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro da coroa do Império Austro-Húngaro, e sua esposa, a condessa Sofia Chotek.
A memória desse gesto mortal se manteve viva durante todo o século XX em diversas interpretações contraditórias. Em 1941, quando acabavam de penetrar em Sarajevo, oficiais nazistas arrancaram a placa comemorativa que havia no local do drama e a ofereceram a Hitler na ocasião de seu aniversário. Após a Libertação, sob a Iugoslávia socialista, uma nova placa foi instalada no mesmo lugar, com a pegada de Gavrilo Princip gravada no concreto. A Iugoslávia socialista considerava o jovem revolucionário – morto de tuberculose na prisão em 1918 – um “herói” e um “libertador”. No próximo dia 28 de junho, a prefeitura de Sarajevo planeja erigir um novo monumento à memória do arquiduque assassinado e inaugurar um busto de Gavrilo Princip em Belgrado, no Parque Kalemegdan.
Qual importância é conveniente conferir a seu gesto mortal? Em seu best-seller internacional, Les somnambules,1 o historiador britânico Christopher Clark propõe uma releitura das causas da guerra que, segundo ele, não era inevitável. O atentado de Sarajevo não teria servido apenas de pretexto para o Império Austro-Húngaro declarar, em 28 de julho, guerra contra a Sérvia – cujo jogo de alianças teria culminado no primeiro conflito mundial; teria desempenhado também o papel de disparador da guerra.
Reavaliar dessa forma a importância do atentado de Sarajevo conduziu o historiador a conferir uma responsabilidade central à política sérvia nos acontecimentos que precipitaram a Europa para a guerra. A questão de uma eventual unificação dos povos eslavos do sul – “iugo” significa sul – agitava os Bálcãs naquele momento, assim como as possessões territoriais austro-húngaras. A tutela (1878) e, principalmente, a anexação (1908) da Bósnia-Herzegovina haviam deteriorado seriamente as relações entre Viena e Belgrado.
Vingança ideológica do Ocidente
A abordagem escolhida pelo historiador, contudo, leva-o a relativizar a importância dos interesses imperialistas das “grandes potências” nos Bálcãs, que não queriam dividir os restos do Império Otomano que agonizava. Em vez disso, Clark retoma longamente as circunstâncias trágicas do golpe de Estado de 1903, com a deposição da dinastia sérvia dos Obrenovic e a ascensão da dinastia dos Karadjordjevic. O massacre dos membros da família real deposta provaria uma verdadeira “barbárie” sérvia, além de uma tendência ao regicídio, que o atentado de Sarajevo viria a confirmar.
Os historiadores sérvios se defenderam ao denunciar o que qualificaram como “revisionismo histórico”. Alguns nacionalistas entenderam o recado como “vingança ideológica” do Ocidente, que ainda desejaria punir os sérvios pelas guerras dos anos 1990. Mas as críticas abundam amplamente nos setores nacionalistas. O escritor e jornalista bósnio Muharem Bazdulj também estigmatiza essas reescrituras da história ao denunciar a confusão voluntária que essa leitura histórica faz dos conceitos de “nacionalismo sérvio” e “aspiração iugoslava”.2 Segundo ele, a “reabilitação” do Império Austro-Húngaro teria como objetivo, por consequência, negar qualquer legitimidade à experiência iugoslava. No momento de comemoração de seu centenário, no dia 28 de junho próximo, o projeto “Sarajevo, coração da Europa”, financiado pela União Europeia, exalta o “modelo” da reconciliação franco-austríaca, silenciando a ambição iugoslava de vida comum.
A retirada de “pequenos detalhes”
Amplamente repercutida nos meios de comunicação, a visão de Clark conforta uma imagem “negra” dos Bálcãs. No início dos anos 1990, o jornalista Robert D. Kaplan havia publicado Balkan ghosts,3 que exerceu uma profunda influência sobre a percepção dos Bálcãs por parte dos norte-americanos. Aí já estava a sugestão de que as verdadeiras raízes da Primeira Guerra Mundial deveriam ser buscadas nessa região. A Segunda Guerra Mundial, por sua vez, teria sido apenas uma consequência da primeira, e aí residiria a causa de todos os problemas da Europa no século XX. Nessa linha de pensamento, a “matriz ideológica” tanto do fascismo como do comunismo poderia estar no nacionalismo sérvio e croata...
De acordo com a historiadora búlgara Maria Todorova, esse imaginário ocidental dos “Bálcãs selvagens”4 permite definir, por contraste, a “verdadeira” Europa: ocidental, moderna, civilizada. Contudo, foi nas trincheiras da guerra de 1914 que, pela primeira vez na história, os jovens croatas e os jovens sérvios receberam ordens de matarem-se entre si: os primeiros vestiam o uniforme austro-húngaro, enquanto o governo dos segundos era aliado da França e da Grã-Bretanha.
