Egito: Irmandade manterá protestos nesta semana
Depois de uma semana com brutal repressão militar contra os apoiadores de Mohamed Morsi no Cairo, a Irmandade Mulçumana prometeu manter os protestos, mas de forma pacífica. Manifestações contra governo egípcio chegam a outros países, como Turquia e Paquistão.
Esquerda.net - 18/08/2013
O balanço de vítimas mortais dos protestos de sexta-feira (16) ainda está sendo apurado, mas informações recolhidas pelas agências de notícias internacionais apontam para mais de 60 pessoas mortas, em sua maioria metralhadas pela polícia e pelo exército.
A “Sexta-feira de Raiva", como era chamada, foi convocada pela Irmandade Muçulmana após o massacre da manifestação da véspera e partiu de várias mesquitas do Cairo após a oração do meio dia.
Os manifestantes foram recebidos com balas e as cenas de batalha campal sucederam-se nas ruas da capital, ocupadas por militares e policiais, com ordens para atirar pelo segundo dia consecutivo. Centenas de manifestantes foram presos sob os efeitos do estado de emergência decretado pelo atual governo.
Na sexta-feira à noite, a Irmandade Muçulmana apelou à continuidade dos protestos diários em todo o país, sublinhando que deverão ocorrer pacificamente até ao recuo do regime instaurado após o golpe que depôs o presidente Mohamed Morsi no mês passado.
As manifestações estenderam-se a cidades como Alexandria, Ismailia, Beni Soueif, Fayoum e Hourghada. E o protesto contra o massacre da véspera atravessou fronteiras, com milhares de pessoas em Istambul e Karachi, as cidades mais populosas da Turquia e do Paquistão, e centenas em Amã e Cartum.
Do lado do governo, é bem visível a radicalização e endurecimento do discurso, com os seus porta-vozes denunciando o "plano terrorista" em marcha por parte da Irmandade Muçulmana, um discurso que recolheu apoio entusiasta por parte da monarquia saudita e dos Emirados Árabes Unidos.
À demissão do vice-presidente El Baradei, que representava a ala liberal do golpe militar anti-Morsi, juntou-se Khaled Dawoud, um dos porta-vozes da Frente de Salvação Nacional que tomou o governo após o golpe, justificando a saída com a ausência de condenação do massacre do Cairo por parte do grupo que chegou ao governo.
Não se sabe se a Irmandade conseguirá fazer o que prometeu e manter protestos pacíficos. Diante da repressão do governo, a resposta de alguns grupos tem sido igualmente violenta. Nos últimos dias, houve vários ataques a barricadas militares e oficiais, a edifícios públicos e igrejas cristãs coptas, cujos fiéis são vistos como apoiadores do golpe que depôs Morsi.
Durante os protestos desta sexta-feira, circularam nas redes sociais várias imagens com apoiadores de Morsi fazendo um cordão de segurança em volta de uma dessas igrejas, impedindo que ataques se repetissem.
A sede da Al-Jazeera no Cairo foi tomada por forças de segurança. O governo egípcio considera a emissora pró-Morsi. Os trabalhadores foram obrigados a sair e o canal continuou a transmitir apenas online.
Tal como outras estações consideradas pró-Morsi pelos militares, a Al-Jazeera já tinha sido alvo de uma rusga policial momentos antes da deposição de Mohamed Morsi, em três de julho. Os equipamentos apreendidos ainda não foram devolvidos.
Um dos seus fotógrafos, Mohamed Bader, está preso desde 15 de julho sob acusação de posse de arma ilegal. Também não há informação sobre o paradeiro de um dos correspondentes da emissora, Abdullah al-Shami, detido na quarta-feira (14). Outros membros da redação enfrentam acusações de ameaça à segurança nacional, devido às notícias que puseram no ar.
A morte do operador de câmara da Sky News na quinta-feira não foi a única entre jornalistas esta semana. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) aponta para três jornalistas mortos e vários presos ou feridos durante os confrontos.
Fotos: Esquerda.net
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