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sábado, 15 de março de 2014

Gorbachev pede que potências evitem nova "Guerra Fria" por causa de Crimeia

Gorbachev pede que potências evitem nova "Guerra Fria" por causa de Crimeia


O ex-presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, em carta divulgada nesta sexta-feira (14) pela imprensa russa pediu que as partes envolvidas no conflito da Ucrânia busquem "uma solução aceitável para todos os cidadãos russos e ucranianos que evite uma nova Guerra Fria".

O último dirigente da URSS, respeitado no Ocidente por ter iniciado o processo de abertura democrática na então superpotência comunista, ressaltou que as raízes da atual crise na autonomia ucraniana da Crimeia estão na "insensata e temerária desintegração" da União Soviética.

"Lutei com todos os meios políticos ao meu alcance para manter o Estado unido. Inclusive depois do complô dos dirigentes da Federação de Rússia, Ucrânia e Belarus [para liquidar a URSS], adverti dos graves perigos dessas ações", lamentou.

Para ele, assim foi criada a lacuna sobre o status da Crimeia, histórico território russo "dado" a Ucrânia em 1954, nos acordos de dezembro de 1991 entre os dirigentes de Rússia, Belarus e Ucrânia sobre a desintegração da URSS.


"O Soviete Supremo da Federação da Rússia [ainda integrada na URSS] 
aprovou com aplausos o desaparecimento da União sem dizer uma palavra 
sobre a Crimeia e Sebastopol", base da frota russa do mar Negro.

Nas últimas semanas, a Rússia intensificou suas manobras militares por todo 
o país, e principalmente nas regiões fronteiriças com a Ucrânia, em meio 
a uma escalada de tensão com esse país pela intervenção militar russa na 
república autônoma ucraniana da Crimeia.
Desde fim de fevereiro, as tropas russas tomaram o controle quase 
total do território, que se prepara para decidir em referendo, convocado 
para este domingo (16), se optará em permanecer na Ucrânia ou se 
integrar à Federação Russa.

Na península, banhada pelo mar Negro, a população é de 60% de russos, 
25% de ucranianos e 12% de tártaros.

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