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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Brasil: quem aposta na violência

Brasil: quem aposta na violência


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Black-bloc é apenas detalhe. Diante da paralisia do governo, e das dificuldades dos movimentos sociais, direita flerta com caos
Por Antonio Martins
Como 2014 promete emoções fortes… Em São Paulo, por pouco não surgiu, nas últimas horas, a primeira vítima fatal das manifestações contra a Copa do Mundo. Fabrício Proteus Chaves, de apenas 22 anos, correu risco de morte depois de ser baleado sábado, de modo covarde e fútil – no peito e nos testículos – por policiais militares. O secretário de Segurança tenta proteger os que atiraram. De Lisboa, a presidente Dilma Roussef convocou (para fevereiro) reunião de emergência… Porém, o silêncio, diante dos novos atos brutais cometidos pela polícia paulista leva a temer que o governo federal manterá, em relação aos protestos, a atitude de avestruz adotada a partir de outubro. A repressão concentra as atenções sobre o black-bloc. Mas será ele, de fato, um oponente da brutalidade do Estado? Ou, pelo contrário, contribui pra radicalizá-la, ao adotar a violência como arma política e tornar legítima, portanto, a lógica que sustenta a repressão policial? A seguir, três hipóteses sobre os últimos acontecimentos.
1. A PM paulista provoca manifestantes e age para criar um fato dramático
Pelo menos duas cenas demonstram que, na manifestação de sábado, a polícia militar de São Paulo voltou empregar violência gratuita e agir de forma abertamente provocadora. A primeira são os disparos contra o jovem Fabrício. Confira as imagens, em especial a partir do segundo 00:12. Fabrício não “se atira” contra um dos policiais (que havia tropeçado), como alega o secretário de Segurança. Sua queda é claramente precedida pela cena em que outro policial saca a arma e a aponta para o garoto. A conclusão evidente é que sofreu o impacto do tiro e caiu. Depois disso, quando já não poderia representar ameaça alguma, recebeu mais dois disparos, ambos à queima-roupa. No entanto, sem se dar a qualquer esforço de investigação, os jornais sustentamque há “duas versões” sobre os fatos – como se não fosse possível verificar qual delas é verdadeira.
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A segunda cena é a ação brutal com que a PM agiu contra manifestantes que haviam se refugiado no Hotel Linson, na rua Augusta, assustados com a tropa de choque. Repare, nos dois vídeos. A tropa de choque entra aos berros, disparando balas de borrachadentro do saguão, contra pessoas que não esboçam resistência alguma (muitas deitadas no chão). Depois, ao conduzirem os detidos ao camburão, os PMs o fazem aos safanões e “gravatas”, chutando até mesmo um fotógrafo da Agência EFE que registrava os fatos.
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Lembre-se: horas antes, a polícia não havia impedido os black-blocs de depredar dezenas de vitrines, fazer barricadas de fogo ou virar contêiners de lixo sobre a rua. Agora, é selvagem contra pessoas pacíficas. Estepadrão bizarro de comportamento repete-se inúmeras vezes, desde as jornadas de junho. Por exemplo, na depredação do terminal de ônibus do Parque Dom Pedro II (25/10) (e também em outros estados, como no quase-incêndio da Câmara Municipal do Rio, em 7/10). Será apenas despreparo policial?
Ou a PM paulista age orientada por interesses partidários? Nas eleições presidenciais de novembro, a presidente Dilma tem amplas chances de vitória. Seus adversários conservadores buscam, para embaralhar o jogo, um fato – qualquer um – capaz de provocar comoção nacional. Gente como Geraldo Alckmin, que liderou a destruição do Pinheirinho, hesitará em reprimir manifestações com violência, se o ganho político puder ser esta comoção?
2. Obcecado pelo cálculo eleitoral, o Palácio do Planalto adota a estratégia do avestruz
O suspeitíssimo comportamento da polícia de São Paulo poderia ser um problema menor, se o governo federal fizesse alguns gestos simples. A presidente Dilma nem precisaria se envolver diretamente. Bastaria que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, responsável por coordenar a defesa da segurança pública no território nacional, declarasse, por exemplo, que está consternado com os tiros disparados contra Fabrício Chaves; ou que julga descabidos os procedimentos da PM no Hotel Linson. A polêmica estaria criada. Voltaria a ficar claro que há, no universo da política, visões distintas. Para alguns, as questões sociais são “caso de polícia”. Para outros, as reivindicações populares precisam ser recebidas com diálogo, não a bala.
Mas, desde outubro de 2013, houve uma reviravolta no governo Dilma. A presidente sabe que é acossada por uma mídia hostil. Está, obviamente, empenhada em se reeleger. Porém, julgou que, para isso, o melhor é adotar uma atitude de retranca. Como um time de futebol preocupado apenas em segurar um resultado, seu governo abdicou da ousadia. Nada cria. Deixa todas as iniciativas aos adversários. Torce apenas para que o tempo corra rápido, até outubro.
