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quarta-feira, 23 de julho de 2014

Macrometrópole movediça

Macrometrópole movediça



Estudo estima que 3,8 milhões de pessoas vivem precariamente em favelas, loteamentos clandestinos e loteamentos irregulares em 113 municípios paulistas

JULIANA SAYURI | Edição 221 - Julho de 2014

Bairro Piratininga, em Guarulhos: pesquisa levou em conta variáveis como habitação, infraestrutura  e aspectos demográficos
Bairro Piratininga, em Guarulhos: pesquisa levou em conta variáveis como habitação, infraestrutura e aspectos demográficos

Certas cidades podem ser “lidas” como um retrato e como um mapa. Como retrato, no processo de favelização visível nas últimas décadas, com barracos informais, construções irregulares e puxadinhos improvisados, onde vivem “invisíveis” milhares de habitantes galgados nas fronteiras imaginárias das cidades brasileiras. Como mapa, nos levantamentos geográficos, com análise de estatísticas rigorosas e cruzamentos de informações de outras pesquisas, detalhando a localização e as condições dos “assentamentos precários” nos territórios. Essa foi a proposta do Diagnóstico dos assentamentos precários nos municípios da macrometrópole paulista, coordenado pelo pesquisador Eduardo Marques, do Centro de Estudos da Metrópole (CEM), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) apoiados pela FAPESP. Também participaram do estudo os geógrafos Daniel Waldvogel e Donizete Cazolato, o estatístico Edgard Fusaro e a cientista política Mariana Bittar.
“Os assentamentos precários incluem favelas, loteamentos clandestinos e loteamentos irregulares, três soluções habitacionais precárias”, define Marques, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). “Há grande heterogeneidade de situações, mas áreas precárias costumam abrigar população pobre, com pouco acesso a infraestrutura e serviços, especialmente no que diz respeito a serviços de esgotamento sanitário.” A fim de identificar os assentamentos precários, o estudo contou com variáveis como habitação, infraestrutura e aspectos demográficos, como escolaridade e renda do responsável pelo domicílio.
Realizado a pedido da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa) e da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), esse estudo atualiza metodologia elaborada em um trabalho anterior, desenvolvido para o Ministério das Cidades. Em 2005, com base nas informações do Censo de 2000, a população favelada da macrometrópole paulista girava em torno de 3,17 milhões. Em 2010, ano-base do novo estudo com dados do Censo de 2010, já eram 3,80 milhões de habitantes em condições precárias nos 113 municípios da região, área de 31,5 mil quilômetros quadrados que abrange as regiões metropolitanas de São Paulo (RMSP), de Campinas (RMC), da Baixada Santista (RMBS) e do Vale do Paraíba e Litoral Norte (RMVP-LN), além da aglomeração urbana de Jundiaí (AUJ) (ver mapas). Houve, portanto, um crescimento considerável, de 13,5% para 14,3%. “Entretanto, esses números escondem uma grande variabilidade entre regiões”, pondera Marques. “Na Região Metropolitana de São Paulo, a proporção caiu de 15% para 14,5%. Enquanto isso, na Baixada Santista o número cresceu de 18,1% para 20,5%; na região de Campinas, saltou de 9,9% para 14,5% – isto é, uma mudança expressiva, sugerindo intensos processos de favelização. Houve crescimento absoluto em todas as regiões, mas na capital esse percentual foi inferior ao crescimento do conjunto da população. Em certo sentido, há uma dispersão do problema”, indica.
Para Marques, diversos fatores contribuem para esse retrato. “O processo de favelização está em curso há décadas, causado pela pobreza e pela falta de políticas habitacionais à altura da demanda. Em termos gerais, é produto da forma pela qual se deu (e pela qual se continua dando, embora em menor ritmo) o processo de urbanização no Brasil”, diz. Ao longo do tempo, uma possível solução envolveria a redução da pobreza e o aumento expressivo da oferta de habitação popular, mas, como as metrópoles foram se constituindo, a questão ficou mais complexa. “Muitas vezes, a disponibilidade de terras para a construção e o mercado fundiário podem representar obstáculos para a solução da precariedade. Esse é o caso da região metropolitana de São Paulo. A regulação sobre a terra urbana e a disponibilização de boas terras pelo planejamento passam a ser cruciais – e estatutos como as Zonas de Especial Interesse Social (Zeis), previstas no Plano Diretor atualmente discutido em São Paulo, trabalham nessa direção”, analisa. Nessa cartografia paulista, as consequências são a baixa qualidade urbana e de vida para um conjunto expressivo da população e, na mesma linha, uma queda na situação ambiental e urbana nas cidades.