A inversão de valores é explícita em um texto do jornalista italiano Domenico Quirico: “Sarajevo é o coração das trevas, e há cem anos a consciência europeia agoniza nos escombros de seu universo. É preciso vir aqui, aos Bálcãs, para compreender os egoísmos irracionais que a assassinaram”.5 Se essas palavras possuem algum sentido, é preciso compreender que são as “trevas” de Sarajevo que obscurecem há um século a “consciência europeia”, e os “egoísmos irracionais” dos Bálcãs que “assassinaram” essa Europa. Retiram-se da leitura histórica, assim, “detalhes” pouco importantes como os choques imperialistas, o colonialismo, o fascismo, o nazismo. A fonte primeira de todos os males do século XX foi finalmente encontrada: é essa terra “ensopada de sangue” que constitui os Bálcãs.
Jean-Arnault Dérens redator-chefe do Courrier des Balkans.
1 Christopher Clark, Les somnambules. Été 1914: comment l’Europe a marché vers la guerre[Os sonâmbulos. Verão de 1914: como a Europa caminhou em direção à guerra], Paris, Flammarion, 2013.
2 Ler Muharem Bazdulj, “Attentat de Sarajevo: Gavrilo Princip, Hitler et l’idée yougoslave. Entretien avec Vuk Mijatović” [Atentado de Sarajevo: Gavrilo Princip, Hitler e a ideia iugoslava. Entrevista com Vuk Mijatović], Le Courrier des Balkans, 25 nov. 2013.
3 Robert D. Kaplan, Balkan ghosts: a journey through history [Fantasmas dos Bálcãs: uma jornada pela história], Picador, Nova York, 2005.
4 Maria Todorova, Imaginaire des Balkans [Imaginário dos Bálcãs], Paris, Éditions de l’Ehess, 2011.
5 Domenico Quirico, “À Sarajevo, la conscience de l’Europe râle sous les décombres” [Em Sarajevo, a consciência europeia agoniza em seus escombros], La Stampa/Le Monde, suplemento Europa, 16 jan. 2014.
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sexta-feira, 11 de julho de 2014
O atentado de Sarajevo, pretexto para reescrever a história
quinta-feira, 29 de maio de 2014
1987: ALEMÃO OCIDENTAL ATERRISSA NA PRAÇA VERMELHA
1987: ALEMÃO OCIDENTAL ATERRISSA NA PRAÇA VERMELHA
No dia 28 de maio de 1987, o piloto amador alemão Mathias Rust, de 19 anos, driblou os esquemas de segurança dos países da Cortina de Ferro e aterrissou em plena Praça Vermelha, na capital soviética.
Após atravessar a Escócia, as ilhas Shetland, as ilhas Faroe, Reiquiavique (Islândia), Bergen (Noruega), Helsinque (Finlândia) e sobrevoar três vezes a Praça Vermelha, em Moscou, um pequeno avião aterrissou a 30 metros da Muralha do Kremlin. Do seu interior, desceu um rapaz de 1,86m de altura, usando um blusão vermelho e óculos escuros.
O avião era um pequeno Cessna 172 e o piloto chamava-se Mathias Rust, programador de computadores de 19 anos de idade, natural da cidade de Wesel, perto de Hamburgo. A julgar pelos 900 quilômetros percorridos em território soviético, sem ser contido, e descendo a poucos passos do gabinete de Gorbatchov, ninguém teve dúvidas de que a ousada façanha foi muito bem planejada. Detido imediatamente, foi mais tarde julgado e condenado a quatro anos de prisão.
Mais de 300 pessoas estavam na Praça Vermelha quando o avião desceu, às 19h30min (horário local). Ninguém podia acreditar no que estava vendo. Mathias desceu, disse ser alemão, mas que vinha de Helsinque, e começou a assinar autógrafos. Os guardas do Kremlin só intervieram mais tarde.
Os oficiais chegaram em limusines pretas. Vários caminhões cercaram o local, a identificação da aeronave foi apagada com tinta e o piloto, preso. Ao mesmo tempo, a opinião pública mundial se surpreendia com a ousadia do jovem, que em plena Guerra Fria havia desafiado o poderio soviético. Mais ainda, questionava-se por que seu voo não havia sido interceptado.
Graves falhas na segurança
Como motivo, em princípio, Rust alegou querer impressionar uma garota. Mais tarde, ao prestar depoimento, alegou que "veio à União Soviética numa missão de paz, para conversar com Mikhail Gorbatchov".
O presidente soviético aproveitou o pretexto das falhas na segurança e afastou seu ministro da Defesa e alguns generais do alto comando militar. No dia 3 de setembro de 1987, Mathias Rust foi julgado por um tribunal soviético e condenado a quatro anos de trabalhos forçados.
Após grandes esforços diplomáticos, o rapaz acabou sendo libertado 14 meses mais tarde e deportado para a Alemanha. De volta ao seu país, não passaram de ameaças as intenções das autoridades locais de julgá-lo por ter ameaçado o espaço aéreo. A família, por seu lado, enriqueceu com a venda da história a uma revista alemã.
Dois anos mais tarde, Mathias Rust voltou às manchetes. Em novembro de 1989, ele atacou com uma faca uma estudante de enfermagem, porque ela não queria beijá-lo. Durante o julgamento, os psicólogos concluíram que Rust possuía uma personalidade complexa, incapaz de aceitar uma rejeição. Para ele, a aterrissagem em Moscou teria sido o maior êxito de sua vida. Rust acabou condenado a dois anos e meio de prisão.