Talvez não perceba o quanto esta atitude é trágica – porque apaga, aos olhos da população, as diferenças. Assim como ocorre na Europa, há anos, surge a ideia de que os políticos são todos iguais, y no nos representan.
Esta postura contamina, aos poucos, todas as ações do governo federal. Na Economia, leva a Dilma ao Fórum de Davos, para dizer que o Brasil curva-se às ideias ortodoxas (leia análise brilhante de André Singer). Na resposta às manifestações sociais, provoca o encerramento do diálogo com os movimentos (ensaiado com sucesso em junho, mas interrompido em outubro) e aposta numa estratégia cuja base é o controle policial.
Ao invés de se manter crítico aos comandos das PMs e aos governos que as controlam, o ministro Cardozo afaga-os. Anuncia “ações conjuntas”. Promete “reforços”, “apoio”, “assistência”. Produz-se, então, o cenário dos sonhos, para os interessados em manter a brutalidade da tropa de choque e tentar usá-la com fins eleitorais. Eles se convencem de que poderão continuar a praticar barbaridades. E sabem que estão blindados pela mídia: qualquer episódio desastroso será jogado na conta do Palácio do Planalto…
Estão reunidos os ingredientes para um grande desastre político? Não: falta mencionar a indispensável contribuição dos black-blocs.
3. O Black-bloc reforça exatamente aquilo que diz combater
Desde julho, nenhum movimento social brasileiro obteve, da mídia, destaque comparável ao black-bloc. Em setembro e outubro, dezenas de milhares de bancários fizeram uma greve nacional como há muito não se via. Durou 22 dias e arrancou dos banqueiros um reajuste salarial acima da inflação. Jamais chegou às manchetes dos jornais ou foi destaque nos noticiários da TV. Em novembro, oito mil famílias ligadas ao MTST – mais que a população de milhares de cidades brasileiras – ocupam, na zona sul de São Paulo, uma grande área antes reservada à especulação imobiliária. Lá, organizaram um sistema de convívio alternativo – na alimentação, limpeza, segurança, creches – que perdura e cresce. Quase não há reportagens a respeito, apesar do enorme interesse que despertariam. Mas uma manifestação de 1,5 mil black-blocs gerahoras na TV e dias seguidos de manchetes.
Num certo sentido, é compreensível. O black-bloc surgiu há pouco, no Brasil, e novidades atraem; além disso, fogo, fumaça e gente mascarada são elementos imageticamente fortes. Mas é provável que este não seja o único fator. Para quem quer multiplicar a repressão contra os movimentos sociais, nada mais útil que naturalizar a violência; que apresentá-la como algo praticado igualmente pelos manifestantes e pela polícia; que levar a sociedade a aceitá-la ou desejá-la.
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Um vídeo feito também no sábado, na Praça da República, por onde passou a manifestação contra a Copa, ilustra isso de modo emblemático. Milhares de pessoas assistem a um show musical. Um grupo de black-blocs investe contra o palco, atirando latas de cerveja contra os que lá estão. A multidão revolta-se. Um dos agressores mascarados começa a ser linchado pelos populares. Só escapa porque um segurança intervém, extintor de incêndio em punho. Ainda mais grotesco: o apresentador toma o microfone e exclama: “tem de dar porrada, mesmo”! É ovacionado pela multidão.
No sábado, os black-blocs produziram, em série, atos de violência gratuita como este. Diante do Teatro Municipal, hostilizaram os participantes de uma comemoração dos 460 anos de São Paulo. Testemunhas dizem que estouraram uma bomba. Investiram contra os policiais, com rojões e bolas de gude, antes de serem atacados.
Dizem ser radicais contra a opressão do Estado, mas a cena da Praça da República serve como metáfora do que podem, involuntariamente, produzir. Ao elegerem a violência como método de luta principal contra o aparato repressivo, acabam por legitimá-la. São compreendidos pelos que desprezamos o capitalismo – principalmente por serem jovens e não temerem expor-se ao risco. Mas que resposta sua atitude despertará, entre a vasta maioria que está fora de nossas redes sociais endogâmicas? Até agora, todas as evidências sugerem que não virão aplausos, mas apoio à ação policial, muito mais violenta: “tem de dar porrada, mesmo”!
* * *
A cinco meses da Copa do Mundo e a nove das eleições, há algo muito grave na conjuntura brasileira. O governo Dilma assemelha-se a um grande navio à deriva, que perdeu a bússola política e se orienta apenas pelo meteoro fugaz das eleições. Os movimentos sociais históricos atuam – mas não conseguiram, ainda, apresentar uma alternativa de conjunto, capaz de recompor um horizonte utópico e entusiasmar as maiorias. Grupos como os black-bloc são, evidentemente, incapazes de fazê-lo – e seria tolo esperar isso deles. A direita política e midiática, esta sim, parece saber muito bem o que quer. E está determinada a alcançá-lo.