Não há uma regra para a localização geográfica dos assentamentos precários. Na região metropolitana de São Paulo, muitos se concentram nas áreas periféricas. “Apenas algumas favelas de porte se situam na região mais central e mais rica. Isso é produto de um longo processo de expulsão dos núcleos mais centrais, com a população procurando se instalar nos espaços ainda existentes – cada vez mais periféricos. Os loteamentos irregulares, por sua vez, já foram implantados em áreas mais distantes, sendo, na verdade, responsáveis por parte predominante da expansão periférica a partir dos anos 1960. A combinação desses dois processos intensificou os padrões de segregação social em São Paulo e em outras metrópoles”, critica.
Fora do “normal”
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) privilegia a expressão “aglomeramentos subnormais” para se referir a setores urbanos em que a classificação do censo encontra certa complexidade, como aterros, barracos, favelas, invasões, mocambos, palafitas e loteamentos clandestinos. São consideradas “subnormais” as áreas com 50 habitações ou mais, marcadas por uma série de precariedades habitacionais, isto é, construções fora das regras do planejamento urbano. Os demais setores urbanos são classificados como “não especiais”.

“Essa definição, entretanto, é feita antes do censo, pois trata da organização do trabalho de coleta de dados. Assim, a informação fica desatualizada. Vale ressaltar, porém, que a definição ‘subnormal’ não advém de um erro do IBGE, pois a informação não pretende expressar a precariedade, mas sim organizar o trabalho do instituto. Os dados coletados são padronizados e, por isso, faz sentido aproveitá-los para outros estudos, mas contornando suas limitações”, diz Eduardo Marques. Esse foi o alicerce do trabalho do CEM, que aproveitou informações do IBGE para identificar os assentamentos precários, abrigando tanto aglomerados “subnormais” quanto setores “não especiais” com características sociais e urbanas similares, a fim de acertar possíveis distorções.
Definições à parte, aglomerados subnormais e assentamentos precários retratam as frágeis formas de habitação que se espalham por áreas vulneráveis nas grandes cidades, à espera de políticas públicas eficazes. “A habitação tem grande importância não apenas pela centralidade na qualidade de vida das pessoas que dependem das políticas governamentais, mas por estruturar as cidades. Nesse sentido, é do interesse de todos os grupos sociais a construção de políticas habitacionais massivas e diversificadas e de políticas redistributivas de regulação da terra – e não só dos diretamente beneficiados”, diz o pesquisador.
O estudo do CEM também analisou instrumentos de gestão voltados à política habitacional. “O Brasil vem acumulando conhecimento para desenvolver políticas habitacionais para os problemas existentes desde o início dos anos 1990, em processos de aprendizado de políticas que perpassaram diversos governos”, comenta Marques. Na precisão da teoria: “Certamente o caminho é o desenvolvimento de políticas diversificadas, que envolvam a produção massiva de habitações novas para as faixas de mais baixa renda, a regularização de loteamentos, a urbanização de favelas. Os conhecimentos técnicos estão sendo acumulados ao longo das décadas, mas essa política é cara e demorada”, diz o pesquisador. Na imprecisão da prática: enquanto tais políticas públicas não forem implementadas, as cidades brasileiras continuam crescendo aos tropeços, a torto e a direito, enquanto as favelas, como diria Carlos Drummond de Andrade, “o tempo gasto em contá-las é tempo de outras surgirem” (Crônica das favelas nacionais, Jornal do Brasil, 6 de outubro de 1979).
Projeto
Centro de Estudos da Metrópole – CEM (nº 2013/07616-7); Modalidade Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid); Pesquisadora responsável Marta Teresa da Silva Arretche (CEM); Investimento R$ 7.109.808,20 para todo o Cepid (FAPESP).

