Páginas

terça-feira, 23 de abril de 2013



Golpe institucional na Itália

BCE impõe reeleição de Georgio Napolitano e silencia voto de protesto
23/04/2013
Achille Lollo
De Roma (Itália)

Após dois meses das eleições e em meio a uma dura recessão, os italianos descobriram que o futuro institucional do país havia sido definido em Bruxelas pelos “técnicos” da BCE e seus “consultores" das agências de rating e dos grandes bancos europeus. O objetivo deles era chegar à formação de um governo “de entendimento nacional” (formado pelo centro-esquerda e a direita) e a eleição de um presidente capaz de garantir a implementação da agenda financeira da Tríade (FMI, BCE, e BM). 
Durante 55 dias o secretário-geral do Partido Democrático (PD), Piergiorgio Bersani, conseguiu enrolar os italianos dando inúmeras entrevistas para explicar que estava negociando a formação de “um governo responsável”, apesar de não dizer que ele e o presidente Giorgio Napolitano haviam vetado a formação de um “governo programático” com o Movimento 5 Estrelas e assim realizar as principais reformas institucionais e econômicas desejadas pelos italianos. 
Propostas de lei que mereciam a simpatia de uma parte do PD, de alguns setores de liberais independentes e do principal partido da coalizão de centroesquerda (SEL – Socialismo, Ecologia e Liberdade) tendo em vista o fracasso da economia que hoje sofre com uma dívida pública de 127% do PIB, um crescimento negativo de -0,5%, enquanto o desemprego atinge quase 27% da força de trabalho. Na realidade, a possibilidade de um governo “progressista” – formado unicamente pelos partidos da coalizão de centro- esquerda liderada pelo PD e os parlamentares do Movimento 5 Estrelas – enfureceu não só a direita e os falidos banqueiros italianos, mas, sobretudo, a classe política europeia que, após o susto sofrido com o possível rompimento do status quo em Portugal, Espanha e, sobretudo, na Grécia, não queria que a Itália oferecesse novas lições de rupturas institucionais. 
A solução desenhada pelos estrategistas do Banco Central Europeu (BCE) foi montar com a mídia um cenário político apto a silenciar o voto de protesto dessas eleições, enquanto as lideranças dos partidos ligados à lógica de mercado fomentavam em suas bases o restabelecimento da “ordem europeia”. 
Suicídio político 
Antes de analisar a formação do “governissimo” com Bersani (PD), Berlusconi (PdL) e Mario Monti (CC), é preciso dizer que em função da burlesca atuação política do grupo dirigente do PD e, sobretudo, da triste atuação seu secretário- geral, Piergiorgio Bersani, o Partido Democrático praticamente implodiu. Tanto que a direção nacional “se demitiu” logo após a fração majoritária liderada por Massimo D’Alema ter utilizado o voto secreto para impedir que Romano Prodi fosse eleito novo presidente da República. 
É imperativo dizer que Romano Prodi, além de ter sido duas vezes primeiro-ministro liderando a coalizão do PD com a Rifondazione Comunista, é, também, um dos fundadores do próprio Partido Democrático. Portanto, teria sido o candidato ideal para suceder a Giorgio Napolitano se não fosse inimigo jurado de Berlusconi e não tivesse a disposição de engolir as diretivas recessivas da BCE. Prodi era, de fato, um candidato que, potencialmente, poderia criar uma nova área de renovação institucional. 
Com sua experiência na política europeia e internacional, certamente, teria impedido que o “dicktat” dos banqueiros da Alemanha, França e Grã-Bretanha pesasse sempre em desfavor da Itália nas decisões da União Europeia. É evidente que um presidente da República desse tipo teria monitorado a formação do novo governo progressista coma participação do Movimento 5 Estrelas, de Beppe Grillo.  Porém, essa provável solução era inaceitável para os estrategistas da BCE. 
A alemã Angela Merkel, o presidente francês Hollande e o primeiro-ministro britânico, Nick Cameron, se manifestaram contrários à possível participação do Movimento 5 Estrelas no novo governo italiano. Foi nessa onda que Silvio Berlusconi, em um comício realizado em Bari (sul da Itália), ameaçava que “se Romano Prodi for eleito presidente da República, eu, Silvio Berlusconi, vou ser o primeiro a dever fugir da Itália porque o país será novamente governado pelos comunistas.” 
