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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Crise por eventual calote pode ser pior que a de 2008, adverte Tesouro dos EUA

Crise por eventual calote pode ser pior que a de 2008, adverte Tesouro dos EUA

 

Atualizado em  4 de outubro, 2013
Protesto no Congresso (Reuters) 
Estimativa é a de que paralisação tenha custado ao país US$ 300 milhões por dia
 
Um calote inédito dos Estados Unidos seria "catastrófico" para a economia americana – palavras do próprio Tesouro do país – e "desastroso" para o resto do mundo, nas palavras de um especialista brasileiro.

Mas é exatamente esse o retrato que um relatório do Tesouro pintou, com cores fortes, nesta quinta-feira para tentar pressionar o Congresso a negociar a elevação do teto da dívida americana, que precisa ser concluída nas próximas duas semanas.
Por falta de entendimento entre congressistas republicanos e democratas, os Estados Unidos estão pelo terceiro dia consecutivo com os serviços públicos federais paralisados.
Se os efeitos econômicos dessa paralisação já são notáveis – analistas estimam que custe ao país US$ 300 milhões por dia –, pior são as perspectivas sobre o que pode acontecer até o fim do mês, se o Congresso continuar dividido e não conseguir negociar a elevação para o teto da dívida americana.
"Os mercados creditícios podem congelar, o valor do dólar pode despencar e as taxas de juros nos Estados Unidos podem disparar, potencialmente resultando em uma crise financeira e uma recessão que ecoariam os eventos de 2008 ou pior", alertou nesta quinta-feira o Tesouro em um relatório.
Os Estados Unidos estão prestes a atingir o teto do seu endividamento – US$ 16,7 trilhões – e o Tesouro precisa da autorização do Congresso para continuar rolando os compromissos através de novos empréstimos.
Se os congressistas não chegarem a um acordo até o próximo dia 17, o órgão ainda poderia saldar seus compromissos por cerca de duas semanas. Mas sem um acordo final acabaria decretando o calote dos seus títulos.
"A sequência do que poderá acontecer é uma grande incógnita, porque não se conhece nenhum caso de um país com a importância dos Estados Unidos que tenha dado um calote na sua dívida", disse à BBC Brasil o professor de Economia Internacional da PUC-SP Antônio Carlos Alves dos Santos.
"As consequências seriam desastrosas para a economia mundial como um todo. No caso do Brasil a situação seria complicada, porque a situação econômica do país já não é muito boa, e não queremos um choque externo que teria ainda mais impacto na economia brasileira."

Prejuízos de antemão

Muitos analistas acreditam que, com o governo americano paralisado e o prazo para um acordo sobre a dívida dobrando a esquina, as negociações sobre estes dois temas no Congresso acabariam coincidindo.
Foi o presidente Barack Obama quem sugeriu que em vez de avançar conjuntamente, os dois temas possam seguir conjuntamente trancados.
Em uma entrevista à rede de TV CNBC, ele disse que não vai negociar a dívida com o partido Republicano enquanto a sigla estiver, segundo ele, "refém" de uma "ala extremista" agindo por motivações ideológicas.
Os "extremistas" a que o presidente se refere são os membros do grupo chamado Tea Party, que condicionam a reabertura das torneiras do governo federal a um adiamento da lei da saúde aprovada em 2010.
Nesta quinta-feira, o presidente voltou à carga contra os republicanos afirmando que, "por irresponsável que seja uma paralisação do governo, uma paralisação econômica resultante de um calote seria muito pior".
Ecoando as palavras do presidente, o relatório do Tesouro afirma que a simples possibilidade de um calote pode injetar pânico nos mercados financeiros e espalhar efeitos negativos pela economia.
Em 2011, quando o Congresso também viveu um impasse, mas conseguiu elevar o teto da dívida antes do esgotamento de todas as medidas extraordinárias, as incertezas se traduziam em volatilidade nos mercados, elevação das taxas de risco e dos juros das hipotecas, desconfiança na economia e reduções no consumo e gasto de indivíduos e empresas – ultimamente, em um baque na própria atividade econômica.
"Como vimos dois anos atrás, as incertezas sobre se a nossa nação vai saldar suas dívidas dentro do prazo ferem a nossa economia", disse o secretário do Tesouro, Jacob Lew.
"Adiar a elevação do teto da dívida até o último minuto é exatamente o que a nossa economia não precisa", disse Lew. "Nossa nação trabalhou duro para se recuperar da crise de 2008, e o Congresso deve elevar o teto da dívida antes que a recuperação seja posta em risco."