Libertado em 1994, retornou no ano seguinte a Moscou para visitar um centro de crianças. Depois de trabalhar dois anos na capital russa como vendedor de sapatos, voltou à Alemanha, enfrentando graves problemas financeiros. Em 2001, esteve mais uma vez no banco dos réus. Aos 33 anos de idade, Mathias foi condenado em Hamburgo a pagar multa de 10 mil marcos por ter roubado um blusão de caxemira numa loja de departamentos. Ele recorreu da sentença, e no final teve de pagar 600 marcos de multa.
terça-feira, 27 de maio de 2014
Como os capitalistas financiaram o nazismo de Hitler e o fascismo de Mussolini
Como os capitalistas financiaram o nazismo de Hitler e o fascismo de Mussolini
Quem fornecia o pesticida Zyklon-B (cianeto de hidrogênio) colocado nas chamadas “câmaras de gás” utilizadas pelos nazistas para exterminar milhões de judeus? A empresa alemã IG Farben, antecessora da mesma Bayer que continua a fornecer inseticidas mundo afora.
A ignorância em torno do socialismo não resiste a cinco minutos de pesquisa no Google. A mais recorrente mentira que a direita tenta espalhar e que encontra receptividade em jovens sem leitura, desconhecedores da história e que se contentam com meia dúzia de frases nas redes sociais, é que o sanguinário Adolf Hitler foi um socialista. Isto baseado na “genial” sacada de que o nome do partido dele era Partido Nacional Socialista. Certamente devem achar que a Coréia do Norte é democrática e popular, já que se chama República Democrática Popular da Coréia. Ou talvez o PSB brasileiro seja socialista, né?
Vários esquerdistas na rede perderam algum tempo desmentindo a idiotice. Os melhores links, em minha opinião, estão no artigo Detonando a Mentira de que os Nazistas eram de Esquerda (em inglês), onde o blogueiro e tuiteiro Shoqescancara o total nonsense desta história. Mas o cineasta independente grego Aris Chatzistefanou foi além e praticamente desenhou para quem se recusa a pesquisar ou pelo menos usar a lógica. A ascensão do nazismo de Adolf Hitler na Alemanha e do fascismo de Benito Mussolini na Itália durante os anos 1920, 1930 e 1940 só foi possível com a colaboração e o suporte financeiro de grandes corporações ainda hoje poderosas: BMW, Fiat, IG Farben (Bayer), Volkswagen, Siemens, IBM, Chase Bank, Allianz… Sem contar, é claro, com os grupos de mídia.
O filme Fascismo Inc. é o terceiro feito por Chatzistefanou para mostrar as origens da crise econômica na Europa e na Grécia em particular. São imperdíveis também os primeiros da série: Dividocracia e Catastroika, que denunciam a bolha imobiliária e depois a “ajuda” do FMI (Fundo Monetário Internacional), fiel à sua velha cartilha de socorrer os ricos em detrimento dos pobres. Em Fascismo Inc., o cineasta esmiúça a estreita colaboração de industriais e banqueiros com os nazistas para perseguir e destruir o sindicalismo e os socialistas, a quem chamavam de “terroristas” (qualquer coincidência com o Brasil de hoje será mera semelhança). Detalhe: Hitler extinguiu o Partido Comunista alemão um dia depois de tomar posse.
O documentário relata inclusive como a perseguição aos judeus não foi apenas uma questão racial, mas também tinha interesses econômicos. Como os judeus integravam uma poderosa classe média na Alemanha de então, os nazis se utilizaram do racismo para fazê-los bode expiatório da crise, acusando-os de “roubar os empregos” dos alemães –não por acaso, o mesmo discurso que a direita utiliza atualmente em relação aos imigrantes na Europa. O fascismo de Benito Mussolini não foi, ao contrário do que os ditadores pregavam, um movimento de massas: o rei Emanuel III entregou o poder a Mussolini porque era o que queriam as indústrias do Norte da Itália. Para confrontar as massas de esquerda, era preciso criar um movimento de massas de direita. Que melhores líderes para isso do que o psico Adolf e o fanfarrão Benito?
O filme mostra ainda como, no tribunal de Nuremberg, as empresas envolvidas com o nazismo foram submetidas a uma pantomima de condenação. Enquanto os oficiais nazis foram enforcados, quem entrou com o dinheiro para financiar a empreitada foi solto anos depois –os diretores da IG Farben (Bayer), que fornecia os químicos para matar gente, foram condenados a no máximo 8 anos.
Mas o pior são os sinais que Chatzistefanou está vendo, na sociedade grega, de recrudescimento deste nazi-fascismo financiado pela grana: os partidos neonazis gregos são apoiados por parte da elite econômica e dos grupos de mídia (olha eles aí de novo) do país. E o cineasta está convencido de que é uma tendência que pode se espalhar como consequência da crise. “Nosso lema é: ‘o que acontece na Grécia nunca fica na Grécia. Temo que este crescimento da extrema-direita e movimentos neo-nazistas que estamos vendo nos últimos anos na Grécia apareçam em outros países da Europa onde a austeridade foi imposta do mesmo jeito” (leia mais aqui).