Os "rolezinhos": explicações que ecoam da Idade Média

Os "rolezinhos": explicações que ecoam da Idade Média


A situação de incômodo tem sua origem em uma situação social (de consequências políticas e econômicas ainda em construção) muito semelhante: a apropriação dos meios e modos de vida das “primeiras classes” pelas “classes inferiores”

por Fernando Ribeiro e Maurício Loboda Fronzaglia
No século XIV, com a disseminação da Peste Negra, a Inglaterra perdeu, em meses, metade da sua população. No período que se seguiu após a Peste, o cenário era de cidades e vilarejos abandonados e não havia mão de obra suficiente para o cultivo da terra. Por conseguinte, a demanda por trabalho e seu preço cresceram. Os trabalhadores, que formavam a terceira ordem da sociedade medieval, não mais se submeteriam aos seus antigos senhores da mesma forma que outrora. Um exemplo está na história de William de Cayburn, um lavrador de Lincolnshire, que a partir de então não mais trabalharia a não ser pelo pagamento diário, que  se recusava a carne conservada no sal, queria carne fresca. Sem receber o que demandara, William deixou o condado. Assim como William, muitos trabalhadores ingleses perceberam e aproveitaram a oportunidade para procurar por melhores salários e condições de trabalho.
As autoridades e os membros pertencentes à primeira e à segunda ordem, nobreza e clero, entraram em pânico diante dessa nova situação social, em que trabalhadores não mais se sujeitavam a senhores. Como seria possível que a ordem que não tinha terra nem “sangue” pudesse ousar a desafiar o regime de servidão?  Em 1349 foram aprovadas leis que proibiam trabalhadores de viajarem em busca de emprego, além de congelarem seus salários, com o claro intuito de restituir a situação social anterior. Anos depois, em 1363, os senhores fizeram valer uma lei que determinava quais trajes eram adequados para cada ordem, dando visibilidade à estrutura de desigualdade social na qual se apoiava a sociedade medieval. A terceira ordem, agora em melhor situação, aumentara seus ganhos e começara a adquirir roupas e tecidos outrora apenas disponíveis ao Clero e à Nobreza.  Segundo a lei, um camponês deveria se vestir como um camponês e não poderia gastar mais do que um determinado montante para suas roupas, além de estar proibido de usar qualquer vestimenta que fosse de uso das classes superiores. Havia severas penas para quem não cumprisse. A Nobreza e o Clero demonstravam concretamente, através desta lei , o incômodo e o ódio que sentiram ao ver que a terceira ordem, considerada naturalmente inferior, ousava em ter e vestir os mesmos hábitos. Ambas não concebiam ver condições de igualdade, não se reconheciam e não reconheciam o direito dos trabalhadores de ocuparem os “seus” lugares e vestirem “suas” roupas. Daí nascem um estranhamento e uma tensão que culminam na grande revolta de 1381, conhecida, posteriormente, como The Peasants’ Revolt.
As leis de segregação do final da Idade Média na Inglaterra não tiveram o efeito desejado pelas ordens que a fizeram. Pelo contrário, ao longo do século XV os campos da Inglaterra prosperam e os traços do sistema senhorial começam a se desfazer. A Inglaterra foi a primeira a abolir a servidão e a corveia, tornando-se a protagonista da longa transição, passando pelas revoluções do século XVII, para o capitalismo em sua totalidade (economia de mercado associada a direitos civis, políticos e, posteriormente, sociais). O país percorre um longo caminho para consolidar a igualdade perante a lei, em uma prática cotidiana e socialmente aceita.
Os atuais “rolezinhos” expressam uma situação social análoga à ilustrada acima, na breve citação sobre a história inglesa. Está claro que lidamos com realidades sociais distintas, que apresentam construções históricas também distintas, e que as classes sociais envolvidas apresentam diferenças em sua gênese e desenvolvimento. No entanto, a situação de incômodo tem sua origem em uma situação social (de consequências políticas e econômicas ainda em construção) muito semelhante: a apropriação dos meios e modos de vida das “primeiras classes” pelas “classes inferiores”. 
Na aurora do século XXI o Brasil cresce, a renda cresce, o crédito cresce. As cidades continuam vibrantes e barulhentas com seus automóveis, suas lojas e seus shoppings parecem tranquilos, pois ainda são frequentados pelas “devidas pessoas” com carros prateados. O Brasil é um espetáculo, Brazil takes off e, por conseguinte, a demanda por trabalho aumenta, especialmente no setor de serviços. Os salários reais se elevam como poucas vezes se viu na economia brasileira. Os pardos, negros, deslocados, periféricos não comerão apenas iogurte e frango, não se falarão apenas pelo uso de anacrônicas fichas metálicas, não cruzarão o país em velocidade pouco mais rápida que os Bandeirantes por terra. Agora, com melhores salários: carne fresca de primeira, celulares, Iphones, smartphones e todos os requisitos para se integrar à rede mundial (ainda uma integração virtual, que mais frustra do que realiza) e, por fim, os destinos se encontram mais em aeroportos do que em sujas e decadentes rodoviárias.
Então, há que se admirar e condenar o despautério, a arrogância, a impetuosidade desses que não conhecem seu lugar. Há que se domar e enquadrar esses que ousam sair da condição de submissos e que querem a igualdade, mesmo que seja a igualdade pelo consumo e pela inserção no mercado. Como na Inglaterra do século XIV, quer-se regular e restringir os direitos daqueles que não se mantém no seu lugar. Há pressa em corrigir o que está “fora do lugar” através das liminares. Porém, essas são peças jurídicas, expressão de conflito político regulado. Melhor, na dúvida, é mandar a cavalaria, a Guarda Pretoriana. Não são as vestes que farão a distinção, distinguem-se uns dos outros pelo cordão pretoriano que separa, ou antes, representa um país dividido.
O mal estar dos “rolezinhos” que ronda o Brasil não deriva do aumento da renda dos que vivem ao redor das cidades. Tampouco no simples ato de vestir e usar esse ou aquele tecido, esse ou aquele aparelho eletrônico, esse ou aquele carro (mesmo de segunda mão). Esse mal estar está na própria constituição de um país que foi um dos últimos a abolir a escravidão, que foi o que viveu a mais longa ditadura latino-americana no pós II Guerra.  Ou seja, uma história onde o pavor à Igualdade levou à supressão da Liberdade (para não falarmos da Fraternidade inexistente). Melhor presos em ditaduras e desiguais do que livres e iguais.  Afinal, trata-se de um país onde há gente diferenciada.
Ir e encontrar-se no shopping, em multidão, em reunião, é encontrar-se na Polis, na Ágora de uma sociedade onde o consumo nos parametriza e nos define. O uso fruto dos direitos civis requer o sentido de pertencimento, o qual não é dado pelos serviços públicos e, por extensão pelo Estado, mas sim pelo poder de compra, pelo ser aceito no mercado como consumidor.
A transição para a igualdade demora séculos e apresenta situações de tensão tão fortes quanto a desigualdade que tenta combater. O Brasil vive essa transição, ainda que parte dele não a queira fazer.


