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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A nossa mídia

A nossa mídia





A mídia brasileira é de fato impressionante. Não sei se constrói versões ideológicas a favor dos poderes dominantes – econômicos e políticos –  tão concatenadas por absoluta genialidade e coesão política ou se é puro acaso. Ou se é uma obtusão e idiotice tal que não percebe sequer o grau de manipulação que, em um efeito de boiada, a faz repetir ad infinitum e feito um mantra uma única versão dos fatos, sempre uma interpretação toscamente favorável aos interesses dominantes.
Foi o que aconteceu esta semana com a onda de leilões lançados pelo governo federal para promover obras de infraestruturas, de aeroportos, portos e estradas.
A informação que deu notícia é a de que os leilões foram um fracasso, pois as empresas, de modo geral, se apresentaram em número menos significativo do que o previsto, em alguns deles. 
A versão que inundou a mídia impressa, radiofônica e televisiva, sempre na voz de impagáveis “especialistas”, foi a de que: 1) os leilões foram um desastre; 2) isso por incompetência pura do governo federal; 3) a incompetência era a de ter criado “intervenção estatal demais” nos leilões, o que teria “assustado” os investidores.
A incompetência do governo, segundo a mídia e seus “especialistas” está, portanto, em querer que a Petrobrás tenha uma participação de 30% na exploração dos campos do pré-sal, que as tarifas de pedágio das rodovias não sejam estratosféricas (como as de São Paulo, diga-se), ou que a Infraereo tenha atuação de regulação dos aeroportos.          
Na minha língua, isso não é bem incompetência. É opção de política econômica. É uma abordagem dos leilões (após a era das privatizações vale-tudo) de cunho keynesiano. Nada muito grave, nada perto de alguma solução “chavista”, de nacionalizar tudo. Não, apenas a exigência de uma regulação ou uma participação estatal minoritária nesses fenomenais e lucrativos mercados que se abrem.
Se as empresas se assustaram, pode até se compreender. Jogo político, fazem o jogo delas, e é papel do governo manter ou não as condições, avaliar o que faz. Muitos dos leilões tiveram sim vários proponentes, mas esses foram pouco divulgados. Manteve-se o foco nos que deram problema.
Os jornais podiam lançar uma discussão de conteúdo, com argumentos, assumindo sua posição: assumir que são contra qualquer intervenção do estado, ou que a Infraereo é marcada por escândalos e de nada serve coloca-la no controle dos aeroportos, que defendem os interesses dos grandes grupos econômicos, ou o que for. Se a questão fosse apresentada nos seus termos reais, seria uma argumentação sobre posições de política econômica, uma discussão construtiva.
Mas não, o que aparece na mídia para a opinião pública comum é que é uma questão de competência ou incompetência, apenas. Parte-se do princípio e difunde-se como líquida e certa a ideia de que “excesso de intervenção” é algo ruim. Está feito o discurso ideológico, difundido à exaustão para a opinião pública, e que na prática serve aos interesses dos bilionários grupos econômicos que querem intervir no Brasil sem amarras ou restrições.
Para coroar o processo, de forma incrivelmente concatenada, a The Economist, revista que Maria Conceição Tavares já denunciou há anos como sendo porta-voz de grupos econômicos poderosos, solta uma capa com um Cristo Redentor-foguete caindo ao mar, após uma decolagem estupenda (que havia merecido uma primeira capa) e um vôo de barata.
O suficiente para a midiazona sair dizendo que é o fim do vôo virtuoso da economia brasileira “emergente”. Ninguém procura verificar as ligações da dita revista, vale apenas o factoide. Engraçado, pois na semana passada era um constrangimento geral com o fato do PIB do trimestre ter crescido muito acima do esperado e anunciado.
Não estou aqui dizendo que o crescimento continuará, nem que o ano de 2013 e o próximo não será extremamente delicados, como muitos economistas sérios, da oposição à direita e à esquerda do governo vêm indicando. Nem mesmo quero discutir aqui os leilões em si.
Só estou espantado com a frivolidade incompetente e reducionista da nossa mídia, do bombardeio diário e onipresente de uma mesma informação. Não sei mais quantas vezes desliguei o rádio do carro esta semana. Depois do dramalhão midiático dos embargos infringentes, é a vez dos leilões. Qual será o próximo?