Brasil compensa dez vezes mais emissão de carbono no Mundial

Brasil compensa dez vezes mais emissão de carbono no Mundial

O Brasil compensou quase dez vezes mais do que as projeções de emissões diretas de gases de efeito estufa geradas pela Copa do Mundo FIFA 2014 – número de gols que a Seleção levou apenas nos últimos dois jogos da competição. Com o encerramento, na última semana, de chamada pública do Ministério do Meio Ambiente (MMA), foram compensadas 545,5 mil toneladas de carbono equivalente (tCO2eq), unidade de medição das substâncias que interferem no aquecimento global. O número supera as 59,2 mil tCO2eq estimadas para atividades como obras, uso energético nos estádios e deslocamento de veículos oficiais.
A compensação decorreu da doação de créditos de carbono em resposta à chamada pública do MMA. O edital ficou aberto por três meses e teve a adesão de 16 empresas detentoras de Reduções Certificadas de Emissões (RCEs), os créditos de carbono, que são projetos brasileiros de compensação de emissões certificados pelas Nações Unidas. Nas operações, as RCEs foram canceladas das contas dos participantes de projetos com o objetivo de garantir que elas não sejam usadas futuramente para outros fins.
Legislação - A compensação não envolveu qualquer transação financeira e atende à responsabilidade ambiental amparada pela legislação brasileira. A ação do governo federal alinhada à iniciativa privada está prevista pelo Artigo 65 da Lei Geral da Copa. Conforme o dispositivo legal, as empresas que aderiram à chamada pública receberam o Selo Baixo Carbono. Além disso, as companhias foram incluídas em listagem organizada pelo poder público como doadoras oficiais de créditos de carbono do Mundial.
Inventário coordenado pelo MMA contabiliza as projeções de emissões do Mundial. De acordo com o documento, a Copa pode ter gerado o total de 1,406 milhão de tCO2eq, quando consideradas as emissões diretas e as indiretas. Desse total, a maioria teria sido gerada indiretamente pelo transporte aéreo internacional (87,1%) e nacional (9,2%). O restante se divide entre hospedagem (1,8%), obras (0,5%) e operações (1,4%). Até o fim do ano, será concluído um inventário definitivo com o número consolidado de emissões geradas pela Copa.
Saiba mais – O Protocolo de Kyoto, acordo internacional com metas de redução de gases de efeito estufa para os países desenvolvidos, criou um mercado voltado para a criação de projetos de diminuição da liberação desses gases na atmosfera. Os projetos desenvolvidos no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) geram RCEs, também conhecidas popularmente como créditos de carbono.
Apesar de considerado um fenômeno natural, o efeito estufa tem sido intensificado nas últimas décadas acarretando mudanças climáticas. Essas alterações resultam do aumento descontrolado das emissões de gases como o dióxido de carbono e o metano. A liberação dessas substâncias é consequência de atividades humanas como o transporte, o desmatamento, a agricultura, a pecuária e a geração e o consumo de energia. 

terça-feira, 22 de julho de 2014

Os Vales do Silício brasileiros

Os Vales do Silício brasileiros



Cinco polos de tecnologia e inovação abrigam 634 empresas, que empregam 15 mil pessoas e faturam mais de R$ 1,4 bilhão por ano



Imagem aérea do bairro do Recife Antigo, onde fica o Porto Digital
Foto: Divulgação
Imagem aérea do bairro do Recife Antigo, onde fica o Porto Digital - Divulgação