Fernando Ribeiro e Maurício Loboda Fronzaglia
Respectivamente, economista, professor da PUC-SP e do Insper e Doutor em Ciência Política, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ambos são sócios da Urbana Consultoria em Desenvolvimento Econômico e Social.

Sírios ‘comem grama’ para enfrentar fome em Homs

Sírios ‘comem grama’ para enfrentar fome em Homs



Atualizado em  29 de janeiro, 2014
Ruínas e sujeira em Homs (Reuters)
Cidade está sitiada e sob constante bombardeio, diz morador
Moradores da sitiada cidade de Homs, na Síria, estão tão desesperados por alimentos que têm comido "qualquer coisa que cresça no chão, plantas, até grama", disse à BBC o sírio Baibars Altalawy.

A cidade está sob ataque das tropas do governo há mais de um ano e meio.
Segundo Altalawy, os moradores das partes sitiadas dependiam de alimentos, remédios e combustível enviados ao local quando o estado de sítio foi imposto. Mas esses suprimentos acabaram.
"Se não morrermos por conta dos bombardeios ou dos franco-atiradores, vamos morrer de fome ou frio", disse Altalawy, de 24 anos, via Skype, de Homs.
A população local esperava que a conferência em Genebra, que discute a guerra civil na Síria, levasse à criação de rotas seguras para que os moradores pudessem abandonar Homs - mas Altalawy afirma que, se o regime quisesse ajudar a população a escapar, já o teria feito.
O mediador da ONU, Lakhdar Brahimi, tenta obter acesso humanitário à área sitiada, mas os diálogos permanecem emperrados. A delegação síria exige garantias de que a ajuda humanitária americana não irá para "grupos terroristas armados" na cidade.
São 13 distritos, incluindo a histórica Cidade Velha de Homs, que estão "totalmente sitiados", afirmou Altalawy.
"Há famílias, mulheres, idosos, feridos (ali), e muitos dos idosos precisam de medicamentos para doenças crônicas", prosseguiu o sírio. "Não temos recebido nenhuma ajuda, tudo o que vemos diariamente são confrontos. Os rebeldes nas áreas sitiadas estão fazendo o que podem para impedir a entrada das tropas do regime."

Fome

Na falta de alimentos, Altalawy diz que a população está colhendo qualquer tipo de planta ou grama. "Daí cozinhamos com água, usando madeira (para o fogo), porque não temos gás".
Só que essas gramas e arbustos têm causado indigestão e febre em alguns moradores. "Alguns dias atrás, um idoso morreu seis horas após comer a grama."
Altalawy afirma também que o bombardeio sobre a cidade não tem tido trégua - e que áreas de população civil estão sendo "diretamente alvejadas" pelas forças ligadas ao presidente Bashar al-Assad.
"Muitos morreram porque não temos equipamento ou medicamentos para salvar suas vidas. O pouco que sobrou de remédio está vencido, mas temos usado mesmo assim."