Pressão de Wall Street e do FMI

Protesto no Congresso (AFP) 
Os EUA estão prestes a atingir o teto do seu endividamento: US$ 16,7 trilhões
 
Os prospectos são tão negativos que, curiosamente, os mercados mantiveram certa calma nos primeiros dois dias da paralisação do governo. Os principais indicadores americanos operaram em queda, mas o mercado ainda acredita que haverá acordo para desviar o país do abismo.
"É um cenário de consequências tão terríveis que temos até dificuldade de pensar nele", diz o professor da PUC-SP. "Mas é claro que à medida que se aproxime o dia 17 de outubro, seremos obrigados a pensar nele com mais realismo."
O panorama da economia mundial, ele argumentou, é "grave" comparado a 2011: Grécia, Portugal e Irlanda são fonte de instabilidade na União Europeia e a economia brasileira registra um crescimento "medíocre"
A possível crise da dívida e os efeitos sobre a economia mundial foram pauta de uma discussão entre o presidente Obama e líderes empresariais de Wall Street esta semana.
Nesta quinta-feira, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, ecoou essas preocupações e fez pressão sobre o Congresso americano para que negocie a elevação do teto da dívida.
Em uma palestra sobre os desequilíbrios que ainda acarretam incertezas para a economia mundial, Lagarde disse que "em meio ao desafio fiscal, as atuais incertezas políticas em relação ao orçamento e o teto da dívida não ajudam".
"A paralisação do governo é ruim o suficiente, mas o fracasso em elevar o teto da dívida seria muito pior", disse Lagarde. "Poderia prejudicar seriamente não apenas a economia americana, mas toda a economia global."
A chefe do FMI disse que solucionar o impasse no Congresso o mais rápido possível "é uma missão urgente".

Aurora boreal surpreende moradores de cidade dos Estados Unidos

Aurora boreal surpreende moradores de cidade dos Estados Unidos

 

Imagens registradas no dia 1º mostram as “luzes do Norte”, nome popular para a aurora boreal, sobre a região de Havre, no estado de Montana, nos Estados Unidos. De acordo com a agência de notícias Associated Press, as fotos foram feitas de uma rodovia norte-americana.
Resultado da interação de partículas de vento solar com a atmosfera da Terra, as auroras podem causar alterações nos sistemas de satélites e afetar comunicação por rádio nos polos.
Normalmente, as auroras boreais podem ser vistas apenas na região do Círculo Polar Ártico, principalmente em países como Noruega, Suécia, Dinamarca, Finlândia, Rússia, parte da América do Norte e na Escócia.
Como durante o verão na região, há luz 24 horas por dia, o fenômeno é melhor visualizado durante o inverno no Hemisfério Norte. 

(Fonte: G1)

Fonte: http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2013/10/04/98730-aurora-boreal-surpreende-moradores-de-cidade-dos-estados-unidos.html