Muita gente usa a tirania do ditador soviético Josef Stalin para atacar a esquerda. Stalin (cujo exército, por sinal, derrotou os nazistas) é acusado da morte de milhões, mas o socialismo foi uma de suas vítimas. Hitler também matou milhões, mas o capitalismo não sofreu sob o nazismo ou o fascismo. Pelo contrário: foi seu financiador.
Assistam o filme, é muito bom. Legendas em português.
UPDATE:
Como nossos amigos reaças ficam me mandando “discursos” de Hitler, vou colocar algumas frases da autobiografia dele, Minha Luta (Mein Kampf) para ver se eles caem na real. Sei que será difícil, mas… Não custa tentar.
Com vocês, Hitler:
“A cor vermelha de nossos cartazes foi por nós escolhida, após reflexão exata e profunda, com o fito de excitar a Esquerda, de revoltá-la e induzi-la a freqüentar nossas assembléias; isso tudo nem que fosse só para nos permitir entrar em contato e falar com essa gente.”
“Como não tinham logrado perturbar a calma das companhias, mediante gritarias e aclamações ofensivas, os representantes do verdadeiro socialismo, da igualdade e da fraternidade, começavam a jogar pedras. Com isso foi esgotada a nossa paciência, e, em conseqüência, distribuímos pancadas à esquerda e à direita, durante dez minutos. Um quarto de hora mais tarde, não havia mais um vermelho nas ruas.”
“Nos anos de 1913 e 1914 manifestei a opinião, em vários círculos, que, em parte, hoje estão filiados ao movimento nacional-socialista, de que o problema futuro da nação alemã devia ser o aniquilamento do marxismo.”
“Nesse tempo, abriram-se-me os olhos para dois perigos que eu mal conhecia pelos nomes e que, de nenhum modo, se me apresentavam nitidamente na sua horrível significação para a existência do povo germânico: marxismo e judaísmo.”
“Só o conhecimento dos judeus ofereceu-me a chave para a compreensão dos propósitos íntimos e, por isso, reais da social-democracia. Quem conhece este povo vê cair-se-lhe dos olhos o véu que impedia descobrir as concepções falsas sobre a finalidade e o sentido deste partido e, do nevoeiro do palavreado de sua propaganda, de dentes arreganhados, vê aparecer a caricatura do marxismo.”
“Se o judeu, com o auxilio do seu credo marxista, conquistar as nações do mundo, a sua coroa de vitórias será a coroa mortuária da raça humana e, então, o planeta vazio de homens, mais uma vez, como há milhões de anos, errará pelo éter.”
“No meu íntimo eu estava descontente com a política externa da Alemanha, o que revelava ao pequeno circulo que meus conhecidos, bem como com a maneira extremamente leviana, como me parecia, de tratar-se o problema mais importante que havia na Alemanha daquela época – o marxismo. Realmente, eu não podia compreender como se vacilava cegamente ante um perigo cujos efeitos – tendo-se em vista a intenção do marxismo tinham de ser um dia terríveis.”
FIM
Publicado em 23 de maio de 2014
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
‘O que aconteceu pode se repetir’, diz chefe da ONU no aniversário da libertação de Auschwitz
‘O que aconteceu pode se repetir’, diz chefe da ONU no aniversário da libertação de Auschwitz
27 de janeiro de 2014
A chefe do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, alertou em sua mensagem para o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto para os perigos da discriminação racial, afirmando que o Holocausto é um forte lembrete da discriminação e intolerância, e de quão poderoso e mortal o incitamento ao ódio racial pode ser.
“Hoje, nós honramos a memória das milhões de pessoas – homens, mulheres e crianças – brutalmente assassinadas há sete décadas pelo simples fato de serem judeus, ciganos, eslavos ou homossexuais, porque eles tinham deficiência, eram testemunhas de Jeová ou adversários políticos.”
Pillay lembrou que todo ano, em 27 de janeiro, “nós reservamos um momento para lembrar das vítimas do Holocausto e refletir sobre como ele surgiu e como o mundo como um todo falhou para impedi-lo”, ressaltado que este genocídio deve “tornar-nos mais conscientes da importância de reagir rapidamente e com firmeza a manifestações de discriminação, hostilidade ou violência contra indivíduos e comunidades inteiras, onde quer que ocorram”.
Em artigo na imprensa brasileira nesta segunda-feira (27), o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a lembrança deste dia – aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz – acontece em um momento no qual há “alertas para os perigos do esquecimento”.
“Neste ano, assinalam-se duas décadas desde o genocídio em Ruanda. Conflitos na Síria, Sudão do Sul e República Centro-Africana assumiram uma dimensão perigosa. O fanatismo ainda percorre nossas sociedades. O mundo pode e deve fazer mais para eliminar o veneno que levou aos campos de concentração”, disse Ban.