Tesouros cartográficos

Tesouros cartográficos



Em 1994, o historiador e professor da Unicamp Paulo Miceli publicou O ponto onde estamos – Viagens e viajantes na história da expansão e da conquista (Portugal, séculos XV e XVI). A obra, que em 2008 ganhou sua quarta edição pela Editora da Unicamp, invadia a privacidade das naus integrantes das expedições que zarpavam de Portugal na época dos descobrimentos e revelava um cotidiano muito diferente das descrições epopeicas com que se emolduravam as viagens marítimas no período da expansão europeia. Nas páginas do livro, o épico cedia lugar ao trágico e ao grotesco, relatando a rotina de desconforto, fome, sede e epidemias que assolava exércitos de homens miseráveis a bordo de frágeis embarcações. Ao concluir o trabalho, Paulo se deu conta que havia descrito viagens em um mundo imaginário, porque não tratara do cenário percorrido pelos navegadores. Nessa lacuna acabou encontrando um novo tema de pesquisa, cujo resultado é o livro O desenho do Brasil no teatro do mundo (Editora da Unicamp, 264 páginas), em que apresenta ao leitor a trajetória da representação cartográfica da Terra, desde o final da Idade Média, com ênfase nas características da cartografia produzida sobre o Brasil no período colonial.
À maneira de um grande atlas, a publicação, no formato 28 x 36 cm, reúne reproduções primorosas de mais de uma centena de trabalhos desenhados a partir do século 15, como mapas manuscritos, cartas xilogravadas e outros produzidos em grandes tiragens por renomadas casas impressoras dos Países Baixos.
O conteúdo visualmente impactante é o somatório de alguns anos de pesquisa em acervos cartográficos depositados em instituições brasileiras (como a Biblioteca Nacional, a Biblioteca do Itamaraty, o Museu da Marinha e o Arquivo Histórico do Exército) e do exterior, especialmente em Portugal, embora o levantamento, apoiado pelo CNPq e pela Fapesp, tenha se estendido para Espanha e França. Contribuiu também para o enriquecimento do estudo o período em que Paulo atuou como consultor do Instituto Cultural Banco Santos, onde ajudou a organizar o acervo cartográfico e publicou, em 2004, com o apoio da entidade, o livro O tesouro dos mapas.
“O meu foco não foi produzir uma história da cartografia, mas evidenciar como o Brasil foi sendo reproduzido nesse esforço da humanidade em desenhar a Terra”, explica Paulo, que se inspirou para o título de seu livro na obra-prima Theatrum orbis Terrarum, (ou Teatro do Globo Terrestre) do cosmógrafo flamengo Abraham Ortelius (1527-1598), considerado o primeiro atlas moderno da História.
Além da preocupação em proporcionar uma organização temática à ampla coleção de mapas publicada, ele salienta ter tomado o cuidado em produzir um texto que se distanciasse da linguagem acadêmica e tornasse o estudo acessível e de leitura agradável a qualquer leitor interessado no assunto. Colabora, para isso, o fato de ter elaborado uma obra permeada de episódios pitorescos, como os casos de plágio e até roubo de mapas entre artesãos concorrentes, reveladores de que a história da arte e da técnica da cartografia também abriga em seu interior atos pouco edificantes para algumas biografias.