Como o trânsito inferniza até a vida das abelhas

Como o trânsito inferniza até a vida das abelhas

Asma, bronquite, doenças cardiovasculares…A conta que o corpo humano paga por causa do trânsito carregado nas grandes cidades é velha conhecida da Ciência. Mas não são apenas as pessoas que padecem com a poluição do ar. Um novo estudo indica que a queima de combustíveis fósseis, especialmente do diesel, inferniza também a vida das abelhas.
De acordo com a pesquisa, publicada no periódico científico Nature, a poluição elimina o odor das flores, o que confunde as abelhas e afeta sua capacidade de sobreviver e polinizar.
As abelhas têm um senso de olfato sensível e uma excepcional capacidade de aprender e memorizar novos odores. É a partir desses odores, que elas localizam e reconhecem as flores onde colhem seu alimento.
“Em um ambiente ideal de campos verdes e ar puro, as abelhas têm pouco problema em traçar a origem dos aromas das flores. Mas, em uma zona urbana poluída ou ao longo de rodovias, a exaustão do carro altera violentamente a composição química dos odores das plantas ou até mesmo os elimina completamente”, explicam os pesquisadores da Universidade de Southampton, do Reino Unido.
Eles chegaram a essa conclusão depois de testes com um membro de flor amarela da família do repolho, conhecida como colza . Eles misturaram odores químicos mistos encontrados no perfume da flor com os da exaustão do diesel e, então, borrifaram o composto em um área explorada pelas abelhas. O resultado surpreendeu os pesquisadores: os insetos simplesmente não demonstraram nenhum sinal de reconhecimento do aroma original das flores.
Se elas não comem, também não polinizam – Os pesquisadores especulam que os compostos de nitrogênio do escape, óxido nítrico e dióxido de azoto, são os principais responsáveis pela aniquilação dos cheiros de flores. De acordo com a pesquisa, ao não conseguirem encontrar as flores para colher o néctar, as abelhas também deixam de coletar o pólen.
Três quartos das culturas alimentares do mundo dependem de abelhas e outros polinizadores, um serviço ecossistêmico no valor de US$ 135 bilhões por ano no mundo. “O serviço de polinização é crucial para a humanidade”, disse ao The Guardian o neurocientista Tracey Newman.
Nas últimas décadas, as abelhas produtoras de mel têm visto sua população diminuir significativamente. Muitas causas para o declínio no número de abelhas têm sido sugeridas, como a intensificação da atividade agrícola, que consome grandes áreas de terra, incluindo zonas de polinização desses insetos, doenças crescentes, uso excessivo de inseticidas e até fatores inusitados como sinais de telefones celulares. 

(Fonte: Exame.com)

Fonte: http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2013/10/04/98766-como-o-transito-inferniza-ate-a-vida-das-abelhas.html

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

petro



O nome é “O Petróleo é Nosso”, mas pode chamar de 

Petrobras


3 de outubro de 2013
Hoje se completam exatos 60 anos da assinatura da Lei 2004 pelo Presidente Getúlio Vargas.
Era o corolário de uma luta que mobilizava há décadas o Brasil, de quem todos os “sábios” diziam não ter petróleo.
Um luta que não terminou ali e não terminou ainda hoje.
Um ano depois, na carta com que deixou a vida para entrar na História, Vargas escreveu:
“Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma”.
Preste atenção nas palavras: “a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas”…
Esta é a função da Petrobras, ainda, 60 anos depois; perfurar por petróleo para encontrar um sonho de liberdade e justiça de um país e de seu povo.
E atrás deste sonho ela atravessou rocha, mar, incredulidade, traição.
Enfrentou as pressões das águas profundas do Brasil e de corações rasos de brasilidade.
A Petrobras nasceu e tornou-se no que é porque há brasileiros que acreditam no Brasil e fazem dela uma força capaz de vencer tudo e todos que nos querem ver no atraso, na dependência, na pobreza.
Estes calabares a enxergam apenas como uma empresa, cuja finalidade é dar lucros e dividendos aos acionistas e atender “às exigências de mercado”.
Ela faz tudo isso, mas como meio, não como fim.
Porque sua finalidade é aquela, escrita por Vargas.
Criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas.
Dentro de pouco mais de 15 dias, para desespero dos inimigos do povo e diante da incredulidade dos que não entendem que, nos últimos anos, a Petrobras passou, de novo, a ser a ferramenta que previu o velho Presidente, ela assumirá o controle do maior campo de petróleo já descoberto no Brasil.
Uns e outros se iludem com tecnicalidades e formalidades.
Há, porém, uma decisão tomada.
Ninguém poderá dar mais petróleo de Libra ao povo brasileiro que a sua filha, a Petrobras.
Os homens que não acreditam no amor descreem do amor de seus filhos e não confiam na capacidade destes, agora maduros,  encontrarem a forma de dar concretude a este amor.
São tolos, porque verão que seus filhos não fogem à luta e, porque amam, são invencíveis.
Desde 3 de outubro de 1953, o slogan “O petróleo é nosso” tem um nome e este nome é Petrobras.
O hoje, como mostra lindamente este filme comemorativo dos 60 anos da Petrobras, é filho do ontem.
E é, pelo bem, pelos direitos e pela dignidade deste povo, que tem um grande país e que merece e  vai ser livre e feliz que a Petrobras vai vencer hoje um desafio que fará o amanhã.
Um dia o 3 de outubro vai ser visto como realmente é: um Sete de Setembro.