“Não podemos construir o futuro sem lembrar o passado. O que aconteceu pode se repetir. Combater o ódio está entre as principais missões da ONU. Nossos mecanismos trabalham para proteger as pessoas. Nossos tribunais esforçam-se para combater fazer justiça. Nossos especialistas escrutinam o mundo para detectar indícios de crimes atrozes”, completou.
“Temos que permanecer vigilantes contra a intolerância, ideologias extremistas, tensões comunais e discriminação contra minoras. Temos que ensinar bem nossas crianças”, disse Ban na sua mensagem especial para a data.
O chefe da ONU visitou a região em novembro de 2013 e falou sobre o tema, em sua mensagem: “Estando ao lado do crematório de Auschwitz, me senti profundamente triste por tudo aquilo que aconteceu ali. No entanto, também me senti inspirado por todos aqueles que libertaram os campos de extermínio para a humanidade. Vamos juntar forças hoje numa jornada comum por um mundo de igualdade e dignidade para todos.”
TV Brasil exibiu documentário sobre o tema
A TV Brasil exibiu no domingo (26) filme inédito para marcar a data.
“A Trajetória do Genocídio Nazista”, uma produção do Museu Estadunidense Memória do Holocausto com imagens raras sobre o período, mostra a ascensão e a consolidação dos nazistas na Alemanha que levaram a uma guerra mundial e ao assassinato de milhões de pessoas.
O Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) traduziu e legendou a obra para o português.
Sobrevivente de Auschwitz lembra história de dor e sofrimento
“Todos os anos, no aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz, relembramos as vítimas do Holocausto. Recordamos o sofrimento de milhões de pessoas inocentes, e realçamos os perigos do anti-semitismo e ódio de qualquer espécie”, afirmou Ban Ki-moon.
Com este vídeo, a ONU marca o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Gilbert Schie relembra memórias do trajeto feito durante este período obscuro, da deportação à prisão até a liberdade. Uma história de dor e sofrimento, mas também de triunfo e de renovação, servindo como força de orientação para as futuras gerações.
O projeto do fotógrafo Yann Arthus-Bertrand “7 Bilhões de Outros” começou em 2003, consistindo em cerca de 6 mil entrevistas filmadas em mais de 84 países, de forma a criar um retrato da humanidade e demonstrar o que nos une – e o que nos diferencia.
O Centro Regional de Informação das Nações Unidas (UNRIC) para a Europa Ocidental e a Fundação Good Planet, por meio da equipe do “7 Bilhões de Outros”, juntaram-se para lançar os vídeos no maior número de línguas possível. Outros detalhes em www.unric.org/pt
Sobre o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto
Rejeitando qualquer negação do Holocausto como um acontecimento histórico, na íntegra ou em parte, a Assembleia Geral da ONU adotou por consenso, em 2005, a resolução A/RES/60/7, na qual condena “sem reservas” todas as manifestações de intolerância religiosa, incitação, assédio ou violência contra pessoas e comunidades com base na origem étnica ou crença religiosa, onde quer que ocorram.
Este mesmo documento pede à ONU que designe o dia 27 de janeiro – aniversário da libertação do campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau – como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, e solicita aos Estados-membros que desenvolvam programas educacionais para que a tragédia não seja esquecida pelas gerações futuras com o objetivo de evitar que atos de genocídios voltem a acontecer.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
FILME: A Rota do Escravo - A Alma da Resistência
FILME: A Rota do Escravo - A Alma da Resistência
No filme "A Rota do Escravo - A Alma da Resistência", a história do comércio de seres humanos é contada através das vozes de escravos, mas também dos mestres e comerciantes de escravos.
Cada um conta sua experiência: da deportação de homens e mulheres para as plantações até o cotidiano do trabalho e os movimentos de abolição.
Produzido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), traduzido e dublado pelo Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).
1788: Austrália torna-se colônia
1788: Austrália torna-se colônia
Em 26 de janeiro de 1788, os britânicos começaram a construir uma colônia penal onde hoje fica a cidade de Sydney. Detentos deportados para lá foram os primeiros colonos do território, até então habitado por aborígines.
Cada povo tem seus mitos; cada país, sua história. Quase sempre um acontecimento marcante é coroado com a determinação de um dia nacional. A Austrália tem dois destes feriados: um é o 1º de janeiro, Dia da Unidade, quando se tornou Comunidade da Austrália; o outro marca a chegada não de heróis, mas de criminosos deportados pela Inglaterra.
Em 1770, o explorador inglês James Cook havia desembarcado na ilha habitada por aborígenes. Em janeiro de 1788, aportaram vários navios na costa sudeste da Austrália, comandados pelo inglês Arthur Phillip, levando 759 criminosos ingleses. Antes, os condenados eram levados para as colônias na América, mas os Estados Unidos haviam proclamado sua independência.
Problemas
No dia do desembarque de Phillip, o local da chegada foi batizado de Sydney, em homenagem ao então ministro britânico do Interior.
Desde o começo, a nova colônia enfrentou uma série de problemas. Como um pequeno grupo de fuzileiros navais poderia controlar tantos que cumpriam pena naquela imensidão territorial? Até 1852, seu número deveria atingir mais de 150 mil.