'Pouca esperança'

A situação médica é tão desesperadora quanto à situação humanitária, agregou. "Quando alguém é ferido, só o que podemos fazer é rezar a Deus para aliviar sua dor, porque não podemos tratá-lo ou sequer alimentá-lo."
Além da população sitiada, 700 mil pessoas foram forçadas a se deslocar por conta dos conflitos, diz o sírio - muitas estão abrigadas em prédios públicos ou em acampamentos improvisados fora das áreas bombardeadas.
Há "pouca esperança" quanto aos sucesso das negociações em Genebra.
"Estamos à beira da morte, e não há formas de tirar os doentes ou feridos (da cidade). E sabemos que qualquer pessoa que tente escapar do sítio será morta com certeza."

Por que China e não Cuba?

Por que China e não Cuba?

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A Caatinga pede Socorro, artigo de Davi Calado

A Caatinga pede Socorro, artigo de Davi Calado

 

 

Publicado em janeiro 28, 2014


Extração Ilegal de madeira deste Bioma, usado como Matriz Energética…

[EcoDebate] Diariamente dezenas de caminhões abarrotados de Madeira extraída irregularmente da Caatinga, cortam a principal via de ligação do estado de Pernambuco (BR 232). Semanalmente são centenas de caminhões empilhados de madeiras da vegetação nativa como: Melanoxylon brauna (Braúna), Poincianella bracteosa (Catingueira), Zizyphus Joazeiro (Juazeiro ou juá), Caesalpinea ferrea (Jucazeiro), Anadenanthera colubrina (Angico), Spondiastuberosaarruda (Umbuzeiro), Platycyamus regnellii (Pereiro), Lithraea molleoides (Aroeira Branca), Casearia Cambessedesia (Marmeleiro), Mimosa tenuiflora (Jurema preta), Anadenanthera Macrocarpa (Angico Vermelho) entre outras. Que estão sendo impiedosamente desmatadas e praticamente extintas em várias regiões do Semiárido Brasileiro, especialmente na divisa do sertão Pernambucano e Paraibano com o Agreste destes mesmos estados.
A região do agreste por ser um Ecótono (área de transição) entre a Mata Atlântica e a Caatinga, possui uma das maiores densidades demográficas do mundo neste tipo de clima. Devido a essa densidade os recursos naturais vêm sendo exauridos sem qualquer controle desde o século XVI. Os poucos fragmentos vegetais que ainda restam, estão sendo usados como Matriz Energética para várias atividades desenvolvidas nesta região, exterminando com essa prática, não só a Flora como também a Fauna e os demais recursos que dependem deste ciclo para sobreviver.
É triste ver, centenas e centenas de metros cúbicos de madeira nativa de nossa já fadada vegetação sendo extraída de maneira irregular de locais onde por lei deveriam está sendo protegidas, as APPs (Áreas de Proteção Permanente), como confere a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, regulamentada pelo Decreto nº 99.274, de 6 de junho de 1990, e tendo em vista o disposto nas Leis 4.771, de 15 de setembro e 1965, 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Estabelece parâmetro, definições e limites de uso destas áreas. Segundo a Lei, precisam ser Preservadas entre outros, os seguintes locais:
(I) – nível mais alto: nível alcançado por ocasião da cheia sazonal do curso d`água perene ou intermitente; (II) – nascente ou olho d`água: local onde aflora naturalmente, mesmo que de forma intermitente, a água subterrânea;
(III) – vereda: espaço brejoso ou encharcado, que contém nascentes ou cabeceiras de cursos d`água, onde há ocorrência de solos hidromórficos, caracterizado predominantemente por renques de buritis do brejo (Mauritia flexuosa) e outras formas de vegetação típica; (IV) – morro: elevação do terreno com cota do topo em relação a base entre cinquenta e trezentos metros e encostas com declividade superior a trinta por cento (aproximadamente dezessete graus) na linha de maior declividade; (V) – montanha: elevação do terreno com cota em relação a base superior a trezentos metros; (VII) – base de morro ou montanha: plano horizontal definido por planície ou superfície de lençol d`água adjacente ou, nos relevos ondulados, pela cota da depressão mais baixa ao seu redor; (VII) – linha de cumeada: linha que une os pontos mais altos de uma sequencia de morros ou de montanhas, constituindo-se no divisor de águas; (VIII) – restinga: depósito arenoso paralelo a linha da costa, de forma geralmente alongada, produzido por processos de sedimentação, onde se encontram diferentes comunidades que recebem influência marinha, também consideradas comunidades edificas por dependerem mais da natureza do substrato do que do clima. A cobertura vegetal nas restingas ocorrem mosaico, e encontra-se em praias, cordões arenosos, dunas e depressões, apresentando, de acordo com o estágio sucessional, estrato herbáceo, arbustivos e abóreo, este último mais interiorizado; (IX) – manguezal: ecossistema litorâneo que ocorre em terrenos baixos, sujeitos à ação das marés, formado por vasas lodosas recentes ou arenosas, às quais se associa, predominantemente, a vegetação natural conhecida como mangue, com influência flúvio- marinha, típica de solos limosos de regiões estuarinas e com dispersão descontínua ao longo da costa brasileira, entre os estados do Amapá e Santa Catarina; (X) – duna: unidade geomorfológica de constituição predominante arenosa, com aparência de cômoro ou colina, produzida pela ação dos ventos, situada no litoral ou no interior do continente, podendo estar recoberta, ou não, por vegetação; (XI) – tabuleiro ou chapada: paisagem de topografia plana, com declividade média inferior a dez por cento, aproximadamente seis graus e superfície superior a dez hectares, terminada de forma abrupta em escarpa, caracterizando-se a chapada por grandes superfícies a mais de seiscentos metros de altitude; (XII) – escarpa: rampa de terrenos com inclinação igual ou superior a quarenta e cinco graus, que delimitam relevos de tabuleiros, chapadas e planalto, estando limitada no topo pela ruptura positiva de declividade (linha de escarpa) e no sopé por ruptura negativa de declividade, englobando os depósitos de colúvio que se localizam próximo ao sopé da escarpa.
No entanto, nossa região, está desprovida de qualquer Ação do Estado de Coibir, Fiscalizar e/ou Punir os autores de tais danos ao Meio Ambiente neste lado esquecido do Brasil. “É praticamente impossível fiscalizar ou punir esse povo” (palavras de uma ex-funcionária do órgão de fiscalização ambiental do estado de Pernambuco), indagada sobre a enorme quantidade de caminhões que trafegam com madeira nativa do agreste e sertão de Pernambuco. Tráfego esse, que na sua maioria é feito durante a noite, para driblar uma Utópica fiscalização.
A madeira transportada é geralmente acomodada nos caminhões de modo que fique a vista somente a espécie Prosopis juliflora (Algaroba) que por ser uma espécie considerada invasora, tem seu manejo e extração considerado legal, enquanto as outras espécies citadas acima na reportagem, torne-se camuflada aos olhos alheios. Fato esse que não ocorreu nas imagens deste caminhão (flagrado) nesta imagem; de madeira em especial, que sem nenhum pudor não se deu ao trabalho de fazer esse tipo de camuflagem e deixou amostra muitas das espécies endêmicas citadas neste texto.