Por: Fernando Brito

CIDADANIA EUROPEIA (1/2): “Estamos a assistir a um confronto fundamental”

CIDADANIA EUROPEIA (1/2):
“Estamos a assistir a um confronto fundamental”



3 outubro 2013
TROUW AMESTERDÃO




Segundo o escritor holandês Geert Mak, na primeira parte do discurso que proferiu numa conferência organizada pelo jornal “Trouw”, o maior desafio da UE é reconhecer a necessidade que os europeus têm de se sentirem “em casa” e de resolverem os seus próprios assuntos ao mesmo tempo que partilham os seus recursos para resolver os problemas transnacionais. Excertos.
Todos nós estamos familiarizados com o sentimento que me inspira Jorwerd, a pequena aldeia onde vivo – embora esse sentimento possa variar de língua para língua: do acolhedor “Home” ao orgulhoso “Lieu” ou ao “Heimat”, com todo o seu peso histórico [devido às associações a Hitler e ao Terceiro Reich]. No entanto, referimo-nos todos ao mesmo: o “lugar” onde nos sentimos em casa. Por seu turno, “espaço” representa oportunidades dinâmicas e, também, os riscos e o caos associados ao facto de nos aventurarmos por caminhos novos e inexplorados.
Lugar e espaço, “place et espace” foi um tema importante para o erudito francês Michel de Certeau, que mais tarde viria a ser aprofundado pelo pensador europeu – e também presidente do Conselho Europeu – Herman Van Rompuy. A Europa incorporou há muito, e continua a incorporar, o conceito de espaço, através da sua pretensão a alcançar a livre circulação de mercadorias, pessoas, serviços e capitais, a abolição de fronteiras, a criação de novas oportunidades – mas essas ambições envolvem igualmente o risco de causar agitação.

Fraqueza diabólica e maldita

Há séculos que a Europa conhece a tensão entre lugar e espaço. Um dia de viagem de carro pela Europa pode facilmente levar-nos a atravessar pelo menos quatro regiões, completamente diferentes em termos de língua e de cultura. Apesar de essa enorme diversidade ser há muito a nossa força, a rivalidade que dela resulta revelou-se como sendo a nossa fraqueza eterna, diabólica e maldita.
A história é conhecida: para escapar a tal destino, foi criada, em 1951, a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço – uma experiencia histórica com um governo supranacional. E, de facto, durante pelo menos cinco décadas, o projeto europeu foi muito bem sucedido. Ainda o é, em muitos aspetos. Não devemos nunca esquecer isso. Pergunte-se aos polacos, aos estónios e a outros antigos europeus de Leste qual é a sua opinião. Mas, desde 2010, diferentes países têm sido dilacerados por tempestades e incêndios, cujo fim não está à vista e, se sobreviver a esta investida, a União sairá dela muito enfraquecida.
A Europa de hoje está tão estreita e profundamente interligada que, os Estados-membros são obrigados e preocupar-se, em vários aspetos, com as políticas internas e as atitudes uns dos outros. Não podemos ignorar o facto de que, ocasionalmente, as fragilidades internas de alguns Estados-membros colocaram a União à beira do abismo. Mas, como pode o conceito de “espaço” influenciar a interpretação do “lugar”?