Brasilia barbarorum
O livro analisa a representação cartográfica de quatro regiões do território brasileiro: a Amazônia, as zonas litorâneas do Nordeste – no tempo da guerra entre Portugal e Holanda –, o sertão e os confins do sul.
De acordo com o estudo, é possível afirmar que o crescimento da produção cartográfica na Europa foi acompanhado por uma tendência crescente de se representar, integralmente, os territórios do Novo Mundo, com seus países e continentes. Em relação ao Brasil, o território então recém-descoberto surgia como o centro instigador da curiosidade e da imaginação europeia, envolto em uma áurea de exotismo e perigos propagada por cartas e relatos fantasiosos dos viajantes.
Segundo apurou Paulo, as primeiras representações cartográficas conhecidas do Brasil detiveram-se principalmente na vasta costa aberta para o Atlântico, e foi esse o espaço cujo perfil mais rapidamente se incorporou ao conhecimento geográfico europeu.
“As cartas quinhentistas e mesmo seiscentistas, em seu conjunto, eram essencialmente náuticas, pois, mais do que na busca de novas terras, os esforços dos portugueses concentravam-se no estabelecimento mais preciso dos caminhos do mar, sendo importante notar que a posse das costas do Brasil e da África concedia-lhes o domínio estratégico de todo o Atlântico Sul”, lembra o autor.
Outra curiosa constatação: desde os primeiros anos da colonização, por menor que fosse o grau de detalhamento dos mapas dedicados ao Brasil, o rio Amazonas sempre apareceu destacado pelos cartógrafos, em dimensões exageradas que contrastavam com a paisagem vazia que se estendia para além da moldura costeira.
O vazio da imensa e desconhecida massa continental, aliás, era preenchido pela fértil imaginação dos navegadores. O interior do país ainda permanecia obscuro, retratado nos depoimentos como uma região incógnita e inóspita, habitada por pessoas que se alimentavam de carne humana, exibiam nudez sem pudor e viviam sem respeitar as leis civilizadoras da religião e da política.
Essas imagens acabaram incorporadas pelos cartógrafos renascentistas e materializadas em seus trabalhos por meio de cenas de antropofagia e demais elementos teratológicos, acrescentados às advertências escritas nos mapas, relativas à ameaçadora “terra dos bárbaros”, ou Brasilia barbarorum, conforme denominação dada ao território em um mapa do cartógrafo alemão Georg Seutter.
“A força com que essas representações fantasiosas se inscreveram na cultura europeia pode ser percebida por sua presença ao longo de séculos em algumas das mais importantes produções cartográficas relativas ao Brasil e seus habitantes”, enfatiza o docente do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp. Ele observa que na segunda metade de 1600, a cartografia sobre a Amazônia e sobre outras regiões interioranas do Brasil, foi consideravelmente ampliada pelo trabalho dos missionários jesuítas.

Em busca de um autor
É necessário destacar, ainda, o capítulo dedicado à belíssima arte resultante das batalhas entre portugueses e holandeses pela ocupação do Nordeste brasileiro. A intensidade dos conflitos, observa Paulo, como não poderia deixar de ser, acabava reproduzida pelos cartógrafos, que desenhavam o extenso cenário em que se travavam as lutas pelo domínio territorial.
Na representação cartográfica da região, houve importantes contribuições da família Teixeira, principal escola cartográfica portuguesa do período que vai da segunda metade do século 16 até 1675. Porém, ressalva o historiador, em que pese a importância que esses e outros registros cartográficos portugueses tiveram para compor o desenho do Brasil, é imperioso ressaltar a significativa produção gerada pela presença holandesa nas costas nordestinas, por conta da excelência de seus artistas, cosmógrafos e engenheiros (Marcgrave, Frans Post e Eckhout, entre outros), aos quais são devidas centenas de mapas, cartas, plantas, gravuras, desenhos e pinturas que mostram as capitanias submetidas ao domínio holandês e suas cidades, vilas e fortificações; as batalhas terrestres e navais; as atividades econômicas predominantes, os espécimes da flora e da fauna; e a diversidade das paisagens.
Paulo enfatiza que O desenho do Brasil no teatro do mundo foi concebido também com o propósito de estimular novos estudos em uma área na qual o país não tem tradição. Parafraseando o dramaturgo e poeta siciliano Luigi Pirandello (1867-1936), com sua intrigante Seis Personagens à Procura de um Autor, ele argumenta que a cartografia, na historiografia brasileira, foi sempre uma grande personagem em busca de um autor.
Iniciativas importantes nesse campo, lembra o pesquisador, foram empreendidos por nomes fundamentais na história da cartografia nacional, como o contra-almirante Max Justo Guedes (1927-2011), criador do Museu da Marinha e autor de inúmeros estudos e ensaios carto-bibliográficos, e pela geógrafa e historiadora Isa Adonias, diretora por muitos anos da Biblioteca do Itamaraty. Ambos sucederam com seus trabalhos os estudos referenciais conduzidos pelo historiador português Jaime Cortesão (1884-1960) durante o período de seu exílio no Brasil.
“A história da cartografia é um projeto que requer um esforço coletivo, contínuo e multidisciplinar, já que o mapa não pode ser analisado apenas pelo viés do historiador; o mapa é um monumento cultural dos mais ricos, é uma obra de arte, é resultado de um saber estratégico, encerra valores filosóficos, políticos e religiosos. Portanto, a cartografia não pode ser um campo de estudos restrito à historiografia; deve merecer a atenção de geógrafos, artistas, etnógrafos, linguistas, sociólogos, filósofos e teólogos”, argumenta Paulo.
Serviço
Título: O desenho do Brasil no teatro do mundo