É difícil comparar o Vale do Silício, nos EUA, com qualquer outro lugar. Afinal, a região reúne as maiores empresas de tecnologia de ponta do mundo, como Google, Apple, Facebook, eBay, Yahoo!, entre tantas. Mas o Brasil também abriga os seus vales. São parques tecnológicos e polos de inovação que crescem em todo o país, entre os quais se destacam cinco: o maior deles, o Porto Digital, no Recife; o Parque Tecnológico da UFRJ, Rio; San Pedro Valley, Belo Horizonte; Parque Científico e Tecnológico da PUC/RS (Tecnopuc), Porto Alegre; e o Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP). E que também abrigam grandes companhias, como Dell, HP, Embraer, Schlumberger, Siemens, além de muitas outras de menor porte e start-ups. Ao todo, são 634 empresas. Que empregam mais de 15 mil pessoas e faturam acima de R$ 1,4 bilhão ao ano.
Um estudo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) de 2008/2009 apontou para a existência de 11 parques tecnológicos em funcionamento, número que já aumentou, de acordo com o diretor do Tecnopuc, Rafael Prikladnicki. Existem, hoje, no país, mais de 90 projetos e cerca de 20 em operação, sendo que alguns em estágio mais avançado — além destes cinco, há outros menores em vários estados.
— A vocação de cada parque contribui para o desenvolvimento da capacidade empreendedora e inovadora do Brasil — destaca Prikladnicki.
Cada um desses centros tem características próprias, que os aproxima, cada qual a sua maneira, do Vale do Silício. San Pedro Valley, em Belo Horizonte, leva o vale no nome — justamente uma brincadeira com o polo americano de inovação. Mas, diferentemente do Silicon Valley, que nasceu em torno da Universidade de Stanford, San Pedro não surgiu associado a qualquer instituição educacional. Depois que o Google instalou um braço de tecnologia e engenharia na capital mineira, muitas start-ups de tecnologia começaram a ser criadas, concentrando-se no bairro de São Pedro. As quase 200 empresas da região, que devem faturar, em 2014, R$ 200 milhões, passaram a atrair universidades, instituições como Sebrae e o governo estadual, que lançou o programa SEED (Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development).
Já os parques tecnológicos da UFRJ, na Ilha do Fundão, no Rio, e da PUC-RS, o Tecnopuc, em Porto Alegre, têm por trás a chancela das universidades, enquanto o Porto Digital, do Recife, e o Parque Tecnológico – São José dos Campos (PqTec - SJC) têm parcerias com várias universidades. O intercâmbio entre academia e mercado é uma das premissas do Vale do Silício que esses polos replicam.
— É natural se espelhar no Vale do Silício, mas há vários gaps culturais, de políticas públicas, do macroambiente de inovação, que ainda distanciam muito o Brasil dos EUA. Por isso, é errado fazer um “copia e cola": temos que encontrar o nosso modelo, baseado na ideia de tripla hélice, que é a convergência de academia, indústria e governo — pontua o gerente de Inovação Estratégica da Firjan, Carlos Coelho.
AGLOMERAÇÃO PROPICIA A INOVAÇÃO
O sucesso dos polos de tecnologia e inovação se dá, principalmente, pela questão da concentração. É o que garantem os responsáveis pelos principais centros do Brasil.
— A capacidade de inovação não depende apenas de um departamento de uma empresa, mas de vários outros agentes, como a convivência com clientes, fornecedores e até com concorrentes. Por isso, parques tecnológicos, como ambientes onde essa capacidade de inovação é maximizada, têm se difundido no mundo inteiro e no Brasil — destaca Maurício Guedes, diretor do Parque da UFRJ, que alerta também para o risco de “modismos”. — Para que haja expansão, é fundamental haver consistência com as vocações e com a capacidade local.
PORTO DIGITAL (PERNAMBUCO)
O Porto Digital, do Recife, é um dos maiores polos de tecnologia e inovação do país: são 7.100 funcionários em 250 empresas, faturando R$ 1 bilhão ao ano. Quando começou a operar, no início de 2001, contava com três empresas e 46 funcionários. A meta é, até 2024, ter 20 mil pessoas nas áreas de tecnologia da informação e comunicação (TCI) e economia criativa, as duas grandes vocações do polo.
Francisco Saboya, presidente do Porto Digital, aponta alguns fatores para o sucesso do empreendimento, entre eles a gestão por meio de uma Organização Social (OS) e a escolha por uma região do Recife que precisava de revitalização:
— Ao delimitar um território, promove-se o efeito sinérgico da aglomeração. Juntando empresas e pessoas concentradas cada vez mais num local, gera-se o efeito da cooperação, ativo do qual todas se beneficiam — diz Saboya, frisando que hoje o Porto atrai profissionais de todo o Brasil e do exterior.
SAN PEDRO VALLEY (MINAS GERAIS)
San Pedro Valley brinca com o nome do vale americano, em função da concentração de start-ups no bairro de São Pedro, em Belo Horizonte. Hoje são 188 start-ups, quatro aceleradoras, sete incubadoras, seis investidoras e 15 espaços de co-working na região.
— O principal bairro da cidade é a Savassi, mas que é uma região cara para quem está começando, por isso muitos empreendedores foram para São Pedro, que fica próximo. As pessoas começaram a se esbarrar e a brincar que parecia “San Pedro Valley”, e há três anos a brincadeira acabou virando marca — conta Rodrigo Cartacho, da Sympla, start-up há dois anos e meio no vale mineiro.
O polo foi impulsionado também pela instalação do Google, que tem sua unidade de engenharia na capital mineira.
— Em BH há um contato bem grande entre start-ups, um ecossistema orgânico onde todos se ajudam — destaca João Drummond, fundador da Yoozon.
PARQUE TECNOLÓGICO DA UFRJ (RJ)
Inaugurado há 11 anos, o Parque Tecnológico da UFRJ aposta na vocação para as áreas de energia e petróleo, mas começa a receber empresas também de outros segmentos, como a L’Oréal, que está construindo seu centro de pesquisa na Ilha do Fundão. Lá já estão instaladas 46 companhias, sendo 12 grandes, oito pequenas e 26 start-ups na incubadora da Coppe/UFRJ, que empregam 1.500 pessoas.
— A vinda do centro de pesquisas da Petrobras, no início dos anos 70, foi passo fundamental para criar as condições que o parque tem hoje — diz Maurício Guedes, diretor do Parque Tecnológico da UFRJ, ressaltando que há no país um movimento de valorização de parceria entre mercado e academia, que se reflete na criação de parques tecnológicos. — As universidades se abriram para essa possibilidade. Além disso, houve um aumento de percepção de que os processos de inovação pedem um ambiente propício para que ela aconteça.
TECNOPUC (RIO GRANDE DO SUL)
Regis McKenna, um dos responsáveis por colocar o Vale do Silício no mapa, afirmou, depois de visitar o Parque Científico e Tecnológico da PUC/RS, o Tecnopuc, em Porto Alegre, que este foi o polo que melhor reproduziu o que conhece do centro de TI americano.
— Os aspectos invisíveis criam essa semelhança: o relacionamento, o intercâmbio de ideias — diz Rafael Prikladnicki, diretor do Tecnopuc.
No local, há 120 empresas, entre elas Dell e HP, que geram seis mil empregos — muitas mantém centros de pesquisa no local e o faturamento não é divulgado.
— O objetivo é ser um polo de inovação onde haja desde start-ups até empresas âncoras multinacionais, que desenvolvam projetos de forma integrada com a universidade — frisa Prikladnicki.
A vocação natural do Tecnopuc está na área de TIC, mas há espaço para energia e meio ambiente, ciências da vida e indústria criativa — esta última, aliás, uma nova aposta.
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS (SP)
Um hub do setor de aeronáutica, defesa e espaço. Assim é conhecido internacionalmente o Parque Tecnológico – São José dos Campos (PqTec - SJC), em São Paulo. Não é à toa, pois Embraer, Boing e Airbus mantêm centros de desenvolvimento tecnológico na região — assim como a Vale e a Ericsson, que diversificam a atuação do parque.
Além das grandes, há 25 pequenas e médias empresas que atuam no polo de São José dos Campos, faturando em torno de R$ 40 milhões ao ano. Até o fim de 2014, mais 50 passarão a funcionar em um novo prédio, o que fará com que o parque empregue 1.600 profissionais — atualmente, são 950 pessoas.
— As oportunidades são para engenheiros e pós-graduados de diversas áreas, assim como para pessoas com formação técnica em vários níveis — afirma o diretor geral, Horacio Aragonés Forjaz, acrescentando que a tendência é a abertura de novas vagas. — Novas empresas vão se instalar.