Nepotismo e clientelismo

Será possível, por exemplo, fazer desaparecer do dia para a noite, como que por magia, a relação totalmente distorcida entre o Estado e os seus cidadãos existente nos antigos países europeus de Leste? E o mesmo princípio não se aplicará ainda com mais força às tradições profundamente enraizadas de nepotismo e clientelismo existentes na maioria dos países do Sul da Europa? Por outras palavras: será que a mistura de advertências, subsídios, deduções e sanções raramente impostas controla de alguma forma o fenómeno do “lugar”? Em especial, quando, como no caso da Grécia, se pensa ser possível modernizar uma economia, fundamentalmente através da imposição da austeridade e dos cortes, que tem como resultado as vítimas tornarem-se mais uma vez completamente dependentes do apoio dos amigos e da família.
E como devemos encarar a nossa autoaclamada moralidade da dívida, a moralidade do castigo e dos cortes que, nos últimos anos, tem determinado a disposição da opinião pública na Alemanha e na Holanda, a moralidade a que os partidos da maioria governamental continuam a apegar-se com uma ignorância complacente, mas que é encarada com incredulidade pelo resto do mundo – incluindo pelo FMI –, uma vez que atrasa, ou bloqueia mesmo por completo, a recuperação da zona euro.
O preço que teremos de pagar por isto é elevado, em especial no Sul. Sabemos isso, também aqui no Norte, apesar de raramente ouvirmos um político holandês admiti-lo. Para já não falar do enorme preço moral para a geração dos mais novos, que perderam totalmente a confiança.

Integração, pelo menos em Bruxelas

Assim, que influência tem tudo isto sobre o nosso “espaço” europeu? E sobre a relação entre “espaço” e “lugar” no interior de uma Europa duramente atingida, a relação entre [a minha aldeia] Jorwerd e Bruxelas?
Nos últimos cinco anos, vivemos duas grandes crises de confiança: uma crise bancária em 2008 e 2009, a que se seguiu, desde começos de 2010, uma crise monetária, que, embora venha a acalmar ligeiramente desde o ano passado, está longe de ter terminado.
Se analisarmos as consequências na perspetiva de Bruxelas, vemos que as instituições da União sobreviveram espantosamente bem a todas estas adversidades, respondendo-lhes com medidas e com a criação de estruturas que, até há pouco tempo, eram consideradas inatingíveis. É verdade que a “pièce de résistance” final, a união bancária europeiaainda não está em vigor, mas, de um forma geral, a crise conduziu a uma maior integração. Pelo menos em Bruxelas.
As coisas são muito diferentes no mundo exterior, onde está em curso um processo inverso, um processo de desintegração. Por exemplo, na economia do euro, na qual as taxas de juro pagas por um empresário italiano são atualmente o dobro das cobradas a um empresário alemão. Estamos a assistir ao surgimento de uma Europa a duas, a três ou a talvez mais velocidades.

Equilíbrio de forças instável

Essa desintegração é também claramente evidente no debate político europeu: as divergências de opinião sobre a forma de combater a crise refletem a essência de culturas políticas e económicas diferentes. Os franceses e os italianos, que sempre dependeram da desvalorização para reduzirem as respetivas dívidas, não conseguem entender o medo primário que os alemães têm da inflação.
Esta dissonância está a perturbar o equilíbrio de forças na Europa. O motor da unificação europeia, o eixo Paris-Berlim, está a desagregar-se. A França pode vir a ser o próximo foco de problemas, depois da Espanha e da Itália. A Alemanha tem de liderar, uma tarefa que aquele país não pode nem ousa assumir. O fardo do seu passado é demasiado pesado.
Entretanto, os cidadãos estão a perder rapidamente a confiança na experiência europeia. Os resultados das próximas eleições europeiasirão refletir essa desconfiança: as sondagens indicam que o já difícil de gerir Parlamento Europeu será cada vez mais povoado porrepresentantes de partidos antieuropeus de extrema-direita.
Em resumo, estamos a presenciar um choque fundamental não apenas entre forças políticas, mas também entre tradições europeias profundamente enraizadas. Foram raras as vezes em que a Europa – nas suas muitas configurações – testemunhou uma instabilidade como a que agora se verifica no equilíbrio entre “espaço” e “lugar”. Iria um regresso ao sistema dos Estados-nação, do século XIX, restabelecer esse equilíbrio?