Uma lavagem cerebral que teve seus efeitos sobretudo na classe política. De fato, e por mais absurdo que pareça, quando no Parlamento, no dia 18 de abril, o secretário do PD, Bersani, apresentou a candidatura de Romano Prodi à presidência da República, todos os parlamentares desse partido se levantaram e aplaudiram. Porém, quando foram votar, 101 deles rejeitaram seu nome revelando todas as contradições e os oportunismos traiçoeiros desse partido. Uma escandalosa situação que levou a deputada Rosy Bindi a anunciar logo sua demissão da direção nacional do PD, citando a traição dos princípios fundadores do partido. 
A seguir houve a calorosa reação das bases do PD, que em Roma foram em frente ao Parlamento gritar “vergonha, vergonha”, enquanto queimavam as cédulas do partido. Diante disso os restantes membros da direção nacional anunciavam sua demissão, porém declaravam que permaneciam até a formação do novo governo. Isto é, permaneciam para finalizar o suicídio político do PD. 
“Inciucio” e “Porcellum”
Na linguagem política italiana foram introduzidos dois termos – “Inciucio” (bagunça, tradução livre) e “Porcellum” (leitão, tradução livre) – que representam, perfeitamente, o torpor institucional e a letargia política da classe dirigente dessa Segunda República. 
De fato, o termo “Inciucio” foi utilizado todas as vezes que as lideranças do centro- esquerda fizeram um acordo com a direita “na calada da noite”, contrariando as decisões de suas bases eleitorais. Por outro lado, “Porcellum” é o sistema eleitoral criado pelos homens de Berlusconi que recompensa o vencedor das eleições apenas na Câmara de Deputados com a duplicação de seus parlamentares, de forma a permitir ao vencedor que tenha uma maioria absoluta de 51%, mesmo se for eleito com 28%. 
Um estratagema institucional que permitiu as coalizões de centro-direita formadas ao PdL de Berlusconi de governar por quase 15 anos. Em março, contudo, foi a vez do Partido Democrático saborear com o “Porcellum” o prazer de ser majoritários na Câmara, com 521 deputados. Uma sensação que Bersani e D’Alema tiveram por poucas horas, visto que no Senado o “Porcellum” premia apenas a coalizão que recebe mais votos nas oito grandes regiões, notadamente controladas pelas coalizões de centro-direta. 
Por isso, Massimo D’Alema – que na história do PD é o líder da facção que reúne os ex-comunistas que rejeitaram o leninismo para apoiar a tese do compromisso histórico de Berlinguer e a opção europeísta do social-liberalismo de Napolitano – logo após o fechamento das urnas anunciava que “para governar a Itália com responsabilidade era necessário realizar um governo de entendimento com o partido de Berlusconi.” 
Quer dizer que a velha raposa do PCI violava novamente a decisão dos eleitores do PD justificando outro “Inciucio” ser “a única solução política para formar um governo duradouro e responsável.” 
Não dizia D’Alema que esse “Inciucio” recolocava novamente Berlusconi, a coalizão de centro-direita do PdL, no centro da política italiana, dando-lhe, até, um reinício político. Pelos demais analistas o “Inciucio” de D’Alema – que, é bom lembrar, se realizou com o voto secreto dos 101 parlamentares da facção “dalemiana” – na realidade foi sugerido pelo próprio presidente Giorgio Napolitano após a imprensa ter ventilado a candidatura de Romano Prodi. De fato, Napolitano foi logo na televisão para falar que “a formação do novo governo deve considerar a positiva experiência do governo de entendimento nacional de 1976.” 
Isto é, quando o PCI de Berlinguer sustentou silenciosamente e apoiou com todas suas forças o governo da Democracia Cristã, não obstante esse fosse um dos mais reacionários e anti- operário da época. Um “Inciucio” que Beppe Grillo denunciou após a primeira e única reunião com o secretário do PD, Bersani, em que foi evidente que a parte majoritária do PD não queria promover a implementação de reformas institucionais, políticas e socioeconômicas aptas a mudar o status quo da crise italiana. 
Nesse âmbito, a rejeição de Romano Prodi e, sobretudo, a reeleição do presidente Giorgio Napolitano (único caso em 60 anos de regime republicano) por um mandato de mais 7 anos, apesar dele ter já 84 anos, foi a chave política para abrir as portas do poder ao novo “Inciucio” de D’Alema com Berlusconi.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

(Dois breves textos que servem de apoio as últimas aulas apresentadas)

O que é o Consenso de Washington?