Em segundo lugar, como garantir a soberania e explorar um território do tamanho da Austrália, hoje um dos maiores países do mundo, em extensão?
Quanto aos nativos, durante 200 anos os britânicos ignoraram a existência de aborígenes. Seu grande momento chegou com os Jogos Olímpicos de 2000. Não só pela linda abertura com Cathy Freeman ou sua conquista da medalha de ouro, mas também pelas ameaças dos nativos de prejudicar as competições.
Durante muito tempo, os aborígenes não tinham direitos e estavam sujeitos a discriminação e maus-tratos dos colonizadores. Só em 1967, depois de um plebiscito, eles receberam direitos civis.
- Autoria Werner Köhne (rw)
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Oásis medieval, Monte Saint-Michel é resumo da história da civilização francesa
Oásis medieval, Monte Saint-Michel é resumo da história da civilização francesa
Seja turismo de religião, histórico ou de aventura, visitantes podem usufruir de todo tipo de experiência
Vista do Monte Saint-Michel pelo rio Couesnon. Local é um dos maiores tesouros históricos da França
Conhecido como um dos pontos turísticos mais antigos e belos da França, o Monte Saint-Michel impressiona pela imponência. Visto de longe, sua presença se torna mais evidente pelo aspecto insular, isolado do continente pelas águas da baía de Saint-Michel – ou pela areia, quando a maré está baixa –, como um verdadeiro oásis medieval parado no tempo em meio à paisagem rural.
Essa pequena ilhota composta por um penedo de 80 metros de altura, localizada na fronteira entre a Normandia e a Bretanha, bem na foz do rio Couesnon, é a cidade francesa com o maior número de monumentos históricos por habitante na França (61 para uma população de apenas 42 pessoas), enquanto recebe cerca de três milhões de visitantes por ano.
Wikimedia Commons
Viajantes chegam caminhando à noite no Monte Saint-Michel: travessia sem guias é muito perigosa e não se recomenda
Antigo local de peregrinação, o Monte, construído originalmente para ser um santuário, tem atrações para todos os gostos, sendo a abadia, situada no topo, a personagem principal. Foi a partir e por causa dela, primeira construção no local, que todos os outros edifícios do monte foram erguidos.
Além das demais igrejas e sítios religiosos, o Monte Saint-Michel conta também com museus bem estruturados, restaurantes, jardins, antigas masmorras, além de paisagens naturais impressionantes.
Wikimedia Commons
A abadia de Saint-Michel, ponto central da atração turística
Travessia
O turismo de aventura é uma das experiências turísticas mais inusitadas e recomendáveis para quem quiser conhecer esse patrimônio milenar. As agências locais oferecem um sem número de opções de travessias a pé partindo de regiões próximas ou bem afastadas do monte e chegando ao local pela baía quando ela se encontra em maré baixa. Os passeios podem ser realizados de dia ou de noite e podem durar de duas até 15 horas.
Patrícia São Miguel/Opera Mundi
Turistas deixando o monte a pé: salvo nos meses mais frios, o ideal é fazer a travessia descalço
No passado, a travessia a pé ou a cavalo pela baía provocou inúmeras vítimas fatais, já que a maré sobe muito rapidamente, pegando desprevenidos os viajantes desinformados e mais otimistas que imaginavam que iriam conseguir percorrer a travessia antes de a água voltar – as ondas podem chegar a atingir 14 metros. O grande número de mortes por esse fenômeno gerou muitas lendas e histórias fantásticas no decorrer dos anos – um dos apelidos do monte é “São Michel ao perigo do mar”.
Por ser um percurso perigoso e traiçoeiro, ele só deve ser feito com acompanhamento profissional. Toda caminhada é realizada em equipes, comandadas por guias experientes que conhecem os pontos mais perigosos e os horários das marés, além de conhecerem a história da região. As travessias podem ser só de ida ou ida e volta. Como equipamento básico e vestimentas, bermudas e pés descalços – os calçados ficam na mochila para serem usados só quando se chegar ao monte. Além, é claro, de protetores solares e bonés e um casaco de nylon, por segurança.
Patrícia São Miguel/Opera Mundi
Escultura em homenagem aos mortos por afogamento na baía no Museu Histórico de Saint-Michel
As travessias a pé podem ser realizadas durante o ano todo, mas não se recomenda fazê-las nos meses mais frios [de novembro a março], pois as temperaturas são muito extremas. Nessa época, recomenda-se o uso de botas de borrachas, além de mais roupas de frio.
Há um grande temor, por parte da comunidade local e do próprio governo francês que, em um futuro a curto prazo, por volta de 2025, o Monte Saint Michel perca sua principal característica: seu aspecto insular. Isso porque ano a ano a vegetação continental se aproxima cada vez mais do monte, em razão das mudanças climáticas e, principalmente, do acúmulo de terra e areia transportado pela maré.