Google lança Constitute, uma busca de constituições do mundo

Google lança Constitute, uma busca de constituições do mundo



POSTED BY ADMIN ON SETEMBRO - 27 - 2013

constitute-google

O Google anunciou esta semana o Constitute Project, uma nova ferramenta online que tem como objetivo digitalizar todas as constituições do mundo e torná-las disponíveis para todos os usuários e interessados.
“Constitute permite que as pessoas possam navegar e pesquisar constituições via tópicos e curadoria de quem os marcou, assim como por país e ano. O projeto apresenta 350 temas, para que as pessoas podem facilmente encontrar e comparar um material constitucional específico”, publicou o Google.
Sara Sinclair Brody, Gerente de Produto do Google Ideas, disse que a nova ferramenta vai ajudar os cidadãos a aprender mais sobre suas próprias constituições, mas também oferecer o design da constituição aos governos que estão em processos constitucionais.
Com informações de Google Discovery.

A vitória do teclado

A vitória do teclado


Para desgosto dos franceses, a caligrafia está morrendo nos Estados Unidos. Será que este é o destino da técnica no resto do mundo?

por Gianni Carta — publicado 02/10/2013
Caneta
Qual é o futuro da caligrafia?

Para o horror dos franceses, a caligrafia está em vias de desaparição nos EUA
Fico admirado quando vejo a letra cursiva que minha filha de 12 anos aprimorou em cursos de caligrafia desde a maternal em escolas públicas na França. É uma letra arredondada, pequena, uma verdadeira arte.
Desenha com igual habilidade em uma escola de arte cuja professora ministra aulas no Louvre. Quando era um pouco mais velho que ela abandonei a letra cursiva pela bastão quando mudei para os Estados Unidos. Minha letra cursiva era um desastre, como a de meu filho de 9 anos, também ele a estudar na França. Em contrapartida, ele lê muito e é excelente aluno de matemática.
Cada um de meus filhos tem aptidão para uma matéria escolar, o que já é muito.
Portanto, não vejo com horror, como a vasta maioria dos franceses, o fato de a caligrafia, e aqui refiro-me ao ensino de letras cursivas redondas e ligadas umas às outras, estar em vias de desaparição em 45 dos 50 estados nos Estados Unidos.
Se na França a letra cursiva faz parte da identidade nacional, nos EUA predominará, como tem sido o caso desde o início do século passado, a letra bastão, ou de fôrma. Esta é mais fácil de aprender e, segundo alguns pedagogos, mais democrática. O motivo? A letra bastão se assemelha mais àquela de jornais, revistas, cartazes, e, mais importante, do computador. Ademais, pessoas isentas de talento são punidas com notas baixas em aulas de caligrafia em países como a França.
É a vitória dos teclados de computadores?
Para os norte-americanos, a partir do primeiro ano é mais importante ensinar para a criança a digitar rapidamente do que passar horas a fio para aperfeiçoar a letra.
No entanto, Laura Dinehart, da Universidade da Flórida, disse em uma entrevista recente que existe uma sólida correlação entre o aprendizado precoce da caligrafia e o bom desenvolvimento escolar do aluno.
Será?
Dinehart, é verdade, oferece estatísticas convincentes. E nos diz que é mais fácil memorizar copiando um texto à mão do que no teclado de um laptop. De fato, em bibliotecas francesas vejo muita gente a copiar textos à mão, mas também detecto centenas de laptops.
Em entrevista para um website brasileiro, Francisca Paula Toledo Monteiro, professora de alfabetização infantil da Unicamp, pondera: “Não há utilidade na letra cursiva nem em termos de coordenação motora, porque essa coordenação não é testada pela letra. Ela se dá na interação da criança com o mundo e com os outros”.
Em miúdos, a criança obtém melhor coordenação (um dos motivos pelos quais se ensina caligrafia na França) ao se alimentar com garfo e faca, ao amarrar o tênis, ao aprender a chutar uma bola, etc.