É preciso alternativas plausíveis para esse tipo de uso de Matriz Energética. Dados mostras que mais 50% do Bioma Caatinga já foi extinto, quanto à vegetação do Ecotono Agreste não possui dados precisos, no entanto, certamente mais de 90% já foi extinto, consequentemente a biodiversidade e os recursos hídricos que dependem desta condição natural também estão mais escassos a cada ano. Há alternativas tecnológicas disponíveis que podem substituir essa Matriz Energética, por outras que proporcionem um mínimo de impacto possível ao meio ambiente e que seja acessível a quem dela faz uso, como única alternativa.
Nossa região pela diversidade climática carece demais, da preservação dos recursos naturais, porém, o que estamos assistindo é justamente o contrário, é o extermínio impiedoso, da flora da fauna e de toda biodiversidade da região. Precisamos Educar e oferecer condições a nossa gente, em busca de um equilíbrio melhor entre o Homem e o Meio Ambiente. Capra, em A Teia da Vida, diz que, “nós não tecemos a Teia, somos apenas um fio dela, tudo que fizermos a Teia estamos fazendo a nós mesmos”.

Davi Calado Gestor Ambiental; Esp. Educação Ambiental; Tutor EAD-UNOPAR; Membro COBH- Rio Ipojuca; Auto do Livro – Rio Ipojuca da Nascente à Foz.
EcoDebate, 28/01/2014

Dicas para pedalar no frio

Dicas para pedalar no frio

 

Por Pedalamaringa - 28/01/2014

 

Dicas para pedalar no frio

Ainda bem que no Brasil não chegamos a estes extremos
Foto: Divulgação
 
Pedalar no frio é muito legal e pode gerar momentos épicos e memoráveis, desde que estejamos bem equipados! Para um passeio confortável de bicicleta, sem a necessidade de cuidados especiais, consideramos a temperatura ambiente acima de 20 graus. Abaixo dela, e em algumas condições específicas, conforme vamos verificar ao longo deste post, nosso “pedal” precisa de alguns cuidados que vão de um simples colete do tipo “corta-vento” até roupas mais específicas e “pesadas”.
Lógico que a sensação térmica é muito subjetiva e pessoal e é comum encontrarmos ciclistas “só de camiseta” com 10 graus de temperatura, bem como outros “super agasalhados” com 18 graus de temperatura. A regra geral deve ser sempre o conforto e o bom senso!
Uma vantagem do inverno são as temperaturas mais amenas durante o dia, menos umidade e a ausência daquele “sol escaldante” para o pedal! Mas como desvantagens temos a falta de chuvas que, aliada ao chamado “efeito estufa” e condições de poluição atmosférica dos grandes centros urbanos, faz com que a qualidade do ar piore consideravelmente, muitas vezes até não sendo indicado exercícios ao ar livre. E nestas condições podemos sempre realizar o “ciclismo indoor”. O importante é não parar de pedalar!
Atualmente, temos uma grande variedade de equipamentos e acessórios que tornam o ato de pedalar em baixas temperaturas tão bom quanto no calor. São os chamados “equipamentos e roupas técnicas”. Mas tome cuidado: por serem equipamentos específicos, muitas vezes os preços atingem as alturas!
Pela nossa experiência, é possível se equipar adequadamente com um investimento bem razoável. E é lógico que não estamos falando de como os ciclistas “das antigas” faziam: colocar jornal por baixo da roupa! Acredite: isto funciona e já me livrou de muitas “roubadas”!
Um erro muito comum é o uso do famoso moletom com camisa de algodão. Eles acumulam muita umidade produzida pela corpo e demoram a secar, o que pode causar assaduras, micoses e resfriado, devido ao contato constante com a roupa molhada de suor. Além disso, o moletom é geralmente muito folgado no corpo e pode enroscar em galhos, postes ou até na própria bicicleta, gerando até acidentes.