Autor: Paulo Miceli
Páginas: 264 páginas
Preço: R$ 190,00

Editora da Unicamp

REFUGIADOS SÍRIOS: “Toda a Europa é melhor do que a França”

REFUGIADOS SÍRIOS:
“Toda a Europa é melhor do que a França”


2 outubro 2013
LIBÉRATION PARIS




Calais (Norte), a 28 de agosto de 2013. Um contentor onde foram alojados cerca de quarenta refugiados sírios que aguardavam a passagem para o Reino Unido.
Calais (Norte), a 28 de agosto de 2013. Um contentor onde foram alojados cerca de quarenta refugiados sírios que aguardavam a passagem para o Reino Unido.  DR Vibrations migratoires

Não param de chegar refugiados sírios a França com a intenção de passar para a Inglaterra. Lá esperam receber um melhor tratamento do que em Calais, onde vagueiam pela ruas após terem sido expulsos do armazém que ocupavam. A Suécia que acaba de conceder oficialmente o estatuto de refugiado aos sírios é outro destino muito cobiçado.
Não há abrigos para os refugiados sírios em Calais. Foram expulsos das habitações que ocupavam no dia 5 de setembro, por motivos de segurança e de insalubridade, explica a Câmara Municipal. Desde então, vagueiam nas ruas em pequenos grupos. A pressão policial para evitar uma nova ocupação num edifício abandonado é constante. Não lhes dão a hipótese de descansar nem de pousar os seus bens pessoais. “Estão mesmo num processo de marginalização intenso”, lamenta Cécile Bossy, coordenadora da missão Imigrantes do Litoral de Médicos do Mundo. A ONG, juntamente com cinco outras organizações, lançou um apelo para melhorar o acolhimento dos refugiados sírios em França.
Entrevistado na véspera da expulsão, Youssef*, um estudante de língua inglesa de 25 anos, estava mais do que revoltado. “Tentamos sobreviver sem a ajuda de ninguém. Não temos água, casas de banho, está tudo a cair em ruínas mas pelo menos temos um teto. Por que nos querem expulsar?”
A loiça era lavada por cima de um esgoto, as meias secavam penduradas nas grades que cercavam a instalação industrial. Vivia-se em condições precárias mas de forma organizada neste antigo armazém de venda por grosso, que toda a gente chama “Beer House”, situado perto do porto de Calais. Várias toneladas de latas de cervejas cheias ainda lá estavam abandonadas e, apesar de estarem fora de prazo desde 2007, o bairro inteiro continuava a abastecer-se.