Ofensiva em Gaza já fez 100 mil buscarem ajuda da ONU; entenda conflito

Ofensiva em Gaza já fez 100 mil buscarem ajuda da ONU; entenda conflito



Atualizado em  21 de julho, 2014 
Menino é atendido por paramédicos após bombardeio de hospital em Gaza (Reuters)
A maioria das mais de 500 vítimas no atual conflito na Faixa de Gaza são civis, segundo a ONU
A agência da ONU para refugiados palestinos anunciou nesta segunda-feira que mais de 100 mil pessoas já foram forçadas a deixar suas casas na Faixa de Gaza e procuraram a ajuda das Nações Unidas desde o início da atual ofensiva israelense no território.

Segundo o porta-voz da agência, Chris Gunness, esse número representa o dobro do registrado da última ofensiva israelense em Gaza, de cinco anos atrás.
Em visita ao Egito, o secretário-geral da ONU, Bank Ki-moon, pediu um fim imediato e incondicional do conflito em Gaza. Ban teve um encontro com o ministro egípcio das Relações Exteriores para discutir o tema.
O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, se reuniu no Catar com o líder político do Hamas (facção palestina que controla Gaza), Khaled Meshaal, para discutir propostas de cessar-fogo.
Por sua vez, Ismail Haniyeh, chefe do Hamas em Gaza, disse que um cessar-fogo só será aceito se Israel der fim ao bloqueio de sete anos à fronteira com Gaza. "Gaza decidiu acabar com o bloqueio com seu sangue e sua coragem”, disse ele em discurso na TV nesta segunda-feira.

Hospital

Também nesta segunda-feira, pelo menos cinco pessoas morreram e 70 ficaram feridas em um ataque israelense em um hospital na Faixa de Gaza. Segundo médicos, diversas bombas disparadas por tanques de Israel atingiram a recepção, a unidade de tratamento intensivo e as salas de cirurgia do hospital.
Na noite anterior, mais de 30 membros de duas famílias palestinas morreram em ataques israelenses, segundo autoridades de Saúde de Gaza.
O último domingo foi o dia mais sangrento até agora, com mais de cem palestinos e 13 soldados israelenses mortos em um ataque ao distrito de Shejaiya em Gaza, que Israel disse ser um "reduto do terror".
As duas semanas de confrontos já tomaram a vida de mais de 550 pessoas do lado palestino.
Do lado de Israel, sete soldados foram mortos, elevando o número total de vítimas militares para 25. Dois civis israelenses também morreram na fase mais recente do conflito na região.
Israel diz ter matado 170 militantes desde quinta-feira, quando lançou sua ofensiva por terra em Gaza para impedir que novos foguetes sejam lançados a partir da região.
A BBC compilou uma série de perguntas para ajudar você a entender melhor o que está acontecendo no território palestino.

Por que sempre há um conflito em Gaza?

Mulher em Gaza (EPA)
O Hamas aponta a ocupação de parte de Gaza por Israel como a razão dos seus ataques
Localizada entre Israel e o Egito, a Faixa de Gaza foi ocupada por israelenses em 1967, na Guerra dos Seis Dias. As tropas de Israel só deixaram a área em 2005. No entanto, Israel ainda controla a maioria das fronteiras, espaços áereos e marítimos de Gaza e restringiu a circulação de pessoas e bens por considerar isso vital para sua segurança. Palestinos se dizem confinados e afirmam passar por dificuldades sócio-econômicas por causa desse controle, algo que é condenado pelo Hamas, o movimento islâmico palestino dominante que aponta a ocupação permanente do leste de Gaza e de Jerusalém como o motivo dos ataques realizados antes e depois de 2005.