Wikimedia Commons (2004)
Vista aérea do Monte Saint-Michel onde se observa a proximidade cada vez maior da vegetação
Para evitar isso, através de financiamento público de várias esferas e com a ajuda de sindicatos, foi construída uma nova e moderna barragem no rio Couesnon, como parte do “projeto de restabelecimento do aspecto marítimo do Monte São Michel”. O objetivo da construção é evitar a chegada de novos sedimentos através da foz do rio, que vão se acumulando com a areia e o lodo e virando pasto para as ovelhas. No entanto, mesmo com 40 milhões de euros gastos, ainda é cedo para saber se o projeto, que se concluirá em 2015, dará certo.
Desde 2012, os estacionamentos estão localizados há aproximadamente 2,5 km do monte São Michel (preço a 8,5 euros por dia). Para facilitar o acesso, o restante do caminho é feito por ônibus ou charretes. No estacionamento antigo, que ficava no pé do monte, era comum ver automóveis desgarrados serem tomados pelas ondas.
Vídeo de como se comporta a maré do lado do monte
História e curiosidades
O local era inicialmente habitado por ermitões cristãos que lá se instalavam para viver em solidão e pobreza – na época, o local era chamado de Monte Tombe (túmulo ou elevação). Diz a lenda que, no ano de 708, Aubert, o então bispo de Avranches, cidade muito próxima, recebe três aparições do Arcanjo São Miguel em seus sonhos, ordenando-o que consagrasse o monte ao seu culto – teria sido preciso que o anjo furasse o crânio de Aubert com o dedo para que ele passasse a acreditar em suas visões. No ano seguinte, a abadia já estava consagrada, dando origem às demais construções, passando a atrair peregrinos, e desde o século XIX, turistas de todos os cantos.
O local sobrevive às invasões dos normandos na atual região francesa hoje conhecida como Normandia – o rei da França transforma um dos líderes, Rollon, em Duque da Normandia, repassando-lhe autonomia, com a condição de que ele se convertesse ao Cristianismo e prometesse proteger a região de ataques estrangeiros. Com o tempo, é preciso expandir a abadia e construir novos edifícios, já que era cada vez maior a presença de monges, especialmente beneditinos. A Notre-Dame-sous-Terre e a capela de Saint-Martin são construídas no auge das novas técnicas que passam a reger a arquitetura românica.
Patricia São Miguel - Opera Mundi
No século XIII, na tomada da Normandia pela França, o monte, que já chamava a atenção pela beleza arquitetônica e tinha alto conceito como sítio religioso, é sitiado e parcialmente incendiado.
Para receber o perdão e ganhar a simpatia dos religiosos do monte para a causa francesa, o rei Felipe II envia grandes quantidades de ouro para pagar a reconstrução, quando é marcada a influência da arquitetura gótica.
[Arcanjo São Miguel, a quem é atribuída a ordem divina para a construção do monte]
O local pode se orgulhar de, apesar de ter sido sitiado várias vezes, nunca ter sido conquistado por uma força estrangeira. Na Guerra dos Cem Anos, a Normandia cai nas mãos dos ingleses. Em 1415, o abade do monte, Robert Jolivet, aceita se juntar aos ingleses, mas os demais monges se rebelam e o acusam de traição. Muitos cavaleiros, expropriados, para lá fugiram em refúgio.
Nove anos depois, o local resistia, mas em condições críticas, pois estava cercado sem condições de reabastecer-se. Por sorte, uma vitória de bretões em Saint Malô dispersa os navios ingleses e o aprovisionamento do monte se torna possível pelo mar.
Essa vitória de resistência repercute e dá moral à tropas francesas. O culto a São Miguel cresce em novas proporções, até a hora em que ele teria aparecido para Joana D’Arc como “protetor da França”, prometendo guiá-la “em defesa do rei”. Após o fim da guerra, o monte foi cercado por muralhas e altas torres para protegê-lo de ataques, tornando-se também uma fortaleza.
Durante o século XVI, as guerras de religião tornaram o Monte um dos principais alvos do combates. Os protestantes tentaram apoderar-se da Igreja Católica por duas ocasiões. Os monges foram expulsos durante a Revolução Francesa, e a abadia torna-se uma prisão e local de tortura, fase que duraria até o período do Segundo Império (1852-1870). Quatro anos depois que o Monte finalmente se tornará monumento histórico, passando por restauros e recuperando seu esplendor. Em 1979, tornou-se Patrimônio Mundial da Unesco (União das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura).
Outras atrações
Os restaurantes oferecem preços um pouco acima da média, mas de alta qualidade e sem economizar na fartura dos pratos. A refeição-símbolo do Monte Saint Michel é o omelete do La Mère Poulard, um dos hotéis mais próximos à entrada principal, aberto desde 1888. A omelete, que era tradicionalmente servida pela antiga proprietária do agora hotel principal da ilhota, se tornou o prato símbolo do monte.