          A expressão Consenso de Washington, chamada também de neoliberalismo, nasceu em 1989, 
criada pelo economista inglês John Williamson, ex-funcionário do Banco Mundial e do 
Fundo Monetário Internacional (FMI). Numa conferência do Institute for Intemational Economics (IIE), em 
Washington, Williamson listou políticas que o governo dos Estados Unidos preconizava para a crise 
econômica dos países da América Latina.

          Por decisão do Congresso norte-americano, as medidas do Consenso de Washington foram adotadas 
como imposições na negociação das dívidas externas dos países latino-americanos. Acabaram se tornando 
o modelo do FMI e do Banco Mundial para todo o planeta. De outro lado, movimentos nacionalistas e de 
esquerda criticam essa política e protestam contra sua aplicação.
          O neoliberalismo prega que o funcionamento da economia deve ser entregue às leis de mercado. 
Segundo seus defensores, a presença estatal na economia inibe o setor privado e freia o desenvolvimento. 
Algumas de suas características são:
 Abertura da economia por meio da liberalização financeira e comercial e da eliminação de barreiras aos 
investimentos estrangeiros;
 Amplas privatizações; 
 Redução de subsídios e gastos sociais por parte dos governos;
 Desregulamentação do mercado de trabalho, para permitir novas formas de contratação que reduzam 
os custos das empresas.

           Historicamente, as idéias do neoliberalismo se contrapõem ao keynesianismo – ideário formulado 
pelo economista John Keynes(1883-1946), dominante no período do pós-guerra,a partir de 1945, que 
defendia um papel determinante e uma presença ativa do Estado na economia como forma de impulsionar 
o desenvolvimento.Os mais conhecidos elaboradores do neoliberalismo são os economistas Friedrich Hayek, 
austríaco, e Milton Friedman, norte-americano, ambos vencedores do Prêmio Nobel de Economia na década 
de 1970.

Globalização


          Outra palavra que passou a designar a atual fase da economia mundial é globalização. A palavra indica 
que há crescente interdependência entre mercados, governos, empresas e movimentos sociais em nível 
global. Se é verdade que as economias dos países estão hoje mais integradas do que nunca, o fenômeno em 
si começou há muito tempo. Os primeiros passos rumo à conformação de um mercado mundial e a uma 
economia global remontam aos séculos XV e XVI, com a expansão ultramarina européia. Quando Cristóvão 
Colombo chegou à América, em 1492, deu início ao que alguns historiadores chamam de primeira globalização. 
O desenvolvimento do mercantilismo estimulou a procura de diferentes rotas comerciais da Europa para a 
Ásia e a África, cujas riquezas iriam somar-se aos tesouros extraídos das minas de prata e ouro do continente 
americano.