O que levou ao mais recente conflito?

Adolescentes israelenses (BBC)
A morte de três adolescentes em junho passou foi o estompim do atual conflito
Os ataques começaram depois do sequestro e da morte de três adolescentes israelenses em junho. Israel culpou o Hamas, algo que o grupo negou, e iniciou ataques ao grupo no leste de Gaza. A tensão cresceu ainda mais depois da morte de um adolescente palestino em Jerusalém no dia 2 de Julho, que seria uma vingança pelas mortes dos três israelenses. Os dois lados passaram a se atacar deste então. Em 8 de julho, Israel lançou uma operação por terra para impedir que novos foguetes fossem lançados de Gaza em direção ao país.

Quais são os objetivos de cada lado do conflito?

Domo de ferro (AFP)
Israel tenta conter os ataques de foguetes lançados a partir da Faixa de Gaza
Israel diz que sua ofensiva tem como objetivo interromper o lançamento de foguetes a partir de Gaza e destruir a rede de túneis entre a região e Israel usados por militantes em ataques contra o país. O Hamas diz que só aceitará uma trégua se Israel der fim à “todas as agressões” e ao bloqueio à Gaza, se comprometer com o cessar-fogo de 2012, parar com o que considera “sabotagem” do atual governo palestino e libertar prisioneiros que foram detidos de novo recentemente.

Se já houve dois cessar-fogo, porque o conflito continua?

Egito negocia trégua (AFP)
O Egito tenta intermediar uma trégua entre Israel e o Hamas em Gaza
Os esforços por um cessar-fogo têm enfrentado dificuldades – o primeiro foi proposto pelo Egito oito dias após o início do conflito e foi aceito por Israel, mas não pelo Hamas, que o considerou não um plano de trégua, mas de “rendição”. O segundo foi apenas temporário para que civis pudessem estocar suprimentos em Gaza. Assim que seu prazo acabou, as hostilidades foram retomadas.

Como terminaram as guerras travadas anteriormente?

Homenagem às vítimas de Gaza em Tóquio (AP)
Há anos, os conflitos na Faixa de Gaza geram comoção ao redor do mundo
Israel lançou uma ofensiva por terra em dezembro de 2008 em resposta ao lançamento de foguetes a partir de Gaza. O conflito acabou 22 dias depois, quando Israel declarou um cessar-fogo unilateral por "ter atingido seus objetivos". Cerca de 1,3 mil palestinos foram mortos, muitos deles civis. Treze israelenses também morreram, quatro soldados entre eles. Quatro anos depois, Israel lançou outra ofensiva, novamente com a missão de interromper o lançamento de foguetes a partir de Gaza. Oito dias após o início da operação, o Egito negociou uma trégua. Ao menos 167 palestinos e seis isaraelenses morream.

Quanto o conflito atual acabará?

Tanques de Israel (Reuters)
A ofensiva por terra de Israel pode ser apenas o começo de uma invasão em larga escala
Israel disse que sua ofensiva, lançada após dez dias de ataques aéreos, só acabará quando a segurança e a tranquilidade dos israelenses for restaurada. O Hamas diz que continuará a lutar. Israel afirma que essa operação será concentrada na região de fronteira, mas também pode estar testando as defesas do Hamas antes de realizar uma invasão de maior escala. O ministro de Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, disse que só a reocupação de Gaza porá fim ao lançamento de foguetes a partir da região. Se isso for aceito, Israel pode ficar em Gaza por um longo tempo.

Mês de junho foi o mais quente da História, dizem especialistas

Mês de junho foi o mais quente da História, dizem especialistas

O mês de junho de 2014 foi o mais quente já registrado no planeta desde 1880, informou nesta segunda-feira a Agência Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA).
A temperatura média na superfície terrestre e nos oceanos alcançou 16,22°C em junho, ou seja, 0,72°C a mais que a média do século XX para este mês. A cifra supera o último recorde de junho, que remonta a 2010, informou a NOAA.
“A maior parte do planeta enfrenta temperaturas mensais acima da média, com recordes de calor nas regiões do sudeste da Groenlândia, do norte da América do Sul e do Sudeste da Ásia”, explicou a agência em um comunicado.
“Assim como em maio, as regiões das principais bacias oceânicas também tiveram recordes de calor”, acrescentou.
A última vez que a temperatura em um mês de junho foi inferior à média do século XX foi em 1976, indicou a NOAA.
Segundo a mesma fonte, o mês de maio de 2014 também foi o mais quente desde 1880, mais que o recorde anterior, de maio de 2010.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Gaza: Número de palestinos abrigados em escolas da ONU já passa de 50 mil