Patrícia São Miguel/Opera Mundi
O Monte possui quatro museus principais: o museu histórico, o mais completo, com coleções de armas, objetos e instrumentos de tortura, contando os relatos das masmorras, a trajetória dos principais monges e personagens do local. Parte das histórias são contadas com bonecos de cera; o “Archéoscope”, espetáculo multimídia que conta como o Monte se desenvolveu para virar o que é hoje; o Logis Tiphaine, uma casa do século XV dedicado à cavalaria e à astrologia; e o museu do Mar e da Ecologia, que conta a história da baía, do ecossistema local, da marinha normanda e bretã e do esforço para manter o aspecto insular do monte. Todos os quatro terminam em lojinhas de souvenires.
[Rua principal do Monte Saint-Michel, com comércio ativo de souvenires, lembrando uma Disney do passado]
Para quem vai visitar o monte de maio a setembro, período da alta estação turística, são organizados uma série de concertos na abadia, em geral atrações da música sacra e concertos de órgãos.
Como chegar
Distante 360 km de Paris, a cidade mais próxima do monumento é Pontorson, a nove quilômetros, de onde saem viagens de ônibus ao monumento a cada 15 minutos. Para chegar, o carro continua sendo a opção mais econômica, com duração de quatro horas. Saindo da capital francesa, deve-se pegar a autoestrada A13, em direção a Rouen, até chegar e entrar na Nationale 175, em direção a Avranches. O tempo estimado é de quatro horas. Nesta última cidade também é possível chegar diretamente de trem.
Localização do Mont Sant Michel, na França:
domingo, 8 de dezembro de 2013
Criativa do professor deve ser destacada e enaltecida - Professor de História recria a 2ª Guerra Mundial no Facebook
Professor de História recria a 2ª Guerra Mundial no Facebook
- Paulo Alexandre Teixeira inventou perfis dos países e personagens envolvidos no conflito e fez sucesso nas redes sociais
- Personagens como Hitler, Churchil e Stalin usam gírias cariocas em posts e comentários sobre desdobramentos do conflito
Publicado:
Paulo Alexandre simulou episódios da Segunda Guerra no Facebook Reprodução
RIO - E se o conflito da Segunda Guerra Mundial não passasse de mais um "barraco" no Facebook? Como a Alemanha, por exemplo, discutiria com a União Soviética e chamaria o Reino Unido para a briga?
"Sarre, Renânia, Áustria e Tchecoslováquia tamo junto na parada. É nois!!! III Reich comanda!!! Hehehehehe...", comenta o perfil da Alemanha em sua timeline em 1939, no que é curtida pela Itália facista. Logo abaixo no post alemão, o Reino Unido comenta:
"Se liga aí, porque a potência maioral da Europa sou eu. Tô de olho nessa onda de vocês, mas se vocês pensam que vou me estressar estão muito enganados! Tô de boa aqui!"
É desse modo, usando gírias bem cariocas, que o professor de História Paulo Alexandre Filho começa a contar os capítulos da Segunda Guerra como se eles fossem posts publicados no Facebook. Docente da rede estadual de educação de Pernambuco, Paulo simplesmente recriou passo a passo todos os episódios do confronto, desde 1939, quando a Alemanha começa sua política expansionista na Europa, até 1945, quando os Estados Unidos lançam duas bombas nucleares sobre o Japão e encerram a maior guerra da História.
Para o Pacto Nazi-Soviético de 1939, por exemplo, Paulo simula a situação onde a Alemanha publica no mural da União Soviética a seguinte pergunta: "Que tal dividirmos a Polônia?". Os comunistas não pensam duas vezes, curtem o post e ainda comentam abaixo: "Combinado. Se os ingleses acharem ruim, entramos em guerra com eles. Tô afim de uma briga!".
Alguns posts abaixo, o leitor se depara com outro episódio crucial do conflito, com a Alemanha postando no próprio mural: "Invadimos a URSS. Chupa, Stalin666!". O post fictício representa a Operação Barbarossa e é curtido por Bulgária, Itália e Japão, não por acaso aliado dos alemães no confronto.
Já para simular a invasão dos EUA à França ocupada pelos alemães, na Normandia, Paulo exibe o suposto perfil de Dwight Eisenhower, então comandante das forças aliadas, criando um evento chamado "O Dia D - Festa na Praia". EUA, Reino Unido, URSS e mais 32 países curtiram o evento, criado em 1944.
E como o Brasil entra na Segunda Guerra? "EUA adicionou Brasil no grupo 'Os Aliados'".
- Humor sempre fez parte de meu trabalho. Minhas aulas costumam envolver algum tipo de interpretação, de brincadeira orquestrada para chamar a atenção e facilitar a interação com os alunos - explica o professor.
A criatividade de Paulo já lhe rendeu convites para escrever livros de História apenas neste formato de Facebook, mas por falta de tempo, o professor teve de declinar da oferta. Ele conta que recriar toda a Segunda Guerra em Facebook não lhe tomou muito tempo. Na verdade, o trabalho foi feito numa tarde, 1 de janeiro do ano passado, "um dia geralmente lento e sem opções de distrações", segundo ele. O docente mostrou aos alunos sua invenção, e o sucesso foi tamanho que ele resolveu publicar em seu blog de História. Resultado, quase 600 comentários na página e mais de 12 mil de compartilhamentos nas redes sociais.
Veja aqui o blog do professor Paulo Alexandre Filho.
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