As desordens, provavelmente, foram provocadas pelo assassinato, por policiais, de um homem de 69 anos, que gritava com um facão em um dos subúrbios anteriormente neste mês. A polícia foi acusada de crueldade. Há muitas causas pelas quais a juventude recorre à violência, tais como desemprego, instabilidade social, condições de vida difíceis. O colaborador da Rádio Internacional Sueca, Tom Sullivan conta quais são as causas mais importantes das recentes manifestações de violência na Suécia.
"A principal causa foi o assassinato de um idoso no subúrbio de Estocolmo, Husby, na segunda-feira. Isto provocou protestos, e um policial da tropa de elite foi grosseiro com os participantes das desordens, soaram ofensas de caráter racista. Contudo, realmente, a questão do desemprego em alguns subúrbios é bastante aguda. 30% dos jovens não estudam e nem trabalham em lugar nenhum. É claro que eles se sentem num beco sem saída. Colegas da Rádio Internacional Sueca entrevistaram no dia anterior alguns dos que lançaram pedras. Eles contaram que, talvez, de cem jovens que vivem nesse subúrbio, duas dezenas estão ocupadas. Têm emprego. E a polícia afirmou que os problemas são criados por um pequeno grupo de desordeiros".
Algumas testemunhas afirmam que os participantes das desordens estavam muito organizados. Eles podem realmente representar uma séria ameaça aos suecos? Tom Sullivan assinala:
"Este é um problema muito complexo, lá vivem suecos de raiz e imigrantes, há também já a segunda geração de imigrantes. Os subúrbios de Estocolmo são totalmente isolados do centro, por isso muitos habitantes de Estocolmo não sabem absolutamente o que se passa lá. Os subúrbios são, em grande grau, submetidos à segregação, os habitantes de Estocolmo não se andam por lá. Existe ameaça aos suecos que lá vivem – danificaram propriedades, queimaram automóveis, incendiaram escolas. Mas o grau de violência não pode ser comparado com o que ocorreu em Paris ou Londres. A polícia mudou sua atitude em relação à situação, os policiais não se envolvem mais em contendas e não afirmam que os jovens os provocam lançando pedras".
Na Rússia, no Cáucaso o nível de desemprego e desigualdade social, as duras condições de vida não são melhores do que as em que se encontram os jovens na Europa. Porém não ocorrem desordens diárias nas ruas. Como explicar o fato de que protestos explodem em um país relativamente estável, feliz e próspero como a Suécia? Na opinião do jornalista sueco, a sociedade sueca é uma das mais homogêneas no plano social, na Suécia a diferença de rendimentos é uma das menores do mundo, ali em grande grau mantem-se o princípio da igualdade de direitos, porque a Suécia é um forte estado social.
Entretanto o nível da previdência social diminuiu nos últimos tempos, menos dinheiro é destinado a projetos sociais. Nas últimas duas semanas surgiram comunicados de que a diferença de rendimentos e desigualdade social começaram a crescer muito depressa, mais depressa do que em outros países membro da OECD, inclusive a Rússia. Surge segregação e uma sociedade cada vez mais dividida como consequência tal nível de desigualdade social.

Vão para a Suécia, com frequência cada vez maior, habitantes da Síria, Somália e Afeganistão, vítimas de guerras, em busca de asilo. O país recebe maior quantidade de refugiados em comparação com outros países europeus, estando em segundo lugar neste índice. Mas, a Suécia precisa muito de mão de obra. Se olharmos as previsões, ficará claro que nas próximas décadas na Suécia faltarão suecos para ocupar todos os empregos. O governo emprega grandes esforços para garantir a imigração necessária, entretanto parece que há erros de cálculo em sua política e nem tudo dá o resultado planejado.