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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Governo admite que já passa de 500 o número de mortos no Egito

Governo admite que já passa de 500 o número de mortos no Egito

Atualizado em  15 de agosto, 2013
Pelo menos 525 pessoas foram mortas durante as operações das forças de segurança do Egito para desmantelar dois acampamentos de apoiadores de Mohammed Morsi nesta quarta-feira.
Mas segundo a Irmandade Mulçumana, grupo político que apoia Morsi, esse número já passa de 2 mil.
Um toque de recolher foi imposto pelo governo depois do dia mais sangrento no Egito desde o movimento pró-democracia, há dois anos.
Segundo a repórter da BBC no Cairo, Bethany Bell, o sentimento entre os egípcios é de um futuro incerto.
Khaled Ezzelarab, também da BBC, disse ter visto pelo menos 140 corpos na mesquita de Eman, próxima ao local de um dos acampamentos.

Números diferentes

Segundo o governo interino, que é apoiado pelos militares, 137 pessoas foram mortas no entorno da mesquita, 57 na Praça Nahda e 29 em Helwan, no sul do Cairo. As outras 198 mortes ocorreram em outras províncias.
Pelo menos 43 policiais estão entre os mortos, e o número de feridos chega a 3.572.
Lixeiros foram vistos limpando os restos dos acampamentos, enquanto os soldados desmontavam andaimes.
Os manifestantes vinham exigindo a volta de Morsi ao poder - ele foi deposto pelos militares no dia 3 de julho, um ano após ter sido eleito democraticamente.
Segundo o editor da BBC Jeremy Bowen, a Irmandade Muçulmana deve continuar com seus protestos.
"Eles esperaram 80 anos para tomar o poder no Egito, e agora sentem que o poder foi retirado deles de forma injusta", avalia Bowen.
Em um discurso transmitido pela televisão, o primeiro-ministro interino do Egito, Hazem Beblawi, defendeu a operação, e afirmou que as autoridades precisaram restabelecer a segurança.
Expressando pesar pelas mortes, ele disse que o estado de emergência nacional seria levantado assim que possível.

Irmandade Muçulmana

A Irmandade Muçulmana é uma organização islâmica que se opõe a tendências seculares e pretende retomar os ensinamentos do Corão, rejeitando qualquer influência ocidental. Em vários países, tem braços políticos. A organização foi fundada por Hasan al-Banna no porto de Ismailia em 1928 – depois se transferiu para o Cairo. A preocupação inicial era oferecer serviços sociais, construir mesquitas, escolas e hospitais. Ao longo das últimas décadas, a Irmandade Muçulmana tornou-se a mais importante força política fundamentalista do mundo sunita, coim representações em dezenas de países. Foi também o maior partido dissidente do Egito, passando da clandestinidade ao governo, para o qual foi eleito após a queda do regime liderado por Hosni Mubarak, que durou 40 anos. A Irmandade Muçulmana ficou apenas um ano no poder.

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