Roupas para o frio

Nas baixas temperaturas, o mais importante é se vestir “em camadas”, como uma cebola. Quando inicamos a pedalada estamos “frios” e sentimos mais a necessidade de estarmos agasalhados. À medida em que vamos nos aquecendo, começamos até a sentir calor, e as camadas de roupas podem ser removidas aos poucos. Portanto, não adianta usar somente uma camiseta e um casaco pesado.
O ideal, então, é usar como “primeira pele” uma camiseta ou camisa do tipo “dry fit”, que absorve e expele o suor, um agasalho leve para aquecer, que pode ser do tipo “polartec” ou “fleece”, uma espécie de “moleton” moderno, que também atua como um “dry fit”. Neste tipo de agasalho, encontramos várias espessuras, que podem “segurar” tanto uma temperatura amena de uma manhã de outono, até quase um “frio polar”. Opte sempre pelo meio-termo. Por fim, um colete ou jaqueta do tipo “corta-vento”, de preferência impermeável. O importante é sempre manter a área do peito aquecida e protegida, para evitar problemas respiratórios.
Dependendo da temperatura, podemos utilizar gorros, toucas térmicas e até balaclavas. É muito importante proteger a região da cabeça, uma vez que ela é a grande responsável pela perda de energia térmica. Temos à disposição até “protetores de orelha”, geralmente feitos com o mesmo material do agasalho polartec acima.


Ciclistas preparados para o frio e chuva

Além dessas dicas, ainda há os chamados “tecidos inteligentes”. Os mais comuns nas lojas são os do tipo “termodry”, “coolmax”, “goretex” e “dryfit”. Converse sempre sobre as suas necessidades com o vendedor e procure comprar em lojas especializadas, que não necessariamente precisam ser de ciclismo, mas podem ser de “esportes outdoor”. Nestas lojas encontramos mais variedades de equipamentos, pois a necessidade dos alpinistas, caminhantes e demais praticantes de esportes outdoor no frio são muito parecidas com a do ciclista!
Além de tudo isto, ainda temos os tradicionais “manguitos” e “pernitos”, que são peças exclusivas para serem vestidas nas pernas e braços, como se fossem “grandes meias”. A vantagem deste equipamento é que ele é fácil de tirar e guardar. É muito comum vermos os ciclistas, em especial os mais experientes, se utilizarem deste vestuário, pois muitas vezes conseguimos até retirá-los e ou dobrá-los durante o pedal! Geralmente eles também são feitos nos materiais mencionados acima, pois sua função é a deaquecer.
Existe uma diferença entre o vestuário para aquecimento e o vestuário para proteção contra o vento. O ideal é compor o visual pensando nas duas situção. Uma dica é começar com roupas que aquecem(segunda pela, camisa de ciclismo, agasalho leve, manguitos e pernitos) e terminar com roupas queprotegem do vento (jaquetas e coletes do tipo “corta-vento”), sempre lembrando das tradicionais luvas de dedo longo (que podem, sob frio muito intenso, ser de número maior acomodando uma luva térmica por baixo da luva de ciclismo), óculos e capacete.
No quesito calças (apesar da resistência de alguns quanto ao efeito “bailarina” – uma bobagem, por sinal), o ideal é usarmos a bermuda de ciclismo com os “pernitos”. Se a temperatura estiver muito baixa, podemos usar calças compridas do tipo “segunda pele”, com a bermuda de ciclismo por cima.Dependendo da temperatura, podemos usar o “overshoe” (ou cobre-sapatos), uma espécie de grande meias sem sola colocada sobre as sapatilhas, fazendo a ligação dos pés com as pernas, uma área geralmente descoberta e muito sensível.

Ciclista agasalhado e com protetor de orelha sob o capacete, mas de bermuda
Devemos nos lembrar também de usar protetor labial e, em pedaladas mais longas, colírios e/ou soro fisiológico para manter os olhos livres de ressecamento. E lembre-se sempre de retirar toda a roupa úmida e suja imediatamente após a pedalada.