Gaza: Número de palestinos abrigados em escolas da ONU já passa de 50 mil


19 de julho de 2014

Agência da ONU que apoia refugiados da Palestina afirmou que dados já ultrapassam crise de 2009. UNICEF alerta que crianças estão sofrendo com “trágicas consequências”, com 73 mortes entre palestinos e inúmeras consequências.
Número de palestinos procurando abrigo nas escolas da ONU em Gaza ultrapassa 50 mil. Foto: Shareef Sarhan/UNRWA








Número de palestinos procurando abrigo nas escolas da ONU em Gaza ultrapassa 50 mil. 
Foto: Shareef Sarhan/UNRWA
Com a escalada da violência em Gaza, e em meio a trágicas consequências para as crianças, os serviços básicos para esta parcela da população está sob ataque, alertou neste sábado (19) o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
A agência da ONU alertou que os danos à infraestrutura de água e saneamento de Gaza aumentam significativamente o risco de doenças transmitidas pela água. Cerca de metade do sistema de esgoto e de tratamento de água não está funcionando, com pelo menos 900 mil pessoas sem acesso a água corrente.
Segundo estimativas da ONU, mais de 1.890 famílias tiveram suas casas destruídas ou severamente danificadas em Gaza, com mais de 50 mil palestinos deslocados e sendo abrigados em 44 escolas da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA). Mais de 80 escolas foram danificadas por bombardeios do governo de Israel nas proximidades.
O UNICEF e parceiros estão adquirindo medicamentos pediátricos essenciais para hospitais e unidades de saúde. Ao mesmo tempo, equipes de proteção do Fundo estão ajudando as crianças e seus responsáveis a lidar com o sofrimento psicológico. Campanhas no rádio estão alertando sobre os perigos em relação aos dispositivos explosivos não detonados.
Com pelo menos 73 crianças mortas e outras 650 feridas em Gaza, e com quatro crianças israelenses feridas em Israel, o UNICEF pediu que todas as partes “cumpram a sua obrigação legal e moral de proteger os civis, incluindo crianças”.
No total, 336 palestinos foram mortos e 2.268 feridos. Cerca de 80% da população em Gaza recebe eletricidade apenas quatro horas por dia. Em Israel, duas pessoas foram mortas, incluindo um civil.
Neste sábado (19), o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou que vai viajar para o Oriente Médio neste fim de semana para “expressar solidariedade com os israelenses e palestinos” e para ajudá-los, em coordenação com parceiros regionais e internacionais. O chefe da ONU vai negociar um cessar-fogo para o conflito.
Número de deslocados excede crise de 2009
A UNRWA informou que o número de palestinos deslocados em Gaza, de mais de 50 mil pessoas, já excedeu o número pico da última crise de 2008/2009. A agência da ONU que dá assistência aos refugiados palestinos afirmou estar “extremamente preocupada” que uma operação militar mais intensa aumente ainda mais esses números, trazendo uma carga adicional a uma população já vulnerável.
“A UNRWA está especialmente preocupada com o impacto que isso tem sobre os 1,2 milhão de refugiados que apoia, a maioria dos quais já dependentes de alimentos e outros tipos de assistência da organização”, disse o comunicado.
Uma menina palestina sob as ruínas de sua casa depois de um ataque aéreo do Estado de Israel em um campo de refugiados na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, no dia 12 de julho de 2014. Foto: UNICEF/Eyad El Baba








Uma menina palestina sob as ruínas de sua casa depois de um ataque aéreo do Estado de Israel 
em um campo de refugiados na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, no dia 
12 de julho de 2014. Foto: UNICEF/Eyad El Baba
O diretor de Operações da UNRWA em Gaza, Robert Turner, disse que a velocidade com a qual isso aconteceu é impressionante. “O número de pessoas deslocadas dobrou em um dia e mais de 25 mil mudaram-se para as nossas escolas só ontem [18]; estamos muito preocupados”.
“Esses homens, mulheres e crianças estão confiando em nós para fornecer-lhes abrigo, e a realidade é que a UNRWA só tinha suprimentos de emergência em estoque para cerca de 35 mil pessoas. Estamos adquirindo suprimentos adicionais, mas agora permanece crítica a falta de fundos”, disse Turner.
“Podemos passar por hoje, mas se a situação continuar a deteriorar-se e recebermos mais deslocados em nossas escolas, nós provavelmente vamos ficar sem estoques básicos de colchões e outros suprimentos vitais amanhã”, acrescentou o representante da UNRWA.
A agência da ONU está distribuindo suprimentos disponíveis diariamente. Em parceria com o Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA), a agência da ONU para os refugiados palestinos está fornecendo uma refeição por dia para as pessoas em suas escolas, além de fornecer produtos não alimentares a famílias vulneráveis que estão recebendo parentes em suas casas.
A UNRWA lançou um apelo urgente para 60 milhões de dólares para atender as necessidades urgentes dos moradores e pessoas deslocadas em Gaza. O novo financiamento permitirá à UNRWA responder às necessidades imediatas de abrigo, alimentação, saúde e atenção psicossocial das pessoas deslocadas.
A agência da ONU precisa ainda dos recursos para repor suprimentos de emergência e se preparar para intervenções vitais após o fim da ofensiva militar.