“Os europeus não fazem nada”

O grande armazém, outrora ocupado por uma centena de sudaneses, está agora tapado com blocos de cimento. Os pouco mais de vinte sírios presentes tinham optado por ficar afastados, num antigo edifício prefabricado em ruínas situado ao lado. Na parte lateral do edifício, desenharam uma bandeira inglesa, talvez para nunca se esquecerem do objetivo da sua viagem. No interior, puseram colchões de campismo e mantas nas três divisões. Mas as regras de hospitalidade eram sempre respeitadas, partilhando nomeadamente refeições improvisadas, como azeitonas, queijo e atum em óleo, com visitantes, jornalistas, militantes do movimento No Border, benévolas da associação La Marmite aux Idées, membros da Médicos do Mundo.
A intervenção europeia na Síria? Encolheram os ombros, não acreditavam em tal coisa e tinham razão. “Há muito que os europeus não fazem nada. Já não há esperanças.” Fatalista, a voz de Youssef começou somente a falhar quando lhe pedimos notícias dos seus pais e irmãos, que continuam na Síria: não há. Refugiaram-se numa aldeia mais segura, afirma. Quanto a ele, já passaram seis meses desde que anda na estrada.
Em Calais, são entre 30 a 50 os refugiados sírios que tentam constantemente atravessar o estreito. “Chegaram este inverno”, adianta Philippe Wannesson, da Marmite aux idées. Um fluxo regular proveniente de Damasco, Homs e Deraa, perto da fronteira israelita. “São pessoas que têm o mínimo de dinheiro para viajar até aqui.” Youssef pagou 7500 dólares (cerca de 5500 euros) para chegar à França. A passagem para a Inglaterra? Entre mil e dois mil euros. Hassan junta-se à conversa, tem 30 anos e é pintor da construção civil. Quando a sua casa foi destruída por um míssil, decidiu sair do país. Este homem imponente não hesita em mostrar as suas têmporas: “os cabelos brancos devem-se a Bashar”, diz ele em árabe, traduzido logo de seguida pelos seus companheiros num péssimo inglês. Já cá está há sessenta dias, tenta a sua sorte todas as noites e perdeu a conta às vezes que foi detido pela polícia nas fronteiras – pelo menos 20, afirma.

Condições precárias

Acaba por ser sempre libertado: é impossível deportá-lo para o seu país em guerra. Pedir asilo em França? Este abana a cabeça. Viu o que aconteceu aos sudaneses. Muitos apresentaram um pedido de asilo, que normalmente lhes teria dado direito a um alojamento num centro de acolhimento de requerentes de asilo (CADA). Mas não há camas suficientes: vivem nas mesmas condições precárias do que os outros.
“O processo demora dois anos, ao que respondem ‘não, obrigado’. Regra geral, têm uma família para trazer para cá”, realça Philippe Wannesson. “Os que chegam a Calais, e veem o que se passa, não ficam em França.” Na Inglaterra, os refugiados são imediatamente alojados. NaSuécia, ainda é melhor: “o país decidiu recentemente atribuir o estatuto de refugiado a todos os sírios que lá se apresentarem, um título transitório de três anos”, salienta Philippe Wannesson, e com a possibilidade de trazerem os restantes membros da família. O que nos leva a dar razão a Youssef e ao seu grito de desespero: “toda a Europa é melhor do que a França”.
  • Os nomes foram alterados

China abocanha rede elétrica argentina

China abocanha rede elétrica argentina


Yuan Jiafu, Wang Fang e Yuan Baoyi, da estatal chinesa Gezhouba,
fizeram declarações que não convenceram na Argentina.
Nacionalismo populista e marxismo oficial visam o mesmo objetivo.

























O grupo chinês Gezhouba recebeu do governo argentino a megaobra da hidrelétrica de Santa Cruz, na Patagônia.

O grupo chinês também anunciou que  está de olho no milionário projeto de Chihuido, na província de Neuquén, informou o jornal “Clarín” de Buenos Aires. 

“Escolhemos a Argentina pelo seu potencial econômico e pelas necessidades energéticas do país para atender o seu crescimento nos próximos anos”, disse Yuan Baoyi, vice-presidente da Gezhouba International (GGI).