Além disso, hoje nos comunicamos mais via outros meios: SMS, tweets, e-mails.
A letra bastão não é somente mais democrática – mas ela está em sintonia com os novos tempos.
Ao invés de passar horas a aprimorar sua caligrafia, minha filha poderá desenhar mais, ir a mostras e estudar história. Por sua vez, meu filho terá mais tempo para ler, estudar matemática e jogar bola.
Quanto a mim, que adotei há décadas a letra bastão só uso lápis e papel para fazer anotações rápidas e, quando não uso gravador, para registrar as respostas de entrevistados. E só eu entendo meus garranchos.Para o horror dos franceses, a caligrafia está em vias de desaparição nos EUA
Fico admirado quando vejo a letra cursiva que minha filha de 12 anos aprimorou em cursos de caligrafia desde a maternal em escolas públicas na França. É uma letra arredondada, pequena, uma verdadeira arte.
Desenha com igual habilidade em uma escola de arte cuja professora ministra aulas no Louvre. Quando era um pouco mais velho que ela abandonei a letra cursiva pela bastão quando mudei para os Estados Unidos. Minha letra cursiva era um desastre, como a de meu filho de 9 anos, também ele a estudar na França. Em contrapartida, ele lê muito e é excelente aluno de matemática.
Cada um de meus filhos tem aptidão para uma matéria escolar, o que já é muito.
Portanto, não vejo com horror, como a vasta maioria dos franceses, o fato de a caligrafia, e aqui refiro-me ao ensino de letras cursivas redondas e ligadas umas às outras, estar em vias de desaparição em 45 dos 50 estados nos Estados Unidos.
Se na França a letra cursiva faz parte da identidade nacional, nos EUA predominará, como tem sido o caso desde o início do século passado, a letra bastão, ou de fôrma. Esta é mais fácil de aprender e, segundo alguns pedagogos, mais democrática. O motivo? A letra bastão se assemelha mais àquela de jornais, revistas, cartazes, e, mais importante, do computador. Ademais, pessoas isentas de talento são punidas com notas baixas em aulas de caligrafia em países como a França.
É a vitória dos teclados de computadores?
Para os norte-americanos, a partir do primeiro ano é mais importante ensinar para a criança a digitar rapidamente do que passar horas a fio para aperfeiçoar a letra.
No entanto, Laura Dinehart, da Universidade da Flórida, disse em uma entrevista recente que existe uma sólida correlação entre o aprendizado precoce da caligrafia e o bom desenvolvimento escolar do aluno.
Será?
Dinehart, é verdade, oferece estatísticas convincentes. E nos diz que é mais fácil memorizar copiando um texto à mão do que no teclado de um laptop. De fato, em bibliotecas francesas vejo muita gente a copiar textos à mão, mas também detecto centenas de laptops.
Em entrevista para um website brasileiro, Francisca Paula Toledo Monteiro, professora de alfabetização infantil da Unicamp, pondera: “Não há utilidade na letra cursiva nem em termos de coordenação motora, porque essa coordenação não é testada pela letra. Ela se dá na interação da criança com o mundo e com os outros”.
Em miúdos, a criança obtém melhor coordenação (um dos motivos pelos quais se ensina caligrafia na França) ao se alimentar com garfo e faca, ao amarrar o tênis, ao aprender a chutar uma bola, etc.
Além disso, hoje nos comunicamos mais via outros meios: SMS, tweets, e-mails.
A letra bastão não é somente mais democrática – mas ela está em sintonia com os novos tempos.
Ao invés de passar horas a aprimorar sua caligrafia, minha filha poderá desenhar mais, ir a mostras e estudar história. Por sua vez, meu filho terá mais tempo para ler, estudar matemática e jogar bola.
Quanto a mim, que adotei há décadas a letra bastão só uso lápis e papel para fazer anotações rápidas e, quando não uso gravador, para registrar as respostas de entrevistados. E só eu entendo meus garranchos.