Preparação

Pronto! Estou vestido, preparado e equipado para o pedal. Agora então é só pedalar. Não! No inverno, a necessidade do alongamento e aquecimento prévio é bem maior! Devemos prolongar o tempo do alongamento, e não a intensidade dos movimentos, aquecendo também as mãos e os pés.
Inicie com um pedal leve e, se possível, com a rotação bem elevada (acima de 90 RPM), utilizando uma marcha bem leve. Faça isto por 5 a 10 minutos. Lembre-se também de “desaquecer”, fazendo a mesma coisa ao final do pedal.
Mantenha sua hidratação sem alterações, com um gole generoso a cada 30 minutos, mesmo sem vontade de beber. Se o pedal for longo, aumente em cerca de 1/3 o que costuma levar para comer, pois no inverno costumamos sentir mais fome. Evite sair no início da manhã, quando as temperaturas ainda estão muito baixas, e durante a noite. O período mais propício para o pedal nestas condições é na hora do almoço, até o meio da tarde, para os que puderem.

Corte Internacional determina nova fronteira marítima entre Chile e Peru

Por Thomas Escritt e Antonio De la Jara

HAIA/SANTIAGO, 27 Jan (Reuters) - A Corte Internacional de Justiça (CIJ) de Haia estabeleceu nesta segunda-feira uma nova fronteira marítima entre Chile e Peru, em uma decisão que ambos os países se comprometeram a acatar para superar uma disputa que causou atritos diplomáticos, mas sem prejudicar o comércio.
Há uma década, os vizinhos sul-americanos disputam uma área no oceano Pacífico quase do tamanho da Suíça. Com a decisão inapelável, o Peru ganhou mais da metade da extensão que solicitava, mas o Chile ficou com a zona mais rica em recursos pesqueiros.
Os presidentes chileno e peruano, que se encontrarão pessoalmente na quarta-feira durante uma cúpula latino-americana em Cuba, se comprometeram a respeitar a resolução do tribunal.
No Chile, o presidente Sebastián Piñera disse que a sentença confirmou a demanda chilena, em substância, apesar de ceder uma parte de mar ao Peru.
"Sem dúvida essa cessão constitui uma lamentável perda para nosso país", disse o mandatário chileno em discurso.
"Tentaremos fazer com que ambos os países resolvam todos os seus temas pendentes de forma a permitir que Chile e Peru concentrem suas agendas, suas visões, esforços e compromissos na agenda do futuro, que é a agenda integração", acrescentou.
A decisão estabeleceu uma linha paralela no mar de 80 milhas náuticas e determinou a partir deste ponto uma linha equidistante para sudoeste. Além disso, a corte não alterou o ponto de início da fronteira terrestre fundamentado pelo Chile "para delimitar a fronteira marítima".
O Peru havia apresentado formalmente a demanda há seis anos buscando como fronteira marítima uma linha equidistante traçada em direção sudoeste desde o limite na costa. O Chile garantia que a fronteira já havia sido fixada com uma linha paralela.
"O Peru está satisfeito com o resultado desta opção de paz", disse o presidente do Peru, Ollanta Humala, que considerou que seu país ganhou 70 por cento de sua demanda.
"Serão adotadas de imediato as ações e medidas necessárias para a sua rápida implementação", disse o mandatário, que espera que o Chile atue de maneira semelhante.
Com a decisão desta segunda-feira, dos 38.000 quilômetros quadrados em disputa, o Peru obteve cerca de 20.000 quilômetros e o Chile manteve soberania sobre uma área com recursos pesqueiros estimados em 200 milhões de dólares anuais.
Humala disse que a CIJ reconheceu um espaço de direitos soberanos para o Peru que calculou preliminarmente 50.000 quilômetros quadrados, incluindo uma área que antes fazia parte de águas internacionais.
SENTENÇA EQUITATIVA
O presidente da CIJ, Peter Tomka, anunciou a decisão dos 16 juízes do tribunal que pôs fim à demanda inicialmente apresentada pelo Peru em 2008 e que gerava mais ruído político do que prejuízos econômicos entre duas das economias mais vibrantes da América Latina.
O Chile é um dos maiores investidores latino-americanos no Peru, com uma presença no comércio varejista, de transporte e de serviços calculada em 12 bilhões de dólares.
Do outro lado de fronteira, a peruana é uma das maiores comunidades estrangeiras em terra chilena e os investimentos peruanos somam 8 bilhões de dólares e se concentram, sobretudo, no setor de construção e de servições.
No centro de Santiago, reinava o sentimento de um julgamento justo. "Os dois povos ficaram no empate. Apenas os empresários chilenos acabaram perdendo", disse Jaime Madrid, um trabalhador administrativo.
Em Lima, cerca de 1.000 pessoas gritaram em frente ao Palácio do Governo, com certa alegria no fim da leitura do veredicto. "Aqui não há vencedores ou perdedores. Estamos felizes de ter fronteiras marítimas", disse Jorge Morales, um trabalhador da construção civil.

(Reportagem adicional de Marco Aquino, Teresa Céspedes, Patricia Vélez, Lucas Iberico Lozada e Mitra Taj, em Lima; e de Fabián Cambero e Alexandra Ulmer, em Santiago)