Na verdade, a sabotagem ostensiva contra as empresas “capitalistas” e “antipopulares”, segundo o discurso socialista oficial, é a causa da aflitiva falta de energia no país platino. E a China não teria conseguido as licitações se não estivesse associada aos atuais dependentes diretos da Casa Rosada.

Gezhouba apresentou como grande argumento o financiamento do Banco de Desenvolvimento da China (CDB) que prometeu financiar o 85% da mega-obra. Porém, os argumentos chineses soaram inautênticos no país platino.

A convergência ideológica e de interesses entre o nacionalismo peronista -- todo ele voltado para a luta contra as elites argentinas -- e o marxismo maoísta também radicalmente igualitário e anti-classista parece ter sido o fator decisivo.

Com efeito, os elogios de Baoyi conduziram às nuvens a empresa sócia diretamente ligada ao governo populista argentino, a Electroingeniería. 

Para Baoyi “o consórcio foi o que mais bem interpretou o que pedia o Governo em matéria de financiamento, além de aproveitar os créditos que oferecem os bancos e o Governo da China”, completou sem muito embaraço.

É o populismo nacionalista argentino estreitando os laços com o marxismo radical, mas procurando se disfarçar...

CHEFES DE INTELIGÊNCIA DOS EUA CHAMAM PARALISAÇÃO DE ‘PERIGO INSIDIOSO'

CHEFES DE INTELIGÊNCIA DOS EUA CHAMAM PARALISAÇÃO DE ‘PERIGO INSIDIOSO'




Líderes da comunidade de Inteligência dos EUA alertaram nesta quarta-feira que a paralisação do governo é uma ameaça "insidiosa" à segurança nacional, que aumentará quanto mais tempo milhares de empregados ficarem longe do trabalho.
"Estou no negócio da Inteligência há cerca de 50 anos. Nunca vi nada assim", disse o diretor da Inteligência Nacional dos EUA, James Clapper, em uma audiência do Comitê do Judiciário do Senado a respeito dos programas de vigilância.

"Isto (a paralisação) afeta nossa capacidade global de apoiar os militares, a diplomacia e as questões de política externa. O perigo aqui é que isto vai acumular ao longo do tempo. O dano será insidioso, então a cada dia que passa, o risco aumenta", declarou.
A incapacidade do Congresso norte-americano de acordar uma legislação orçamentária causou uma paralisação parcial do governo, já em seu segundo dia e sem fim à vista. A última vez em que o governo foi paralisado a este ponto foi em 1995 e 1996.
Clapper e o General Keith Alexander, diretor da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês), falaram na audiência em um edifício do Senado silenciado pela ausência de milhares de servidores.
As agências de Inteligência já enfrentam protesto por conta da extensão da vigilância governamental sobre comunicações telefônicas e de Internet de seus cidadãos.
Clapper disse que 70% dos funcionários civis de Inteligência tiveram que ser dispensados nesta semana por não estarem lidando com uma ameaça iminente a vidas ou propriedades, mas esse número será ajustado caso a paralisação continue.

As agências de Inteligência dos EUA têm passado por um escrutínio, com público e legisladores exigindo mudanças, desde que Edward Snowden, ex-contratado da NSA, vazou informações a partir de junho segundo as quais o governo coleta muito mais dados de telefones e Internet do que se sabia até então.
Alexander, diretor da NSA, disse que as dispensas relacionadas à paralisação prejudicam a moral e que sua agência corre o risco de perder milhares de Ph.Ds, cientistas de computação e matemáticos forçados a deixar o trabalho.
"Nossa nação precisa de gente assim, e a maneira como nós tratamos essas pessoas é dizendo-lhes ‘vão para casa, porque não podemos pagá-los'", disse.