          Essas riquezas forneceram a base para a Revolução Industrial no fim do século XVIII. As descobertas 
científicas e as invenções provocaram enorme expansão dos setores industrializados e ampliaram o mercado 
para a exportação de produtos.
          Começaram a surgir, no fim do século XIX, as corporações multinacionais, industriais e financeiras, que 
irão se reforçar e crescer no século seguinte. A interdependência econômica entre as nações tornou-se mais 
evidente em 1929: após a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, a depressão econômica norte-americana 
teve conseqüências negativas em todo o mundo.
          O fim do século XX assiste a um salto nesse processo. Em 1989 ocorre a queda do Muro de Berlim, marco 
da derrocada dos regimes comunistas na União Soviética e no Leste Europeu. Nos anos seguintes, esses países 
serão integrados ao sistema econômico mundial. A integração acentuou-se a partir dos anos 1990, por 
intermédio da revolução tecnológica, especialmente no setor de telecomunicações. A internet, rede mundial de 
computadores, revelou-se a mais inovadora tecnologia de comunicação e informação do planeta. As trocas de 
informações (dados, voz e imagens) tornaram-se quase instantâneas, o que acelerou em muito o fechamento 
de negócios.
          Com a expansão do comércio, ocorreu a intensificação do fluxo de capitais entre os países. A busca de 
maior lucratividade levou as empresas a investir cada vez mais no mercado financeiro, que se tornou o 
epicentro da economia globalizada. 
           A atual mobilidade do mercado mundial permite que grandes empresas façam relocalizações de 
fábricas - nome que se dá ao fechamento de unidades de produção em um local e sua abertura em outra 
região ou outro país. Esse mecanismo é globalmente usado para cortar gastos com mão-de-obra, encerrando 
a produção em países nos quais os salários são maiores para organizar a produção onde há custos menores.
          Um exemplo são as "maquiladoras", empresas abertas no norte do México, logo ao sul dos EUA, que 
apenas montam uma série de produtos, utilizando trabalhadores que recebem salários bem mais baixos que os 
pagos no mercado norte-americano. Grande parte da recente industrialização da China também ocorre com a 
abertura de fábricas de multinacionais, que se beneficiam dos baixos salários locais. Esse fenômeno influencia 
no "desemprego estrutural", ou seja, uma elevação no número de desempregados que não é causada por fatores
passageiros (como uma recessão), mas por motivos estruturais da própria economia mundial. Cria-se uma 
divisão na qual os países ricos concentram as empresas de alta tecnologia, com alto faturamento, espalhando 
pelo resto do mundo as indústrias que exigem grande quantidade de mão-de-obra.
          Atualmente, os maiores investidores internacionais podem, com o simples acesso ao computador de um 
banco, retirar milhões de dólares de nações nas quais vislumbram problemas econômicos. Quando os países se 
tornam 
excessivamente vulneráveis a esses movimentos bruscos de capital, os organismos internacionais como o FMI 
podem liberar empréstimos para que possam enfrentar a fuga de dólares. Em contra partida, os governos
 beneficiados ficam obrigados a obedecer ao receituário ditado pela instituição, que é basicamente o 
estabelecido pelo Consenso de Washington.
          O problema é que, além de muitas vezes penalizar as populações carentes, por causa da desativação 
ou da desaceleração dos investimentos sociais, essas políticas tendem a frear o crescimento econômico, por 
força da maior carga tributária, do congelamento de investimentos públicos e da elevação dos juros.
          A globalização acenou com perspectivas que não se concretizaram. Imaginou-se um mundo integrado 
economicamente e sem fronteiras. Pelas previsões de seus propagandistas, novas tecnologias e métodos 
gerenciais promoveriam o aumento geral da produtividade, o bem-estar dos indivíduos e a redução das 
desigualdades entre as nações. 
          Não é isso, porém, que se vê no mundo. Com freqüência, as reformas neoliberais não trouxeram
progresso nem melhoraram a distribuição de renda. Em muitas nações, a miséria cresceu, como mostra o 
relatório citado sobre a América Latina. 
          Na África Subsaariana (países ao sul do Saara), a pobreza cresceu muito nesse período. Nessa região, 
desde 1981, a redução de 13% no PIB per capita fez com que dobrasse o número de pessoas que vivem com 
menos de 1dólar por dia, de 164 milhões para 314 milhões. Nos países do Leste Europeu, o número de pessoas 
na miséria atingiu 6%em 2000; antes, esse percentual era quase zero.
          Na verdade, os países industrializados continuaram prosperando mais que os emergentes. Se em 1990 
a renda média dos 20%mais ricos da economia mundial era 60 vezes maior que a dos 20% mais pobres, em 
1999 ela passou a ser 74 vezes maior.

FONTE: Atualidades Vestibulares – Editora Abril





Terroristas de Boston são chechenos, o que isto significa?



Vitória de Cartes marca retorno de colorados no Paraguai

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/04/130422_paraguai_colorado_ru.shtml


Peço desculpas pela demora com novas postagens e também com os conteúdos referentes as aulas, infelizmente questões de âmbito pessoal me impediram de acessar o blog nos últimos dias, tentarei disponibilizar todo o conteúdo necessário com maior agilidade. Obrigado a todos que acompanham este espaço.



Sérvia e Kosovo chegam a acordo histórico



A geografia da Apple
(esse link está relacionado com o mundo globalizado que vivemos, observem também que o Brasil está presente com uma unidade da Foxconn, em Jundiaí)