sábado, 19 de julho de 2014

Dobra número de desabrigados em Gaza, diz ONU

Dobra número de desabrigados em Gaza, diz ONU


Atualizado em  18 de julho, 2014
Crianças desabrigadas na Palestina | Crédito: AFP
Agentes humanitários afirmam que mais de 40 mil pessoas estão sendo mantidas em 34 abrigos da ONU
O número de desabrigados em Gaza por causa do conflito com Israel praticamente dobrou nesta sexta-feira, informou a ONU.

Agentes humanitários afirmaram que mais de 40 mil pessoas estão sendo mantidas em 34 abrigos das Nações Unidas.
O quadro se agravou depois que Israel começou a ofensiva terrestre em Gaza, com o objetivo de capturar militantes do Hamas que estariam lançando foguetes contra o país.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou nesta sexta-feira uma "expansão significativa" da operação por terra.
O Hamas, o grupo palestino que controla Gaza, afirmou, por outro lado, que Israel "pagará um alto preço" pela invasão.
Milhares de palestinos já foram obrigados a deixar suas casas em Gaza depois de dez dias da retomada de confrontos entre o Hamas e forças de segurança de Israel.
Mas os números catapultaram depois de as tropas israelenses cruzarem a fronteira com tanques, helicópteros e artilharia pesada na noite de quinta-feira.

ONU

Segundo as Nações Unidas, o número de pessoas buscando refúgio em abrigos da ONU aumentou 82%, passando de 22 mil para 40 mil, apenas na sexta-feira, afirmou Christopher Gunness, um porta-voz da UNRWA (Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente).
"Nós lançamos um apelo de US$ 60 milhões (R$ 130 milhões) para custear o nosso trabalho de emergência", acrescentou Gunness. "O objetivo é subsidiar os mantimentos para os desabrigados nos próximos 30 dias e outras provisões de emergência para os seis meses seguintes".
A correspondente da BBC em Gaza Yolanda Knell afirmou que o Exército israelense intensificou os ataques no norte, leste e sul do território nesta sexta-feira.
Enquanto isso, as sirenes soaram em cidades no sul de Israel avisando sobre a continuidade do lançamento de foguetes de Gaza.
Pelo menos 24 palestinos foram mortos desde que a ofensiva terrestre começou, afirmou o ministro da Saúde de Gaza. Do lado israelense, um soldado morreu.
Entre os mortos do lado palestino, estão três crianças. Elas foram mortas quando um tanque israelense abriu fogo no norte de Gaza, acrescentaram os médicos.
Segundo autoridades do território, 271 palestinos – três quartos deles civis – morreram desde a ampliação da ofensiva israelense no último dia 8 de julho.
Um civil israelense foi morto por morteiros e vários israelenses foram feridos.

Túneis

Netanyahu disse que a operação por terra tem como alvo o sistema de túneis do Hamas, que as Forças Armadas de Israel não podem monitorar "apenas do ar".
"Devemos nos preparar para a possibilidade de uma ampliação significativa da operação terrestre, e nossos militares estão se preparando de igual maneira", afirmou ele, em uma sessão de um gabinete especial transmitida pela TV nesta sexta-feira.
Netanyahu afirmou ter dado ordens às tropas para avançar após as tentativas de um cessar-fogo com o Hamas fracassarem.
Os militantes do grupo palestino vêm usando túneis para realizar ataques, alguns dos quais foram frustrados por Israel.
Na manhã da ofensiva terrestre, os militares israelenses interceptaram 13 militantes que invadiram o território de Israel por meio de um túnel. Segundo a inteligência do país, eles planejavam atacar um kibutz.
O porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, fez duras críticas à ofensiva israelense. "Netanyahu está matando as nossas crianças e pagará o preço por isso".
Israel alega que realizou 1.960 ataques à Gaza desde o dia 8 de julho, enquanto militantes palestinos lançaram 1.380 foguetes em direção ao país. Segundo o governo israelense, 50 foguetes foram lançados contra Israel desde que a operação terrestre começou.
As Nações Unidas estimam que pelo menos 1.370 casas foram destruídas em Gaza e mais de 18 mil pessoas estão desabrigadas por causa da escalada recente dos confrontos.