COREIA DO NORTE DIZ QUE ALIANÇA SUL-EUA GERA PERIGO DE GUERRA NUCLEAR

COREIA DO NORTE DIZ QUE ALIANÇA SUL-EUA GERA PERIGO DE GUERRA NUCLEAR




As autoridades norte-coreanas asseguraram nesta quarta-feira que a aliança defensiva entre Coreia do Sul e Estados Unidos gera "perigo de guerra nuclear", afirmação que veio em resposta aos acordos para "fortalecer o guarda-chuva nuclear" diante da ameaça do regime comunista da Coreia do Norte.
Segundo a edição desta quarta-feira do jornal governista norte-coreano "Rodong", a aliança militar entre americanos e sul-coreanos, considerada "criminosa" pelo regime, "cria um grande perigo de guerra nuclear" e "bloqueia os processos para reparar as relações entre as duas Coreias".
O texto traz uma resposta à assinatura de um acordo para fortalecer o "guarda-chuva nuclear", o qual foi firmado hoje em Seul pelo secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, e o ministro de defesa sul-coreano Kim Kwan-jin.
O regime norte-coreano também considerou que a aliança entre Coreia do Sul e EUA é "agressiva e desigual, já que perturbou a reconciliação, a unidade e a reunificação entre as duas Coreias", segundo o jornal do Partido dos Trabalhadores norte-coreano.

Além disso, a Coreia do Norte acusou os Estados Unidos de impor "todo tipo de práticas arbitrárias" a seu sócio asiático com o pretexto do acordo de defesa que ambos os países mantêm.
EUA se comprometem a defender a Coreia do Sul em caso de conflito armado com o Norte e, para isso, mantém 28,5 mil soldados em território sul-coreano como vestígio da Guerra da Coreia (1950-53).
A aliança militar entre Seul e Washington se reforçou especialmente nos últimos meses, depois que uma intensa campanha de hostilidades do regime de Kim Jong-un, iniciada entre março e abril, elevasse a tensão na região.
A Coreia do Norte e Coreia do Sul permanecem tecnicamente em confronto desde a Guerra da Coreia, a qual foi encerrada com um armistício que até hoje não foi substituído por um tratado de paz definitivo.

Novos partidos políticos

Novos partidos políticos


A fundação de novos partidos políticos surge desprovida de quaisquer projetos políticos para o país

