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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

ONU exige clarificação sem pedir inquérito ao uso de armas químicas em Damasco

ONU exige clarificação sem pedir inquérito ao uso de armas químicas em Damasco












Ministro francês diz que é preciso "responder com força", se o Conselho de Segurança não chega a acordo, sem avançar pormenores
Manifestação à porta da ONU, em Nova Iorque, durante a reunião do Conselho de Segurança ADREES LATIF/REUTERS
Depois de o Conselho de Segurança da ONU ter apenas pedido “uma clarificação” sobre o que aparenta ter sido um ataque com armas químicas perto de Damasco, na Síria, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês declarou esta quinta-feira de manhã que a comunidade internacional precisa de responder com força se se provar que o Governo de Bashar al-Assad é o responsável pelo ataque com armas químicas contra civis.
França é um dos membros permanentes do Conselho de Segurança, com direito de veto – tal como a Rússia e a China, que se opuseram a uma declaração final que pedisse explicitamente uma investigação levada a cabo pelos inspectores de armas químicas da ONU que chegaram à Síria no fim-de-semana, como tinham pedido cerca de 35 países.
A Rússia e China, diz a agência Reuters, impuseram na reunião uma linguagem mais neutra. Aqueles dois países têm sido os principais apoiantes do regime de Damasco. Moscovo sugeriu mesmo que os ataques de quarta-feira poderiam ter sido levados a cabo pela oposição de Assad.
Hoje, em Paris, Laurent Fabius, numa entrevista à televisão BMF, não entrou em pormenores, mas repisou a posição francesa, que é reconhecidamente de maior apoio à oposição síria – mas com limites. “É preciso haver uma reacção com força da comunidade internacional na Síria, mas não estamos a falar de enviar tropas para o terreno”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros francês.
“Se o Conselho de Segurança não consegue tomar uma decisão, é preciso agir “outra forma”, declarou Fabius, sem elaborar mais.
Nesta quinta-feira, segundo as agências, os arredores de Damasco continuam a ser bombardeados pelas forças leais a Assad.

Segundo a oposição síria, os bombardeamentos de quarta-feira terão sido feitos com recurso a gás sarin e reclamaram 1360 vidas, incluindo muitas crianças. França e Reuno Unido foram os primeiros países a exigir que os enviados da ONU, que entraram no país há três dias, possam visitar as 11 localidades da região de Ghutta, nos arredores de Damasco. "Imediatamente", defendeu a Liga Árabe. "A confirmarem-se estas informações, é um crime aterrador", declarou por seu lado a chanceler alemã, Angela Merkel.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou-se "chocado" com o que o mundo viu através das fotografias divulgadas por agências e dos vídeos amadores publicados na Internet. "Há a necessidade de investigar isto o mais rapidamente possível; sejam quais forem as conclusões, isto representa uma grave escalada com pesadas consequências humanitárias", declarou o adjunto de Ban Ki-moon, Jan Eliasson, aos jornalistas à porta da reunião do Conselho de Segurança, segundo as informações divulgadas pelo site da ONU. O mesmo responsável frisou que não existia até à altura nenhuma confirmação do uso de armas químicas. Mas destacou que face ao que foi conhecido é preciso apurar a veracidade das alegações feitas pela oposição síria.
"Tem de se clarificar o que se passou e a situação tem de ser acompanhada de perto", decalrou por seu lado a embaixadora argentina, Maria Cristian Perceval, actual presidente do Conselho de Segurança. A mesma responsável sublinhou ainda que o conselho apoia a "firme intenção de Ban Ki-moon de pedir uma investigação completa e independente".
Damasco classificou os alegados ataques como "ilógicos e fabricados", tendo em conta que Assad permitiu, ao fim de quatro meses de negociações, a entrada de inspectores da ONU para investigarem a possível utilização de armas químicas em situações anteriores.
Há precisamente um ano, o presidente dos EUA, Barack Obama, havia declarado que um eventual uso de armas químicas por parte de Assad seria a "fronteira" de uma mudança de posição norte-americana em relação ao conflito em torno do poder na Síria.

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