02/10/2013 
Editorial da edição 553 do Brasil de Fato 
Há, hoje, 32 partidos políticos legalizados em nosso país. O número poderá aumentar até dia 5/10, data limite para legalizar a criação de novos partidos e assegurar suas participações nas eleições de 2014. O Partido Republicano da Ordem Social (Pros) e o Solidariedade (SDD) obtiveram na semana passada os registros no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Está na fila — e na expectativa — o partido Rede Sustentabilidade, da ex-senadora Marina Silva. 
Mesmo com todas as fragilidades e deficiências da chamada democracia representativa, os partidos políticos são instrumentos importantes na definição de políticas e conquistas democráticas de um país. São abundantemente as denúncias de corrupção e da existência de verdadeiras quadrilhas para açambarcar os cofres públicos. Práticas que não poupam nenhum dos três poderes republicanos, inclusive o do Judiciário. 
A questão, nesse quesito, não é se este partido é mais ou menos corrupto daquele outro. Pedro Serrano, professor de Direito Constitucional da PUC-SP, é enfático ao defender que a corrupção se combate com um amplo e profundo processo de educação cultural do povo em defesa dos bens públicos e criando instrumentos legais para reprimir os que praticam essas ações criminosas. 
Há partidos que, mesmo hesitantes, não receiam em cortar a carne do próprio corpo para punir corruptos. Outros, preferem enfrentar a corrupção nas suas hostes promovendo a perseguição e a desmoralização dos que fazem as denúncias, impedindo a criação de CPIs, engavetando os processos, aparelhando os órgãos de fiscalização e prestação de contas e comprando o silencio e a conivência da mídia. 
Há mais de duas décadas, os defensores das políticas neoliberais, tendo o monopólio das comunicações nas mãos, promovem a desmoralização da política. Enfraqueceram e desmoralizaram os espaços institucionais que possibilitam participação popular na política, nas esferas do Legislativo e Executivo. E, fortaleceram a atuação dos órgãos institucionais do Estado burguês que veda a participação e influência popular, como o poder Judiciário, o aparato repressivo, os tribunais de contas e as agências reguladoras. Esses atores políticos são endeusados como se estivem imunes aos pecados da política. 
Já os partidos políticos, governos e parlamentares, são execrados. Não prestam! A irracionalidade — ou seria imbecilidade? — é tamanha que um partido político, o Partido Verde (PV) ocupou espaços nos meios de comunicação exibindo, insistentemente, um cartaz que pedia o fim dos políticos e dos partidos políticos. Se fosse atendido, o que iria colocar no lugar? Os generais da ditadura militar? Os filhos do Roberto Marinho, donos da Globo, acusada de sonegar dos cofres públicos mais de um bilhão de reais? Eleger, na assembleia do próprio PV, o Serra como presidente do país? Corria o risco de rachar a assembleia... 
A própria Marina Silva põe água no moinho da ignorância política, quando se diz contrária a partido e cria Rede Sustentabilidade. Há anos os grupos econômicos e latifundiários criam suas bancadas suprapartidárias, fazendo pouco caso das estruturas partidárias e do princípio de fidelidade partidária. Prática essa que está no cerne da corrupção de parlamentares. 
Na mídia, esse movimento de desmoralizar a participação na política é complementado com uma agressiva campanha midiática para tornar-se porta voz da opinião pública. Como se isso fosse possível diante do seu perfil reacionário, oligopolizado, antissocial e com um histórico de atuação política que a identifica com o golpe militar de 1964. 
Exatamente por acreditar no mundo fantasioso que criam em suas redações, não compreenderam absolutamente nada das mobilizações que ocorreram em junho. Pensavam que ao destacar alguns cartazes contra a corrupção ou contra a PEC 37 era suficiente para ter o controle daquelas mobilizações. 
Imaginavam que o fato se repetiria nos desfiles de 7 de setembro, contra o governo federal, e no julgamento dos embargos infringentes da AP470, o mensalão petista. Como o povo não atendeu seus chamados, bastou para que seus colunistas — os chamados rola-bosta, nas acertadas palavras do teólogo Leonardo Boff — voltassem ao seu estado natural: criticar o povo, subestimando sua capacidade de discernimento político. 
Defender e valorizar a atuação partidária, abrindo espaços para a participação do povo não apenas nos calendários eleitorais, não nos exime de fazer uma crítica e exigir profundas mudanças na legislação partidária do país. 
A fundação de novos partidos políticos surge desprovida de quaisquer projetos políticos para o pais. Não são portadores de nenhuma mensagem política para sociedade. Parece ser apenas um acerto entre grupos de parlamentares, interessados em se situar melhor no pleito eleitoral do ano que vem e, assim, quem sabe, usufruir melhor dos governos eleitos ou reeleitos. Intenção que sequer espera o resultado eleitoral. 
Já agora, parece haver negociações que visam apenas interesses particulares (obscuros?) e, praticamente nada de política com P maiúsculo, como diria A. Gramsci. 
Os grupos econômicos e financeiros não estão alheios a essas motivações de criação e trocas de partidos políticos. Às vezes, um telefonema de um empresário é suficiente para um parlamentar trocar suas convicções partidárias. 
Restará ao grupo Itaú — maior crítico da política econômica do atual governo e defensor da retorno da ciranda financeira dos juros altos — esclarecer à sociedade sobre todo seu empenho e interesses na fundação de uma novo partido. 
Os que promoveram as privatizações e abarrotaram os cofres dos bancos, já não servem mais? Nesse cenário, que sejam bem vindos os novos partidos políticos. Mas, acima de tudo, que seja bem vinda uma Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva, para prover uma profunda reforma eleitoral e tributária e que promova uma nova lei de comunicação que assegure os interesses do povo brasileiro e da soberania nacional, e não dos barões da mídia.